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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Governo Federal prorroga prazo para financiamentos de obras de mobilidade urbana para a Copa

Data limite para contratação com recursos do governo é 30 de setembro de 2011



O Ministério das Cidades prorrogou o prazo para a contratação de financiamentos para realizar as obras de mobilidade urbana nas cidades que receberão os jogos da Copa do Mundo de 2014.




Segundo instrução assinada pelo ministro das Cidades, Mário Negromonte, e publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira (4), as cidades-sede terão até o dia 30 de setembro de 2011 para buscar financiamento junto ao Governo Federal para custear os projetos selecionados no âmbito do programa Pró-Transporte, com recursos do Orçamento de 2010.



A medida vale também para programas apoiados pela segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2.



Em julho do ano passado o Ministério já havia alterado a data limite de 2 de julho para 31 de dezembro de 2010.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Projetos de Mobilidade Urbana para a Copa

Para a próxima Copa do Mundo de Futebol que será realizada no Brasil,em 2014 as cidades que serão sedes dos jogos iniciaram uma corrida pelos preparativos para esta grande  festa esportiva. Doze cidades foram escolhidas: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador, Natal, Recife, Brasília, Cuiabá e Manaus.


E cada cidade já vem trabalhando para garantir a mobilidade urbana, uma das exigências dos organizadores do evento.

Abaixo segue o que cada cidade vem preparando para solucionar problemas de circulação, adotando a modalidade de transporte urbano de acordo com a decisão de sua equipe de planejamento, seja de âmbito do governo estadual ou municipal. De doze cidades, nove preverem a modalidade Bus Rapid Transit - BRT como transporte urbano.


RIO DE JANEIRO

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit - BRT


A capital carioca terá quatro trajetos de Bus Rapid Transit – BRT, com previsão de atender 1,2 milhão de passageiros por dia. 1) TRANSOLÍMPICA, com uma extensão de 26km ligará o Recreio dos Bandeirantes a Deodoro, passando por mais seis bairros; 2) TRANSCARIOCA, que ligará o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim até a Barra da Tijuca, percorrendo 41km; 3) TRANSOESTE, com 56km e 53 estações, ligando os bairros do Jardim Oceânico a Campo Grande; e 4) TRANSBRASIL, ligando o Centro à Baixada Fluminense, passando pela Avenida Brasil.



SÃO PAULO


Modalidade Escolhida: Monotrilho


A construção do Monotrilho paulista ligará linhas de Metrô e Trem ao Aeroporto de Congonhas e ao Estádio do Morumbi. A resistência de moradores e à exclusão da arena no projeto da Copa pode inviabilizar as obras na região do Morumbi. Ainda indefinido.



BELO HORIZONTE


Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit – BRT


Belo Horizonte construirá seis linhas de BRT, orçadas em R$ 1,27 bilhão. Somados a estes investimentos, há previsão de mais R$ 240 milhões em obras viárias e na ampliação da Central de Controle de Tráfego.



CURITIBA

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit – BRT

Além do corredor que interligará a capital à região metropolitana, haverá o corredor expresso, unindo o Aeroporto Afonso Pena ao terminal rodoferroviário. Uma parte dos recursos financiará a construção de uma linha de BRT, terminais, sistemas de monitoramento e obras viárias. Curitiba foi a primeira cidade brasileira a implantar o BRT, hoje servindo de modelo para as grandes cidades mundiais.



PORTO ALEGRE

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit – BRT


Três corredores exclusivos de ônibus serão construídos, duas linhas de BRT e melhorias no sistema de monitoramento de tráfego. Ampliação do Metrô, a nova ponte do Guaíba e o Aeromóvel, obras pleiteadas pela prefeitura, não foram contempladas no PAC da Copa.


FORTALEZA

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit – BRT e Veículo Leve sobre Trilhos – VLT

Implantação do VLT Parangaba-Mucuripe, de BRT nas avenidas Dedé Brasil, Raul Barbosa, Alberto Craveiro e Paulino Rocha, além da construção do corredor expresso Norte-Sul e das estações de metrô Padre Cícero e Montese.


SALVADOR

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit


Financiamento de R$ 541,8 milhões para o BRT que conectará o Aeroporto Internacional de Salvador à zona norte da cidade. Ainda novidade na cidade é o Metrô, obra que durou 10 anos para a sua construção e que foi recentemente inaugurado. Dos 41km previsto, apenas 6km foram construídos. O trajeto atual liga os bairros Lapa e Rótula do Abacaxi e custou R$ 1,06 bilhão. Estima-se que o bilhete do metrô soteropolitano custe entre R$ 10 a R$ 15, um preço que cobriria os altos custos de operação.



NATAL

Modalidade Escolhida: Melhorias Viárias.

São 16 projetos viários que permitirão as ligações entre o novo aeroporto e o setor hoteleiro à Arena das Dunas, que receberá jogos da Copa. Duplicação da Avenida Mor Gouveia, ligação da Via Costeira com a Avenida Engenheiro Roberto Freire, construção de elevados, entre outros complexos viários.


RECIFE


Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit

Serão cinco intervenções viárias e dois corredores expressos, o Caxangá e o Via Mangue, além dos BRTs Norte-Sul e Leste-Oeste. Cerca de R$ 15 milhões serão aplicados no terminal Cosme Damião.


BRASÍLIA


Modalidade Escolhida: Veículo Leve sobre Trilhos – VLT


Orçado em R$ 1,5 bilhão, o projeto do VLT de Brasília prevê a construção de 25 estações. O trajeto de 22 km ligará o Aeroporto Juscelino Kubitschek à Asa Norte, no final da W3 Norte. A expectativa é que o VLT transporte de 180 a 200 mil passageiros por dia.


CUIABÁ

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit

Construção de duas linhas de BRT e duplicação da rodovia Mario Andreazza que dá acesso ao estádio Verdão, a ser usado na Copa. Serão ainda reformados pequenos pontos de acesso público, como terminais e passarelas.



MANAUS

Modalidade Escolhida: Bus Rapid Transit – BRT e Monotrilho


Um corredor de 17km, ligando a zona Norte ao Centro da capital manauara (Zona Sul), será preparado pela Prefeitura para receber a implantação do BRT. R$ 230 milhões serão aplicados na construção do corredor, que ligará a zona mais populosa da cidade ao Centro Histórico, passando por vários bairros da Zona Leste. Por parte do Governo Estadual, a proposta escolhida foi o Monotrilho, também ligando a Zona Norte ao Centro Histórico, sendo que esta modalidade passa pela Zona Oeste da Cidade e pela Arena da Amazônia, local onde serão realizados os jogos da Copa. O monotrilho terá 21 km com custo de R$ 1, 3 bilhão, com financiamento de R$ 600 milhões do FGTS. A Controladoria Geral da União – CGU apontou irregularidades no projeto básico do Monotrilho, concluindo que a construção tem custo maior do que o previsto e a tarifa é maior que a estimada pelo governo estadual.

FONTE: SINAENCO

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Como melhorar a qualidade de vida nos grandes centros urbanos

Arte: Nazareno Affonso
Fonte: Portal da Copa
Um dos grandes desafios das cidades é o trânsito caótico e sistema de transporte público ineficiente. Uma pesquisa recente feita pela IBM, em 20 cidades do mundo inteiro, mostrou que o trânsito é uma das principais preocupações dos seus habitantes. O tempo de viagem em muitas das cidades mais importantes do mundo é um dos grandes motivos de insatisfação e stress, gerando imensas perdas em produtividade e qualidade de vida.




As seis cidades piores encontram-se nos países BRIC ou em desenvolvimento, como Beijing, Cidade do México, Johanesburgo, Moscou, Nova Deli e São Paulo. O rápido crescimento econômico dos países em desenvolvimento não foi acompanhado pela evolução da infraestrutura urbana e o resultado é um trânsito caótico. Por exemplo, somente nos quatro primeiros meses de 2010 Beijing registrou 248.000 novos veículos, na Cidade do México são emplacados 200 mil novos veículos por ano e em São Paulo emplaca-se mais de 1 mil veículos por dia.



Claramente que as soluções tradicionais, como construir mais avenidas e viadutos, está chegando ao seu limite. Não há mais espaço e nem tempo para longas intervenções urbanas, de modo que temos que buscar novas e inovadoras soluções.



A crescente disseminação da tecnologia está permitindo instrumentar e conectar objetos, possibilitando a convergência entre o mundo digital e físico da infraestrutura urbana. Com uma infraestrutura instrumentada e conectada podemos pensar em um sistema de transporte mais inteligente, conhecido como ITS (Intelligent Transport Systems).



O conceito do ITS baseia-se na aplicação de tecnologias inovadoras para coletar mais e melhores dados, analisá-los de forma mais rápida e inteligente e conectá-los através de redes mais eficientes para ações e decisões mais ágeis e eficazes. Uma mobilidade urbana mais eficiente é crucial para a competitividade econômica de uma cidade. Alguns estudos apontam que congestionamentos intensos custam entre 1% a 3% do PIB das cidades.



Embora as consequências do congestionamento sejam similares, as suas causas e soluções são diferentes entre as cidades do mundo. Não se pode aplicar de forma automática uma solução que tenha sido bem sucedida em uma cidade em outra. Por exemplo, em Amsterdam mais de 50% das viagens dos cidadãos são feitas a pé ou de bicicleta. Já em Chicago, 90% da movimentação é por carros particulares. Nas cidades dos países desenvolvidos a infraestrutura já existe e é necessária sua modernização. Na Europa o transporte público é o principal meio de mobilidade, enquanto que em muitas cidades dos EUA o carro é o principal meio.



Mas, como chegar a um sistema inteligente de transporte?



É um processo de evolução gradual, que passa pelo próprio nível de maturidade dos modelos de governança e gestão de transporte das cidades. O modelo chamado Intelligent Transport Maturity Model permite situar uma cidade em um determinado nível de maturidade e ajudar a desenhar os próximos passos.



Por exemplo, analisando a vertente governança podemos classificar uma cidade em diversos níveis, do mais baixo - onde o planejamento de cada modal de transporte é feito de forma independente, sem coordenação com os demais - até níveis mais avançados. À medida em que evoluímos nos níveis de maturidade, começamos a instituir a figura da Autoridade de Transporte, que tem a visão integrada e multimodal, chegando até ao planejamento regional, o que permitiria a integração com os transportes das cidades vizinhas.



Se olharmos a vertente de serviços oferecidos, vemos que nos níveis mais baixos de maturidade não existe a figura do “bilhete único” e portanto cada meio de transporte é pago separadamente. Nos níveis mais avançados chegamos a integração multimodal, onde o mesmo pagamento serve para qualquer modal de transporte e as formas de pagamento são variadas, inclusive via celular. Ainda nesse nível, o sistema de transporte oferece serviços completos de informação, que orientam a viagem de forma multimodal, ou seja, indicam qual o melhor meio para se deslocar de um ponto a outro, inclusive com alertas em tempo real de eventuais interrupções ou atrasos nos serviços.
Como cada cidade está em um determinado patamar e as prioridades também são diferentes, deve-se desenhar um caminho próprio de evolução. Os passos básicos para implementação de um modelo de transporte inteligente passam por:



Desenvolver uma estratégia abrangente de transporte. O planejamento da mobilidade urbana deve ser holístico e envolver todos os modais e os aspectos econômicos da cidade e deve estar plenamente alinhado com o Plano Diretor da Cidade. A estratégia deve considerar a possibilidade de usar tecnologias inovadoras que podem transformar a maneira de pensar na gestão do transporte atualmente. O planejamento deve ser a longo prazo. Por exemplo, em 2005, a Transport for London, a autoridade de transporte da cidade de Londres, desenvolveu uma estratégia focada 20 anos à frente, chamada “Transport 2025".


Adotar a visão do cidadão usuário do transporte público como um cliente, criando um “customer-centric approach”. Na maioria das cidades não existe a visão de cliente de transporte público, mas de usuário anônimo, com pouquíssimas informações sobre seus roteiros, desejos e necessidades. Identificar, analisar e compreender os padrões de demanda dos clientes é essencial para desenhar uma estratégia adequada de transporte público. Com estas informações pode-se criar serviços inovadores e inclusive meios para incentivar deslocamentos em outros horários, através de preços variados.

Implementar um sistema de mobilidade urbana integrada, que inclua não apenas o transporte público, mas o particular, como automóveis e bicicletas. O objetivo é fazer o cliente planejar sua jornada.

Gerenciar a implementação de forma efetiva. Um mecanismo de gestão eficiente, aliado a um sistema de comunicação e divulgação, que integre a sociedade no processo, é fundamental para o sucesso do projeto.

É indiscutível que as cidades precisam dar um salto quântico em seus sistemas de mobilidade urbana. A utilização de tecnologias é um passo essencial para modernizarem seus modelos de governança e gestão do transporte público.

postado por: Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

BNDES prevê investimentos para mobilidade urbana vinculados a Copa

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou na última terça-feira (7) que a Copa de 2014 pode ter impacto de R$ 183,2 bilhões na economia brasileira.

O montante inclui investimentos diretos de aproximadamente R$ 47,5 bilhões, e engloba também estimativa de investimentos indiretos da ordem de R$ 135,7 bilhões.

As 12 sedes do torneio serão as grandes beneficiadas. Apenas na ampliação e modernização dos aeroportos dessas praças a Infraero projeta investimentos de R$ 5,5 bilhões. Além disso, as obras de mobilidade urbana programadas somam R$ 11,5 bilhões, contando com recursos estaduais, municipais e financiamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviços).

Outro ponto-chave do Mundial é a construção ou reformas dos estádios, que injetará outros R$ 5,8 bilhões na economia do país. O banco estatal abriu linha de crédito de R$ 400 milhões por arena e financia projetos de mobilidade vinculados ao Mundial.
Segundo Coutinho, o Rio de Janeiro precisará de R$ 28,8 milhões para as obras da Olimpíada de 2016.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Seminário discute ações de sustentabilidade para a Copa 2014

Os ministérios do Esporte e Meio Ambiente promoverão nos próximos dias 15 e 16 de dezembro o Seminário Nacional do Meio Ambiente e Sustentabilidade. A iniciativa faz parte do projeto Copa Verde, um conjunto de medidas adotado para desenvolver as ações de sustentabilidade na Copa do Mundo 2014. O evento acontecerá no auditório do Tribunal de Contas da União, na Praça da República, 54/56 (Prédio anexo ao principal) – Centro – Rio de Janeiro.
O Seminário Nacional vai discutir a integração e cooperação com países e organizações internacionais que já desenvolveram experiências nessa área, promover o diálogo entre as áreas de esporte e meio ambiente a fim de identificar possibilidades de integração que promovam a sociedade brasileira para a Copa 2014, apresentar os resultados alcançados pelas câmaras temáticas, bem como colher sugestões para o processo de construção da agenda de sustentabilidade
As questões da sustentabilidade foram inseridas nos megaeventos esportivos nos jogos olímpicos de Sydney em 2000 e depois adotadas na Copa de 2006 na Alemanha, numa parceria da Fifa com o governo alemão, quando foi criada a iniciativa Green Goal – programa de redução de impactos e proteção ambiental. Essas medidas foram incorporadas institucionalmente pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Fifa, e adotadas também na Olimpíada de Pequim e na Copa de 2010, na África do Sul.
Segundo Cláudio Langone, coordenador da Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade a Copa 2014 será marcada pelo início da vigência do novo regime climático global. Mesmo não sabendo seus contornos, já é possível afirmar que teremos um novo regime e ele terá metas mais abrangentes do que o estabelecido no Protocolo de Kioto.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Desafio de Salvador é implantar modelo de mobilidade sustentável até 2014

O MDT defende que não basta fazer obras, é preciso oferecer à população meios efetivos de uma mobilidade sustentável para todos

 

Até o início da Copa de 2014, Salvador e outras sedes do mundial têm um grande desafio: mostrar a capacidade de implantar um modelo de mobilidade urbana sustentável. Um dos primeiros passos para isso é implantar um sistema eficiente de transporte de massa e modificar a política que, desde os anos 50, se instalou no Brasil, a de que o automóvel é a única alternativa básica para o transporte. No País, essa realidade ganhou mais força, neste governo, com as facilidades de financiamentos de carros.
O tema foi debatido, no seminário Infraestrutura do Agenda Bahia, na quarta (17), por Nazareno Affonso, coordenador do MovimentoNacional pelo Direito ao Transporte Público e coordenador da ANTP em Brasília. Na palestra Mobilidade Urbana, o atalho para o futuro, Nazareno comentou que há 15 anos, o problema já havia sido sinalizado, mas como Salvador ainda não sofria com engarrafamentos, pouco se pensava no assunto.
“Hoje é mais fácil falar sobre isso, porque as pessoas não conseguem andar. Estamos precisando sonhar e provar que somos capazes de implantar a mobilidade com sustentabilidade, em Salvador”, frisa. Nazareno acredita que o Brasil tem engenharia, tecnologia de ponta, construtoras e capacidade para tanto, porém, ainda falta vontade política. “Não podemos pensar só em fazer obras. Se o trânsito não mudar, pode-se construir viadutos e daqui a quatro anos, estará pior. Precisamos ter estrategicas, saber como vamos operar a cidade no jogo e depois. Temos que ter sistema operando com qualidade, e automóveis e bicicletas devem estar integrados a isso. Também devemos melhorar as calçadas”, defende.
Alguns números apresentados pelo palestrantes mostram que os automóveis são responsáveis por27% das viagens feitas;  as bicicletas por apenas por 2,8%, enquanto que o deslocamento a pé fica com 38, 1%. Quando se fala em custos, os carros têm custos oito vezes maiores do que, por exemplo, os ônibus, além de poluir seis vezes mais. Entre o ano de 1992 e meados dos anos 2000, o sistema de transporte perdeu 29 bilhões de passageiros, o que faz acreditar que esses fatores colaboraram bastante para transformar o trânsito do Brasil em algo tão caótico.
EXEMPLO - Nazareno mostrou em sua palestra a iniciativa de Bogotá, que conseguiu, em três anos e em plena guerra civil, modificar completamente seu sistema de transporte público, o que pode ser comparado a países desenvolvidos como o Canadá. Com o projeto Transmilênio, a cidade de sete milhões de habitantes, que tinha 85% de suas vias ocupadas por carros, construiu corredores e adotou medidas para fazê-los funcionar bem como é hoje.
Rodizios de placa (duas vezes por semana), politica de estacionamento com aumento de preços, construção de 300 quilômetros de ciclovia, qualificação de calçadas, construção de espaços públicos, criação do dia sem carro (com punição de multas a quem descumprisse) e melhoria da qualidade de vida. Essas foram algumas das iniciativas que modificarm a situação em Bogotá. O fluxo melhou muito e o sistema passou a carregar 5,1 passageiros por quilômetro, 52 mil passageiros hora/sentido e o custo de passagem é o que equivale a R$ 1,3 sem gratuidade, ou seja, o usuário não é quem pela por isso.”Eles tiveram recursos disponíveis, decisão e integração política. Além da equipe técnica comprometida, coesa e empolgada”, pontua Nazareno.
Na opinião de Nazareno, o projeto BRT em Salvador deverá contar com alguns pontos para obter sucesso: pontualidade no corredor (horário certo para o transporte passar), confiabilidade (no tráfego), veículos de qualidade, redução do tempo de viagem, respeito à diversidade e gestão da qualidade. Outra medida importante é acabar com a fila de onibus nos pontos; se preciso for, é interessante fazer duas vias, pois com isso se ganha em operacionalidade. Essa é a diferença, você vai planejar sua viagem”, comenta.
“Em Bogotá, o sistema de operação tem painel de controle que possibilita visualizar os ônibus em seus percursos, e há comunicação com cada um dos condutores. Eles não podem não parar em um ponto da linha, por exemplo” , conta. Tudo isso, diz Nazareno, pode ser feito no Brasil, porque foram empresas brasileiras que implementaram isso em Bogotá. Mas também é preciso pensar no sistema de arrecadação. “Hoje” , ressalta o palestrante, “o transporte público ainda é uma solução de mercado, quando deveria ser de responsabilidade do poder público”. Na Europa, ressalta Nazareno, não se fala em empresário de ônibus como aqui no Brasil. Isso porque lá, é feito um cálculo financeiro, que mostra quanto o estado vai gastar; o usuário paga 30% disso. “Não podemos viver em uma sociedade na qual a população paga a gratuidade”.
Para mudar a situação no Brasil, em especial em Salvador, não vamos partir do zero, pois já temos alguma infraestrutura que precisa ser melhorada e ainda temos modelos como o do Transmilênio de Bogotá e os sistemas implantados na África por ocasião da Copa 2010. Esses projetos mostram, ainda, que melhorando o sistema de transporte, além de mudar a qualidade de vida nas cidades, se reduz a poluição ambiental e se aplica melhorias também no entorno desses corredores, fazendo aumentar produtividade e lucratividade de shoppings e outros estabelecimentos comerciais, por exemplo.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT