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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mobilidade na Copa

arte: Nazareno Affonso

Fonte: HSM Online
Conhecido por BRT (Bus Rapid Transit), o sistema de Ônibus de Trânsito Rápido tem ocupado cada vez maior espaço na mídia, sendo citado como um eficiente modelo de transporte coletivo para cidades com população a partir de 500 mil habitantes.
Criado em Curitiba, sob a gestão de Jaime Lerner em 1974, o sistema veio se aprimorando e tem sido replicado em diversas cidades do mundo, como Los Angeles, Nova Iorque, Cleveland, Bogotá, Quito, São Paulo e, brevemente, no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
O sistema funciona em corredores segregados, com paradas pré-determinadas ou em operação como linha expressa. Livre dos automóveis, o ônibus realiza uma velocidade média de 20 a 25 km/hora, tornando o deslocamento mais eficaz para o usuário e apresentando, inclusive, maior eficiência energética, quando comparado ao transporte realizado por automóvel ou moto, já que desloca mais passageiros utilizando menos combustível (energia).
Outra grande vantagem são os equipamentos modernos que vem sendo aplicados pela indústria automobilística que viabiliza o uso de combustível renovável como etanol, energia elétrica (trólebus), biodiesel (b100 em fase de testes) ou modelos híbridos, que conjugam eletricidade e etanol. E ainda está em fase de testes o ônibus movido a hidrogênio.
Todos eles possuem baixíssima emissão de gases que provocam o efeito estufa e outros poluentes.
Eficácia do Sistema
Quando comparados aos modais VLT – Veículo Leve sobre Trilho e Metrô, demonstra melhores resultados, tanto pelo investimento realizado quanto ao tempo de deslocamento para o usuário ou, ainda, à eficiência energética proporcionada.
Veja o estudo preparado por Jaime Lerner Arquitetos Associados. O cenário das projeções é a cidade de Curitiba.
O quadro abaixo apresenta o tempo necessário para se percorrer uma distancia de 10 km, pelos modais METRÔ, BRT, VLT e o sistema de ônibus convencional.
Tabela MobilidadeNo quadro a seguir são apresentados os custos e prazos de implantação por km entre os diferentes modais.
Tabela MobilidadeEm seguida, uma análise comparativa referente à eficiência energética entre os três modais: ônibus, moto e automóvel.
Tabela Mobilidade“Neste caso, observa-se que as motocicletas poluem 32 vezes mais e consomem cinco vezes mais energia por pessoa transportada do que os ônibus. No caso de automóveis, poluem 17 vezes mais e consomem 13 vezes mais energia por pessoa transportada do que os ônibus” relata o estudo.
Sustentabilidade como premissa
Tendo em vista os eventos Copa de 2014 e Olimpíadas, o governo tem dedicado muita atenção à questão da mobilidade urbana e ao transporte de pessoas destinando por meio da Caixa Econômica Federal e BNDES na provisão de recursos da ordem de 6,5 bilhões de reais, para a construção de sistemas BRT nas principais capitais. Também o BID e o Banco Mundial oferecem linhas de crédito com custos similares.
Algumas cidades-sede já estão se capacitando para acessar estes recursos. É o caso do Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Manaus, Recife, Salvador entre outras.
Os projetos que contemplem o desenvolvimento sustentável nas áreas impactadas pela implantação serão, sem dúvida alguma, uma das principais exigências nas licitações.
Entretanto, sem um amplo e bem estruturado programa de gestão que dê forma às políticas de sustentabilidade exigidas nos editais, será inviável a captação destes recursos por parte das prefeituras, empresas ou consórcios interessados.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

BRT: uma alternativa mais barata para a mobilidade das cidades

ilustração: Nazareno Affonso

Fonte: MarketPlace
A demanda por transporte publico é cada vez mais crescente. No entanto, as autoridades ao longo do país, estão todas  passando por uma fase de contenção de custos e assim revendo seus orçamentos.

Varias cidades estão testando o sistema BRT, que é centenas de milhões de dólares mais barato que as linhas de trem ou de metrõ.

Nesta materia o reporter Dan Bobkoff utilizou o BRT da cidade de Cleveland, EUA, na linha chamada de Healthline. Esta linha possui 16 km de extensão e conecta o centro à zona leste da cidade, onde se concentram os principais hospitais da cidade.

Dan comenta: _“ Vamos fazer um brevissima associação entre palavras: “onibus” – A que voce associa? Lentidão?Superlotação?Atrasos? Ou tudo isso junto?

Transporte em onibus não possui necessáriamente a melhor reputação.
Mas uma nova solução em transporte por onibus está surgindo pelo país afora; é o BRT- Bus Rapid Transit, são linhas segregadas, separadas do resto do trafego. Tudo em nome de se proporcionar velocidade, conforto para o ususário, e tudo isso sobre rodas nas vias regulares de transito de uma cidade."

Enrique Penalosa, ex-prefeito de Bogotá, Colombia, participa desta reportagem e participa desta viagem pelo BRT de Cleveland, onde, durante o trajeto tece alguns comentários , junto á outros especialistas em BRT e gestão publica do municipio.

Penalosa: O sistema BRT, possui linhas segregadas(exlusivas) e o seu próprio sistema de semáforos, isto permite maior velocidades aos veiculos.

Outro beneficio é que o usuário pode utilizar o sistema “ pré-pago tanto para estação quanto para o embarque”. ....voce compra o seu bilhete antes , nas estações ou postos, evitando filas para o embaque. Outra vantagen é que o embarque é em piso elevado, o que facilita o fluxo dos passageiros para entrar no veiculo.

“ Construímos o sistema em Bogotá em apenas 3 anos, durante o meu mandato como prefeito. Foi um recorde. E hoje este sistema transporta 1,7 milhões de pessoas/dia."

Isto tem impressionado os especialistas nos EUA. Varias cidades americanas esta passando por uma fase de revisão dos seus grandes orçamentos, reduzindo-os.
O modelo BRT, sendo mais barato e eficaz tem sido bem visto pelos gestores publicos. Por conta disto, cidades como Los angeles, Kansas City, entre outras, tem optado por implantar o  BRT.

Joe Calabreze, um especilaista em transito da cidade de Cleveland diz: “ nós gastamos 200 milhões USD, neste sistema. O sistema de trem custaria por volta de 800 milhões USD."

"A construção desta linha extinguiu diversos negócios que existiam no locais que foram desapropriados, mas desde que a linha passou a operar há 3 anos atrás, o desenvolvimento recomeçou.
Existem estimativas que apontam para investimentos na ordem pelo menos 4 bilhões de dólares em novos negócios,por conta da nova linha."



Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Coordenador do MDT elogia plano de mobilidade de Goiânia e pede implantação imediata de BRTs

Em uma das sessões da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Transporte Coletivo da Câmara Municipal de Goiânia, cujos trabalhos foram encerrados em julho de 2010, o Coordenador Nacional do MDT, Nazareno Affonso, elogiou o plano de mobilidade estabelecido para a região metropolitana da capital goiana e defendeu a implantação imediata dos corredores de ônibus (BRTs) indicados nesse plano.
Vista aérea de Goiânia
 
O Coordenador Nacional do MDT, arquiteto e urbanista Nazareno Affonso, elogiou na Câmara Municipal de Goiânia o plano de mobilidade estabelecido para a região metropolitana da capital goiana e defendeu a implantação imediata dos corredores de ônibus (BRTs) indicados nesse plano.

Nazareno foi um dos especialistas ouvidos pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Transporte Coletivo da Câmara Municipal de Goiânia que encerrou seus trabalhos em julho de 2010, após quase três meses de reuniões.

Nazareno Affonso

A CEI foi criada para identificar as causas de uma crise no sistema público de transporte na capital goiana após a mudança de 27 linhas de ônibus; houve protestos, quebra-quebras em terminais e paralisação de motoristas. CEI emitiu um relatório ao final, com exigências e recomendações.


Análise positiva do sistema

 
Centro de Controle Operacional da Via Oeste
Em sua exposição, no dia 7 de julho de 2010 – a última sessão da CEI antes da elaboração do relatório – o coordenador do MDT elogiou o plano estabelecido para a região metropolitana. Ele ressaltou que Goiânia elaborou o seu plano diretor e, em seguida, estabeleceu um projeto de transporte integrado ao plano diretor e mais tarde, tudo isso foi incorporado ao plano metropolitano, coordenado pela Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo e promoveram a licitação com base no planejamento realizado.
Terminal de Goiânia
“Agora, estão implantando todo o processo de gestão, que prevê um Centro de Controle Operacional (CCO) para coordenar o serviço de ônibus, algo parecido com o que existe nos sistemas de metrô. Será, então, possível saber onde estará e com que velocidade se deslocará cada ônibus; o CCO saberá se um determinado ônibus de uma determinada linha está adiantado ou atrasado, ou, ainda se encontrou algum problema, o que permitirá intervenções para ajustar o serviço. Serão disponibilizadas informações sobre cada linha por meio do celular e em alguns pontos do sistemas haverá painéis indicando o posicionamento de cada coletivo. E os abrigos e terminais estão sendo requalificados”, disse Nazareno Affonso.
Abrigos de ônibus qualificam o transporte


Contudo, o especialista considerou ser preciso avançar mais e rapidamente, de modo a tornar a Região Metropolitana de Goiânia detentora de um sistema sobr pneus que possa servir muito bem a população e se constituir em referência nacional e mesmo internacional. “É preciso avançar na requalificação do corredor já existente – o Corredor Anhanguera, transformando-o efetivamente num sistema de BRT. E é preciso implantar, também em moldes avançados, o outro corredor previsto no sistema. Com isso, Goiânia passará a contar com um sistema estrutural que cortará cidade nos sentidos Leste-Oeste e Norte-Sul, facilitando a organização do sistema alimentador da própria cidade e cidades vizinhas.”

Requalificar a infra-estrutura

 
BRT de Curitiba
Ele também assinalou que serão necessários investimentos para requalificar a infra-estrutura do transporte público. “O sistema de gestão e as perspectivas dos corredores são uma grande notícia, mas o poder público deverá investir firme na requalificação das vias da cidade. E adotar política que livrem espaço para os veículos de transporte publico; uma forma será proibir o estacionamento de automóveis em certas regiões da cidade, abrindo uma ou mesmo duas faixas de rolamento para os ônibus ou para ciclofaixas”.

Em seu pronunciamento na CEI, Nazareno Affonso mostrou os principais pontos nocivos da política de mobilidade urbana centrada no automóvel, e apresentou a visão do MDT para uma política pública de mobilidade que tenha como base o transporte público de qualidade acessível a toda a população, os transportes não motorizados e o favorecimentos dos pedestres e de pessoas com necessidades especiais.


Informativo Movimentando
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fabricantes defendem BRT no Seminário da NTU

As quatro principais fabricantes de chassi de ônibus no Brasil, a MAN, a Mercedes-Benz, a Volvo e a Scania, apresentaram suas experiências e portfólios de produtos relacionados ao sistema BRT (Bus Rapid Transit) no segundo Painel do 23º Seminário Nacional NTU. Tecnologia, combustíveis alternativos e eficiência operacional foram os assuntos que mais despertaram o interesse do público presente no evento.


São muitas as vantagens que o sistema BRT (Bus Rapid Transit) proporciona, entre elas o menor tempo da viagem. Por trafegar em vias exclusivas, o BRT chega a economizar até 50% do tempo de viagem em comparação com os atuais sistemas de ônibus, que são obrigados a enfrentar congestionamentos de trânsito. Esses e outros diferenciais do BRT serão discutidos no 23º Seminário Nacional NTU, promovido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que teve como tema “Transporte de Qualidade para uma Vida Melhor”.


O tempo que pode ser economizado nas viagens é um dos principais atrativos do sistema. Com a incorporação do Sistema de Controle Operacional e comunicação com o usuário, o tempo de espera nas estações pode ser de menos de um minuto. O tempo de percurso para uma viagem de 10km deverá diminuir de 43 minutos para 25 minutos e a velocidade média dos ônibus terá um incremento de 70%, de 14km/h para 24 km/h (média).


Presidente da NTU, Otávio Cunha, e ministro das Cidades, Márcio Fortes
“Os sistemas BRT tendem a atrair novas demandas para o transporte público em função da melhoria da qualidade do serviço de transporte. Assim, eles contribuem para a redução dos congestionamentos de trânsito e da poluição urbana”, explica Marcos Bicalho dos Santos, diretor superintendente da NTU.

A partir de 2012, os ônibus a diesel fabricados no Brasil estarão circulando com motores padrão Euro V, correspondente à fase 7 do Proconve, e utilizando o óleo diesel S10 - com baixo teor de enxofre. Essa evolução tecnológica, aliada à utilização dos catalisadores de descarga e à mistura com o biodiesel, deverá reduzir a poluição provocada pelos ônibus a níveis mínimos.

O BRT pode comportar uma demanda de até 45 mil passageiros por hora e por sentido. Os sistemas podem começar com uma operação mínima e irem se adequando conforme a demanda de uma determinada região, aumentando o número e tamanho dos veículos e a quantidade de faixas de circulação.
O Sistema de Curitiba

O BRT possibilita reorganizar atividades urbanas como moradia, trabalho, estudo e lazer, e, assim, diminuir as extensões dos deslocamentos. O sistema ainda facilita a movimentação das pessoas na cidade, à medida que é criada uma rede integrada de transporte e há uma desconcentração dos destinos.

postado por: Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

NTU, membro do Secretariado do MDT, abre evento com propostas para melhoria do transporte público

Abertura do Seminário
Teve início ontem, 17 de agosto, o 23º Seminário Nacional da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos). O tema central do encontro é “Transporte de qualidade para uma vida melhor”, que reúne mais de 50 secretários de transportes e representantes de prefeituras de cidades com mais de 500 mil habitantes, empresários do setor e entidades associadas à NTU.

Durante a abertura oficial, Otávio Vieira da Cunha Filho, presidente da NTU, reforçou sobre a importância do momento para discutir sobre as soluções para a mobilidade urbana, já que o País sediará a Copa do Mundo de 2014, e o Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos em 2016.
Otávio Vieira Cunha Filho

Segundo o presidente da NTU é preciso que haja união entre o governo federal, os secretários de transportes, prefeitos e os empresários do setor.

“Esta é uma oportunidade única para iniciarmos as resoluções para a mobilidade urbana para os eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos. Hoje há cerca de 47 cidades com mais de 500 mil habitantes que comportam projetos para melhoria do transporte. Nesse contexto, o BRT (Bus Rapid Transit) é uma alternativa com custo viável que permitirá às cidades obter um salto no qualidade do transporte público urbano por ônibus”, enfatiza Cunha Filho.

Debate sobre o Transmilênio

No primeiro painel do 23º Seminário Nacional NTU,  o sistema de transporte coletivo de Bogotá (Colômbia), o Transmilênio, se destacou por diversos benefícios relacionados à qualidade de vida para o usuário do transporte público, e contribuição para o desenvolvimento econômico, financeiro, social e ambiental de Bogotá. Com isso, pode ser um case de sucesso para a implantação do sistema BRT (Bus Rapid Transit) no Brasil para os eventos esportivos de 2014 e 2016, além de servir como legado para a população.

Apresentação do Transmilênio

O Transmilênio, coordenado pelos setores público e privado, impulsionou a transformação da cidade em um pólo de desenvolvimento econômico-financeiro e durante os seus 10 anos de existência, o sistema foi baseado em um conjunto de políticas de mobilidade, das quais as três principais são:

- mobilidade sustentável, ou seja, o sistema é tanto econômica quanto ambientalmente sustentável;

- o pedestre é a prioridade número 1;

- mobilidade inteligente que consiste na construção de um sistema de informação que permite desenhar os serviços para o usuário do transporte coletivo.
Transmilênio

“Atualmente temos 84 quilômetros de sistema em operação e o Transmilênio está em sua terceira fase, com a construção de mais 32 quilômetros de corredores. Além disso, são 107 estações, banheiros públicos, estacionamento para bicicletas e um centro de controle, entre outros. Outro fator importante é que gerou 6 mil empregos diretos, reduziu significativamente o tempo de deslocamento na cidade, além de ter papel fundamental no desenvolvimento e na transformação e consolidação da área urbana”, avalia Arturo Fernando Rojas, representante do governo de Bogotá, Transmilênio S.A..

Outra importante característica do Transmilênio é que o sistema depende exclusivamente da tarifa, por isso, é preciso racionalizar os custos e, ao mesmo tempo, manter a qualidade dos serviços oferecidos aos usuários. “Conseguimos viabilizar essa equação por meio de diálogo constante entre o governo e as empresas para atender aos interesses de todos. O resultado desse trabalho é o índice de satisfação de cerca de 80% da população de Bogotá”, acrescenta Victor Raul Martinez, do Sistema Integrado de Transporte SI 99 S.A..

Para o Brasil, a lição que fica é a de que a iniciativa para implantação dos BRTs deve ser atrativa do ponto de vista ambiental, social, financeiro e jurídico. “O Transmilênio pode ser um bom exemplo de como proporcionar qualidade de vida aos usuários e ao transporte. Para a implantação de um sistema é importante que sejam analisadas as expectativas dos empresários, governo, usuários e não-usuários do sistema. Esse é um importante passo para o sucesso”, finaliza Martinez.

postado por: Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Seminário que inicia hoje em Brasília apresenta sistema BRT como solução para mobilidade urbana

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) apresentará hoje no 23º Seminário Nacional NTU, que tem como tema “Transporte de Qualidade para uma Vida Melhor”, soluções para a mobilidade urbana focadas no bem-estar e na qualidade de vida da população. Um exemplo é o BRT (Bus Rapid Transport), um sistema de transporte eficiente e confortável, com características de desempenho e comodidade equivalentes aos modernos transportes sobre trilhos.




Criado em Curitiba (PR), em 1974, o BRT é um sistema de transporte de ônibus, que circula em uma rede de canaletas exclusivas com atributos especiais, como múltiplas posições de paradas nas estações, embarque em nível, veículo articulado e com múltiplas portas, pagamento e controle fora do ônibus, bons espaços nas estações e sistema de informações aos usuários. O BRT requer tempo de implantação cerca de 2/3 menor em relação ao metrô e aproximadamente metade do necessário para o sistema VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ou “bonde moderno”, o que o torna viável para a Copa de 2014. Esse sistema já opera em mais de 80 cidades em todos os continentes.



“Com a Copa de 2014, além de necessário, o sistema BRT torna-se urgente, pois será uma das soluções para a mobilidade urbana nas cidades-sede. O transporte público urbano deve trazer melhorias para a população, além de ser deixado de legado à população local. O BRT garante benefícios duradouros para o maior número de cidadãos que dependem do transporte coletivo no País”, diz Marcos Bicalho dos Santos, diretor superintendente da NTU. O sistema também proporciona como benefícios a redução do tempo de viagem e da espera nos pontos de parada; mais conforto e menos impacto ambiental, pois utiliza combustíveis alternativos, além de revitalizar o espaço público, entre outras vantagens.



Considerado o maior case mundial de sucesso de BRT, Bogotá, na Colômbia, teve a participação de diversos profissionais brasileiros em sua construção, além de ser operado com veículos produzidos no Brasil. Chamado de Transmilênio, o sistema engloba 84 quilômetros de corredores troncais e 420 quilômetros de linhas alimentadores. O sistema serve, diariamente, a 1,2 milhão de viagens.



O governo federal brasileiro anunciou que, na primeira fase, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Mobilidade da Copa de 2014 destinará mais de R$ 4,5 bilhões a 20 projetos de BRT em nove das 12 cidades-sede da Copa de 2014. O sistema possui vantagem com relação aos custos e ao tempo de implantação e chega como uma alternativa às grandes cidades, podendo coexistir com os demais tipos de modais, inclusive o metrô.

postado por: Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT



quarta-feira, 14 de julho de 2010

Debate sobre as perspectivas de mobilidade em Salvador para a Copa de 2014

O coordenador nacional do MDT e do Escritório de Brasília da ANTP, Nazareno Affonso, participou como palestrante do Seminário Mobilidade, Acessibilidade e Circulação em Salvador no Século XXI, ocasião em que o tema central foi discutido com foco nas propostas de mobilidade para Copa de 2014, que terá a capital baiana como uma das sedes.


Patrocinado pelo SENGE-Sindicato dos Engenheiros da Bahia, FISENGE e IDA-Instituto do Meio Ambiente e com apoio do CREA-BA;MUTUA-BA, o encontro foi realizado na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia, no dia 14 de junho de 2010.

Nazareno Affonso

Oportunidade. Nazareno assinalou no encontro que PAC da Copa, anunciado pelo governo federal, traduz uma oportunidade para que as cidades sede – 12 importantes centros brasileiros – adquiram ou aprimorem seu projeto estrutural de transporte. “Por isso, creio que devemos estar muito mais preocupado em fazer com que esses projetos de fato realizem suas obras e entrem em operação para o Copa de 2014. Esses sistemas estruturais deverão se tornar ícones para incentivar o País a entrar na era da mobilidade sustentável, rompendo com mais de 50 anos de mobilidade da exclusão social. Esses projetos devem reunir todas as condições de serem exemplos para o mundo”. Otimista, Nazareno acredita que esse plano de grande envergadura possa desencadear um processo que considera fundamental para melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras: a mudança da cultura da mobilidade, hoje centrada no automóvel. “Normalmente, é o automóvel que abocanha os financiamentos e os subsídios neste País. Com o PAC da Copa, temos o financiamento garantido para o transporte público urbano, dependendo da capacidade local para gastar, o que é muito importante”. Ele fez também um alerta: “Outro ponto é que precisamos ter cuidado com a apropriação política dessa grande iniciativa; é preciso que seja um projeto de toda a sociedade. Um projeto de Estado e não de governo, e que a sociedade o encampe”.


Hora de ação.Para o Coordenador da ANTP e do MDT, as circunstâncias que se apresentam mostram que não é hora de longas discussões, mas de ação, com bom senso. “É preciso é implantar, fazendo o melhor possível em cada caso, com os ajustes necessários”, disse.


Uma das sugestões para o caso de Salvador foi organizar uma oficina com intelectuais, professores e lideranças da sociedade civil organizada, tendo o apoio dos órgãos de transporte do Estado, do Município e das empresas privadas para aprofundamento do projeto estrutural do transporte para cidade. “Em Salvador a solução está nos Bus Rapid Transit – BRT, já que a viabilização do projeto do metrô enfrenta dificuldades. Mas é preciso que haja atenção também para outras questões, como a acessibilidade, mobilidade a pé e o transporte não motorizado, e sustentabilidade ambiental”. Ainda em sua palestra, Nazareno se referiu à importância das recomendações que surgiram da visita da ANTP à África do Sul, e à valorização do aprendizado de planejamento que se desenvolveu naquele país para que a Copa de 2010 se tornasse uma realidade. “Incluindo não apenas as exigências esportivas e logísticas feitas pela FIFA, mas, principalmente, as preocupações para que os investimentos deixem um legado de qualidade de vida e que mostre um Brasil moderno e com cidades ambientalmente saudáveis”.

Transmilênio

postado por: Cristina Baddini Lucas

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Comissão de Viação e Transportes da Câmara discutiu alternativas para a mobilidade urbana com especialistas

A implantação do Sistema de Transporte Rápido por Ônibus (Bus Rapid Transit - BRT) em nove cidades-sede da Copa pode ser o primeiro passo para resolver os problemas do transporte público brasileiro. Essa é a percepção dos debatedores que participaram de audiência pública, nesta quarta-feira, na Comissão de Viação e Transportes. São eles: Nazareno Affonso, Coordenador do Escritório de Brasília da ANTP e Coordenador Nacional do MDT: Marcos Bicalho dos Santos, Diretor-Superintendente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos: José Fernandes Martins, Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus.


Os números apresentados demonstram que o custo e os prazos de implantação do BRT são menores do que os de outros sistemas de transporte coletivo, como o metrô e o veículo leve sobre trilhos.


Transmilênio - Bogotá

Para Nazareno Affonso, com a instalação dos BRTs para a Copa do Mundo de 2014, será possível mostrar à sociedade brasileira que há uma alternativa à política do automóvel.


Nazareno Affonso
Segundo Nazareno, essa é uma política injusta, baseada num modelo cultural que associa o carro a status social. "Ela tem legitimidade social porque todo mundo quer um carro. Isso foi colocado como uma mudança até de status. Ter um carro já não me coloca como cidadão de segunda classe.”


Ele avalia que, se todo brasileiro tiver carro, a circulação nas cidades vai ficar impossível. “O custo da infraestrutura é muito alto, e nós não temos como arcar com esse crescimento da frota do jeito que foi colocado." Segundo Nazareno, o governo abre mão de R$ 7 bilhões anualmente só com a isenção do IPI - Imposto federal cobrado sobre mercadorias industrializadas, estrangeiras e nacionais. O IPI é um imposto seletivo, porque sua alíquota varia de acordo com a essencialidade do produto, e não-cumulativo, ou seja, em cada fase da operação é compensado o valor devido com o montante cobrado anteriormente. sobre automóveis.



Outro problema apontado por ele é o alto custo das tarifas, arcado totalmente pelos usuários. "O usuário tem que parar de fazer filantropia, tem que deixar de pagar as políticas sociais do governo”, diz Nazareno.

“As políticas são justas em relação ao idoso, às pessoas portadoras de deficiência, à meia passagem do estudante, mas é injusto totalmente ser paga pelo usuário. Só isso reduziria em mais 20% as tarifas", acrescenta.


Marcos Bicalho











Marcos Bicalho dos Santos citou algumas vantagens do BRT, como o conforto, a agilidade e a segurança. Segundo ele, ônibus biarticulados podem transportar até 270 passageiros, que embarcam em estações fechadas. As faixas exclusivas garantem maior velocidade operacional, e o sistema de controle permite o acompanhamento, em tempo real, do horário de chegada dos ônibus.


José Fernandes Martins afirmou que esse sistema só vai reduzir os congestionamentos se for integrado a outras modalidades de transporte. Para ele, se o usuário não conseguir chegar à estação do BRT, vai pegar o carro de qualquer forma.


Fernando Martins








Martins informou que os fabricantes de ônibus no Brasil têm capacidade de atender à demanda do BRT e lembrou que o País é o terceiro maior fabricante de ônibus do mundo, atrás apenas da China e da Índia.


Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 6 de julho de 2010

Projeto de Lei para Mobilidade Urbana chega ao Senado


Projeto de Lei que define as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana foi finalmente aprovado pela Câmara dos Deputados, em Brasília, após 15 anos de discussão. Esse é um importante passo para a melhoria dos transportes nas cidades brasileiras, onde o ônibus é responsável pelo deslocamento de cerca de 90% da população.

Finalmente teremos uma Política Nacional para o setor que sinaliza uma melhoria dos transportes públicos coletivos urbanos, beneficiando mais de 30 milhões de brasileiros que utilizam diariamente o serviço nas cidades do País, disse Ailton Brasiliense Pires, Presidente da ANTP.
Ailton Brasiliense


O PL da Mobilidade (PL 1687/07) do Poder Executivo, como ficou conhecido, esteve adormecido na Câmara desde agosto de 2007, quando foi criada a Comissão Especial, que levou quase dois anos para ser instaurada. Esse PL foi apensado ao Projeto de Lei 694, de 1995, de autoria do então deputado Alberto Goldman, que institui diretrizes para o transporte coletivo urbano, e trata de planejamento, gestão e desenvolvimento desse sistema de transporte do país. Os trabalhos foram efetivamente iniciados em maio de 2009. A relatora é deputada Ângela Amin (PP/SC) e teve um papel fundamental nesta empreitada.

Os trabalhos da Comissão Especial foram acompanhados por Nazareno Stanislau Affonso, responsável pelo Escritório da ANTP em Brasília e Coordenador do MDT. Segundo Nazareno,este é um passo importante na luta para que o transporte público de qualidade e barato seja um direito de todos os brasileiros e instrumento de inclusão social, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável, com geração de empregos e de renda e de cidades felizes.
Nazareno Affonso

O Projeto de Lei propõe, principalmente, a priorização do transporte público sobre o individual e dos projetos de transporte público coletivo como estruturadores e indutores do desenvolvimento urbano integrado. Além disso, o texto estabelece que a política de mobilidade urbana deve diminuir as desigualdades e promover a inclusão social e que o poder público deve combater o transporte ilegal, entre outras propostas.

A priorização do transporte público pressupõe a construção de vias segregadas e reservadas para os ônibus. Assim, esse modal ganhará mais rapidez e estará livre dos congestionamentos. O conforto dos passageiros melhorará na mesma proporção que a confiabilidade dos serviços, que, consequentemente, serão mais demandados pela população.

A priorização das vias para transporte coletivo urbano sobre pneus pode ser realizada por meio dos sistemas de BRT, sigla para Bus Rapid Transit. Com a construção de corredores exclusivos para o tráfego de ônibus de alta capacidade, onde um veículo comporta cerca de 270 passageiros, é possível empregar maior velocidade comercial aos modais. Hoje, em vias convencionais, os ônibus têm uma velocidade média de 17 quilômetros por hora. Já com os BRTs, essa velocidade aumentaria para até 35 quilômetros por hora, dependendo do tipo da operação. Ao todo, mais de 80 cidades no mundo implantaram o BRT como alternativa para a mobilidade urbana, sendo que Curitiba (PR) foi a pioneira.


Audiência pública

Na próxima quarta-feira, dia 07, às 10h, a NTU vai participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, para discutir a implantação dos sistemas BRT (Bus Rapid Transit) nas cidades brasileiras, visando a melhoria dos sistemas de transporte público. A audiência é aberta a todos os cidadãos.

Também participarão da audiência representantes da Frente Nacional de Prefeitos, do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transporte e Trânsito, da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, da ANTP e da Fabus.


Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT