sexta-feira, 13 de maio de 2011

Motocicletas: Workshop Abraciclo Promove Painéis e Palestras com Temas Voltados a Segurança

Encontro a ser realizado no próximo dia 20 visa contribuir com a conscientização, educação e segurança no trânsito 

A ABRACICLO – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – promove no dia 20 de maio, a partir das 10h00, na Câmara Americana de Comércio – Amcham, em São Paulo, o II Workshop Abraciclo – Especial Segurança.
“O evento, voltado para a imprensa e instituições relacionadas, visa contribuir com a conscientização, educação e segurança”, afirma o diretor executivo da entidade, Moacyr Alberto Paes.
Pilotagem Segura
Com mediação do ex-piloto de MotoGP e atual instrutor da Alex Barros Riding School, Alexandre Barros, e participação de José Luiz Terwak, gerente do Centro Educacional de Trânsito Honda, Magnelson Carlos de Souza, presidente da Feneauto (Federação Nacional das Auto Escolas), Rolf Epp, diretor da BMW Motorrad, e Sandro Esgolmin, engenheiro de segurança da Ambev, o painel sobre pilotagem segura aborda o atual sistema de formação dos condutores, principais erros cometidos pelos motociclistas, projetos em discussão sobre o tema e dicas de comportamento e condução do veículo no trânsito.
Segurança Viária
Walter Kauffmann Neto, consultor da ONG Alerta, apresenta na palestra sobre infraestrutura da malha viária nacional, as principais dificuldades encontradas pelos motociclistas nas ruas do país e indicará tecnologias e soluções de vanguarda, além de estudos em andamento nesse sentido.
Tributação x Segurança
O painel sobre a tributação que incide sobre os equipamentos de segurança, mediado pelo gerente de relacionamento da Abraciclo, Sergio Oliveira, com participação de Daniel Malzoni Mattos, presidente da ABRAMAS (Associação Brasileira de Motopeças e Acessórios de Segurança), Dr. Douglas Mota, advogado tributarista da Demarest Almeida, e Gianfranco Ugo Milani, gerente de vendas da Taurus Capacetes, visa debater a questão da tributação incidente sobre equipamentos de segurança e de que forma essa taxação impacta a venda desses produtos.
Seguro para Motocicletas
Marcelo Sebastião, diretor da Porto Seguro, abordará em sua palestra temas como o funcionamento do seguro para motocicletas (benefícios, tipos de cobertura, diferenciais do seguro auto, etc.), panorama atual do mercado, demonstração do crescimento do número de motocicletas asseguradas no Brasil e projeções para o segmento em futuro próximo.
Evolução Tecnológica
Já o round table sobre a evolução tecnológica do veículo de duas rodas, mediado pelo jornalista Celso Miranda, com participação de Alfredo Guedes, engenheiro da Moto Honda, e Almir Fernandes, diretor da CESVI Brasil, aponta as novas tecnologias implantadas nas motocicletas visando proporcionar maior segurança ao condutor e mostra as tendências para o segmento.
Serviço
II Workshop Abraciclo – Especial Segurança
Data: 20 de maio

Horário: das 10h00 às 15h00

Local: Amcham - Câmara Americana de Comércio - São Paulo/sp
Endereço: Rua da Paz, 1431 - Chácara Santo Antônio
Inscrições para imprensa, instituições e empresas relacionadas ao setor pelo telefone (11) 3759-1333.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
Arte: Nazareno Affonso

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Pacto pela Vida

O Brasil aceitou o desafio proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir pela metade, até 2020, o número de vítimas de acidentes de trânsito. Para enfrentar o problema e atrair o apoio de estados e municípios, os ministérios da Saúde e das Cidades lançaram nesta quarta-feira o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes de Trânsito – Pacto pela Vida. Em setembro, o governo anunciará um pacote de medidas para tentar atingir a meta proposta pela OMS. O Brasil é o quinto país no ranking mundial de acidentes de trânsito, atrás de Índia, China, Estados Unidos e Rússia.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, 145,9 mil pessoas, vítimas de acidentes de trânsito, foram internadas no ano passado e tiveram tratamento coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Um custo de cerca de R$ 187 milhões. Dos acidentados, 78,3% eram homens e a maioria das pessoas internadas no período tinha entre 15 e 59 anos. A Região Sudeste concentrou quase metade dessas internações (44,9%). Deve ser considerada a possibilidade da criação de leis que estabeleçam metas de redução de acidentes de trânsito para estados e municípios e que determinem, inclusive, a redução de repasses financeiros para quem não alcançar os objetivos.
Outra questão importante é o endurecimento das penas para infratores no trânsito para que o país alcance a meta proposta pela OMS e reduzir pela metade o número de mortes por ano, das atuais 38 mil para 19 mil mortes por ano.

Várias entidades, capitaneada pela Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP elaboraram um  Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária para a Década 2011-2020 e entregaram, através de seu Presidente, Ailton Brasiliense Pires, ao Governo Federal um texto com sugestões de ações para a proposta do governo brasileiro à Resolução da ONU.

São Paulo

Reduzir pela metade o número de atropelamentos e mortes em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo. Esta é a meta da campanha lançada na capital paulista. Só no ano passado, foram registrados 7.007 atropelamentos, que causaram 630 mortes.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 90% dessas ocorrências estão relacionadas ao mau comportamento ao volante ou ao descuido de pedestres, que cruzam as vias em qualquer ponto.

Para reverter esse quadro, a prefeitura de São Paulo elaborou o Programa de Proteção ao Pedestre, criando oito Zonas de Máxima Proteção ao Pedestre (ZMPPs), no centro e região da Avenida Paulista; nos bairros de Santana, na zona norte; no Brás e Penha, na zona leste; na Lapa e Pinheiros, na zona oeste, e em Santo Amaro, na zona sul.

São Caetano
Como parte das ações para  a redução de acidentes,  a Secretaria de Mobilidade de São Caetano do Sul - terá o projeto ''Faixa Segura''. Esta iniciativa foi lançada no Plenário da Câmara Municipal pelo Secretário Iliomar Darronqui.
O foco da campanha de redução de acidentes serão as ocorrências de atropelamentos, as que envolvem bebida alcoólica e direção, o excesso de velocidade, os condutores jovens envolvidos em acidentes e as ocorrências com pedestres e ciclistas.
Outro alvo das ações da Semob é a fiscalização de infrações no trânsito, por amostragem aleatória. O objetivo é sensibilizar os motoristas a respeitar as leis de trânsito com a presença do poder público nas ruas e assim as pessoas não cometerem faltas e infrações graves evitando acidentes.
São Caetano está aprimorando o acompanhamento da evolução dos acidentes e a mortalidade no trânsito desenvolvendo planos de ação para a prevenção de ocorrências e criando mecanismos de monitoramento. 
Diário do Grande ABC
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
arte: Nazareno Affonso
  

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Hoje é o Dia do Lançamento da Campanha da ONU para a redução de Acidentes de Trânsito nesta década


Há um carro para cada seis habitantes no Brasil, paridade que vem diminuindo a cada ano. O fenômeno do crescimento econômico, do crédito farto e da ascensão da classe média levou a frota brasileira a registrar aumento de 61,3% em uma década, atingindo 32,4 milhões de veículos em 2010. No mesmo período, a população aumentou 12,3%, para 190,7 milhões de pessoas.
As cidades do Século 20 foram projetadas para o automóvel e a grande quantidade desses veículos em circulação mostra que essa é uma realidade que deve permanecer por muitos anos ainda. Por conta disso, na formulação de políticas públicas de mobilidade urbana, é preciso que se tenha em conta formas de tornar o automóvel individual menos agressivo. Uma maneira tentada ainda timidamente está nos projetos de moderação de tráfego, que propõem intervenções físicas no viário de modo a modificar o comportamento do motorista, induzindo-o a reduzir a velocidade e agir com segurança ao volante.

Sedimentado culturalmente por anos e anos de intensos esforços de marketing das grandes montadoras, o carro individual acha-se arraigado culturalmente e é, há algum tempo, um instrumento real de reprodução econômica e social para vastos segmentos dos estratos médios da sociedade – uma população inteira que desaprendeu a viver sem ser sobre quatro rodas. Mesmo sabendo disso, é preciso restabelecer o controle do uso do veiculo individual e a segurança na mobilidade urbana.

Paz no trânsito
Para cada morte no trânsito, 11 pessoas ficam com sequelas, 38 são internadas e 380 precisam ser atendidas em Pronto Socorros. O levantamento estatístico é da Organização Mundial da Saúde, que alerta igualmente para a causa da maioria das mortes no trânsito, motoristas alcoolizados ou drogados, seguida por ordem de importância pela falta do cinto de segurança e em terceiro lugar o excesso de velocidade aparece como razão de mortes no trânsito.
É por isso que precisamos trabalhar tanto com a prevenção, pois as mortes no trânsito são evitáveis. Precisamos  assumir a responsabilidade social e endossar a ambiciosa proposta de reduzir pela metade o número de acidentes com mortes até 2020, por meio de reforma da legislação e fiscalização dos investimentos públicos no setor.
No ano passado, a Polícia Rodoviária Federal computou 40 mil mortes no trânsito brasileiro, e um objetivo importante para a sociedade  é conseguir que o Governo Federal invista efetivamente os R$ 500 milhões orçamentários para a redução dos acidentes de trânsito.
A verba, se aplicada integralmente, provocará uma redução dos gastos da União, que hoje despende 60 vezes mais, isto é, R$ 30 bilhões no tratamento dos feridos no trânsito, segundo estimativa da Associação Nacional dos Transportes Públicos - ANTP e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA.
Década de Ação pela Segurança no Trânsito
A preocupação com o número de mortes no trânsito é tanta que a OMS lança hoje, 11 de maio, uma campanha para reduzir as mortes no trânsito, 1.260.000 por ano, o que significa uma morte a cada 30 segundos no mundo.
O lema da Campanha é: “Acreditar, Ousar e Agir” numa adaptação feita para o português pelo Gabinete do Deputado Hugo Leal, Presidente da FRENTE PARLAMENTAR pelo Trânsito Seguro. O slogan original em inglês é WEAR, BELIEVE and ACT que em tradução livre significa use, acredite e faça. 
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Percepção do brasileiros sobre a mobilidade urbana foi revelada e pesquisa do IPEA

A impressão que os usuários dos diferentes meios de transporte têm sobre a mobilidade urbana foi o tema da nova edição do Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) divulgado nesta quarta-feira, 6, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).  O estudo revelou, entre outras informações, as formas de deslocamento mais utilizadas nas regiões metropolitanas e não metropolitanas, a avaliação dos usuários e as razões que levam a população a escolher determinado meio de transporte.
De acordo com a pesquisa, 60% dos habitantes das regiões metropolitanas usam o transporte público em seus deslocamentos. O número é significativo quando comparado com os dados dos outros municípios pesquisados. Fora dos grandes centros urbanos, menos de 25% das pessoas optam pelo sistema público de transporte. Nessas regiões, destacam-se os deslocamentos a pé (19,9% dos pesquisados) e em motos (18,9%).
De forma geral, a maior parte da população tem avaliações positivas sobre a qualidade dos meios de transportes. 66,3% consideram “muito bom” ou “bom” a forma de deslocamento que mais utiliza. O pior resultado foi registrado entre aqueles que optam pelo transporte coletivo, com menos de 50% avaliando como bom o serviço. “De qualquer maneira, nem mesmo a avaliação do transporte coletivo é ruim, já que quase metade considera bom e 36% regular”, comentou Ernesto Galindo, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
O Sips mostrou ainda que a rapidez, a disponibilidade e o custo são os fatores com maior peso na escolha do usuário e também na disposição dele para utilizar o transporte público. “Esses fatores sempre aparecem e estão relacionados com os investimentos feitos pelo poder público, mas as percepções dos usuários podem carregar ideias pré-concebidas. Será que o usuário do carro sabe que o transporte público pode ser mais rápido?”, questionou Galindo.  O pesquisador afirmou que as políticas públicas também devem se preocupar com a disseminação de informações sobre os transportes. “Os preconceitos podem impedir mudanças siginificativas na mobilidade urbana”, concluiu.
A sensação de segurança nos deslocamentos urbanos foi outro ponto abordado na pesquisa. Os usuários do transporte público se mostraram mais preocupados, especialmente aqueles que já sofreram algum tipo de acidente ou foram assaltados –  60% dos que já sofrearam assalto, por exemplo, raramente ou nunca se sentem seguros.
“Os usuários de transporte público são os mais influenciados pela experiência com acidentes e assaltos, enquanto a percepção dos motoristas de carro quase não foi sensível a esses eventos. Isso reforça que pode haver uma ideia pré-concebida sobre a segurança dos meios de transporte”, ressaltou o pesquisador do Ipea.
Leia a íntegra da segunda edição do SIPS sobre Mobilidade Urbana
Veja os gráficos da apresentação sobre Mobilidade Urbana

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fórum Internacional de Mobilidade Urbana em Florianópolis

Nos dias 26 e 27 de Abril de 2011, ocorreu em Flaorianópolis o  Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, evento apoiado pelo Ministério das Cidades e  pelo Governo do Estado de Santa Catarina com a curadoria da Prefeitura de Stuttgart.

O objetivo do fórum foi promover a troca de experiências entre cidades para  busca de soluções de mobilidade urbana, o Fórum reuniu cerca de 15 profissionais  especializados  em Mobilidade, oriundos do mundo todo  para discutir assuntos como acessibilidade de pedestres, ciclovias, estratégias, planejamento de mobilidade urbana e o futuro das tecnologias modais e mais de 1.000 participantes.

As cidades mais desenvolvidas estão preocupadas com esta questão e as cidades brasileiras infelizmente encontram-se distantes da realidade da mobilidade sustentável que todos almejam. Uma coisa é clara, políticas públicas visando TNM ( Transporte não Motorizado) e meios alternativos ao uso do automóvel são fundamentais para o desenvolvimento sustentável das cidades. Gil Penãlosa, consultor da Gehl Architects de Nova Iorque e Coordenador do Projeto 8-80 Cities ( cidades para pessoas de 8 a 80 anos), mostrou como cidades vem radicalizando na construção de ciclovias e sistemas para redução do uso dos automóveis nas cidades, já o Ativista Inglês,  Rodney Tolley presidente do Walk 31, defendeu uma cidade para pedestres mostrou a importância da construção de cidades mais inclusivas e acessíveis para pessoas, participaram ainda Ton Dagger da Movilization Foundation da Holanda, Claus Koehnlein, Patrick Daude da Prefeitura de Stuttgart e Niklas Sieber da TTI de Stuttgart entre outros debatedores e palestrantes.


Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 3 de maio de 2011

Somos todos iguais


O Brasil possui 27 milhões de habitantes com algum tipo de deficiência, volume equivalente a 14,5% da população, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na Região Metropolitana de São Paulo, são 3 milhões de pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Durante anos elas foram amparadas por políticas assistencialistas, reflexo do pensamento que pessoas com deficiência não podem seguir suas próprias vontades. Ultimamente, esse quadro vem se transformando e os direitos dessas pessoas estão sendo assegurados não apenas por leis, mas por uma percepção da sociedade que as diferenças entre as pessoas podem ser sutis ou marcantes, mas elas existem desde que o mundo é mundo.
Basta conviver com pessoas com algum tipo de deficiência para entender o verdadeiro sentido da palavra respeito, dignidade, admiração e superação.  É incrível a transformação que acontece dentro da gente quando nos defrontamos com pessoas com mobilidade reduzida Ai vem aquela vontade de transformar a cidade num espaço acessível para todos.
Frota acessível
No passado, o número de veículos coletivos adaptados era muito pequeno. Mas com a criação de lei federal, que tornou obrigatório que todos os ônibus saiam de fábrica preparados para atender portadores de alguma necessidade específica, este cenário está mudando. A norma nº 10.098 determina que até 2014 toda a frota em circulação esteja preparada para atender a estes usuários. Hoje, apenas 40% da frota de ônibus urbano em circulação (105 mil veículos) está preparada para atender a estes usuários.

Para ser acessível o veículo deve atender a pelo menos uma das seguintes exigências: possuir piso baixo (total ou parcial), contar com elevador, ou oferecer “embarque em nível” - quando a calçada fica na mesma altura do veículo – sistema comum nos BRTs (Bus Rapid Transit).

Entretanto, a principal preocupação para que a lei seja atendida no tempo determinado não se refere aos ônibus, mas sim, às calçadas e vias para que estes passageiros tenham condições de chegar até o local para desfrutar do transporte.

É preciso aliar veículos adaptados com uma infraestrutura de qualidade. Não adianta oferecer o veículo de acordo com todas as normas se o passageiro não consegue chegar até o ponto de parada devido às más condições das calçadas. O valor estimado necessário para adaptar os veículos é da ordem de R$ 100 milhões.
As grandes metrópoles

Segundo dados da SPTrans, a capital paulista conta com 3,9 mil veículos adaptados de um total de 15 mil. No Rio de Janeiro – cidade onde a frota é composta por 8,8 mil ônibus – dois mil são acessíveis. Em Belo Horizonte, existem hoje 1,3 mil ônibus com elevador e 152 com piso baixo. No total, 2,8 mil veículos circulam pela cidade. Em Porto Alegre, de 1.597 veículos, 470 unidades estão preparadas para atender estes usuários.

E você?

Precisamos ainda trilhar um longo caminho da inclusão. Você também pode ajudar. Nunca pare nas vagas destinadas as pessoas com deficiência nem em frente a guias rebaixadas nas esquinas. Um cadeirante terá dificuldade para tentar atravessar pela faixa de pedestres usando o rebaixamento.

Jornal Diário do Grande ABC
Cristina Baddini Lucas  - Assessora do MDT

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Transporte é problema em seis sedes da Copa



Transporte público preocupa autoridades (Reprodução)
Transporte público preocupa autoridades

Mário Negromonte, ministro das Cidades, admitiu nesta quarta-feira que seis das 12 cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014 apresentam problemas com o sistema de transportes. Falando durante a cerimônia de formatura de novos diplomatas, em Brasília, ele alegou que o papel da União “é mobilidade urbana e vamos ter que ter a responsabilidade de levar o torcedor até a catraca” dos estádios, sendo que a redução da burocracia nas licitações pode solucionar o problema.

Evitando citar os municípios que apresentam problemas, Negromonte (que pediu atuação mais forte de prefeituras e governos municipais) salientou que os problemas são diferentes, ocorrendo do ponto de vista jurídico, ambiental ou para a realização das licitações. Se o ministro não citou as cidades, uma pista pode vir de recente relatório do Tribunal de Contas da União, que inclui a possibilidade de atraso em construções em Brasília, São Paulo, Recife, Fortaleza e Manaus.

Portal da Copa

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trensurb inicia segunda fase do Aeromóvel

A Trensurb iniciou a execução do projeto de implantação do Aeromovel que ligará a Estação Aeroporto ao Terminal Salgado Filho. O projeto já foi aprovado pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o financiamento de R$ 17,85 milhões do governo federal.

A assinatura do contrato da via elevada, vencido pela Premold em dezembro de 2010, deve ocorrer nas próximas semanas. A proposta foi de R$ 7,2 milhões. A construção do elevado tem prazo de conclusão de oito meses a partir da ordem de início de serviço. Já o processo licitatório para a construção das estações – com um valor previsto de R$ 2,4 milhões – aguarda a conclusão da elaboração dos projetos e do edital, devendo ocorrer no início do mês de junho. O pacote tecnológico foi contratado junto à Aeromovel Brasil em agosto de 2010, no valor de R$ 17,3 milhões.

A T’Trans assinou, neste mês, contrato para o fornecimento de dois veículos – um com capacidade para 150 passageiros, outro para 300 –, incluindo serviços de engenharia, suprimentos, montagem, instalações, fabricação e transporte. O prazo para conclusão dos trabalhos é de seis meses.

A empresa T’Trans Sistema de Transporte S.A. foi a vencedora da licitação referente à fabricação dos veículos – concluída em fevereiro de 2011 –, com uma proposta de R$ 2.819.234,19. O contrato foi assinado neste mês e a ordem de serviço foi dada dia 19. Está previsto o fornecimento de dois veículos – um com capacidade para 150 passageiros, outro para 300 –, incluindo serviços de engenharia, suprimentos, montagem, instalações, fabricação e transporte. O prazo para conclusão dos trabalhos é de seis meses.

A meta da Trensurb é que todo o sistema esteja concluído até o final do ano e que a operação experimental do Aeromovel comece em janeiro de 2012.

Fonte: Revista Ferroviária
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coordenador do MDT fala sobre paz no trânsito para dirigentes e técnicos da Secretaria de Mobilidade Urbana de São Caetano do Sul


O coordenador do MDT, Nazareno Affonso visitou o município de São Caetano do Sul no dia 4 de abril de 2011. Na ocasião, dirigentes e técnicos Secretária de Mobilidade Urbana do município debateram com ele a questão da mobilidade nesta cidade da Região Metropolitana de São Paulo – integrante do chamado ‘ABC’, sobre a criação de espaços para que a população exercite conceitos de cidadania no trânsito.  

A principal questão discutida foi sobre os acidentes de trânsito. Nazareno enfatizou que esse tipo de violência social precisa acabar. Mostrou a todos que as ocorrências de trânsito refletem um conjunto de fatores estruturais da realidade social, a começar pela prioridade concedida aos automóveis nas vias públicas. “A violência no trânsito é um fenômeno cujas causas são determinadas socialmente e suas consequências são dramáticas para vida das pessoas” frisou, acrescentando que os números dão uma noção da extensão da tragédia em que se transformou o trânsito no País. “Basta verificar que, anualmente, são registrados 1,5 milhão de acidentes, com o envolvimento de 7,5 milhões de pessoas, das quais 400 mil ficam feridas – uma parte considerável dessas com sequelas irreversíveis. E o que é extremamente grave é que cerca de 35 mil pessoas morrem.

De acordo com o dirigente do MDT, para erradicar a violência no trânsito, é preciso uma mudança cultural. “Precisamos democratizar o uso do espaço urbano, mas isso exige das autoridades uma nova postura, uma atitude mais firme em defesa da vida e do meio ambiente. O trânsito seguro é um direito do cidadão e um dever do estado, portanto, a segurança no trânsito deve ser consubstanciada em uma política pública efetiva, definida e implementada sob responsabilidade dos municípios, dos estados e da União”. 

Travessia segura. Nazareno Affonso comentou o projeto que o Consórcio do Grande ABC propôs para as sete cidades que compõem a região do ABC – além de São Caetano do Sul, também Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – e cujo objetivo e garantir o respeito à faixa de pedestre.

“As sociedades que conseguem respeitar a faixa de travessia terão dado um considerável salto de qualidade no tocante à proteção à vida no trânsito. Nesse processo, o poder público não pode e não deve se ater meramente à administração cotidiana dos fatos, mas, ousar, alçando-se ao conceito estratégico de administrar fenômenos, de mudar mentalidades, de mudar coletivamente o comportamento das pessoas”, afirmou, assinalando: “Conseguir o respeito ao pedestre na faixa é, portanto, adquirir um novo status de cidadania”. Em seguida, mostrou como foi implantado em Brasília o respeito à faixa de travessia, durante sua gestão como secretário de Transportes do Distrito Federal, no final dos anos 80.

Crianças em movimento. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de São Caetano do Sul manifestou o interesse em criar um espaço voltado a crianças em idade escolar. A respeito disso, o consultor e coordenador do MDT discorreu sobre como incentivar e estimular a discussão dos conceitos de mobilidade urbana com os públicos infantil e juvenil. Nazareno Affonso assinalou que a questão principal é buscar um modo de levar o crianças e jovens a entender, de forma prática, quais são as diversas formas do “ir e vir” em uma cidade, num processo que associe conceitos como inclusão social, sustentabilidade e ética. Ele salientou a importância de a proposta envolver não apenas a criação de espaços, mas associá-los com ações educacionais, para a apresentação dos conteúdos nas escolas, com a formação de docentes, distribuição de material informativo e, ainda, com diversas outras ações complementares, descritas na sessão.

O primeiro momento proposto diz respeito à construção de uma cidade cenográfica, na qual as crianças vivenciarão, de forma prática e lúdica, as diversas questões relacionadas às políticas de mobilidade urbana e também às ações responsáveis adotadas por cada indivíduo.  Percorrendo as escolas e com o intuito de potencializar os conhecimentos aprendidos na visita à cidade cenográfica e nas ações de formação, a proposta inclui ainda a criação do Ônibus da Mobilidade, exposição interativa em um espaço multimídia. O objetivo é apresentar para crianças e jovens ações e conceitos relativos à mobilidade urbana, de maneira lúdica, divertida.

O Ônibus da Mobilidade apresentará nas escolas diversas técnicas de comunicação e imersão, as quais permitirão aos visitantes vivenciarem uma experiência que integrará elementos virtuais e reais, na apresentação de animações, filmes, teatro e jogos. O veículo proporá aos participantes uma série de problemas e desafios, de modo que possam montar uma solução criativa e sustentável sobre o tema da mobilidade urbana. Com uma maior compreensão e familiaridade sobre esses temas, os participantes terão novos elementos para entender a importância dessa área de estudo, contribuindo para desenvolver sua capacidade de debater e pensar criticamente sobre as formas de se deslocar dentro da cidade.

Para ampliar o acesso de toda a comunidade na discussão sobre mobilidade urbana, o projeto discutido inclui ainda a possibilidade de expansão dessas atividades já delineadas para parques municipais indicados pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de São Caetano do Sul. A intenção é que experiências semelhantes às da cidade cenográfica sejam ampliadas e adaptadas para o público em geral, especificamente nesses parques, de modo que os visitantes possam compreender conteúdos relacionados à mobilidade urbana de forma prática. As experiências serão montadas em espaço abertos e serão auto-explicativas, ou seja, terão instruções para uso e informações para que o visitante entenda qual é o objetivo daquela atividade. Com isso o projeto propõe incentivar as discussões sobre a mobilidade para toda a população.

Dia sem Carro. Na parte final de sua exposição, Nazareno Affonso mostrou a importância de haver um questionamento a respeito das consequências para o País e para a sociedade, de um modelo de mobilidade centrada automóvel.  Ele disse que o automóvel tem sorvido muito dinheiro público. As montadoras têm facilidade de acesso a créditos e sabem como aproveitar ocasiões como a crise global de 2008 e 2009 para convencer o governo a ceder estímulos à compra de veículos baseados em renúncia fiscal. Os governos também  promovem isenções de impostos federais e estaduais para  atraírem montadoras, de modo a gerarem empregos e arrecadação, mas se ‘esquecem’ de que a presença crescente de automóveis e motos nas cidades e estradas, propiciam as diversas ‘externalidades negativas’ –  congestionamento e ineficiência urbana, poluição, ocorrências no trânsito com milhares de mortos e feridos por ano, entre outras – , que geram custos e dor para a sociedade e amplias as despesas das administrações públicas e instituições privadas. Por outro lado, institucionalizou-se no País o chamado ‘carro popular’, largamente vendido por meio de facilidades de crédito ao consumidor. 

Segundo o coordenador do MDT, obviamente, não seria possível, num passe de mágica, eliminar automóveis e motos das cidades. Mas ele chamou a atenção para a existência da Jornada Brasileira ‘Na Cidade, Sem Meu Carro’ ou o Dia Mundial Sem Carro, sempre em 22 de setembro – uma iniciativa originária da União Européia e que ‘contaminou’ o mundo e também o Brasil, desde o ano 2000. Com esse evento, se procura envolver a sociedade e a mídia, a partir dos governos municipais, e mostrar a perfeita possibilidade de haver vida sem abuso do uso dos veículos particulares motorizados. “Essas jornadas também procuram salientar a importância de haver consistentes investimentos de recursos em transporte público, em infraestrutura para o transporte não motorizado e para garantir a ampla acessibilidade de pedestres e de pessoas com necessidades especiais em seus deslocamentos – sinônimos eloquentes de respeito à cidadania”, concluiu Nazareno Affonso.


Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DECADA MUNDIAL DA SEGURANÇA VIÁRIA – 2011-2020


Membros da Comissão de Trânsito da ANTP e representantes de diferentes organizações – num total de 50 especialistas do setor – se reuniram em 15 de abril de 2011, a sexta-feira da semana passada, numa sala da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, ocasião em que definiram os pontos principais de um documento com propostas visando à redução significativa do número de mortos e feridos no trânsito brasileiro e um plano para divulgá-lo.  

Grande interesse
Outros interessados buscaram se inscrever, mas, por limitação de espaço, as inscrições tiveram que ser encerradas assim que se atingiu o número de 50 participantes. 

Década Mundial

A iniciativa tem como foco o lançamento, em maio próximo, da Década Mundial de Segurança Viária 2011/2020, instituída pela ONU, cuja meta prioritária é reduzir de até 50% no número de mortos e de feridos em ocorrências de trânsito.

CRONOGRAMA

O primeiro formato do documento estará pronto hoje e foi redigido por Luiz Carlos Néspoli, especialista de larga experiência, hoje atuante na Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP). Ele considerou os pontos definidos no encontro do dia 15 e contribuições que forem encaminhadas até a quarta-feira desta semana, 20 de abril.  

Plano de divulgação

A divulgação do documento seguirá um plano já esboçado no dia 15, e que compreende os seguintes pontos: 
1) Reunir entidades de modo que se possa fazer o gerenciamento das ações de forma integrada; 
2) Criação de um fundo para possibilitar o fomento do plano; 
3) Definir formas de sensibilização da mídia (incluindo as TVs estatais) e das três esferas de governos; 
4) Aproveitar o fato de a ONU estar iniciando a Década de Segurança Viária para levar a quem decide as propostas sobre redução do número de mortos e de feridos no trânsito; 
5) Estabelecer foco em algumas ações que sejam implementadas de imediato; 
6) Estabelecer articulação com a Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro e com representantes da 27 unidades da Federação; 
7) Estabelecer articulação com a Frente Nacional de Prefeitos e outras entidades, incluindo ONGs preocupadas com a questão; 
8) Utilizar a Internet; 
9) Marcar no Brasil o dia 11 de maio de 2011 - data estipulada perla ONU para lançamento da Década Mundial de Segurança Viária 2011/2010
10) Estabelecer articulações com empresas privadas sesnsíveis à causa, inclusive para que divulguem mensagens a respeito.

REUNIÃO FINAL

Uma última discussão para aprovação do documento acontecerá no dia 29 de abril de 2011, a sexta-feira da próxima semana, das 9h às 13h30, também na Fundação Getúlio Vargas.  

Divulgação e compromissos políticos

Nessa mesma reunião será definida a estratégia de divulgação e de busca de compromissos políticos com os pontos a serem consignados no documento.

Boletim da ANTP

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conferência Internacional da Mobilidade Urbana: Gestão inteligente e competitividade

16 de Setembro de 2011 - Lisboa
A premência da (r)evolução na mobilidade urbana é já um dado adquirido em toda a Europa, inclusivamente num contexto mundial, sendo cada vez mais evidente a necessidade de uma estratégia global que  torne o sistema de transportes mais competitivo, optimizando a mobilidade e promovend emprego, consequentemente, crescimento económico .
 
Numa altura em que o Plano Estratégico de Transportes (2008-2020), está, finalmente, prestes a ser implementado, agitam-se os objectivos de aumento da competitividade do sector e da redução dos impactes ambientais que vêm em linha de conta com as prioridades da Europa.
 
A Conferência Internacional Mobilidade Urbana: Gestão Inteligente e Competitividade surge como o palco onde as várias estratégias que podem ser postas em prática para uma gestão eficiente da mobilidade nos tempos actuais, em tempo de crise e depois de crise, serão apresentadas e debatidas pelos grandes especialistas, decisores, técnicos e empresas que, a nível nacional e internacional trabalham no sector desenvolvendo soluções para uma estrutura de transportes mais forte e mais organizada nas cidades.
 
Na Conferência Internacional Mobilidade Urbana: Gestão Inteligente e Competitividade ocorrerá, ainda, uma Mostra de Soluções para a Mobilidade Urbana: um espaço de exposição no qual as empresas terão oportunidade de apresentar os seus produtos e tecnologias aos responsáveis e técnicos que actuam sobre esta matéria.
 
 
Fique atento!
 
TEMÁTICAS
  • O Plano Transportes 2050 da Comissão Europeia
  • O Novo Regulamento de Estacionamento de Lisboa
  • Políticas de Mobilidade e Governança
  • Sistemas Inteligentes de Mobilidade Urbana
  • Soluções para a Mobilidade Eléctrica
  • Preparação das Habitações para a Mobilidade Eléctrica
  • Expansão da Rede Mobi.E ao Território Nacional
  • Gestão de Mobilidade em Tempo Real
  • Controlo de Frotas
  • Equipamentos Urbanos e Soluções de Apoio à Mobilidade 
  • Plataformas de Simulação Integrada
  • Combustíveis Alternativos
  • Planeamento, Políticas e Qualidade de Vida

PÚBLICO-ALVO
 
Altos responsáveis, gestores e decisores sobre a mobilidade nas cidades:
• Autarquias
• Serviços e Organismos do Ministério das Obras Públicas e dos Transportes
• Serviços e Organismos do Ambiente e do Ordenamento do Território
 
Administradores, responsáveis de projecto e técnicos de:
• Empresas de Consultoria
• Empresas de Mobilidade Urbana
• Gabinetes de Arquitectura
• Gabinetes de Urbanismo
• Gabinetes de Arquitectura Paisagista
• Gabinetes de Engenharia
• Empresas do Sector do Turismo
• Empresas e Associações dedicadas à Mobilidade Urbana
 
Outros sectores:
• Investigadores, professores e estudantes universitários;
• Entidades, públicas ou privadas, com interesse na matéria.
 
Cristina Baddini Lucas - Assessora do  MDT

terça-feira, 19 de abril de 2011

Antenor Pinheiro recomenda BRT

Antenor Pinheiro, 52 anos, jornalista e perito criminal especializado em trânsito, assumiu em março a coordenação da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), regional Centro-Oeste, entidade criada em 1977 e voltada ao setor de transporte público e do trânsito urbano do Brasil. Representa o país na União Internacional de Transportes Públicos (UITP), órgão consultor das Organizações das Nações Unidas.
A ANTP está preparando a proposta brasileira a ser inserida nas diretrizes da "Década Mundial da Segurança Viária" (2011/2020), definida pela ONU para a redução de mortos e feridos no trânsito. 
Como o Brasil venceu a disputa para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a ANTP participa dos estudos e acompanha os projetos de mobilidade urbana, que devem transformar capitais e vários municípios do país.


Com anos de estrada quando o assunto é trânsito e transporte urbano, Antenor se tornou secretário de Trânsito e Transportes de Goiânia, foi presidente do Conselho Estadual de Trânsito de Goiás, membro da Câmara Temática de Assuntos Veiculares do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e do Fórum Consultivo do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Nesta entrevista, Antenor coloca o dedo direto na ferida e diz que não existe "indústria de multas e sim uma indústria de infrações".Cofira trechos da entrevista para a Gazeta:


Antenor Pinheiro - A crise da mobilidade é um problema nacional que se agrava a cada ano porque recebe insuficiente atenção do poder público. Há ausência plena de políticas concretas, minimamente ideais, que favoreçam o transporte público coletivo em detrimento do transporte individual. Pesquisa recente realizada pela Associação Nacional de Transportes Coletivos (ANTP) identificou que próximo de 95% dos recursos públicos destinados a políticas de mobilidade nas cidades brasileiras são voltados à demanda do transporte individual. Há um desequilíbrio no tratamento desta questão, cuja essência resgata o debate sobre a democratização do uso do espaço público nas cidades, porque quem se desloca por elas não são apenas os condutores de carros e motos, mas também os usuários do transporte coletivo, os ciclistas e os pedestres. O sistema viário deveria contemplar igualmente a todos, mas não é o que ocorre. Ao contrário, os governos das cidades não investem em ciclovias, ciclofaixas, muito menos em calçadas, que também é via pública por definição - situação que compromete a acessibilidade universal e colabora para a sua desumanização. Não é diferente com o transporte coletivo, que coleciona IPKs (índices de passageiros por quilômetro rodado) cada vez menores por perda de competitividade e atração em função da queda de sua velocidade comercial justificada pela desigual disputa no espaço viário com o carro e a moto. Ao invés de se deslocarem com os ideais 25 km/h, os ônibus das cidades estão com velocidades próximas de 15 km/h com tendência para menos em virtude do aumento da frota automobilística com a qual disputam os espaços viários Essa adversa situação passa a sensação para a população de que não há ônibus suficientes, quando na verdade o que existem são viagens mais demoradas.

Pergunta - Como encaminhar essa questão?
Antenor - Com atitude política e virtude técnica. Reconfigurar a infraestrutura do sistema viário de forma a abranger a mancha urbana formada pela conurbação com Várzea Grande. Implantar corredores exclusivos para os ônibus e ampliar as estações e terminais de integração para o transporte coletivo sobre rodas é o caminho. Isso garante a ideal fluidez dos ônibus, aperfeiçoa o controle operacional das linhas, garante cumprimento de horários, melhora as condições ambientais e interfere na composição da planilha tarifária para baixo. Políticas assim culminam na gradativa migração do usuário do transporte individual (carro/moto) para o coletivo, porque a cada dia vencido o carro e a moto fluirão mais devagar em razão das retenções e dos congestionamentos resultantes do aumento da frota, enquanto os ônibus estarão com fluxos desobstruídos e livres de disputa por espaços viários. Mais que democratizar o espaço urbano, significa coletivizar o sentido de cidade.

Pergunta - A escolha de Cuiabá como uma das cidades-sede da Copa 2014 vem provocando vários debates. E hoje a pergunta que não quer calar é sobre os novos modelos de transporte coletivo. BRT ou VLT, o que o senhor recomendaria?
Antenor - Cuiabá é uma cidade com relevo de baixa amplitude provido de viários arteriais relativamente planos e de geometria generosa. A implantação de sistemas sobre trilhos sempre é bem-vinda tecnicamente, pois muito se ganha em competitividade, impedância e meio ambiente. Todavia esta opção é por demais onerosa, além de exigir intervenções agressivas no plano urbanístico. Como cidade-sede da Copa deveria aproveitar os recursos federais direcionados para o evento e investir no sistema BRT, cuja viabilidade econômica e cronograma de implantação são mais factíveis. Sou adepto da combinação simplicidade-eficiência e o sistema BRT traduz bem essa escola. Deu certo em Curitiba, Bogotá e nas cidades sul-africanos que foram sede do Mundial de 2010. Em todas estas cidades e dezenas de outras espalhadas pela Europa, Ásia, Canadá e EUA a eficiência e custos formam pleno sucesso, contribuindo para a melhor qualidade de vida. Fosse eu o gestor que decidirá a questão, daria um pulinho ali em Bogotá pra ver como fazer uma cidade mudar para melhor em 10 anos. A política de mobilidade tem disso: quanto mais inclusiva, universalizada e sustentável for, melhor para todos. Cuiabá e Várzea Grande cabem nesse figurino, ao meu ver. Além do mais, o sistema BRT tem dinheiro do PAC da Mobilidade (R$ 18 bilhões), do PAC 2 (R$ 6 bilhões) e ainda R$ 18 bilhões para suprir as cidades-sede da Copa do Mundo. Ou seja: quase R$ 30 bilhões à espera de projetos. 

Pergunta - O foco do debate sobre mobilidade urbana na Capital está restrito ao transporte coletivo. Este não é um grande equívoco?
Antenor - Hoje não se pode pensar trânsito e transportes de forma isolada. Faz-se necessário concebê-los como elementos interdependentes, complementares entre si. Mobilidade urbana é a expressão que designa a integração de políticas públicas envolvendo planejamento (uso e ocupação do solo), acessibilidade, meio ambiente, transportes e circulação de veículos e mercadorias. Os gestores das cidades modernas devem planejar seus espaços e vivências de forma a harmonizar os conflitos econômicos, sociais, culturas que delas surgem, mas nunca se distanciando institucionalmente do mais sagrado dos interesses, que é o público - eis a sua razão em ser gestor. Enxergar a cidade como a orquestra em que todos os instrumentos são igualmente importantes, embora distintos nos papéis, é exercer o papel de gestor como a um maestro.
Pergunta -Cuiabá começa a viver problemas de municípios maiores com engarrafamentos sistemáticos em vários pontos, já identificados como gargalos e que sofreram intervenções - com rotatórias, por exemplo, - mas que não foram suficientes para solucionar ou amenizar o problema.
Antenor - Não há solução para o automóvel. Trânsito não se resolve, se administra de acordo com a demanda, e não tem fim. É um saco sem fundos. Apagar incêndio todos os dias. Por isso consome a maioria dos recursos públicos voltados para a mobilidade urbana. A saída é inverter a prioridade, melhorando a qualidade dos serviços e infraestrutura para os transportes públicos, acessibilidade e tecnologia agregada. Já é hora de desestimular o uso do automóvel e da moto, não com objetivo de diminuir a sua importância, mas racionalizar o seu desempenho. Essa é a tendência urbanística universal.

Pergunta -Quais seriam as medidas de intervenção que realmente fariam efeito no trânsito cuiabano?
Antenor - Para reverter o caos que se anuncia são mais que oportunas medidas voltadas à restrição ao uso do transporte individual. Criar zonas de restrição de tráfego (ZRT) nas áreas tecnicamente saturadas; regulamentar operações de carga-descarga; instituir controle automatizado de estacionamentos (parquímetros); implantar pedágios urbanos; criar espaços vivenciais (educação); adotar escalonamento de horários variável; atualizar a hierarquização viária; atualizar e manter com excelência o sistema de sinalização; implantar binários etc. Intervenções assim ajudam na fluidez e melhoram sensivelmente a organização viária.

Pergunta - Aqui vem sendo também debatida a volta de radares e lombadas eletrônicas, que foram retirados das vias após decisão judicial e a acusação de que haveria uma indústria de multas e interesses empresariais por trás dessa escolha. O senhor defende a colocação desses equipamentos? Punir pelo bolso é solução?
Antenor - Fiscalizar não é opção do poder público, mas obrigação. Não quero aqui entrar no mérito da decisão judicial, por desconhecê-la. Contudo, posso afirmar que os equipamentos eletrônicos de fiscalização são o que a tecnologia nos possibilitou de melhor para atenuar o que mais contribui para a morbimortalidade no trânsito brasileiro: o excesso de velocidade e o avanço de semáforos. Se devida e tecnicamente bem instalados esses equipamentos salvam vidas. Quanto à premissa da indústria de multas, ela é falsa. Pesquisas científicas realizadas pela PUC de Goiás e as Faculdades Anhembi de São Paulo identificaram que somente uma infração é flagrada pelo poder público entre 8 mil cometidas. Façamos um teste em qualquer esquina de Cuiabá e confirmaremos que, na verdade, o que há é uma indústria de infrações. Multa não é imposto, é opção, e a melhor forma de evitá-la é não cometer infração, simples assim! Toda atitude tomada no sentido de fiscalizar condutas no trânsito salva vidas, pois não há acidente de trânsito sem que a ele seja precedida uma infração cometida. Logo, quanto menos infrações, menos mortes, menos amputados, menos paraplégicos. A multa nos constrange, mas é um ato de ofício. Ademais, também possui uma componente pedagógica. Ela dói, mas salva!

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT