O prefeito Fernando Haddad (PT) inaugura às 8h desta segunda-feira, 01, a prometida faixa exclusiva para ônibus na Marginal do Pinheiros, que será a maior da cidade, com 21 quilômetros de extensão, quando estiver totalmente concluída. Ela faz parte de um pacote, anunciado na última semana, que prevê que a cidade tenha 220 quilômetros de faixas exclusivas até o final deste ano.
O trecho aberto hoje é na Avenida das Nações Unidas, no trecho entre a Rua Professor Leme da Fonseca e a Avenida Interlagos, na pista sentido Interlagos. Ele tem 3,6 quilômetros. No sentido oposto, em direção da Rodovia Castelo Branco, a faixa é entre as Avenidas Interlagos e Mário Lopes Leão, medindo 4,2 quilômetros de extensão.
Essas faixas vão funcionar apenas nos horários de pico: das 6h às 9h e das 17h às 20h, sempre de segunda a sexta-feira. A previsão da Companhia de Engenharia de Tráfego é que, em breve, a faixa se estenda por toda a pista local da Marginal do Pinheiros, nos dois sentidos.
Por enquanto, não haverá cobrança de multa para os motoristas que não respeitarem a exclusividade das faixas para os ônibus - a Prefeitura trata o momento como uma fase educativa, para que a população "se acostume" com a faixa. Em data a ser definida, a multa será de R$ 53,20, e o motorista terá três pontos anotados em seu prontuário da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Estratégia
As faixas exclusivas são a aposta mais barata e de rápida implementação feita pela gestão Haddad para melhorar o serviço dos ônibus. O raciocínio é que, dando mais espaço para os coletivos circularem, a velocidade média deles vai aumentar. E, com os ônibus chegando mais rápido aos pontos, é como se oferta de coletivos aumentasse, o que reduz a superlotação deles. Há ainda a estimativa de redução dos custos operacionais, movimento relevante no momento em que a tentativa de aumento das tarifas foi barrada pelos protestos organizados pelo Movimento Passe Livre (MPL).O aspecto negativo das faixas é que elas retiram espaço de circulação para os carros - o que, em tese, aumenta o tamanho dos congestionamentos.
Embate
Prevendo eventual repercussão negativa na disputa por espaço entre os carros e os ônibus, o prefeito Haddad declarou anteontem, em visita a uma escola de São Miguel Paulista, extremo leste da cidade, que a população deve "brigar" pelo transporte coletivo.
"As pessoas vão chegar mais cedo em casa (com as faixas exclusivas). Nessa hora de embate entre o carro e o ônibus eu espero que vocês estejam na rua para defender o transporte, porque a decisão vai ser tomada em favor do transporte público", disse o prefeito.
Embate
Prevendo eventual repercussão negativa na disputa por espaço entre os carros e os ônibus, o prefeito Haddad declarou anteontem, em visita a uma escola de São Miguel Paulista, extremo leste da cidade, que a população deve "brigar" pelo transporte coletivo.
"As pessoas vão chegar mais cedo em casa (com as faixas exclusivas). Nessa hora de embate entre o carro e o ônibus eu espero que vocês estejam na rua para defender o transporte, porque a decisão vai ser tomada em favor do transporte público", disse o prefeito.
Agência Estado
O setor de transporte público é sabidamente vital para uma metrópole ao afetar não só a mobilidade da população, como ao impactar o ambiente e o desempenho socioeconômico. Não é por acaso que as cidades com melhor qualidade de vida também apresentam adequados sistemas de transportes. No Brasil, mesmo reconhecendo o esforço nos últimos anos em reverter o quadro caótico do transporte urbano, fruto de décadas de abandono, muito trabalho ainda há por se fazer. 


Sem defende da nr uma tomada de posição que ingenuamente simplifique os últimos movimentos pelo "passe livre” como sendo de fato uma reivindicação por transporte público com tarifa zero (porém, é claro, não de graça), apenas, no entanto, identifico que estamos perante uma discussão que sempre foi nossa, mas poucas vezes foi escutada pela sociedade. O grande risco que se apresenta agora é que, em função do grande poder de "espetáculo” que existe atualmente, a discussão descambe para a intervenção em apenas uma das variáveis do problema - por exemplo, o preço da tarifa - e as coisas fiquem ainda piores para o transporte público. Por outro lado, o espetáculo e sua visibilidade exigem que nossa voz esteja presente.








