quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conferência Internacional da Mobilidade Urbana: Gestão inteligente e competitividade

16 de Setembro de 2011 - Lisboa
A premência da (r)evolução na mobilidade urbana é já um dado adquirido em toda a Europa, inclusivamente num contexto mundial, sendo cada vez mais evidente a necessidade de uma estratégia global que  torne o sistema de transportes mais competitivo, optimizando a mobilidade e promovend emprego, consequentemente, crescimento económico .
 
Numa altura em que o Plano Estratégico de Transportes (2008-2020), está, finalmente, prestes a ser implementado, agitam-se os objectivos de aumento da competitividade do sector e da redução dos impactes ambientais que vêm em linha de conta com as prioridades da Europa.
 
A Conferência Internacional Mobilidade Urbana: Gestão Inteligente e Competitividade surge como o palco onde as várias estratégias que podem ser postas em prática para uma gestão eficiente da mobilidade nos tempos actuais, em tempo de crise e depois de crise, serão apresentadas e debatidas pelos grandes especialistas, decisores, técnicos e empresas que, a nível nacional e internacional trabalham no sector desenvolvendo soluções para uma estrutura de transportes mais forte e mais organizada nas cidades.
 
Na Conferência Internacional Mobilidade Urbana: Gestão Inteligente e Competitividade ocorrerá, ainda, uma Mostra de Soluções para a Mobilidade Urbana: um espaço de exposição no qual as empresas terão oportunidade de apresentar os seus produtos e tecnologias aos responsáveis e técnicos que actuam sobre esta matéria.
 
 
Fique atento!
 
TEMÁTICAS
  • O Plano Transportes 2050 da Comissão Europeia
  • O Novo Regulamento de Estacionamento de Lisboa
  • Políticas de Mobilidade e Governança
  • Sistemas Inteligentes de Mobilidade Urbana
  • Soluções para a Mobilidade Eléctrica
  • Preparação das Habitações para a Mobilidade Eléctrica
  • Expansão da Rede Mobi.E ao Território Nacional
  • Gestão de Mobilidade em Tempo Real
  • Controlo de Frotas
  • Equipamentos Urbanos e Soluções de Apoio à Mobilidade 
  • Plataformas de Simulação Integrada
  • Combustíveis Alternativos
  • Planeamento, Políticas e Qualidade de Vida

PÚBLICO-ALVO
 
Altos responsáveis, gestores e decisores sobre a mobilidade nas cidades:
• Autarquias
• Serviços e Organismos do Ministério das Obras Públicas e dos Transportes
• Serviços e Organismos do Ambiente e do Ordenamento do Território
 
Administradores, responsáveis de projecto e técnicos de:
• Empresas de Consultoria
• Empresas de Mobilidade Urbana
• Gabinetes de Arquitectura
• Gabinetes de Urbanismo
• Gabinetes de Arquitectura Paisagista
• Gabinetes de Engenharia
• Empresas do Sector do Turismo
• Empresas e Associações dedicadas à Mobilidade Urbana
 
Outros sectores:
• Investigadores, professores e estudantes universitários;
• Entidades, públicas ou privadas, com interesse na matéria.
 
Cristina Baddini Lucas - Assessora do  MDT

terça-feira, 19 de abril de 2011

Antenor Pinheiro recomenda BRT

Antenor Pinheiro, 52 anos, jornalista e perito criminal especializado em trânsito, assumiu em março a coordenação da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), regional Centro-Oeste, entidade criada em 1977 e voltada ao setor de transporte público e do trânsito urbano do Brasil. Representa o país na União Internacional de Transportes Públicos (UITP), órgão consultor das Organizações das Nações Unidas.
A ANTP está preparando a proposta brasileira a ser inserida nas diretrizes da "Década Mundial da Segurança Viária" (2011/2020), definida pela ONU para a redução de mortos e feridos no trânsito. 
Como o Brasil venceu a disputa para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a ANTP participa dos estudos e acompanha os projetos de mobilidade urbana, que devem transformar capitais e vários municípios do país.


Com anos de estrada quando o assunto é trânsito e transporte urbano, Antenor se tornou secretário de Trânsito e Transportes de Goiânia, foi presidente do Conselho Estadual de Trânsito de Goiás, membro da Câmara Temática de Assuntos Veiculares do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e do Fórum Consultivo do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Nesta entrevista, Antenor coloca o dedo direto na ferida e diz que não existe "indústria de multas e sim uma indústria de infrações".Cofira trechos da entrevista para a Gazeta:


Antenor Pinheiro - A crise da mobilidade é um problema nacional que se agrava a cada ano porque recebe insuficiente atenção do poder público. Há ausência plena de políticas concretas, minimamente ideais, que favoreçam o transporte público coletivo em detrimento do transporte individual. Pesquisa recente realizada pela Associação Nacional de Transportes Coletivos (ANTP) identificou que próximo de 95% dos recursos públicos destinados a políticas de mobilidade nas cidades brasileiras são voltados à demanda do transporte individual. Há um desequilíbrio no tratamento desta questão, cuja essência resgata o debate sobre a democratização do uso do espaço público nas cidades, porque quem se desloca por elas não são apenas os condutores de carros e motos, mas também os usuários do transporte coletivo, os ciclistas e os pedestres. O sistema viário deveria contemplar igualmente a todos, mas não é o que ocorre. Ao contrário, os governos das cidades não investem em ciclovias, ciclofaixas, muito menos em calçadas, que também é via pública por definição - situação que compromete a acessibilidade universal e colabora para a sua desumanização. Não é diferente com o transporte coletivo, que coleciona IPKs (índices de passageiros por quilômetro rodado) cada vez menores por perda de competitividade e atração em função da queda de sua velocidade comercial justificada pela desigual disputa no espaço viário com o carro e a moto. Ao invés de se deslocarem com os ideais 25 km/h, os ônibus das cidades estão com velocidades próximas de 15 km/h com tendência para menos em virtude do aumento da frota automobilística com a qual disputam os espaços viários Essa adversa situação passa a sensação para a população de que não há ônibus suficientes, quando na verdade o que existem são viagens mais demoradas.

Pergunta - Como encaminhar essa questão?
Antenor - Com atitude política e virtude técnica. Reconfigurar a infraestrutura do sistema viário de forma a abranger a mancha urbana formada pela conurbação com Várzea Grande. Implantar corredores exclusivos para os ônibus e ampliar as estações e terminais de integração para o transporte coletivo sobre rodas é o caminho. Isso garante a ideal fluidez dos ônibus, aperfeiçoa o controle operacional das linhas, garante cumprimento de horários, melhora as condições ambientais e interfere na composição da planilha tarifária para baixo. Políticas assim culminam na gradativa migração do usuário do transporte individual (carro/moto) para o coletivo, porque a cada dia vencido o carro e a moto fluirão mais devagar em razão das retenções e dos congestionamentos resultantes do aumento da frota, enquanto os ônibus estarão com fluxos desobstruídos e livres de disputa por espaços viários. Mais que democratizar o espaço urbano, significa coletivizar o sentido de cidade.

Pergunta - A escolha de Cuiabá como uma das cidades-sede da Copa 2014 vem provocando vários debates. E hoje a pergunta que não quer calar é sobre os novos modelos de transporte coletivo. BRT ou VLT, o que o senhor recomendaria?
Antenor - Cuiabá é uma cidade com relevo de baixa amplitude provido de viários arteriais relativamente planos e de geometria generosa. A implantação de sistemas sobre trilhos sempre é bem-vinda tecnicamente, pois muito se ganha em competitividade, impedância e meio ambiente. Todavia esta opção é por demais onerosa, além de exigir intervenções agressivas no plano urbanístico. Como cidade-sede da Copa deveria aproveitar os recursos federais direcionados para o evento e investir no sistema BRT, cuja viabilidade econômica e cronograma de implantação são mais factíveis. Sou adepto da combinação simplicidade-eficiência e o sistema BRT traduz bem essa escola. Deu certo em Curitiba, Bogotá e nas cidades sul-africanos que foram sede do Mundial de 2010. Em todas estas cidades e dezenas de outras espalhadas pela Europa, Ásia, Canadá e EUA a eficiência e custos formam pleno sucesso, contribuindo para a melhor qualidade de vida. Fosse eu o gestor que decidirá a questão, daria um pulinho ali em Bogotá pra ver como fazer uma cidade mudar para melhor em 10 anos. A política de mobilidade tem disso: quanto mais inclusiva, universalizada e sustentável for, melhor para todos. Cuiabá e Várzea Grande cabem nesse figurino, ao meu ver. Além do mais, o sistema BRT tem dinheiro do PAC da Mobilidade (R$ 18 bilhões), do PAC 2 (R$ 6 bilhões) e ainda R$ 18 bilhões para suprir as cidades-sede da Copa do Mundo. Ou seja: quase R$ 30 bilhões à espera de projetos. 

Pergunta - O foco do debate sobre mobilidade urbana na Capital está restrito ao transporte coletivo. Este não é um grande equívoco?
Antenor - Hoje não se pode pensar trânsito e transportes de forma isolada. Faz-se necessário concebê-los como elementos interdependentes, complementares entre si. Mobilidade urbana é a expressão que designa a integração de políticas públicas envolvendo planejamento (uso e ocupação do solo), acessibilidade, meio ambiente, transportes e circulação de veículos e mercadorias. Os gestores das cidades modernas devem planejar seus espaços e vivências de forma a harmonizar os conflitos econômicos, sociais, culturas que delas surgem, mas nunca se distanciando institucionalmente do mais sagrado dos interesses, que é o público - eis a sua razão em ser gestor. Enxergar a cidade como a orquestra em que todos os instrumentos são igualmente importantes, embora distintos nos papéis, é exercer o papel de gestor como a um maestro.
Pergunta -Cuiabá começa a viver problemas de municípios maiores com engarrafamentos sistemáticos em vários pontos, já identificados como gargalos e que sofreram intervenções - com rotatórias, por exemplo, - mas que não foram suficientes para solucionar ou amenizar o problema.
Antenor - Não há solução para o automóvel. Trânsito não se resolve, se administra de acordo com a demanda, e não tem fim. É um saco sem fundos. Apagar incêndio todos os dias. Por isso consome a maioria dos recursos públicos voltados para a mobilidade urbana. A saída é inverter a prioridade, melhorando a qualidade dos serviços e infraestrutura para os transportes públicos, acessibilidade e tecnologia agregada. Já é hora de desestimular o uso do automóvel e da moto, não com objetivo de diminuir a sua importância, mas racionalizar o seu desempenho. Essa é a tendência urbanística universal.

Pergunta -Quais seriam as medidas de intervenção que realmente fariam efeito no trânsito cuiabano?
Antenor - Para reverter o caos que se anuncia são mais que oportunas medidas voltadas à restrição ao uso do transporte individual. Criar zonas de restrição de tráfego (ZRT) nas áreas tecnicamente saturadas; regulamentar operações de carga-descarga; instituir controle automatizado de estacionamentos (parquímetros); implantar pedágios urbanos; criar espaços vivenciais (educação); adotar escalonamento de horários variável; atualizar a hierarquização viária; atualizar e manter com excelência o sistema de sinalização; implantar binários etc. Intervenções assim ajudam na fluidez e melhoram sensivelmente a organização viária.

Pergunta - Aqui vem sendo também debatida a volta de radares e lombadas eletrônicas, que foram retirados das vias após decisão judicial e a acusação de que haveria uma indústria de multas e interesses empresariais por trás dessa escolha. O senhor defende a colocação desses equipamentos? Punir pelo bolso é solução?
Antenor - Fiscalizar não é opção do poder público, mas obrigação. Não quero aqui entrar no mérito da decisão judicial, por desconhecê-la. Contudo, posso afirmar que os equipamentos eletrônicos de fiscalização são o que a tecnologia nos possibilitou de melhor para atenuar o que mais contribui para a morbimortalidade no trânsito brasileiro: o excesso de velocidade e o avanço de semáforos. Se devida e tecnicamente bem instalados esses equipamentos salvam vidas. Quanto à premissa da indústria de multas, ela é falsa. Pesquisas científicas realizadas pela PUC de Goiás e as Faculdades Anhembi de São Paulo identificaram que somente uma infração é flagrada pelo poder público entre 8 mil cometidas. Façamos um teste em qualquer esquina de Cuiabá e confirmaremos que, na verdade, o que há é uma indústria de infrações. Multa não é imposto, é opção, e a melhor forma de evitá-la é não cometer infração, simples assim! Toda atitude tomada no sentido de fiscalizar condutas no trânsito salva vidas, pois não há acidente de trânsito sem que a ele seja precedida uma infração cometida. Logo, quanto menos infrações, menos mortes, menos amputados, menos paraplégicos. A multa nos constrange, mas é um ato de ofício. Ademais, também possui uma componente pedagógica. Ela dói, mas salva!

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A mobilidade urbana na região metropolitana



Todas as manhãs a notícia é a mesma para quem vive
nas regiões metropolitanas com as vias
estão congestionadas e os transportes públicos superlotados.

Segundo o professor João Fortini Albano, que é
mestre em Engenharia de Transportes e doutor em Sistemas de Transportes e Logística pela UFRGS, onde é professor no Departamento de Engenharia de Produção e Transportes,
diz que nosso padrão de planejamento é muito precisa melhorar.

Ele defende que “o transporte público precisa atender às necessidades das pessoas, principalmente no que
diz respeito ao tempo de deslocamento.
Ele tem que melhorar a qualidade do serviço que oferece,
tem que aumentar a frequencia de viagens, precisa ter
tarifas razoáveis que atendam ao poder aquisitivo da população e precisa ser integrado a outras modalidades de transporte”.

O desafio dos transportes nas cidades, principalmente do automóvel, é sombrio porque temos uma utilização 
cada vez maior do veículo particular. O sistema viário não acompanha o número de veículos que ingressam na frota. Vislumbro mesmo que se faça o melhoramento de vias, alargamentos e viadutos e outras obras a situação continuará ruim. Para minha surpresa, porque achava que isso só ocorreria em cinco anos, estão começando a ser impostas medidas restritivas ao uso do transporte individual.  
A verdadeira transformação vai acontecer nos próximos 
anos, que será o aumento dessas restrições do transporte individual, com o gerenciamento do custo dos estacionamentos e, paralelamente, o melhoramento do transporte público de massa por meio de ônibus e metrô.

O transporte de ônibus integrado com o transporte metroviário, que, por sua vez, deve ser integrado ao transporte de ciclovias. 
É assim que o usuário utilizará um transporte público confortável, com frequência de horários e com bastante segurança. O transporte público precisa atender às necessidades das pessoas, principalmente no que diz respeito ao tempo de deslocamento. 
Ele tem que melhorar a qualidade do serviço que oferece, 
tem que aumentar a frequência de viagens, precisa 
ter tarifas razoáveis que atendam ao poder aquisitivo da população e precisa ser integrado a outras modalidades 
de transporte.

Parte do texto publicado em 15 de Abril de 2011 - 11h18no no Portogente
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ônibus, trem, metrô ou bicicleta: deixe o carro para ir à Copa de 2014

Entrevista com Renato Boareto  -  Coordenador da área de mobilidade urbana do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), organização que apoia governos e movimentos sociais com estudos para a formulação de políticas públicas no setor. 
Nesta entrevista para o Portal 2014, Boareto fala sobre as oportunidades abertas pela Copa de 2014 e Olimpíada de 2016 e defende ações que limitem o uso do veículo particular e estimulem investimentos no transporte público integrado com ciclovias e trajetos a pé.
Renato Boareto: prioridade ao transporte público

 Qual a proposta do Iema para aumentar a mobilidade nas cidades brasileiras? 
 Defendemos o aumento da participação do transporte público em detrimento do transporte individual. Achamos que a mobilidade urbana deve ser entendida como um instrumento para a melhorar a qualidade de vida nas cidades. Desta forma,mesmo quando o transporte coletivo é ruim, o transporte individual é o pior para a cidade. Em nossa visão, para aumentar a participação do transporte público, a abordagem deve partir de uma política de mobilidade que considere como as pessoas se locomovem em cada localidade, melhorias na eficiência dos veículos e critérios sobre o tipo de motor e combustível a ser utilizado.

O que é o programa BRT Brasil? 

 Com os investimentos do PAC da Copa e do PAC da Mobilidade, muitas cidades estão apostando nos benefícios de um transporte como o BRT. Estamos acompanhando esses projetos, envolvidos no Programa BRT Brasil, em fase de articulação, do qual também participam a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Fórum Nacional de Secretários e Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos NTU). Queremos contribuir para que os corredores de ônibus a serem construídos nas cidades-sede da Copa de 2014, assim como os do PAC da Mobilidade (24 cidades), sejam implantados com uma boa estrutura e da forma a mais eficiente possível.  

O que diferencia o BRT de um simples corredor de ônibus? 

O BRT deve ter via exclusiva. Fora isso, o sistema admite vários formatos, que vão desde uma simples faixa preferencial, digamos com horário limitado, até um modelo que incorpora o conjunto de ferramentas ou serviços já concebidos para este tipo de transporte. Por exemplo, em Curitiba funciona em canaleta no canteiro central; já noutros lugares, como no corredor da Rebouças, em São Paulo, o veículo corre à esquerda da faixa central. Existe essa flexibilidade: o BRT pode ir incorporando aprimoramentos, como uma plataforma elevada, a bilhetagem eletrônica etc. Também pode utilizar ônibus articulados e bi-articulados. O veículo pode sair do terminal e parar só no destino final, como ir parando, entre terminais, ou em cada ponto pelo trajeto. São várias as combinações possíveis e essa flexibilidade permite que o sistema seja aplicado a uma metrópole ou a uma pequena cidade. 

Qual a vantagem do BRT em relação a outros tipos de transporte público?  

Não defendemos uma ou outra tecnologia, em si mesma, mas trabalhamos para buscar o tipo de transporte mais adequado a cada cidade em questão, à demanda de passageiros do lugar. O metrô, por exemplo, com elevada capacidade de passageiros, é adequado a uma cidade como São Paulo, onde aliás cabe de tudo. Para cidades com características metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, ou Salvador, o modelo mais correto é o que incorpora um leque integrado de modais. Já numa cidade média, o metrô seria exagerado. Há gradações de tecnologia veicular, e a decisão sobre qual o melhor deve pesar: o porte da cidade, a demanda de passageiros, a capacidade de investimento e o projeto urbanístico, o planejamento urbano. Há outras soluções sendo consideradas, como o VLT que atende a uma demanda parecida com a do BRT. Para a Copa do Mundo, a questão do prazo, o ano de 2013, deve influir sobre os investimentos a serem feitos nas cidades-sede.

Como um transporte por ônibus, como o BRT, pode ser um sistema "limpo"? 

 Depende do combustível. E logo mais, em 2012 ou 2013, vence o prazo para que os novos ônibus passem a usar o diesel mais limpo (com menores emissões de enxofre). Os ônibus dos BRTs serão movidos a esse diesel, com menores emissões de poluentes. Não está previsto ainda, mas os novos BRTs poderão ingressar numa nova fase, a dos motores elétricos + diesel, ou etanol. 

Como as cidades-sede da Copa estão pensando a mobilidade urbana?  

Posso citar Belo Horizonte, por exemplo, como uma cidade que elaborou planos de mobilidade na linha do que defendemos, de aumentar o acesso da população ao transporte público, e integração deste com outros meios de locomoção. Em BH, a área central está priorizando o pedestre e reduzindo espaços para o automóvel particular. Em Brasília, uma ciclovia de 600 km está parcialmente implementada. Já em São Paulo, falta um plano abrangente de mobilidade, que veja por exemplo o sistema cicloviário como estruturador da malha de transporte.

O melhor sistema é o que integra BRT, metrô, ciclovia e ônibus? Qual a importância da bicicleta? 

Para haver mobilidade é importante que o planejamento incorpore a bicicleta e o deslocamento dos pedestres ao transporte público por ônibus ou trem. Que veja a bicicleta com veículo de alimentação para o sistema de transporte, com estacionamento, apoio ao ciclista, racionalidade nos trajetos. Não só ciclovias, mas deve-se dotar as vias com soluções como o "traffic calming", para moderação no uso do carro. E ainda estimular as pessoas a usarem a bicicleta nos bairros, apresentando trajetos inter e intra bairros. Não basta olhar apenas a fluidez do transporte, mas a segurança na travessia por calçadas, pensar em modos integrados ou viagens curtas, a pé ou de bicicleta. São componentes que melhoram a qualidade de vida nas cidades.  

Algo mudará no transporte público nos próximos anos? 

O PAC da Mobilidade e o PAC da Copa abrem esta possibilidade única de o país ingressar no maior ciclo de investimentos em transporte público desde a década de 1980. São cerca de 35 bilhões de reais do governo federal, fora os recursos que virão dos estados. Defendemos que sejam investimentos permanentes em sistemas de transporte público. Para sabermos o retorno social e ambiental destes investimentos, estamos estudando o impacto destes recursos, e produzindo argumentos que levem as cidades a pararem de priorizar o transporte individual. Até junho esse estudo deve gerar dois produtos, disponíveis a governos e sociedade civil, com um retrato da realidade das cidades e propostas para que os planos diretores incorporem o planejamento para a mobilidade.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Em 10 anos, morte em acidente de moto cresce 754%



O número de mortes provocadas em acidentes de moto aumentou 754% entre 1998 e 2008, aponta Caderno Complementar Mapa da Violência, feito pelo Instituto Sangari. O trabalho, divulgado nesta terça-feira (12/04), mostra que a explosão nas estatísticas está relacionada não apenas com aumento expressivo da frota, mas com maior risco do uso do veículo.
Em 2008, foram registradas 87,6 mortes a cada 100 mil motos no País. Uma proporção 170% maior do que a taxa da frota de automóveis: 32,5 mortes a cada 100 mil veículos. Em 1998, a taxa de mortes por motos era de 67,8 a cada 100 mil - uma proporção 75% maior do que a taxa da frota de carros.
"Os números são assustadores. A direção de moto tornou-se aparentemente mais arriscada", afirma o autor do trabalho, o pesquisador Júlio Jacobo Waiselfiz. Em sete Estados, as mortes provocadas por esse tipo de acidente já pode ser considerado como epidemia. Em Rondônia, Roraima, Tocantins, Paraíba, Piauí, Santa Catarina, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, a taxa ultrapassa 10 de mortes por 100 mil habitantes.
As maiores vítimas dos acidentes são jovens. O trabalho mostra que é na faixa entre 15 e 24 anos, o número de mortes é expressivamente maior do que nas demais idades. "Com nenhuma outra categoria de veículo constatamos tal fenômeno. Há uma vitimização de jovens", completa o pesquisador. Entre 2004 e 2008, os óbitos juvenis aumentaram 15 vezes mais do que no restante da população.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Frota de motocicletas passou de 9,4 milhões de unidades, em 2009, para 10,6 milhões, no ano passado

Há um carro para cada seis habitantes no Brasil, paridade que vem diminuindo a cada ano. O fenômeno do crescimento econômico, do crédito farto - e agora mais caro - e da ascensão da classe média levou a frota brasileira a registrar aumento de 61,3% em uma década, atingindo 32,4 milhões de veículos em 2010. No mesmo período, a população aumentou 12,3%, para 190,7 milhões de pessoas.

Num cálculo mais preciso, o País tem 5,9 habitantes por veículo, incluindo na conta automóveis e comerciais leves (94% da frota total), caminhões e ônibus. Em 2000, a proporção era de 8,4 habitantes por veículo. A vizinha Argentina tem entre 4,5 e 5 habitantes por carro.


Além de maior, a frota brasileira está mais jovem, concentrada e mais lenta nas grandes metrópoles. Dos veículos em circulação, 42% têm até cinco anos de uso. Ainda circulam pelo País 1,3 milhão de veículos com mais de 20 anos, idade que as empresas consideram crítica em termos de manutenção, desempenho e emissão de poluentes.

Estudo concluído na semana passada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) mostra que a idade média da frota é de 8 anos e 8 meses. Até 2007, esse indicador estava acima de 9 anos. Da frota total, 23% têm entre 11 e 20 anos.

Apenas cinco Estados (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul) concentram 70% dos veículos que rodam pelo território nacional. A expansão para cidades do Norte, Nordeste e Centro-oeste é um fenômeno recente.

Para realizar o estudo anual, o Sindipeças leva em conta o sucateamento que ocorre com a retirada de veículos velhos de circulação, acidentes com perda total e roubos sem recuperação, fatores que não são considerados nos dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que contabiliza frota muito superior, até porque muitos motoristas não dão baixa nos registros.

A maioria dos automóveis também está saindo de fábrica com motor flex, que incentiva o uso do etanol quando está mais barato que a gasolina.
Hoje, 39% dos veículos que rodam pelo País são multicombustível, participação que era de apenas 2% em 2004. Nesse período, a frota abastecida com gasolina diminuiu de 72% para 52% e a que rodava apenas com álcool caiu de 16% para 5%. Modelos a diesel tiveram participação reduzida de 10% para 4%. O aumento da frota não é acompanhado em ritmo igual por melhorias na infraestrutura, ressalta Wong. Os

A frota brasileira é composta por 11,3% de veículos fabricados fora do País, contra 8,9% em 2005. Antes, notadamente a maior parte dos carros importados vinha da Argentina, mas nos últimos anos há crescimento significativo da presença de veículos de outras origens.

Em relação a 2009, o crescimento da frota foi de 8,4%. O segmento de automóveis cresceu 7,9% (25,8 milhões), o de comerciais leves 11,3% (4,78 milhões), o de caminhões 10,1% (1,49 milhão) e o de ônibus 4,6% (331,9 mil).


Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Evento Internacional discute Mobilidade urbana

A mobilidade urbana é um problema mundial. A população cresce, novos empreendimentos são lançados, porém a infraestrutura das cidades permanece estagnada. Hoje já somos 3,5 bilhões de pessoas e a expectativa é de que em 2030 o contingente chegará a 4,9 bilhões. Com essa concentração ímpar de pessoas, as sociedades urbanas do século 21 serão o grande desafio dos gestores públicos. No Brasil, as cidades já abrigam 84% da população, gerando 90% da riqueza. Nos próximos 40 anos, as áreas urbanas do país abrigarão 20 milhões de novos moradores, o equivalente a duas cidades de São Paulo.

É preciso que governantes e representantes da sociedade como um todo se mobilizem para acompanharem essa transformação global. Pensando nisso é que foi criada a Rede Mundial Cities for Mobility, sediada em Stuttgart na Alemanha, maior entidade privada do planeta que trata sobre Mobilidade Urbana, que realiza anualmente um Congresso Mundial sobre o tema. Neste ano, o evento internacional será realizado em Florianópolis, Santa Catarina, intitulado Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, tendo como promotora a Shopconsult, com o apoio institucional do Ministério das Cidades e da Rede Mundial Cities for Mobility, que auxiliará em toda a parte conceitual e do programa do evento, composto por especialistas e entidades internacionais.

O objetivo do evento, que terá como palestrantes os mais renomados profissionais do setor, com reconhecimento mundial, é promover a troca de experiências entre cidades e países para a solução de problemas de mobilidade urbana.Será um evento internacional que foi captado para ser realizado em Florianópolis. Teremos dentro do temário um painel sobre Santa Catarina, mas nosso foco será debater e traçar projetos em nível nacional e internacional, e poder vislumbrar planejamentos compatíveis para os próximos 50, 70 anos para as Cidades, comenta Hamilton Lyra Adriano, presidente do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana.

O evento trará profissionais especializados do mundo todo discutindo assuntos como acessibilidade de pedestres e ciclovias, estratégias e planejamento para soluções em mobilidade urbana e as novas tecnologias. O Fórum servirá como uma plataforma de comunicação e informação que reunirá lideranças e gestores públicos do Brasil, foram convidados os mais de 600 associados da Rede Cities for Mobility de todo mundo, representantes do setor privado, civil, técnicos e profissionais atuantes da área, além do meio acadêmico em geral, destaca Hamilton.

A expectativa da organização é que em torno de 800 pessoas participem do fórum. “O evento proporcionará visibilidade a todos os participantes, uma vez que reunirá os maiores representantes e interessados no assunto, com posicionamento frente à um mercado debatido mundialmente em busca de novas opções e soluções inteligentes e que demandem amplo planejamento, completa Lyra.


Programa e Palestrantes


O Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana está dividido em seis segmentos. A palestra inaugural, Soluções para a Mobilidade Urbana, será ministrada por Guillermo Peñalosa, canadense, que pertence a 8-80 Cities, uma organização canadense internacional, sem fins lucrativos, cujo objetivo é contribuir para a criação de vibrantes cidades e comunidades saudáveis, onde os moradores desfrutam de grandes espaços públicos.

A segunda sessão, Transporte Público: Além do BRT - Veículos leves sobre trilhos (VLT) ou metrô?, será coordenada pelo colombiano Carlos Felipe Pardo, responsável por grandes estudos da interferência das grandes cidades no clima mundial,  e pelo alemão Niklas Sieber, um dos mais importantes pesquisadores sobre transporte.

O debate Andar de Bicicleta e Andar a Pé:  Uma nova perspectiva para as sociedades dependentes de carros terá como coordenadores   Ton Daggers, holandês autor de trabalhos relacionados aos problemas de transporte em meio urbano em cidades européias e latino-americanas, e pelo inglês Rodney Tolley, autor de pesquisas sobre gestão do tráfego ambiental e caminhadas e uso da bicicleta em planos de transporte.

A sessão sobre O carro nas cidades terá como mediadores Klaus Banse , da Colômbia, atuante nas áreas de transporte, planejamento e gestão e o brasileiro Lincoln Paiva, diretor da Green Mobility, especialista em mobilidade sustentável.

O planejamento no esporte também terá espaço no evento, com a sessão A Copa do Mundo de 2014 - Organização de sucesso e benefícios de longa duração para as Cidades. Patrick Daude, representante do Cities For Mobility, da Alemanha, integrante da equipe de Política da Prefeitura e Câmara Municipal de Stuttgart e coordenador do Cities For Mobility; e ainda, representantes das operações das últimas Copas do Mundo serão os especialistas/mediadores.

Santa Catarina terá um painel no evento intitulado A questão da Mobilidade Urbana nas Cidades Catarinenses que será coordenado por Giselle Xavier, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), contando com a participação de algumas entidades públicas e privadas de nosso Estado, e seus anseios, na busca por esta visão de planejamento a curto, médio e longo prazos.

A ideia dos painéis é propor uma reflexão sobre o tema a partir de diagnósticos e de exemplos que apresentam bons resultados, destaca o presidente do Fórum, Hamilton Lyra Adriano.


Inscrições


As inscrições para o Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana estão abertas e devem ser realizadas pelo portal www.mobilidadenascidades.com.br até 18 de abril.

Após essa data, caso ainda existam vagas, as inscrições só poderão ser feitas pela ShopConsult
ou ainda pelo CHAT ON LINE no portal do evento.

O evento será realizado nos dias 26 e 27 de abril, no Teatro Pedro Ivo, na rodovia SC-401 em Florianópolis, Santa Catarina.


Cristina Badddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Presidente da ANTP, Ailton Brasiliense, comparece ao ato de relançamento da Frente Parlamentar do Trânsito Seguro

A Frente Parlamentar  em Defesa do Trânsito Seguro foi relançada nesta quarta-feira (6), no auditório Nereu Ramos, com uma meta: reduzir pela metade o número de acidentes com mortes até 2020, por meio de mudanças na legislação e da fiscalização dos investimentos públicos na área. Esse número foi de 40 mil no ano passado, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal.
A meta faz parte de uma campanha mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) que será lançada no dia 11 de maio. Ailton Brasiliense estima que 1,3 milhão de pessoas morrem por ano, em todo o mundo, em razão de acidentes de trânsito. Para onde estão indo os recursos que devem ser aplicados na prevenção de acidentes? Esse é um dos principais focos em que a Frente deve atuar.

O governo federal possui cerca de R$ 500 milhões por ano para investir na prevenção de acidentes, mas não aplica toda a verba. O deputado afirma que usar esses recursos corretamente já seria suficiente para garantir que o Brasil cumpra a meta proposta pela ONU.

Dep. Hugo Leal (PSC-RJ)
Hugo Leal: aplicação correta de recursos públicos poderia reduzir número de mortes.
 
O investimento correto, segundo Leal, também significaria economia para os cofres públicos, já que as mortes e ferimentos no trânsito custam ao País cerca de R$ 30 bilhões por ano, segundo estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da ANTP.

Fiscalização

O diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Orlando Moreira da Silva, disse que a frente parlamentar pode ajudar na cobrança do governo por ações de prevenção. “Precisamos de fiscalização e de educação no trânsito para reduzir o número de mortes”, disse.
O presidente da ONG Trânsito Amigo, Fernando Diniz, defendeu que os deputados atuem exigindo a punição de responsáveis por mortes no trânsito. Diniz perdeu um filho há oito anos, em um acidente no Rio de Janeiro, e até hoje ninguém foi punido.
“Temos que enrijecer as leis com punições, prisões. Essa é a nossa defesa. Não é justo que hoje os senhores da lei, nossos juízes, deem como sentença o pagamento de cesta básica”, disse o engenheiro. “No momento em que eles fazem isso, estão comparando a vida de nossos filhos a alguns grãos de arroz e feijão”, criticou.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O MDT e a questão do automóvel


O MDT tem defendido que o automóvel seja adequadamente taxado por sua ineficiência energética e seu impacto ambiental e que os recursos daí advindos sejam empregados diretamente na melhoria dos sistemas de transporte coletivo. Além disso, tornar a operação do automóvel significativamente mais cara, além de contribuir para reduzir sua utilização como meio de deslocamento urbano, poderá ajudar a municiar fundos que financiariam a implantação, a operação e a gestão de formas menos agressivas de deslocamento, incluindo o transporte público coletivo (por exemplo, veículos com tecnologia aprimorada e combustíveis mais limpos, como gás e álcool ou alternativas como o motor elétrico e a hidrogênio) e o transporte não motorizado e a pé.

Há em redor do mundo medidas já implantadas e testadas que devem ser estudadas de modo a permitir que as cidades brasileiras desenvolvam e implantem políticas para condicionar e onerar o emprego abusivo de automóveis. Eis algumas delas: sobretaxar combustíveis, adotar o pedágio urbano em certas áreas da cidade e criar formas de cerceamento do estacionamento público gratuito e sobretaxar os estabelecimentos que se dedicam a guardar temporariamente os automóveis.

Textos do MDT

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
  

terça-feira, 5 de abril de 2011

O MDT e a questão do automóvel


 O MDT tem sido firme também em defender que recursos da CIDE sejam direcionados para irrigar fundos municipais, estaduais e federais, de gestão democratizada, para, com base em critérios públicos e transparentes, discutidos com a comunidade técnica e com setores sociais diretamente envolvidos, garantam o volume de recursos capaz de sustentar a continuidade dos financiamentos de investimentos na mobilidade urbana, com ênfase no transporte publico coletivo, transporte não motorizado e favorecimento dos deslocamentos a pé.

Desde sua criação o MDT tem o foco de atuação na defesa da universalização do transporte público de qualidade, tendo em vista que somente sistemas de transporte público de qualidade e eficientes socialmente permitem a construção de cidades humanas e com qualidade de vida, mas considerando também a necessidade de assegurar o direito essencial do ir e vir a milhões de pessoas hoje excluídas da possibilidade de deslocarem-se por não terem recursos para pagar as tarifas.

É preciso estabelece efetiva equidade na apropriação do sistema viário As cidades precisam de corredores de ônibus em vias segregadas, faixas exclusivas e vias liberadas para o transporte coletivo nos horários de pico e integrados a veículos de pequena e média capacidade como alimentadores, ao que se deve agregar a urbanização de qualidade ao longo dos corredores exclusivos, incluindo serviços de terminais de integração e também calçadas bem cuidadas, para que se evitem acidentes com pedestres, que são mais comuns do que normalmente se pensa, quando os passeios são inadequados. A acessibilidade universal, como regra geral, corresponde a um terço dos deslocamentos é feito a pé, é preciso que haja calçadas, equipamentos de transferência intermodal e veículos acessíveis.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O MDT e a questão do automóvel

Pesquisas recentes da ANTP e do IPEA revelam gastos anuais de aproximadamente R$28 bilhões com os chamados ‘acidentes’ de trânsito, nas cidades e nas estradas, resultantes inclusive de milhares de mortos e de centenas de milhares de feridos nas ruas e estrada. Banalizadas, as mortes do trânsito pouco sensibilizam; esses acontecimentos raramente são punidos como crimes e no imaginário coletivo figuram como fatalidades, que a providência divina interpôs na vida dos acidentados, quando, na realidade, decorrem de omissões das autoridades nas três esferas de governo, ou mesmo de ações deliberadas de governantes, como ocorre no caso dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset), desviados de suas finalidades legais para das sustentação à política macroeconômica do governo.
Já se disse que as cidades do Século 20 foram projetadas para o automóvel e a grande quantidade desses veículos em circulação mostra que essa é uma realidade que deve permanecer por muitos anos ainda. Por conta disso, na formulação de políticas públicas de mobilidade urbana, é preciso que se tenha em conta formas de tornar o automóvel individual menos agressivo. Uma maneira tentada ainda timidamente está nos projetos de moderação de tráfego, que propõem intervenções físicas no viário de modo a modificar o comportamento do motorista, induzindo-o a reduzir a velocidade e agir com segurança ao volante, o que, de quebra, permite tornar menos intenso o tráfego de passagem e contribui para revitalizar espaços urbanos e áreas verdes.
Sedimentado culturalmente por anos e anos de intensos esforços de marketing das grandes montadoras, o carro individual acha-se arraigado culturalmente e, segundo alguns especialistas, é, há algum tempo, um instrumento real de reprodução econômica e social para vastos segmentos dos estratos médios da sociedade – uma população inteira que desaprendeu a viver sem ser sobre quatro rodas. Mesmo sabendo disso, é preciso restabelecer o controle do uso do veiculo individual e buscar formas de promover o seu uso racional e moderado.

Um caminho está no estabelecimento de políticas de integração do automóvel às demais modalidades de transporte. É preciso pensar na mobilidade, levando em conta os diferentes modos de deslocamento, o que vale dizer: sistemas metroferroviários integrados a sistemas.

Texto -  MDT parte II
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 30 de março de 2011

O MDT e a questão do automóvel



Não há dúvidas: a presença do automóvel será um problema ainda maior nas cidades brasileiras pois basta dar uma olhada no noticiário econômico para perceber o otimismo das grandes montadoras atuantes no País em relação ao desempenho da produção de carros de passeio, segmento que tem demonstrado firme crescimento nos últimos anos, a ponto de fazer com que a capacidade instalada do setor se aproxime da plena ocupação. Parte desses veículos é exportada, mas o restante fica por aqui mesmo, chegando ao consumidor com grandes facilidades de financiamento.

O crescimento do volume de automóveis nas cidades é uma questão que, no plano estratégico, não tem preocupado de fato as autoridades. Em vigor há anos, o Estatuto das Cidades dedica-se à questão dos transportes, porém, por falta de tempo ou letargia política, essa legislação ainda não foi levada a se impor de modo a disciplinar convenientemente o uso e ocupação solo. Também não se conseguiu, com ela, reverter uma tendência perniciosa: a configuração de cidades espraiadas ou alongadas, de baixa densidade, dependentes de pavimentação – fatores que encarecem a implantação e a operação de sistemas transporte.

Textos do MDT - Primeira parte
Cristina Baddini Lucas - Assessorea do MDT

Antropólogo critica modelo brasileiro de mobilidade

O Povo
Na visão do professor e antropólogo Roberto DaMatta, o modelo de desenvolvimento de mobilidade urbana adotado no Brasil nada mais é do que o fruto de um governo “popular” e “populista”, que foi estimulado no decorrer dos últimos 10 anos. “É o governo do transporte individual”, avaliou.

DaMatta afirmou que é no trânsito que a desigualdade e a aristocratização da população brasileira aparecem.

“O trânsito é um espaço que é público e, como ele é brasileiro, realça uma série de questões que fazem parte da nossa vida e que às vezes não conseguimos ver com tanta nitidez”, disse.

Um agravante, segundo DaMatta, é que o povo brasileiro não sente nenhum “desconforto” com a desigualdade constatada no trânsito.

Na realidade, de acordo com professor, o que o brasileiro não tolera é a própria igualdade, sentimento que classificou como o derivado de um “processo de estímulo à repetição de um estilo”, passado de pai para filho, que surpreende pela “agressividade” e pela falta de “cordialidade”. “A sociedade traduziu a cidadania por um viés hierárquico”, resumiu.

O antropólogo está em Fortaleza para participar do Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Públicas, promovido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), da Assembleia Legislativa (AL), onde ministrou o seminário “Vida, Mobilidade e Felicidade Urbana”.

Na ocasião, ele aproveitou para divulgar na Capital seu livro Fé em Deus e Pé na Tábua, que fala da vida urbana e da desigualdade que, no trânsito, se coloca de maneira muito contundente.

Já o programa Debates do Povo, do qual participou, foi mediado por Élcio Batista e teve a participação do jornalista Ismael Furtado e do sociólogo Osmar de Sá Ponte. DaMata definiu o trânsito como um sistema em que o “pedestre é uma unidade excluída do sistema”.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 29 de março de 2011

Morre Affonso Camargo, ex-deputado paranaense conhecido como "pai do vale-transporte"

Morreu na manhã do dia 24 em Curitiba, aos 82 anos, o ex-deputado e ex-vice-governador paranaense Affonso Alves de Camargo Neto (PSDB).

Afonso Camargo, engenheiro civil formado na Universidade Federal do Paraná, representou até o ano passado o Estado na Câmara dos Deputados. Foi eleito deputado federal por quatro vezes (1994, 1998, 2002 e 2006) e foi senador da República por dois períodos (1975-1978 e 1987-1994). Também foi vice-governador do Estado, ministro dos Transportes e ocupou ainda outros cargos no governo estadual.

Luto

Perdemos um homem público identificado com as causas do transporte. Sua história e trajetória política ficam como exemplo do esforço e comprometimento com os valores do bem comum e da justiça social. Muitos o conhecem como pai do vale-transporte, mas sua capacidade de articulação e visão desenvolvimentista do Estado e do país marcaram sua atuação na vida pública.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT





segunda-feira, 28 de março de 2011

Ademar Gondim é eleito presidente do Fórum Nacional de Secretários de Transporte e Trânsito

Durante a 74ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito, ocorrida nos dias 24 e 25 de março em Brasília, o engenheiro e gestor da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Ademar Gondim, foi eleito presidente da entidade.

Trabalhar na construção de uma mobilidade urbana sustentável e cada vez mais inclusiva, e incentivar a troca de experiências entre as cidades, serão ações contínuas do novo presidente do Fórum.

O Fórum

Entidade que representa a força conjunta necessária para se lutar, nacionalmente, na defesa de ações e projetos nas áreas de transporte e trânsito do País. É composto pelos secretários municipais  e metropolitanos que conduzem esses setores.

A cada três meses, o Fórum se reúne para trocar experiências, desenvolver projetos que se adequem à realidade de cada cidade e possibilitem a ampliação e melhoria dos sistemas de transporte.

Conforme o presidente do Fórum, aprimorar as ações referentes ao transporte e trânsito do País será possível por meio de um sério trabalho em conjunto. "Para alcançarmos os resultados, é necessário estreitar os laços entre os secretários e o Ministério das Cidades, ente político cuja uma das finalidades é proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano, priorizando os modos de transporte coletivo e os nãomotorizados, de forma segura, socialmente inclusiva e sustentável”, afirma Gondim.

O próximo encontro do Fórum acontecerá no mês de junho em Porto Alegre. Na oportunidade, o presidente deverá apresentar uma proposta para a estrutura de comando do Fórum e a incorporação de dois novos integrantes ao Fórum: o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana (Semob), do Ministério das Cidades.
 
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 24 de março de 2011

Fórum de Secretários de Transportes e Trânsito se encontram reunidos em Brasília

Nesta quinta feira, ás 10h foi aberta a reunião dos secretários municipais de transporte e trânsito de todo o Brasil.

A solenidade de abertura contou com a presença do Ministro das Cidades, Mário Negromonte, do Secretário Nacional de Mobilidade Urbana - Semob, Luis Carlos Bueno de Lima, do Coordenador do PAC - Ministério do Planejamento, Maurício Muniz Barreto, Do Presidente do Fórum Dilson de Moura Peixoto Filho, da Prefeita de Betim MG, Maria do Carmo Lara Perpétuo e do Presidente da ANTP, Ailton Brasiliense Pires.
Também participaram do evento o secretário de Brasília, José Wagner Vasquez Filho e o deputado Hugo Leal que salientaram a importância desta reunião para a melhoria da qualidade de vida da população. Na fala do Ministro foi salientado o firme propósito de baratear as tarifas do transporte público do país para promover ampla inclusão social.

Na primeira mesa da parte da manhã foram discutidos os projetos em tramitação no Congresso Nacional prioritários para o transporte coletivo urbano e contou com a coordenação de Dilson Peixoto e a apresentação do Assessor da Frente Parlamentar Ivo Palmeira.

À tarde foi apresentado os investimentos nos PACs para o transporte público sob a Coordenação de Luiz Carlos Bertotto, Secretário de Transportes de Canoas. A aprentação foi feita por Guilherme Ramalho e os secretários bastante debateram os critérios do financiamento e a satisfação geral foi a constatação de que agora existem recursos para a área de mobilidade urbana.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 23 de março de 2011

Reativação da ANTP - Regional Centro Oeste traz debate sobre mobilidade urbana em Goiânia


 A Associação Nacional de Transporte Público – ANTP – Regional Centro-Oeste, foi reativada na segunda-feira (21 de abril), ao longo do dia, houve uma série de debates acerca de questões que envolvem transporte público e deslocamento urbano.

A solenidade foi realizada na sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de Goiás – CREA-GO. O evento também empossou o novo coordenador, Antenor Pinheiro e promoveu debates sobre transporte público e mobilidade.

O evento contou com a presença de diversas autoridades, representando diversos órgãos e setores da sociedade. Entre eles o presidente da ANTP nacional, Ailton Brasiliense, o presidente da AMT, Miguel Thiago, o presidente da CMTC, José Carlos Xavier, o deputado estadual Luis César Bueno (representando a Assembleia Legislativa) e o vereador Fábio Tokarski, pela Câmara dos Vereadores de Goiânia. Também estavam presentes o presidente do CREA-GO, Gerson de Almeida Taguatinga, bem como representantes do governo estadual.

A temática das intervenções foi a importância da ANTP para a elaborações de políticas públicas na área de mobilidade urbana. O presidente da AMT, Miguel Thiago, afirmou que a que a reativação da associação vem em um momento bastante oportuno, considerando os problemas de no trânsito da capital. Afirmou ainda que Goiânia possui mais de 1 milhão de carros e que já não há espaço físico para tantos veículos.

O vereador de Goiânia e presidente do PCdoB de Goiás, Fábio Tokarski afirmou que já é hora de se tomar ações concretas e de se criar políticas públicas de médio e longo prazo na área de transporte público. Sugeriu também que todos o projetos de lei elaborados pela Câmara Municipal seja apreciada pela ANTP, a fim de que seja elaborado parecer sobre o impacto dos mesmos na mobilidade urbana da capital. “Temos dois milhões de pessoas morando na região metropolitana de Goiânia, e muito são os conflitos dentro dessa metrópole. É necessário criar uma dinâmica nova, pensar na cidade daqui a 20 anos, para que possamos implementar políticas de transporte na cidade” disse o vereador.

O período vespertino foi dedicado a debates e painéis sobre o tema, onde foi levantada a necessidade de se investir no transporte de massas em detrimento das soluções para o transporte individual, mais onerosas e menos eficazes. Também foi levanta a questão da violência no trânsito e a falta de fiscalização do poder público.

O coordenador empossado da ANTP, Antenor Pinheiro, afirmou que a presença de vários setores do poder público é um bom sinal de que haverá parceria entre as entidades. Disse também que já existe uma iniciativa para trabalhos em conjunto com o CREA-GO, que ajudará a Associação a se capilarizar no interior do Estado, no Mato Grosso e no Distrito Federal.



Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 22 de março de 2011

FÓRUM NACIONAL


Brasília receberá nos dias 24 e 25 de março de 2011 a 74ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito

Relevância

O Fórum Nacional e a ANTP, com apoio da Frente Nacional de Prefeitos e da Frente Parlamentar de Transporte Público, programaram estrategicamente seu próximo encontro na capital federal, exatamente para este período, considerando as mudanças havidas após as eleições de 2010, no Executivo e do Legislativo, nos Estados e âmbito federal.  

Questões atuais
 
O objetivo central do Fórum é reunir as principais autoridades municipais, responsáveis pelas políticas públicas de mobilidade urbana nas cidades brasileiras de grande, médio e pequeno porte, visando à troca de experiências, ao conhecimento de novas tecnologias, e à discussão de problemas comuns e encaminhamentos que se façam necessários junto a todas esferas de governo.  

Presença do Ministro das Cidades

Os dirigentes da ANTP e do Fórum estão fazendo um esforço para ter a presença do Ministro das Cidades, Sr. Mário Negromonte, e de outras autoridades representativas do nosso setor, e com isso elaborar uma agenda comum 2011/2012”.  

Eleição para a presidência do Fórum Nacional

A 74ª Reunião servirá também para a eleição do novo presidente do Fórum Nacional. Por meio de carta aberta ao setor, o diretor presidente do Grande Recife – Consórcio de Transporte, Dílson Peixoto, anunciou em 3 de fevereiro de 2011 seu desligamento da direção do Fórum Nacional. 

Programação

A programação detalhada do encontro está disponível no Portal da ANTP.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 21 de março de 2011

DÉCADA MUNDIAL DA SEGURANÇA VIÁRIA 2011/2020

Nos EUA, presidente da ANTP participou do II Encontro Global de ONGs para a Segurança Viária e Defesa das Vítimas do Trânsito

O presidente da ANTP, Ailton Brasiliense Pires, participou nos dias 14 e 15 de março de 2011, em Washington, capital dos Estados Unidos, do II Encontro Global de Organizações Não-Governamentais para a Segurança Viária e Defesa das Vítimas do Trânsito. A reunião aconteceu na Sede Regional para Américas da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Objetivos

Esse encontro buscou estimular e facilitar o apoio das ONGs à Organização Mundial da Saúde quanto ao lançamento e implementação da Década de Ação para a Segurança Viária – 2011-2020. O lançamento da ação está agendada para 11 de maio de 2011.  

Aliança global

Segundo o médico Etienne Krug, diretor do Departamento de Prevenção da Violência, de Lesões e de Deficiências, da OMS, a ideia dessa série de encontros é criar uma aliança global de ONGs para pela segurança viária e em defesa das vítimas do trânsito, reforçando a capacidade dessas organizações de atuarem com os meios de comunicação e também compartilharem conhecimentos, experiências e abordagens. 

Preparação

A OMS acredita que a reunião constituiu uma importante oportunidade para que as ONGs se preparem para o lançamento da Década de Ação para a Segurança Viária - 2011-2020.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 16 de março de 2011

Entrevista André Trigueiro

A multiplicação de carros no Brasil é uma  bomba relógio ambiental de grandes


proporções
 
“Não existe mais hora do rush e isso significa perda de mobilidade”, constata Trigueiro, ao avaliar o trânsito caótico das cidades. Segundo ele, a engenharia de tráfico do país tem que mudar e, “em bom português”, diz que isso “significa que os investimentos públicos em transporte de massa eficiente, barato e rápido devem ser superiores, devem suplantar os investimentos públicos que abrem caminho para o transporte individual”. De acordo com o jornalista, a maioria dos impostos pagos pelos brasileiros ainda beneficia o transporte individual. “Isso é um desajuste, um desacerto e é injusto, porque a maioria dos brasileiros não tem carro”, reitera.
Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, Trigueiro defende a ideia de investir em transportes públicos que atendam centenas de pessoas, como o metrô, que, apesar de caro, é o meio mais indicado para solucionar problemas de tráfego e mobilidade urbana. “Chegamos a um ponto em que não é opção ter metrô; ele é fundamental, porque é o meio de transporte que irá reduzir, no longo prazo, a bomba relógio do crescimento desordenado das cidades e das suas frotas automobilísticas”.
André Trigueiro é jornalista, pós-graduado em Gestão Ambiental pela COOPE/UFRJ e professor do curso de Jornalismo Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Na Globo News, apresenta o programa “Cidades e soluções”, tratando da questão do meio ambiente. É autor de Mundo sustentável (São Paulo: Globo, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual sua reação diante da notícia de que um motorista atropelou diversos ciclistas que participavam de manifestação em prol da consciência ambiental?
André Trigueiro – É evidente que houve um crime, houve dolo e é evidente, de acordo com as imagens, que houve a intenção deliberada de atropelar. Nesse sentido, não há defesa, não há justificativa.
Por outro lado, o caso mostra que uma manifestação do gênero, evidentemente, haverá de requerer, em qualquer lugar, autorização prévia ao município para que os ciclistas sejam escoltados. Quer dizer, é muito arriscado realizar uma manifestação de bicicleta ou a pé, em uma avenida, contando com a boa vontade das pessoas. É importante que as manifestações sejam planejadas, que se avise a polícia e a guarda municipal. Cada cidade tem o seu protocolo e não é preciso arriscar a vida dos ciclistas.
Gostaria de fazer uma ressalva sobre o radicalismo, pois ele nunca é um aliado. Os movimentos extremistas, apaixonados, independente da causa, não agregam; pelo contrário, eles segregam. Não podem ser entendidos como uma ferramenta inteligente e, assim, não ganham musculatura e densidade.
Em sendo verdade a hipótese de que um motorista estressado, querendo atravessar a via, justificou a agressividade de alguns manifestantes, isso também merece atenção. A causa dos ciclistas é justa e nobre, é importante abrir espaços na cidade para a bicicleta, entendendo o veículo como meio de transporte consagrado em vários países do mundo, reduzindo as emissões de gases estufa, o ruído, aumentando o nível de conforto, de qualidade de vida das pessoas. Agora, perder a cabeça por uma razão qualquer, ficar impaciente e partir para a agressão não condiz com a nobreza da causa.
Há tantas outras maneiras de lidar com motorista impaciente, com pessoas que não atribuem importância ou consideram até uma ideia descabida uma manifestação do gênero. Não podemos impor aos outros a nossa visão de mundo, não podemos replicar uma visão monolítica do mundo e medi-lo conforme a nossa régua. O grande barato de viver em um país democrático como o Brasil é a possibilidade de organizar uma manifestação com ciclistas na rua, sem agravar o estresse que já existe e que confronta motoristas e ciclistas. Sou a favor da paz e penso que o movimento ambientalista não combina com guerra. Ele é muito criativo quando quer chamar atenção da opinião pública, da mídia, defendendo causas nobres e não consigo imaginar que a nossa estratégia seja outra, senão a de usar a criatividade, o bom senso, sem violência.

IHU On-Line – Muitas pessoas alegam que é complicado se locomover de bicicleta em função da engenharia das cidades. O que poderia mudar nesse sentido?
André Trigueiro – A engenharia de tráfico das cidades tem que mudar, temos que mudar o paradigma, o modelo. Isso, em bom português, significa que os investimentos públicos em transporte de massa eficiente, barato e rápido devem ser superiores, devem suplantar os investimentos públicos que abrem caminho para o transporte individual. Um estudo feito recentemente por um pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontou que a maior parte dos impostos pagos pelos brasileiros é aplicada na área de transporte, mas beneficiam o transporte individual. Isso é um desajuste, um desacerto e é injusto, porque a maioria dos brasileiros não tem carro. Além disso, não se podem utilizar recursos públicos majoritariamente para abrir caminho para o transporte privado.
É preciso promover não apenas a possibilidade de a bicicleta interligar domicílio a trabalho, ou seja, criar corredores, fluxo de bicicleta, demarcar no asfalto ou na calçada o espaço da ciclovia, mas ter uma sinalização eficiente, fiscalização presente, educação ostensiva para motoristas e ciclistas e punição severa e exemplar para quem não respeita as regras. Na Europa, o motorista tem medo de “encostar” em ciclista porque sabe que é encrenca. No Brasil, o pedestre é soberano, ninguém pode encostar nele, mesmo que esteja atravessando a rua fora da faixa de segurança, ou esteja em uma situação de risco. É dever do motorista parar o carro.
É fundamental entendermos que a bicicleta pode entrar como um elemento importante que interliga modais de transporte. A pessoa pode sair de casa usando a bicicleta, parar em uma grande estação de trem, de ônibus ou de metrô, onde haja bicicletário e, de lá, seguir para outros lugares da cidade. É preciso investir em lugares referenciais, onde o fluxo de ciclistas eventualmente seja grande. Poderiam criar um banheiro público e cobrar R$1, R$1,50, R$2 pela utilização. Os ciclistas poderiam tomar banho pagando uma taxa simbólica. Seria uma forma de facilitar a vida deles.
No metro, por exemplo, um vagão poderia ser destinado aos ciclistas. Essas seriam alternativas para reduzir a emissão de CO2, diminuir o ruído das cidades e melhorar a mobilidade urbana. A frota nacional de veículos cresceu mais de 100% em uma década, quer dizer, é um crescimento em progressão geométrica e as artérias das cidades não crescem na mesma proporção. Não existe mais hora do rush e isso significa perda de mobilidade.

IHU On-Line – O senhor escreveu no Twitter que há quatro anos comprou uma bicicleta para ir à PUC-Rio lecionar e acabou desistindo em função dos riscos que corria. Refere-se ao desrespeito dos carros? Como foi essa experiência?

André Trigueiro – Eu moro no bairro Laranjeiras e levo, de carro, cerca de dez minutos para chegar até a PUC, onde leciono. Atravesso um túnel, onde não é possível andar de bicicleta naturalmente. Quando opto por ir de bicicleta, faço um trajeto alternativo, saindo de Laranjeiras, pegando o bairro de Botafogo, Humaitá, Lagoa e Gávea, onde é a PUC. Parte desse percurso é coberto por ciclovia, outra parte não, justamente atravessando Laranjeiras e Botafogo. Nesse trecho, tenho que dividir a calçada e o asfalto com pedestres e motoristas.
As pessoas não têm a cultura do respeito ao ciclista, especialmente se a via não está demarcada. Senti-me exposto. Apesar de reconhecer a importância da bicicleta como modal de transporte, não posso ser irresponsável; tenho de priorizar a vida. Não adianta ter capacete, eventualmente uma roupa mais chamativa, fosforescente, aquela lanterninha piscando atrás do banco da bicicleta, pedal com olho de gato: a bicicleta é absolutamente frágil. Não se pode ter uma visão de que a bicicleta é maravilhosa, que todos devem usá-la, porque cada cidade tem a sua realidade.
Além de usar a bicicleta, podemos procurar alternativas para reduzir as emissões de gases estufa. A pecuária, por exemplo, é um dos maiores contribuintes para a emissão de gases estufa. Eu já reduzi drasticamente o consumo de carne. Procuro abrir espaço na universidade para esse debate, nas redes.
IHU On-Line – Algumas pessoas alegam que preferem se locomover de carro porque o transporte público é ineficiente. Será só isso mesmo, ou no Brasil o uso do carro já faz parte da cultura brasileira?
André Trigueiro – No Rio de Janeiro há um volume de investimento muito expressivo para preparar a cidade tanto para a Copa do Mundo em 2014 quanto para as Olimpíadas de 2016. O Rio de Janeiro tem uma oportunidade ímpar de promover, como nunca fez, o transporte público de massa. Há uma pressão enorme, o nível de consciência da população é muito grande, ou muito maior do que já foi. A tendência é que esse nível de pressão e de consciência cresça e que os tomadores de decisão percebam, como já percebem, que não há alternativa: não se consegue governar uma cidade colapsada na capacidade de promover o deslocamento das pessoas, as cidades são dinâmicas por vício de origem, as cidades são grandes formigueiros. Então, têm que ter fluxos de movimentação livres.
Estudos mostram que o deslocamento do centro da cidade até um determinado da periferia demorava 20 minutos há 10 anos e, agora, demora 45 minutos. Nos próximos dez anos, faremos esse percurso em quanto tempo? Há um problema de gerenciamento, pois os mandatos de prefeitos e governadores são de quatro anos e as mudanças feitas não resolvem o problema.
Respondendo objetivamente à pergunta, tem um pouco de tudo e cada região do Brasil tem a sua singularidade. Via de regra, existe certo comodismo, além da publicidade enganosa, que mostra o carro em comercial de televisão sempre andando sem engarrafamento. O carro também está cada vez mais confortável, oferece kits de conveniência. Não é normal perder até quatro horas da vida em engarrafamentos, todos os dias. Mas a loucura do automóvel também é a de tentar emprestar sentido à permanência no engarrafamento desde que seja em um carro Pop. Há uma inversão de valores.
IHU On-Line – Segundo informações do Ipea, com a ascensão das classes C e D, deverá aumentar a aquisição de automóveis no país. O sonho de muitas pessoas é possuir um carro próprio. Como lidar com esse paradoxo: ascensão econômica x sustentabilidade?
André Trigueiro – Em primeiro lugar, a multiplicação de carros no Brasil é uma bomba relógio ambiental de grandes proporções. O governo tem, nos impostos arrecadados, não apenas com a venda de automóveis, mas de todos os componentes, uma importantíssima fonte de arrecadação. Certa vez foi feita uma conta: se fosse possível somar todas as montadoras de veículos do mundo e toda a receita auferida pelo setor automotivo e isso fosse transformado em um número, esse número equivaleria ao sexto maior PIB do planeta, ou seja, em um ranking de países, o setor automotivo seria o sexto país mais rico do mundo.
Outro ponto importante é que não se faz omelete sem quebras os ovos. É duro ter que dizer isso. Preciso ter cuidado ao explicar isso para não ter uma visão elitista, mas o fato é que não é possível todo o brasileiro ter carro, como não é possível todo indiano, todo chinês ter carro. Simplesmente não dá, não é uma questão de justiça, é uma questão física. 83% dos brasileiros vivem em cidades segundo o IBGE. Se todos esses tiverem um carro, a vida se tornará absolutamente insustentável, intolerável.
O estudo do Ipea indica que, possivelmente, o Brasil terá que replicar experiências que já acontecem em alguns países do mundo, que são restritivas ao automóvel. Em Cingapura, as pessoas completam 18 anos e tiram a carteira de motorista se houver disponibilidade, pois o governo estabeleceu uma cota. Eles têm um número definido de licenças de motoristas. Uma medida possível talvez seja restringir o número de carteiras de habilitação, não é qualquer um que pode ser motorista, é só quem pode, e o governo vai dizer isso em termos estritamente numéricos, pois tem um limite, uma capacidade de suporte.
Outra opção é sobretaxar o veículo, como fizemos com cigarros e bebidas. Na Califórnia, existem corredores, faixas de rolamento exclusivas para motoristas que estejam acompanhados. A maioria das pessoas, no Brasil, andam sozinhas e não poderiam pegar a faixa seletiva.
Toda a sobre taxa que o governo poderá criar para o transporte individual deverá ser canalizada diretamente para o transporte público. Para onde vai o dinheiro do pedágio urbano de Londres? Para melhorias do transporte público de massa do cidadão londrino. Não tem desvio de dinheiro e isso faz a diferença. O motorista, em lugares onde a cidadania é valorizada, pode até ficar chateado por precisar ir ao centro de carro, já que está sempre pagando seu imposto.
Confesso a você que eu teria um cuidado maior na propaganda de automóveis, como se tem em relação à bebida. Quando encerra um comercial de bebida aparece a frase: “beba com moderação”. Poderíamos pensar o mesmo para a propaganda de veículos, uma mensagem que vá ao encontro do uso sustentável. Hoje em dia ter carro é muito diferente de 20, 30 anos atrás. Por isso, a publicidade tem de lembrar, a quem queira comprar carro, que é preciso ter cuidado, uma visão mais encorpada de mundo.
Além dessas possibilidades, penso que o principal seja aderir à certificação energética, como se fosse um selo Procel, com letra A, B, C, D e E. A letra A representa o carro mais eficiente do ponto de vista do consumo do combustível. As montadoras tinham de ser obrigadas a terem prazos e metas de eficiência e de cinco em cinco anos, os carros deveriam superar a eficiência.
IHU On-Line – O curioso é que essas montadoras são praticamente as mesmas, aqui e lá fora, e lá elas têm um padrão de automóvel que não polui ou polui menos.
André Trigueiro – Porque lá fora há regulação, aqui não. Não podemos ser inocentes, quer dizer, no Brasil a tributação do setor automotivo é importante, pois gera contribuição fiscal, do setor automotivo, dos componentes, autopeças, lubrificantes, combustíveis. Se fizermos a conta, isso dá um lastro para as contas públicas. Não por acaso, o presidente da República, quando o mundo estava deprimido economicamente, aconselhou o brasileiro a comprar tudo. Essa situação ajudou o Brasil a não sofrer tanto. Contudo, manter esse período de consumo é perigoso, temerário, porque não é sustentável. Não dá para imaginar essa progressão geométrica do crescimento das vendas de veículos nas ruas e avenidas de um país onde 83% dos brasileiros vivem em cidades.
Todas as pessoas têm direito a ter carro se assim desejarem, só que o mundo mudou e para pior em relação à mobilidade. O carro é o grande vilão.
IHU On-Line – Em que consistiria um sistema integrado e inteligente de transporte?
André Trigueiro – Através de um bom mapeamento dos percursos, dos trajetos, corredores de deslocamentos na cidade. É preciso entender como a população está distribuída e onde há maior demanda de deslocamento. Segundo, um planejamento em resposta ao diagnóstico, ou seja, como melhorar os meios de transporte onde eles se fazem mais necessários. Penso que o ideal é priorizar, sempre, o transporte público de massa. O que é transporte público de massa? Não é ônibus, é metrô, trem, barca.
Os modais de transporte precisam aparecer em um grande mapa que esteja na sala do gestor público, para que ele visualize a deficiência de transporte em determinada área da cidade que está crescendo e precisa promover transporte.
IHU On-Line – Como o senhor vê a proposta do governo de construir um metrô? Qual a relação custo/benefício da obra?
André Trigueiro – O metrô em cidades já construídas é mais caro, porque tem o custo da desapropriação, a linha tem que passar e quem estiver pela frente pode pagar o pato. Tem o custo de ter a rede subterrânea da cidade, ou seja, são adutoras, transporte de água, esgoto, redes pluviais.
Existem lugares em que não precisa fazer o metrô subterrâneo, pode fazer o metrô de superfície e bingo, pois existe uma enorme rede de trilhos, de linhas férreas sucateadas no Brasil. Então, é possível aproveitar o que já existe dentro da região metropolitana, como em São Gonçalo, a segunda cidade mais importante do estado do Rio de Janeiro.
O mais importante é que chegamos a um ponto em que não é opção ter metrô; ele é fundamental, porque é o meio de transporte que irá reduzir, no longo prazo, a bomba relógio do crescimento desordenado das cidades e das suas frotas automobilísticas. Metrô é o caminho mais inteligente e urgente, seus investimentos estão demandando mais urgência hoje nas grandes cidades brasileiras.
Fonte: IHUnisinos
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

Brasil: a aventura da mobilidade


Caminhar pelas cidades brasileiras significa enfrentar o desafio da morte em cada esquina. Os motoristas precisam mudar seu comportamento no trânsito
arte: NazarenoAffonso
 
Caminhar pelas cidades brasileiras significa enfrentar o desafio da morte em cada esquina, em cada faixa de pedestre. Se os motoristas brasileiros não mudarem de comportamento no trânsito teremos milhares de turistas atropelados durante as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Afinal, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, quando uma pessoa desce da calçada em uma faixa de pedestres, o trânsito pacientemente para.
Nas reportagens sobre os preparativos para as Olimpíadas e para a Copa do Mundo há defensores das bicicletas, dos trens, do metrô, dos coletivos em geral e até quem defenda ainda a mobilidade urbana baseada no automóvel. Mas poucos se lembram dos pedestres, que em última instância somos todos nós quando não estamos a bordo de algum tipo de transporte. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belo Horizonte e outras que receberão milhares de turistas não estão preparadas para o desafio da cidadania na mobilidade. Até agora não existe nenhum movimento visível em direção à educação dos motoristas brasileiros para que não assassinem os torcedores que vierem visitar o Brasil nestes mega-eventos.
O Brasil precisa deixar de ser o país do jeitinho e se tornar o país que respeita sinalização de trânsito e, principalmente, faixas de pedestres, que atualmente são verdadeiras armadilhas para pessoas que se acreditam seguras porque elas são definidas pela lei como “extensões da calçada”, portanto, território de pedestres, para quem os carros devem parar e esperar.
“Se eu parar na faixa o carro de trás pode bater no meu carro”, foi a explicação que ouvi outro dia na rua. Os motoristas deveriam reduzir automaticamente a velocidade ao aproximarem-se de locais sinalizados para a travessia de pedestres. Dados de pesquisadores americanos demonstram que com carros a 32km/h matam 5% dos pedestres atingidos, enquanto 65% sofrem lesões e 30% sobrevivem ilesos. A 48km/h, 45% das vítimas morrem, 50% sofrem lesões e 5% sobrevivem ilesos. A 64km/h 85% das pessoas atingidas por veículos morrem e os 15% restantes sofrem algum
tipo de lesão.
Outro dado impressionante, é que o atropelamento é a terceira maior causa de morte de crianças em nossas cidades. Os números entre os idosos também não são desprezíveis. São cerca de 45 milhões de pessoas que recebem uma licença para dirigir, e que recebem a maior parte da atenção do poder público, contra pouco mais de 150 milhões que caminham e que podem morrer por um simples descuido ao atravessar uma rua, mesmo que estejam sob a “proteção de uma faixa de pedestres”.
Outro dado interessante, desta vez sobre a cidade de São Paulo, mostra que 36% das viagens dentro da cidade são feitas a pé, contra apenas 27% realizadas de automóvel. No entanto, mais de 80% dos investimentos públicos são focados na mobilidade por automóveis. As bicicletas respondem também por outro grande percentual, seja em trajetos completos, casa-trabalho, ou casa-transporte coletivo. Somados, pedestres e ciclistas representam mais da metade das viagens na cidade.
Quando se fala dos conflitos nas vias públicas, há, certamente, a imprudência de muitos pedestres, que também devem cuidar de cumprir a sua parte e não se exporem desnecessariamente, ou de forma imprudente aos riscos da mobilidade urbana. Mas, o que vemos atualmente na maior parte das cidades brasileiras é um abuso de força das pessoas motorizadas. Quanto mais lata, mais arrogância na circulação e a conquista dos espaços destinados a pedestres pelo peso de suas máquinas.
O país já tem um PAC da Mobilidade nas Grandes Cidades, que investirá R$18 bilhões – R$6 bilhões de investimento direto da União e R$12 bilhões por meio de financiamento – para ampliar a capacidade de locomoção e melhorar a infraestrutura do transporte público nas grandes cidades. Nos próximos meses o poder público deveria utilizar parte desses recursos com campanhas de educação para a mobilidade urbana. Caso contrário será trágico ter de explicar porque muitas pessoas que virão passear, praticar esportes ou assistir jogos por todo o Brasil terão de voltar para seus países e para suas famílias em caixões lacrados.
Carta Capital

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT