quarta-feira, 16 de março de 2011

Entrevista André Trigueiro

A multiplicação de carros no Brasil é uma  bomba relógio ambiental de grandes


proporções
 
“Não existe mais hora do rush e isso significa perda de mobilidade”, constata Trigueiro, ao avaliar o trânsito caótico das cidades. Segundo ele, a engenharia de tráfico do país tem que mudar e, “em bom português”, diz que isso “significa que os investimentos públicos em transporte de massa eficiente, barato e rápido devem ser superiores, devem suplantar os investimentos públicos que abrem caminho para o transporte individual”. De acordo com o jornalista, a maioria dos impostos pagos pelos brasileiros ainda beneficia o transporte individual. “Isso é um desajuste, um desacerto e é injusto, porque a maioria dos brasileiros não tem carro”, reitera.
Em entrevista à IHU On-Line, por telefone, Trigueiro defende a ideia de investir em transportes públicos que atendam centenas de pessoas, como o metrô, que, apesar de caro, é o meio mais indicado para solucionar problemas de tráfego e mobilidade urbana. “Chegamos a um ponto em que não é opção ter metrô; ele é fundamental, porque é o meio de transporte que irá reduzir, no longo prazo, a bomba relógio do crescimento desordenado das cidades e das suas frotas automobilísticas”.
André Trigueiro é jornalista, pós-graduado em Gestão Ambiental pela COOPE/UFRJ e professor do curso de Jornalismo Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Na Globo News, apresenta o programa “Cidades e soluções”, tratando da questão do meio ambiente. É autor de Mundo sustentável (São Paulo: Globo, 2005).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual sua reação diante da notícia de que um motorista atropelou diversos ciclistas que participavam de manifestação em prol da consciência ambiental?
André Trigueiro – É evidente que houve um crime, houve dolo e é evidente, de acordo com as imagens, que houve a intenção deliberada de atropelar. Nesse sentido, não há defesa, não há justificativa.
Por outro lado, o caso mostra que uma manifestação do gênero, evidentemente, haverá de requerer, em qualquer lugar, autorização prévia ao município para que os ciclistas sejam escoltados. Quer dizer, é muito arriscado realizar uma manifestação de bicicleta ou a pé, em uma avenida, contando com a boa vontade das pessoas. É importante que as manifestações sejam planejadas, que se avise a polícia e a guarda municipal. Cada cidade tem o seu protocolo e não é preciso arriscar a vida dos ciclistas.
Gostaria de fazer uma ressalva sobre o radicalismo, pois ele nunca é um aliado. Os movimentos extremistas, apaixonados, independente da causa, não agregam; pelo contrário, eles segregam. Não podem ser entendidos como uma ferramenta inteligente e, assim, não ganham musculatura e densidade.
Em sendo verdade a hipótese de que um motorista estressado, querendo atravessar a via, justificou a agressividade de alguns manifestantes, isso também merece atenção. A causa dos ciclistas é justa e nobre, é importante abrir espaços na cidade para a bicicleta, entendendo o veículo como meio de transporte consagrado em vários países do mundo, reduzindo as emissões de gases estufa, o ruído, aumentando o nível de conforto, de qualidade de vida das pessoas. Agora, perder a cabeça por uma razão qualquer, ficar impaciente e partir para a agressão não condiz com a nobreza da causa.
Há tantas outras maneiras de lidar com motorista impaciente, com pessoas que não atribuem importância ou consideram até uma ideia descabida uma manifestação do gênero. Não podemos impor aos outros a nossa visão de mundo, não podemos replicar uma visão monolítica do mundo e medi-lo conforme a nossa régua. O grande barato de viver em um país democrático como o Brasil é a possibilidade de organizar uma manifestação com ciclistas na rua, sem agravar o estresse que já existe e que confronta motoristas e ciclistas. Sou a favor da paz e penso que o movimento ambientalista não combina com guerra. Ele é muito criativo quando quer chamar atenção da opinião pública, da mídia, defendendo causas nobres e não consigo imaginar que a nossa estratégia seja outra, senão a de usar a criatividade, o bom senso, sem violência.

IHU On-Line – Muitas pessoas alegam que é complicado se locomover de bicicleta em função da engenharia das cidades. O que poderia mudar nesse sentido?
André Trigueiro – A engenharia de tráfico das cidades tem que mudar, temos que mudar o paradigma, o modelo. Isso, em bom português, significa que os investimentos públicos em transporte de massa eficiente, barato e rápido devem ser superiores, devem suplantar os investimentos públicos que abrem caminho para o transporte individual. Um estudo feito recentemente por um pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontou que a maior parte dos impostos pagos pelos brasileiros é aplicada na área de transporte, mas beneficiam o transporte individual. Isso é um desajuste, um desacerto e é injusto, porque a maioria dos brasileiros não tem carro. Além disso, não se podem utilizar recursos públicos majoritariamente para abrir caminho para o transporte privado.
É preciso promover não apenas a possibilidade de a bicicleta interligar domicílio a trabalho, ou seja, criar corredores, fluxo de bicicleta, demarcar no asfalto ou na calçada o espaço da ciclovia, mas ter uma sinalização eficiente, fiscalização presente, educação ostensiva para motoristas e ciclistas e punição severa e exemplar para quem não respeita as regras. Na Europa, o motorista tem medo de “encostar” em ciclista porque sabe que é encrenca. No Brasil, o pedestre é soberano, ninguém pode encostar nele, mesmo que esteja atravessando a rua fora da faixa de segurança, ou esteja em uma situação de risco. É dever do motorista parar o carro.
É fundamental entendermos que a bicicleta pode entrar como um elemento importante que interliga modais de transporte. A pessoa pode sair de casa usando a bicicleta, parar em uma grande estação de trem, de ônibus ou de metrô, onde haja bicicletário e, de lá, seguir para outros lugares da cidade. É preciso investir em lugares referenciais, onde o fluxo de ciclistas eventualmente seja grande. Poderiam criar um banheiro público e cobrar R$1, R$1,50, R$2 pela utilização. Os ciclistas poderiam tomar banho pagando uma taxa simbólica. Seria uma forma de facilitar a vida deles.
No metro, por exemplo, um vagão poderia ser destinado aos ciclistas. Essas seriam alternativas para reduzir a emissão de CO2, diminuir o ruído das cidades e melhorar a mobilidade urbana. A frota nacional de veículos cresceu mais de 100% em uma década, quer dizer, é um crescimento em progressão geométrica e as artérias das cidades não crescem na mesma proporção. Não existe mais hora do rush e isso significa perda de mobilidade.

IHU On-Line – O senhor escreveu no Twitter que há quatro anos comprou uma bicicleta para ir à PUC-Rio lecionar e acabou desistindo em função dos riscos que corria. Refere-se ao desrespeito dos carros? Como foi essa experiência?

André Trigueiro – Eu moro no bairro Laranjeiras e levo, de carro, cerca de dez minutos para chegar até a PUC, onde leciono. Atravesso um túnel, onde não é possível andar de bicicleta naturalmente. Quando opto por ir de bicicleta, faço um trajeto alternativo, saindo de Laranjeiras, pegando o bairro de Botafogo, Humaitá, Lagoa e Gávea, onde é a PUC. Parte desse percurso é coberto por ciclovia, outra parte não, justamente atravessando Laranjeiras e Botafogo. Nesse trecho, tenho que dividir a calçada e o asfalto com pedestres e motoristas.
As pessoas não têm a cultura do respeito ao ciclista, especialmente se a via não está demarcada. Senti-me exposto. Apesar de reconhecer a importância da bicicleta como modal de transporte, não posso ser irresponsável; tenho de priorizar a vida. Não adianta ter capacete, eventualmente uma roupa mais chamativa, fosforescente, aquela lanterninha piscando atrás do banco da bicicleta, pedal com olho de gato: a bicicleta é absolutamente frágil. Não se pode ter uma visão de que a bicicleta é maravilhosa, que todos devem usá-la, porque cada cidade tem a sua realidade.
Além de usar a bicicleta, podemos procurar alternativas para reduzir as emissões de gases estufa. A pecuária, por exemplo, é um dos maiores contribuintes para a emissão de gases estufa. Eu já reduzi drasticamente o consumo de carne. Procuro abrir espaço na universidade para esse debate, nas redes.
IHU On-Line – Algumas pessoas alegam que preferem se locomover de carro porque o transporte público é ineficiente. Será só isso mesmo, ou no Brasil o uso do carro já faz parte da cultura brasileira?
André Trigueiro – No Rio de Janeiro há um volume de investimento muito expressivo para preparar a cidade tanto para a Copa do Mundo em 2014 quanto para as Olimpíadas de 2016. O Rio de Janeiro tem uma oportunidade ímpar de promover, como nunca fez, o transporte público de massa. Há uma pressão enorme, o nível de consciência da população é muito grande, ou muito maior do que já foi. A tendência é que esse nível de pressão e de consciência cresça e que os tomadores de decisão percebam, como já percebem, que não há alternativa: não se consegue governar uma cidade colapsada na capacidade de promover o deslocamento das pessoas, as cidades são dinâmicas por vício de origem, as cidades são grandes formigueiros. Então, têm que ter fluxos de movimentação livres.
Estudos mostram que o deslocamento do centro da cidade até um determinado da periferia demorava 20 minutos há 10 anos e, agora, demora 45 minutos. Nos próximos dez anos, faremos esse percurso em quanto tempo? Há um problema de gerenciamento, pois os mandatos de prefeitos e governadores são de quatro anos e as mudanças feitas não resolvem o problema.
Respondendo objetivamente à pergunta, tem um pouco de tudo e cada região do Brasil tem a sua singularidade. Via de regra, existe certo comodismo, além da publicidade enganosa, que mostra o carro em comercial de televisão sempre andando sem engarrafamento. O carro também está cada vez mais confortável, oferece kits de conveniência. Não é normal perder até quatro horas da vida em engarrafamentos, todos os dias. Mas a loucura do automóvel também é a de tentar emprestar sentido à permanência no engarrafamento desde que seja em um carro Pop. Há uma inversão de valores.
IHU On-Line – Segundo informações do Ipea, com a ascensão das classes C e D, deverá aumentar a aquisição de automóveis no país. O sonho de muitas pessoas é possuir um carro próprio. Como lidar com esse paradoxo: ascensão econômica x sustentabilidade?
André Trigueiro – Em primeiro lugar, a multiplicação de carros no Brasil é uma bomba relógio ambiental de grandes proporções. O governo tem, nos impostos arrecadados, não apenas com a venda de automóveis, mas de todos os componentes, uma importantíssima fonte de arrecadação. Certa vez foi feita uma conta: se fosse possível somar todas as montadoras de veículos do mundo e toda a receita auferida pelo setor automotivo e isso fosse transformado em um número, esse número equivaleria ao sexto maior PIB do planeta, ou seja, em um ranking de países, o setor automotivo seria o sexto país mais rico do mundo.
Outro ponto importante é que não se faz omelete sem quebras os ovos. É duro ter que dizer isso. Preciso ter cuidado ao explicar isso para não ter uma visão elitista, mas o fato é que não é possível todo o brasileiro ter carro, como não é possível todo indiano, todo chinês ter carro. Simplesmente não dá, não é uma questão de justiça, é uma questão física. 83% dos brasileiros vivem em cidades segundo o IBGE. Se todos esses tiverem um carro, a vida se tornará absolutamente insustentável, intolerável.
O estudo do Ipea indica que, possivelmente, o Brasil terá que replicar experiências que já acontecem em alguns países do mundo, que são restritivas ao automóvel. Em Cingapura, as pessoas completam 18 anos e tiram a carteira de motorista se houver disponibilidade, pois o governo estabeleceu uma cota. Eles têm um número definido de licenças de motoristas. Uma medida possível talvez seja restringir o número de carteiras de habilitação, não é qualquer um que pode ser motorista, é só quem pode, e o governo vai dizer isso em termos estritamente numéricos, pois tem um limite, uma capacidade de suporte.
Outra opção é sobretaxar o veículo, como fizemos com cigarros e bebidas. Na Califórnia, existem corredores, faixas de rolamento exclusivas para motoristas que estejam acompanhados. A maioria das pessoas, no Brasil, andam sozinhas e não poderiam pegar a faixa seletiva.
Toda a sobre taxa que o governo poderá criar para o transporte individual deverá ser canalizada diretamente para o transporte público. Para onde vai o dinheiro do pedágio urbano de Londres? Para melhorias do transporte público de massa do cidadão londrino. Não tem desvio de dinheiro e isso faz a diferença. O motorista, em lugares onde a cidadania é valorizada, pode até ficar chateado por precisar ir ao centro de carro, já que está sempre pagando seu imposto.
Confesso a você que eu teria um cuidado maior na propaganda de automóveis, como se tem em relação à bebida. Quando encerra um comercial de bebida aparece a frase: “beba com moderação”. Poderíamos pensar o mesmo para a propaganda de veículos, uma mensagem que vá ao encontro do uso sustentável. Hoje em dia ter carro é muito diferente de 20, 30 anos atrás. Por isso, a publicidade tem de lembrar, a quem queira comprar carro, que é preciso ter cuidado, uma visão mais encorpada de mundo.
Além dessas possibilidades, penso que o principal seja aderir à certificação energética, como se fosse um selo Procel, com letra A, B, C, D e E. A letra A representa o carro mais eficiente do ponto de vista do consumo do combustível. As montadoras tinham de ser obrigadas a terem prazos e metas de eficiência e de cinco em cinco anos, os carros deveriam superar a eficiência.
IHU On-Line – O curioso é que essas montadoras são praticamente as mesmas, aqui e lá fora, e lá elas têm um padrão de automóvel que não polui ou polui menos.
André Trigueiro – Porque lá fora há regulação, aqui não. Não podemos ser inocentes, quer dizer, no Brasil a tributação do setor automotivo é importante, pois gera contribuição fiscal, do setor automotivo, dos componentes, autopeças, lubrificantes, combustíveis. Se fizermos a conta, isso dá um lastro para as contas públicas. Não por acaso, o presidente da República, quando o mundo estava deprimido economicamente, aconselhou o brasileiro a comprar tudo. Essa situação ajudou o Brasil a não sofrer tanto. Contudo, manter esse período de consumo é perigoso, temerário, porque não é sustentável. Não dá para imaginar essa progressão geométrica do crescimento das vendas de veículos nas ruas e avenidas de um país onde 83% dos brasileiros vivem em cidades.
Todas as pessoas têm direito a ter carro se assim desejarem, só que o mundo mudou e para pior em relação à mobilidade. O carro é o grande vilão.
IHU On-Line – Em que consistiria um sistema integrado e inteligente de transporte?
André Trigueiro – Através de um bom mapeamento dos percursos, dos trajetos, corredores de deslocamentos na cidade. É preciso entender como a população está distribuída e onde há maior demanda de deslocamento. Segundo, um planejamento em resposta ao diagnóstico, ou seja, como melhorar os meios de transporte onde eles se fazem mais necessários. Penso que o ideal é priorizar, sempre, o transporte público de massa. O que é transporte público de massa? Não é ônibus, é metrô, trem, barca.
Os modais de transporte precisam aparecer em um grande mapa que esteja na sala do gestor público, para que ele visualize a deficiência de transporte em determinada área da cidade que está crescendo e precisa promover transporte.
IHU On-Line – Como o senhor vê a proposta do governo de construir um metrô? Qual a relação custo/benefício da obra?
André Trigueiro – O metrô em cidades já construídas é mais caro, porque tem o custo da desapropriação, a linha tem que passar e quem estiver pela frente pode pagar o pato. Tem o custo de ter a rede subterrânea da cidade, ou seja, são adutoras, transporte de água, esgoto, redes pluviais.
Existem lugares em que não precisa fazer o metrô subterrâneo, pode fazer o metrô de superfície e bingo, pois existe uma enorme rede de trilhos, de linhas férreas sucateadas no Brasil. Então, é possível aproveitar o que já existe dentro da região metropolitana, como em São Gonçalo, a segunda cidade mais importante do estado do Rio de Janeiro.
O mais importante é que chegamos a um ponto em que não é opção ter metrô; ele é fundamental, porque é o meio de transporte que irá reduzir, no longo prazo, a bomba relógio do crescimento desordenado das cidades e das suas frotas automobilísticas. Metrô é o caminho mais inteligente e urgente, seus investimentos estão demandando mais urgência hoje nas grandes cidades brasileiras.
Fonte: IHUnisinos
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

Brasil: a aventura da mobilidade


Caminhar pelas cidades brasileiras significa enfrentar o desafio da morte em cada esquina. Os motoristas precisam mudar seu comportamento no trânsito
arte: NazarenoAffonso
 
Caminhar pelas cidades brasileiras significa enfrentar o desafio da morte em cada esquina, em cada faixa de pedestre. Se os motoristas brasileiros não mudarem de comportamento no trânsito teremos milhares de turistas atropelados durante as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Afinal, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, quando uma pessoa desce da calçada em uma faixa de pedestres, o trânsito pacientemente para.
Nas reportagens sobre os preparativos para as Olimpíadas e para a Copa do Mundo há defensores das bicicletas, dos trens, do metrô, dos coletivos em geral e até quem defenda ainda a mobilidade urbana baseada no automóvel. Mas poucos se lembram dos pedestres, que em última instância somos todos nós quando não estamos a bordo de algum tipo de transporte. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belo Horizonte e outras que receberão milhares de turistas não estão preparadas para o desafio da cidadania na mobilidade. Até agora não existe nenhum movimento visível em direção à educação dos motoristas brasileiros para que não assassinem os torcedores que vierem visitar o Brasil nestes mega-eventos.
O Brasil precisa deixar de ser o país do jeitinho e se tornar o país que respeita sinalização de trânsito e, principalmente, faixas de pedestres, que atualmente são verdadeiras armadilhas para pessoas que se acreditam seguras porque elas são definidas pela lei como “extensões da calçada”, portanto, território de pedestres, para quem os carros devem parar e esperar.
“Se eu parar na faixa o carro de trás pode bater no meu carro”, foi a explicação que ouvi outro dia na rua. Os motoristas deveriam reduzir automaticamente a velocidade ao aproximarem-se de locais sinalizados para a travessia de pedestres. Dados de pesquisadores americanos demonstram que com carros a 32km/h matam 5% dos pedestres atingidos, enquanto 65% sofrem lesões e 30% sobrevivem ilesos. A 48km/h, 45% das vítimas morrem, 50% sofrem lesões e 5% sobrevivem ilesos. A 64km/h 85% das pessoas atingidas por veículos morrem e os 15% restantes sofrem algum
tipo de lesão.
Outro dado impressionante, é que o atropelamento é a terceira maior causa de morte de crianças em nossas cidades. Os números entre os idosos também não são desprezíveis. São cerca de 45 milhões de pessoas que recebem uma licença para dirigir, e que recebem a maior parte da atenção do poder público, contra pouco mais de 150 milhões que caminham e que podem morrer por um simples descuido ao atravessar uma rua, mesmo que estejam sob a “proteção de uma faixa de pedestres”.
Outro dado interessante, desta vez sobre a cidade de São Paulo, mostra que 36% das viagens dentro da cidade são feitas a pé, contra apenas 27% realizadas de automóvel. No entanto, mais de 80% dos investimentos públicos são focados na mobilidade por automóveis. As bicicletas respondem também por outro grande percentual, seja em trajetos completos, casa-trabalho, ou casa-transporte coletivo. Somados, pedestres e ciclistas representam mais da metade das viagens na cidade.
Quando se fala dos conflitos nas vias públicas, há, certamente, a imprudência de muitos pedestres, que também devem cuidar de cumprir a sua parte e não se exporem desnecessariamente, ou de forma imprudente aos riscos da mobilidade urbana. Mas, o que vemos atualmente na maior parte das cidades brasileiras é um abuso de força das pessoas motorizadas. Quanto mais lata, mais arrogância na circulação e a conquista dos espaços destinados a pedestres pelo peso de suas máquinas.
O país já tem um PAC da Mobilidade nas Grandes Cidades, que investirá R$18 bilhões – R$6 bilhões de investimento direto da União e R$12 bilhões por meio de financiamento – para ampliar a capacidade de locomoção e melhorar a infraestrutura do transporte público nas grandes cidades. Nos próximos meses o poder público deveria utilizar parte desses recursos com campanhas de educação para a mobilidade urbana. Caso contrário será trágico ter de explicar porque muitas pessoas que virão passear, praticar esportes ou assistir jogos por todo o Brasil terão de voltar para seus países e para suas famílias em caixões lacrados.
Carta Capital

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 15 de março de 2011

Em 22 de março haverá um simpósio sobre trólebus no Instituto de Engenharia, em São Paulo

INSTITUTO DE ENGENHARIA

O Instituto de Engenharia de São Paulo promoverá em 22 de março de 2011, das 9h às 12h30, em sua sede (Avendia Dr. Dante Pazzanese, 120, São Paulo-SP) o simpósio intitulado Trólebus.  
Abertura. 
A solenidade de instalação dos trabalhos terá a participação de Aluizio de Barros Fagundes, presidente do Instituto de Engenharia; Jurandir Fernandes, secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, e Marcelo Cardinale Branco, secretário Municipal de Transportes.  
Palestra de Adriano Branco. 
A palestra que abrirá a parte técnica do encontro, com o título Histórico do Transporte Público em São Paulo – O Papel do Trólebus, estará a cargo do consultor Adriano Murgel Branco.  
Três painéis. 
Em seguida, haverá três painéis: 1) Veículos – com base na palestra Comparativa entre modais trólebus x VLT x monotrilho: experiência nacional da indústria de veículos, a cargo do consultor Antonio Vicente Silva; 2) Projetos e Obras, incluindo a palestra Projeto, gerenciamento e execução da obra de eletrificação do Corredor de Ônibus ABD – Trecho Terminal Piraporinha-Terminal Jabaquara, a cargo de Roberto Bartolomeu Berkes, do Instituto de Engenharia; 3) Manutenção e Operação, com a palestra Experiência nos serviços de manutenção e operação de sistema trólebus, a ser desenvolvida por Idário Branco, da São Paulo Transporte S/A (SPTrans).  
Fechamento dos trabalhos. 
A sessão de conclusão e de encerramento terá coordenação de Miracyr Assis Marcato, diretor do Departa mento de Energia e Telecomunicações do Instituto de Engenharia, com participação dos responáveis pelas palestras.
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nesta terça (15) AEAMESP promoverá palestra técnica sobre comunicações móveis metroferroviárias

PALESTRA TÉCNICA
Na terça-feira dia 15 de março de 2011, às 17 horas, a AEAMESP (entidade que faz parte do Secretariado do MDT) promoverá em sua sede (Rua do Paraíso, 67, 2º andar, conjunto. 23, São Paulo-SP) palestra técnica sobre o tema Comunicações móveis metroferroviárias, a cargo do especialista Sérgio Guedelha Coutinho. Durante o encontro, serão abordados os seguintes tópicos: Importância do transporte metroferroviário para o Brasil, Status atual das comunicações móveis metroferroviárias no Brasil, Utilização do Espectro de Frequências, Novas demandas e Oportunidades e alternativas para o futuro.  
Vagas limitadas. A reserva deve ser feita pelo e-mail: eventos@aeamesp.org.br ou tel: 11.3284-0041 com Debora.

O PALESTRANTE

Sergio Guedelha Coutinho é engenheiro eletricista formado pela Universidade Mackenzie. É pós-graduado em Marketing pela ESPM e cursou o CEAG da FGV. Atualmente é sócio diretor da Guedelha e Associados Consultoria. Especialista em radiopropagação trouxe novos produtos e tecnologias de vários países para o Brasil. Atuou em empresas como a Philips, SGM-Telecom, EFJonhson e Getronics. Foi diretor de vendas da Embratel e diretor superintendente da 3T Systems, empresa que desenvolve tecnologia e presta serviços de rastreamento e monitoramento logístico. Ao longo da sua carreira, participou de um grande número de projetos de telecomunicações de missão crítica, em especial de metrôs e de ferrovias.
 Boletim da AEAMESP
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

sexta-feira, 11 de março de 2011

Atropelador de ciclistas em Porto Alegre é declarado são e vai para presídio

arte: Nazareno Affonso


A 1ª Vara do Júri de Porto Alegre (RS) determinou que o motorista que atropelou ciclistas na cidade em 25 de fevereiro seja removido imediatamente do hospital para o Presídio Central. Segundo avaliação psiquiátrica, o bancário Ricardo José Neis não tem nenhuma doença diagnosticada.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (11/3), após a juíza Rosane Ramos de Oliveira Michels ter recebido laudo do IPF (Instituto Psiquiátrico Forense). Segundo o laudo, não há indicação para internação do motorista no instituto psiquiátrico.

A juíza salientou ainda que o quadro depressivo, com risco de suicídio, e a necessidade de atendimento médico especializado, em unidade psiquiátrica fechada, sob cuidado e vigilância contínuos, não foram constatados pelo perito médico avaliador. Também não foi confirmada a exigibilidade de investigação psiquiátrica.

“Não persistem, portanto, as recomendações médicas contidas nos atestados oriundos do Hospital Parque Belém. Assim, afastada a necessidade de internação e tratamento pelo perito oficial do juízo, nenhuma causa impeditiva há para que o investigado seja removido do Hospital Parque Belém e recolhido a estabelecimento prisional, concluiu a Juíza Rosane.

Ricardo Neis alega que se sentiu ameaçado pelo grupo de ciclistas que cercava seu carro, e, por isso teria acelerado veículo deixando diversas pessoas feridas. Ele poderá responder à Justiça por tentativa de homicídio.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

Bastidores do Poder Contas Abertas: Programa para reduzir acidentes no trânsito tem 72% dos recursos bloqueados


Os feriados nacionais costumam deixar um saldo elevado de acidentes nas rodovias estaduais e federais que, em geral, acontecem por conta da imprudência dos motoristas no trânsito, sobretudo, pelo consumo de bebidas alcoólicas.
Para tentar reduzir a mortalidade, a gravidade e o número de acidentes no país, o governo federal dispõe do Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset), cujo orçamento previsto para este ano chega a R$ 690,9 milhões. No entanto, R$ 494,2 milhões (72%) sequer chegarão a ser usados, já que estão na chamada reserva de contingência, que auxilia a formação do superávit primário do governo federal, necessário para o pagamento dos juros da dívida.
O congelamento dos recursos não é fato novo. Desde 2003, pelo menos um terço da verba prevista no Funset foi contingenciada. Assim, dos R$ 3,1 bilhões previstos em orçamento neste período, pouco mais de R$ 1 bilhão esteve bloqueado, não podendo ser aplicado no fomento de projetos de redução de acidentes. Os recursos efetivamente desembolsados ao longo dos últimos oito anos somaram R$ 863,6 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
Neste ano, até a última semana, foram aplicados R$ 13,2 milhões em projetos que visam aumentar a conscientização e promover a educação no trânsito. A cifra corresponde a 7% dos R$ 196,7 milhões disponíveis para uso, após o bloqueio de 72% da verba autorizada.
O sistema de informações do Sistema Nacional de Trânsito (STN) recebeu a maior parte dos recursos, quase R$ 8,4 milhões. A ideia é assegurar confiabilidade, segurança e a atualização dos sistemas de dados e informações de gestão com a manutenção e operação de registros, controle, monitoramento e acompanhamento das informações de competência do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).
Contudo, em ações como a de fomento a pesquisa e desenvolvimento na área de trânsito, não foram aplicados nenhum centavo dos R$ 4,7 milhões programados. A verba é destinada à promoção da segurança, gestão operacional e a fiscalização de trânsito por meio da melhoria de processos e dos instrumentos, equipamentos ou produtos utilizados na área de trânsito.
No ano passado, o contingenciamento foi menor, o equivalente a R$ 81,8 milhões. Mas foram aplicados somente R$ 208,4 milhões dos R$ 574,6 milhões previstos em orçamento. Assim, a execução atingiu o patamar de somente 36%. As campanhas publicitárias, cujos objetivos são informar, esclarecer, orientar, mobilizar, prevenir ou alertar a população sobre comportamentos no trânsito, foram o carro-chefe, com gastos de R$ 126 milhões, ou 60% da totalidade dos recursos desembolsados. O Funset é formado a partir do percentual de 5% do valor das multas de trânsito que é depositado mensalmente na conta do fundo. A maior parte dos recursos é gerida pelo Denatran, do Ministério das Cidades.
A assessoria de imprensa do órgão informou que o ministro do Ministério Cidades, Mário Negromonte, tem se esforçado no sentido de tentar descontingenciar os recursos. Mas, por outro lado, a assessoria garante que, mesmo após o bloqueio da verba, os projetos previstos no Funset não serão afetados, já que houve um redimensionamento para adequar as açõs ao orçamento disponível, após o contingenciamento.


Seguradoras de DPVAT pagaram R$ 2,28 bilhões no ano passado

 Os veículos de duas rodas representam 26,5% da frota e 69% das vítimas são os próprios condutores O pool de 71 seguradoras que trabalham com o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) pagou, no ano passado, R$ 2,28 bilhões referentes a 252,3 mil indenizações por acidentes de trânsito. O valor se refere a casos de mortes de condutores, de passageiros e de pedestres, a pagamentos a vítimas de lesões e a despesas médicas em consequência de acidentes.
Ao apresentar esses números, o diretor de Relações Institucionais da Seguradora Líder - uma das empresas que trabalham com o DPVAT -, Márcio Norton, afirmou que a frota nacional, de todas as categorias, soma 63 milhões de veículos, sendo 17 milhões de motocicletas (26%), que são responsáveis por 61% das indenizações. Os veículos de duas rodas representam 26,5% da frota e 69% das vítimas são os próprios condutores, enquanto nos carros de passeio o número de motoristas envolvidos em acidentes cai para 23% do total. Márcio Norton chama a atenção para o fato de que os acidentes de trânsito em todo o mundo “matam mais que a maioria das guerras, representando uma verdadeira carnificina”. Ele falou sobre o assunto em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM. O seguro obrigatório paga R$ 13,5 mil para a família de cada pessoa que morreu em acidente de trânsito, sendo também teto para os casos de invalidez permanente, cujo prêmio é variável conforme o tipo de lesão. As menos graves podem envolver o pagamento de até R$ 2,7 mil.
O seguro custeia também parte das despesas com médicos e hospitais, internação e fisioterapia, quando a pessoa foi atendida fora do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é independente do seguro total do veículo, que é opcional, pois se destina a cobrir prejuízos do proprietário e de terceiros nos casos de acidentes. Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 7 de março de 2011


Posted: 07 Mar 2011 
Quem mora ou você que foi viajar nesse carnaval e passou pela capital paulista, com certeza ficou parado nas marginais. A gente já sabe que só construir pontes e mais pontes não dá muito certo. 
Então que tal parar de pensar nos rios só como um enfeite para as marginais? 
É isso que propõe o arquiteto e urbanista Alexandre Delijaicov.
Professor da USP, Alexandre pesquisou a origem das propostas de transportes fluvial na capital e criou um projeto que conta com 600 quilômetros de canais navegáveis, passando pelos rios Tietê, Pinheiros, Tamanduateí e pelas represas Billings, Guarapiranga e Taiaçupeba.
O arquiteto ainda lembra que “Onde hoje fica São Paulo, os portugueses encontraram aldeias indígenas interligadas pelos rios” então isso seria como voltar ao passado paulista.
O trânsito começou a dar errado com o prefeito Prestes Maia que governou de 1938 a 1945 e transformou canais em avenidas, como a 9 de julho e a 23 de maio. Com isso foram eliminados 4 mil quilômetros de riachos e córregos e o dobro de margens para o lazer. Se ele tivesse pensado (e já naquela época pesquisado em outras grandes capitais do mundo) poderia ter feito parques fluviais, como os de Paris, Londres e Amsterdã.
Delijaicov ainda diz que o investimento de 1 bilhão de reais já seria compensado pelo uso do sistema fluvial para transporte de entulho e lixo e que a coisa toda ficaria pronta em cerca de 20 anos. Prazo completamente aceitável para soluções urbanas, mas que no Brasil parece ser sempre mal visto pelos políticos.

Cristina Baddini  Lucas- Assessora  do MDT


sexta-feira, 4 de março de 2011

Paim quer penas mais duras para motorista que desrespeitar ciclistas


Ao receber dezenas de ciclistas que 
fizeram hoje (3) uma manifestação 
em frente ao Congresso Nacional 
em defesa da bicicleta como 
instrumento
 de lazer e alternativa de mobilidade 
urbana, o senador Paulo Paim 
(PT-RS) 
destacou projeto de sua autoria que 
cria o Estatuto do Motorista, com 
penas mais duras para motoristas 
que cometem infrações de trânsito 
e desrespeitam ciclistas.
Segundo o senador, a proposta é 
aperfeiçoar o CTB. 
“Será um instrumento importante para 
assegurar 
direitos, mas, principalmente, para cobrar 
responsabilidades". "Será um 
regulamento 
importante, a exemplo do que existe para 
o idoso ou para a criança e o adolescente", 
observou Paim.
Cerca de 100 ciclistas foram hoje ao 
Congresso para protestar contra a 
atitude do motorista Ricardo Neis 
que, no último dia 25, avançou com 
o carro contra ciclistas que faziam 
manifestação favorável à difusão 
do uso da bicicleta como meio de 
transporte, em Porto Alegre, 
atropelando 16 deles.
Os ciclistas que estiveram no 
Congreso pertencem ao Movimento 
Bicicletada, que representa ciclistas 
de todo o país e à organização não 
governamental (ONG) Rodas da Paz, 
de Brasília. Na ocasião, foram 
entregues propostas de 
interesse dos ciclistas ao 
senador, que é presidente da 
Comissão de Direitos Humanos 
do Senado.
Para Paim, o que ocorreu na capital 
gaúcha "foi uma tentativa de homicídio" 
e acontecimentos assim vêm contando 
com a aplicação de penas brandas. 
"Os ciclistas devem continuar insistindo 
na defesa do seu direito à segurança, 
pois só por meio da mobilização, se 
consegue aprovar alguma proposta 
no Congresso em benefício da 
sociedade", disse o senador.
Depois da concentração em frente ao 
Congresso, os ciclistas percorreram a 
Esplanada dos Ministérios e fizeram o 
enterro simbólico do Código Penal e 
do Código Trânsito de Brasileiro, que, 
segundo destacou o ciclista Weimar 
Pettengrill, "estão completamente 
desatualizados e complacentes 
com a violência no trânsito".
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

Entrevista com o vice-presidente eleito da UITP América Latina: Jesús Padilla Zenteno



UITP - Quais são as suas expectativas como vice-presidente eleito da UITP?
Jesús Padilla - Eu gostaria que a vice-presidência permitesse a vinculação com os outros atores da América Latina, assim como com a UITP mundial, para que possamos tomar ciência dos melhores esquemas de operação de frota, ferramentas tecnológicas, sistemas de controle que ajudem a operação, esquemas de financiamento, além de saber quais estão sendo os métodos mais convenientes para os casos de êxito sobre modernização de frotas, e ainda, adquirir novos sistemas de prestação de serviços.

UITP -  Qual a importância do Transporte Público nos dias atuais?
Jesús Padilla - O transporte público já ocupa a agenda de todos os governos do mundo, e está em alguns casos em primeiro lugar. Com isso podemos ter em mente a importância econômica que se está dando ao tema da mobilidade. O transporte público tem papel fundamental para a qualidade de vida de todas as cidades; determina como nos articulamos, como planejamos e ocupamos o espaço público comum, como gerenciamos o desenvolvimento urbano, como nos relacionamos e convivemos, e por último, determina a sua escolha de mobilidade, transporte público ou privado. Com esta lógica, podemos perceber o custo relacionado com a qualidade de serviços, com o conforto, e com a segurança. Seguramente há muito com que contribuir. 

UITP - Como promover e estimular mais o Transporte Público no nosso continente?
Jesús Padilla - Creio que há esforços já avançados a respeito em várias cidades do Brasil, bem como da Colômbia, e agora começam a surgir outras cidades, no Panamá, na Guatemala e no Equador, para citar alguns. A UITP deve se empenhar em multiplicar sua presença e ações em todos os países, pois ela é um articulador de esforços e disseminador de conhecimento, com uma bagagem que vem de muitos anos, e desde 2002, na América Latina. Isso nos permite coletar informações preciosas e experiências importantes do assunto.

UITP - Nos seus 125 anos, a UITP vem sendo o centro mundial para a cooperação e experiências. Como você acha que a América Latina pode fortalecer sua posição dentro da entidade? 
Jesús Padilla - Acredito que a América Latina tenha se tornado uma referencia em mudanças, pois há diversas modalidades de operação e de oferta de serviços e, além disso, precisamos reconhecer que a América Latina por sua densidade e crescimento populacional se tornou mais dinâmica com o tema. Nosso continente tem que ser mais criativo na solução de problemas, já que ele não conta com os recursos que se tem em outros continentes e em países mais desenvolvidos. Uma das referências é o sistema de BRT, que se tem mostrado vantajoso, com esquemas de licitações integrais, onde se incorpora praticamente todos os prestadores de serviço em uma grande empresa operadora formando importantes consórcios operacionais e agrupando precisamente todos os elementos necessários para prestar um serviço de qualidade.
Todas estas experiência começaram a ser observadas por diversos países do mundo e já estamos percebendo qual é o seu alcance, onde estão os riscos, qual é seu ponto forte, e qual é seu ponto fraco. Um exemplo disso é o caso do Transantiago. Com ele, observamos diversas cidades que começam a tomá-lo como espelho, fazendo os devidos ajustes para sua realidade e demanda.

UITP -  Uma declaração final...
Jesús Padilla - Acredito que quando se abrem os olhos e se vê que existem associações e orgãos tão importantes como a UITP, e com tanta história, com tanto desenvolvimento de conhecimento em um tema tão importante para todos, é uma grande oportunidade. O mínimo que podemos fazer é nos vincularmos, nos aproximarmos e participar das atividades que estão acontecendo, sendo assim, um ator ativo é sempre um colaborador. Eu não quero ser um vice-presidente apenas de caráter corporativo, A CISA quer ser um ator vivo que esta sempre a par das iniciativas, dos esforços em que a UITP América Latina está engajada, assim como em todo o mundo. Esperamos ainda contribuir com um pouco de conhecimento e riqueza das atividades que estão acontecendo no México.

Conheça mais sobre... Jesús Padilla
Jesús Padilla Zenteno nasceu na Cidade do México em 18 de Janeiro de 1962.
Estudou licenciatura em informática no Instituto Politécnico Nacional (IPN).
Tem mais de 30 anos de experiência em serviços de transporte público, pois é integrante de uma das principais associações de transporte da cidade do México (Ruta 2) além de conhecer todas as faces da atividade, já que foi desde condutor de sua unidade até líder de grêmio.
Atualmente é representante desta organização, que implica ser o porta-voz de mais de 2 mil e 400 concessionários que operam em 19 ramais pela cidade do México, Distrito Federal, além de estar em contato com as potenciais empresas do sistema que melhoraram sua gestão de negócios.
Atualmente é presidente do conselho de administração e diretor geral da empresaCorredor Insurgentes S.A. de C.V., pioneira na modernização do transporte público de passageiros no México.
Também participou diversas vezes como conferências em vários eventos do tema, tanto nacionais como internacionais, dos quais podemos destacar:
  • Congresso internacional de transporte sustentável promovido pelo Centro de Transporte Sustentável do México.
  • Experiências e aprendizagem com o financiamento de transporte massivo no México.
  • Fóruns internacionais sobre mobilidade sustentável.
  • Expo-convenção nacional de transporte urbano e suburbano de passageiros.
  • Seminários e Congressos da UITP.
Ainda, é presidente da Asociación Mexicana de Transporte y Movilidad (AMTM AC), organização que promove ações que contribuem para a melhoria do setor tanto para os cidadãos, para a infraestrutura e a mobilidade sustentável, além de gerar estudos, divulgar conhecimento especializado e melhores práticas nacionais.
Entre seus objetivos estão participar ativamente da UITP compartilhando suas experiências com os operadores de ônibus e autoridades de outros países, assim como colaborar ativamente por uma consolidação do transporte sustentável nos países da América Latina onde a sociedade espera por uma melhor qualidade de vida.



Jesús Padilla Zenteno estará no 59º Congresso Mundial da UITP:

http://www.uitpdubai2011.org/



quarta-feira, 2 de março de 2011

Decretada a prisão de atropelador de ciclistas

No mesmo dia em que centenas de ciclistas protestaram nas ruas de Porto Alegre contra o atropelamento coletivo ocorrido na sexta-feira, quando 15 pessoas ficaram feridas, o advogado do motorista, o bancário Ricardo Neis, 47 anos, confirmou a internação de seu cliente em uma clínica psiquiátrica ontem. À noite, de acordo com o promotor Eugênio Amorim, a Justiça decretou a prisão de Neis. E o delegado Gilberto Montenegro anunciou que vai indiciar o motorista por tentativa de homicídio duplamente qualificado (por motivo fútil e uso meio que impediu a defesa das vítimas). Ele teria agido com a intenção de matar ao avançar com seu carro sobre um grupo de ciclistas que participava do passeio no bairro Cidade Baixa, segundo o delegado.
– As imagens chocam bastante. O motorista usou o carro como arma. Em depoimento, deixou claro que tinha plena consciência do que estava fazendo – afirmou Montenegro.
O número de pessoas atropeladas por ele ainda não está definido, mas pode chegar a 40, segundo o delegado.
Quase no mesmo horário do atropelamento da sexta, cerca de 1,5 mil ciclistas, segundo a Brigada Militar, ou 2 mil, conforme a organização do protesto, se reuniram ontem no Largo Zumbi dos Palmares. Às 19h, eles partiram pela Rua José do Patrocínio, para refazer o trajeto de sexta.
Logo na saída da manifestação, o grupo começou a ganhar a adesão de simpatizantes – outros ciclistas e moradores do bairro. Quando os manifestantes chegaram à esquina com a Rua Luiz Afonso, ponto onde ocorreu o atropelamento coletivo, o protesto atingiu um caráter simbólico. Centenas deles largaram as bicicletas e deitaram sobre o asfalto, representando os feridos no episódio.
Internação em clínica psiquiátrica
O grupo entrou na Rua Lopo Gonçalves, percorreu a Rua Lima e Silva, atravessou a Perimetral e, já no Centro, pela Avenida Borges de Medeiros, chegou à prefeitura, às 20h20min. A multidão tomou as escadarias e entoou cânticos de justiça e paz no trânsito.
O fato também gerou novo mal-estar entre policiais civis e promotores por causa de dois pedidos de prisão preventiva (um encaminhado pela Polícia Civil e outro pelo Ministério Público), mas o delegado responsável pelo inquérito evitou falar sobre a atitude do promotorEugênio Amorim que encaminhou pedido de prisão para o bancário, mesmo com o inquérito recém-aberto pelo Polícia Civil.
– Conversei, por telefone, com o promotor Amorim e disse a ele que pediria a prisão após o depoimento dos ciclistas e do motorista. E foi o que fiz – garantiu o delegado.
Amorim tem outra versão:
– O delegado não me deu nenhum indicativo de pedir a prisão. Inclusive disse que não estava com pressa. Se tivesse me dito que pediria a prisão, eu daria parabéns a ele e aguardaria.
Um dos dois defensores de Neis, o advogado Jair Antonio Jonco, confirmou que seu cliente se encontra sob supervisão médica.
– Ele estava quase em crise psicológica, está muito abalado com todo o assédio que vem sofrendo – afirmou.
Segundo Jonco, a localização da clínica é mantida sob sigilo para preservar a intimidade de Neis. No mesmo dia, ele já havia passado pela Clínica São José, na Capital. O advogado declara apenas que o estabelecimento onde o bancário fica “na Região Metropolitana”. Não há previsão para o motorista deixar o local.


 Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

Volkswagen apresenta Bulli, um micro-ônibus retrô

  Aos que curtem um visual retrô, a Volkswagen apresentou um conceito superinteressante nesta semana, durante o Salão do Automóvel Genebra 2011: o Bulli, uma espécie de micro-ônibus no estilo dos que surgiram na década de 1950/60.
Mas a parte mais bacana  a sua integração com o iPad no painel central: a tablet controla todo o sistema de entretenimento do veículo, além das suas configurações de climatização, navegação por GPS e outras funções.


terça-feira, 1 de março de 2011

Os desafios dos sistema de transporte passageiros de alta e média capacidade em SP

O Grupo de Trabalho Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo, em parceria com a Comissão de Transportes da Câmara, promoveu o ano passado diversos seminários que resultaram em um documento com diretrizes para um “Plano Municipal de Mobilidade e Transportes Sustentáveis”. Deste processo resultou uma emenda ao Orçamento Municipal de 2011 , que destinou R$ 15 milhões para que o poder executivo faça um  plano municipal de transportes e mobilidade, como o Plano Diretor da cidade exige.

Este ano, o GT quer aprofundar aspectos importantes do plano e vai realizar uma série de debates sobre o tema, subsidiando a sociedade civil para que participe efetivamente desta discussão. Além disso, continuaremos levando ao poder público as propostas sistematizadas por estudos, pesquisas e indicadores técnicos da situação da mobilidade em nossa cidade.

O primeiro seminário acontecerá no próximo dia 01 de março, terça-feira, das 9h30 às 12h30, no auditório do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, na rua Genebra, 25 - Centro , e terá como tema “Os desafios dos sistemas de transporte de passageiros de alta e média capacidade na cidade de São Paulo”.

Estão confirmados para a mesa:
Marcos Kassab, assessor da Presidência do Metrô que irá representar o secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernando Ribeiro Fernandes; Marcos Kiyoto, arquiteto e consultor da TC Urbes na área de transportes de alta capacidade; Manuel Xavier Lemos Filho, diretor da Federação Nacional dos Metroviários (FENAMETRO) e representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB, no Conselho das Cidades do Ministério das Cidades; Ailton Brasiliense Pires, assessor da diretoria de planejamento da CPTM e presidente da ANTP; o engenheiro Edilson Reis, coordenador do Comitê Temático "Cidade em Movimento" do Conselho Tecnológico do SEESP -Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo;  Epaminondas Duarte Júnior, assistenta da Diretoria de Planejamento e Expansão dos Transportes Metropolitanos do Metrô, e o coordenador da secretaria Executiva da RNSP, Maurício Broinizi Pereira.

Os próximos seminários previstos terão com tema:
– Maio: O desafio do transporte público – ônibus e corredores
– Setembro: Os modais não motorizados –  (ciclistas, pedestres/saúde/acidentes)
– Novembro: Orçamento da cidade de São Paulo e do Estado para as áreas de transportes e mobilidade urbana.

Após o seminário, o público poderá participar do debate.

Inscrições gratuitas pelo e-mail: andrea@isps.org.br
 
Horário: 1 março 2011 de 9:30 a 12:30
Local: auditório do Sindicato dos Engenheiros do Estado de SP
Organizado por: GT Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo
 
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O carro vira arma em Porto Alegre

Tentativa de homicídio contra ciclistas

Toda última sexta-feira do mês, diversos ciclistas se reúnem e seguem um roteiro por algumas ruas de Porto Alegre. Eles formam um grupo de mais ou menos 100 pessoas que se juntam porque têm uma motivação em comum: usam bicicleta como meio de transporte e querem que esse seu direito seja respeitado.

A maior prova de que esse direito não é respeitado aconteceu nesta última sexta-feira (25) com a Massa Crítica, como é chamada a manifestação. Um carro com dois homens dentro, segundo alguns ciclistas, não gostou de ter o trânsito atrapalhado por aquilo que eles provavelmente não consideram um meio de transporte. Não temos como ter certeza sobre o que eles pensam ou deixam de pensar porque não houve chance de perguntar: os homens fugiram logo depois do ocorrido que vou contar agora, mas que já estampa jornais e páginas da internet.
Por causa da chuva, a massa crítica de fevereiro não tinha tanta gente como de costume. Mais ou menos 100 pessoas se juntaram no Largo Zumbi dos Palmares ontem no fim da tarde. Normalmente, chega a juntar cerca de 130 pessoas, incluindo muitas crianças. A massa estava saindo para a rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa, bem no começo do trajeto. “Como era muita gente, acabamos tomando a rua inteira”, contou Marcelo Guidoux Kalil, 31 anos, que participava da Massa Crítica pela primeira vez. Ele conta que alguns ciclistas ficaram para trás para conversar com os motoristas e explicar o que ocorria, pedindo um pouco de calma, porque o trânsito seria liberado logo.
Mas um dos motoristas não gostou da história e começou a encostar o para-choque do carro na traseira das bicicletas, segundo Marcelo. “Ele achava que a gente não podia estar ali, deve ser daqueles que acham que bicicleta não é meio de transporte”, disse.
Os ciclistas pararam para ver o que acontecia. Irritado, o dono do Golf preto acelerou e “varreu a rua”, Marcelo reforça, porém, que muito mais gente se machucou, mas acabou não indo pro hospital porque os ferimentos eram leves. “Minha namorada levou quatro pontos no pé, mas não está nas estatísticas.” como disse uma das participantes. Às 19h12min, jogou o carro para cima da marcha. Alguns ciclistas foram diretamente atingidos, outros se machucaram pela reação em cadeia: uma bicicleta foi derrubando outra. No fim, 11 pessoas foram parar no Hospital de Pronto Socorro, de acordo com a reportagem da RBS TV.
A RBS, aliás, chama a tentativa de homicídio de “acidente”. Não há argumento que me convença do uso do termo. Não existe lógica que leve a ele. Não há qualquer questionamento possível de que possa ter acontecido de forma ocasional.
É muito importante frisar que o atropelamento foi intencional. O motorista decidiu deliberadamente acelerar e passar por cima dos ciclistas.
“Muita gente acha que a bicicleta está atrapalhando”, disse um dos participantes freqüentes da Massa Crítica. A ideia de um grupo grande sair às ruas junto todo mês é justamente para mostrar que a bicicleta é um meio de transporte e deve ser respeitado.
Apesar de estar na Massa Crítica pela primeira vez, Marcelo utiliza a bicicleta como meio de transporte há muitos anos: “vendi meu carro em 2001 pelo estresse dos motoristas, por essas questões relacionadas ao trânsito. Muito motorista é extremamente agressivo, impaciente, e o ciclista sente isso ainda mais”. Conta que é comum o pessoal xingar, buzinar, jogar o carro pra cima. Diz que a maioria nem tem conhecimento das legislações de trânsito, “não sabe que tem que deixar 1,5 metro de distância da bicicleta, por exemplo”. Não sabem também que ameaçar com o carro, como fez o motorista do Golf ao tentar encostar na traseira dos ciclistas, é infração gravíssima. O que dizer então de quem joga o carro para atropelar de propósito?
A atitude do motorista na Cidade Baixa exacerba a legislação de trânsito. O que ele cometeu foi um crime comum, de tentativa de homicídio, não uma infração.
Os participantes ressaltam, no entanto, que a Massa Crítica é uma manifestação pacífica, que o ocorrido ontem não é normal e que não se pode desencorajar. Um dos pontos mais destacados pelos veículos da RBS, a falta de aviso à EPTC, aconteceu porque a Massa Crítica não é um evento organizado por um movimento, uma entidade ou qualquer coisa do gênero. “É uma manifestação meio anárquica, o pessoal se reúne ali e sai, ninguém coordena”, disse um dos ciclistas. Apesar disso, é sempre tranqüilo e costuma ser respeitado, até porque é rápido e, convenhamos, não atrapalha ninguém numa sexta-feira às 19h. Isso sem falar que a reivindicação é completamente legítima.

É importante que o absurdo de ontem traga um questionamento, que repercuta, que incentive uma consciência crítica sobre os valores da nossa sociedade do consumo, em que o dono do carro se acha o dono da rua porque tem dinheiro, porque sim. Se as autoridades competentes vão fazer alguma coisa concreta não se sabe.

Manifestação nesta terça, dia 01/03

O pessoal do movimento Massa Crítica se encontrara na próxima terça-feira, dia 01/03, às 18h30 no Largo Zumbi dos Palmares para começarmos uma marcha às 19h para exigir um trânsito mais humano e uma cidade para as pessoas, para exigir punições rígidas ao monstrorista e a todxs outrxs motoristas que utilizam o carro de forma irresponsável (como uma arma), para exigir que os órgãos públicos parem de privilegiar a circulação de automóveis particulares às custas da qualidade de vida e DA VIDA das pessoas.

Cristina Baddini  Lucas - Assessora do MDT