terça-feira, 24 de setembro de 2013

A revolução das cidades



O fato é que centros urbanos tendem a ser mais "verdes" que subúrbios. A ilha de Manhattan, com todos aqueles prédios, é considerada um dos lugares mais verdes dos EUA: lá, só 25% das famílias têm carro, por exemplo, contra 92% no resto do país. Sim, as cidades venceram e podem ser mais ecologicamente corretas do que o senso comum imagina. Mas, claro: ainda existe muito o que corrigir. Os problemas você conhece: trânsito, sujeira, poluição.

Mas as metrópoles também contêm as soluções para estas questões. A seguir, você vai conhecer um dos quatro projetos que vão revolucionar as cidades - Hidroanel de São Paulo.  Em 2013, apresentaremos os outros três:
- Energia esperta em um estádio de futebol na Bahia, que será centro de treinamento durante a Copa;
- Soluções em duas rodas em São Paulo e Rio de Janeiro, que se inspiraram na Europa;
- Da terra para os telhados: a tendência mundial de hortas urbanas aproxima as cidades das plantações.

Tem muita gente atuando em áreas tão diferentes e representando grupos tão diversos, mas todos têm algo em comum: acreditam nas metrópoles e não querem fugir delas. Em vez disso, estão tentando revolucionar as cidades onde vivem. E o melhor: estão conseguindo.

HIDROANEL
Os rios da maior cidade do Brasil são mais do que um esgoto: podem revolucionar o trânsito, a coleta de lixo e a qualidade de vida da metrópole

Trânsito e lixo. Esses dois agentes são a dor de cabeça de qualquer cidade grande desde o Império Romano. Em São Paulo, então, a dor é muito mais aguda. Considerando que a frota de carros na capital só cresce (foram de 1 milhão para 7 milhões dos anos 70 para cá) e que a velocidade média dos veículos no trânsito só cai (indo de 27 km/h para 17 km/h nesse meio tempo), o problema parece sem solução. Mas só parece. Um grupo de pesquisadores da USP tem um projeto para colocar ordem neste caos. E a resposta vem do lugar mais improvável: os rios da cidade.
Vivemos no século em que as cidades venceram. Pela primeira vez na história, existe mais gente vivendo entre prédios e avenidas do que entre pastos e animais. Em 2008, os moradores de metrópoles viraram mais da metade da população do planeta. E, em 2011, cidades americanas cresceram mais do que os subúrbios pela primeira vez desde 1920.
REFORMA HIDROGRÁFICA Conheça uma São Paulo possível: avenidas fluviais, reciclagem em massa e mais áreas verdes

O Hidroanel Metropolitano pretende resolver São Paulo em dois momentos. O primeiro envolve a construção de uma série de portos na borda dos rios e das represas que circundam a cidade. Eles serviriam para receber a quantidade enorme de sujeira produzida pela metrópole. Desde os saquinhos que os moradores colocam na porta de casa até a terra e o entulho de construções e demolições. Passando por outros dejetos, como a sujeira retirada dos córregos e das estações de tratamento. Estas cargas seriam levadas para os portos de caminhão mesmo.

Mas existe uma diferença importante. Com a construção dos portos para recebimento do lixo, as distâncias percorridas pelos veículos de carga seriam encurtadas de 30 km para apenas 8 km em média. Sem precisar atravessar a cidade, eles desafogariam o trânsito. Os barcos que esperam a sujeira atracados nos portos serviriam para percorrer o resto do caminho. Enquanto cada caminhão transporta apenas oito toneladas, um barco consegue movimentar 400 toneladas. Mas para onde estes barcos iriam? Este é o segundo passo. O Hidroanel Metropolitano prevê um enorme círculo de água em volta da cidade. Ele contaria com os dois rios e as duas represas que cortam a borda de São Paulo, mais um canal artificial ligando as pontas soltas.

Além dos portos, existiriam três centros de processamento de lixo prontos para receber 800 toneladas de lixo por hora. E todas aquelas cargas públicas - que saíram das ruas, percorreram os rios e chegaram aos centros - seriam recicladas, transformadas em matéria-prima novamente. "O Hidroanel constitui uma infraestrutura de saneamento, mobilidade e transporte, que tem como espinha dorsal o canal navegável. Ele serve também como um arco irradiador de desenvolvimento", resume Alexandre Delijaicov, professor da USP e um dos responsáveis pelo projeto.

Contando com a iniciativa dos governos que se sucedem na capital, ele poderia ficar pronto até 2045. E, mesmo grandioso, começa a virar realidade: já está planejada uma construção no rio Tietê que aumentaria em 14 quilômetros o trecho em que ele pode ser navegado, possibilitando que os barcos trafeguem por um trecho maior e iniciando a construção do círculo de águas. Nada mal para uma cidade que há décadas só vê seus rios como esgotos a céu aberto.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sobra dinheiro para mobilidade urbana

Os R$ 50 bilhões prometidos pela presidente Dilma Rousseff para projetos em mobilidade urbana não deverão pesar no desempenho das contas públicas este ano. O processo de investimento pelas prefeituras é tão ou mais lento do que o do governo federal, de forma que é praticamente impossível essa verba ser traduzida, ainda em 2013, em obras ou etapas de obras concluídas, que devam ser pagas pelo governo e causar impacto no caixa federal.
Prova disso é o que ocorre hoje com as finanças do Ministério das Cidades. Com R$ 89 bilhões disponíveis para gastar em obras de mobilidade desde 2011, a pasta só conseguiu contratar R$ 40 bilhões. As obras concluídas somam apenas R$ 2 bilhões. Outros R$ 3 bilhões foram liberados para pagar etapas de projetos que ainda não ficaram prontos.
A principal explicação para esse desempenho fraco é o mesmo dado pelos ministérios envolvidos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): faltam projetos de qualidade. Ao contrário do que se via no País até o fim dos anos 90, o problema não é falta de dinheiro. É conseguir usá-lo.
"Tenho R$ 15 bilhões para gastar este ano e sou cobrado diariamente", disse o ministro dos Transportes, César Borges, em recente conversa com o Estado. "Nunca tive problema tão bom na minha vida." Há poucos meses no cargo, ele tenta ter um desempenho melhor que seus antecessores, que chegavam em dezembro sem conseguir contratar alguns bilhões do dinheiro disponível, principalmente por falhas em projetos.
No caso da mobilidade e outros projetos a cargo do Ministério das Cidades, o problema é mais agudo porque é preciso que duas máquinas governamentais funcionem em sintonia: a federal e a municipal. Se há despreparo na União, pior ainda é nas prefeituras, com raras exceções.
As manifestações que tomaram conta de todo o País, cujo estopim foi o aumento das passagens de ônibus, colocaram a mobilidade no topo das agendas governamentais. Esse fato é comemorado nos bastidores da pasta, porque haverá pressão popular para que os prefeitos se empenhem mais em usar as verbas.
Rito burocrático. E o ritual a ser cumprido pelas prefeituras para conseguir recursos não é fácil. Quando é autorizado a gastar, o Ministério das Cidades abre inscrições para que prefeituras apresentem projetos candidatos a receber recursos. Esses passam por uma seleção, após a qual as verbas começam a ser liberadas conforme o andamento das obras.
O problema é que as prefeituras não conseguem elaborar projetos adequadamente, até porque eles custam caro. Diante disso, o ministério passou a liberar dinheiro também para financiar essa etapa.
Padronização. Outros ministérios, como o da Saúde, da Educação e a Secretaria de Aviação Civil foram mais adiante. Eles mesmos estão elaborando projetos padronizados para oferecer às prefeituras. Isso vale para postos de saúde, creches e aeroportos regionais, por exemplo.
No caso das creches, há planos até para ajudar as prefeituras a contratar a construção.
Outra mudança adotada pelo Ministério das Cidades para dar mais celeridade aos investimentos foi liberar parte dos recursos antes de a obra começar.
Primeiro, os recursos só saíam quando 30% da obra estivesse pronta. Assim, se a prefeitura não tivesse caixa para bancar a parte inicial do projeto, ela não conseguia acessar a verba federal. As informações são do jornal  
O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CONQUISTAR A RUA PARA OS PEDESTRES, BICICLETAS E TRANSPORTES PÚBLICOS ESTA É A LEI DA MOBILIDADE URBANA

Andamos todos os dias em calçadas estreitas, quase sempre esburacadas, e às vezes inexistentes enquanto os carros ocupam extensos espaços da “via pública” para estacionarem e circularem. O que dizer dos ciclistas, heróis anônimos que diariamente arriscam suas vidas para chegarem ao trabalho? E as crianças que pedalam até a escola? A rua, espaço de vida, tornou-se espaço do medo, da morte, onde carros transitam em alta velocidade entre bairros repletos de crianças, idosos e pessoas com deficiência.
Os ônibus, por falta de alternativas, trafegam em meio aos imensos congestionamentos provocados pelo excesso de carros, o que torna a tarifa 20% mais cara. Já a situação do transporte fluvial é insustentável, pois carece de políticas públicas e permanece vulnerável às soluções de mercado.
Foram as Prefeituras, os Governos Estaduais e o Governo Federal com suas casas legislativas que escolheram os automóveis como centro da política de mobilidade, e não os transportes públicos e não motorizados, ao gastar dinheiro público para favorecer os financiamentos dos automóveis; ao promover renúncias fiscais de IPI; ao isentar a CIDE Combustível da gasolina; ao aumentar o preço do óleo diesel dos ônibus quatro vezes mais do que o da gasolina; ao cobrar dos usuários todos os impostos sobre os serviços de transportes, além de transferir todo o ônus financeiro das políticas sociais aos usuários, aumentando as tarifas em quase 50%; e construindo mais de 90% das vias e viadutos para serem utilizados pelos automóveis.
O quadro de injustiça levou o país a uma mobilidade da exclusão social, insustentável do ponto de vista financeiro, social e ambiental além de tratar o transporte público como mercadoria, abandonar as calçadas e entupir as ruas de automóveis.
Felizmente, o ano de 2012 iniciou com duas grandes notícias: Finalmente, a sociedade percebeu que não há como abrigar nas ruas tantos carros e entra em vigência a Lei da Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012) que cria UM NOVO PARADIGMA: a prioridade no uso e nos investimentos públicos feito nas ruas é dos pedestres, bicicletas e transporte público.
O ano de 2013 inicia consolidando conquistas da luta histórica da Mobilidade Sustentável, como as leis e o decreto sobre acessibilidade universal, os investimentos de mobilidade da Copa e dos PACs da Mobilidade Grandes e Médias Cidades, que implantarão sistemas estruturais de transportes públicos como metrôs, ferrovias urbanas, corredores exclusivos de ônibus segregados e monitorados (BRTs), corredores fiscalizados eletronicamente para não serem invadidos (BRS), bondes modernos (VLTs) e monotrilhos; além do PAC da pavimentação de calçadas, ciclovias e vias para ônibus como sistemas complementares, alcançando o valor de 97 bilhões. Somam-se a estes os investimentos dos Governos Estaduais - 45 bilhões de SP e 10 bilhões do RJ. Além disso, o Governo Federal aprovou uma PEC que desonera tributação sobre PIS, PASEP e COFINS, para conter os reajustes das passagens.
Foi a luta pelo barateamento das tarifas, tendo como horizonte a Tarifa Zero, em termos políticos, que fez explodir as manifestações de rua em junho. Foi ela que levou o Governo Federal a ouvir os movimentos sociais (Passe Livre e os Movimentos Populares no FNRU), lançar o Pacto Nacional da Mobilidade Urbana e mais 50 bilhões para novos projetos para Mobilidade urbana, onde reivindicamos que parte dessa verba seja aplicada na qualificação dos sistemas de transportes convencionais e na capacitação de órgãos gestores. Além disso, acelera a tramitação do REITUP, que desonera os demais tributos e a PEC 90, que reconhece o Transporte Público como Direito Social.
Mas a luta para emplacar a Lei da Mobilidade e mudar a cultura viária continua. Nesta conjuntura que o Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU), o Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT), o Instituto RUAVIVA e o Institute for Transportation e Development Policy (ITDP) trazem esse manifesto na 13ª Jornada Brasileira “na cidade, sem meu carro”, propondo à população um dia de reflexão e consciência sobre a MOBILIDADE QUE TEMOS E A MOBILIDADE QUE QUEREMOS COM A RUA SENDO DAS PESSOAS E NÃO DOS CARROS. Para isso, defendem a mobilização da sociedade para implementar a Lei da Mobilidade - nosso ESTATUTO DA MOBILIDADE SUSTENTÁVEL e para isso propõem:

  1. Aplicação da LEI DA MOBILIDADE de forma a garantir que os investimento em vias públicas, incluindo os viadutos, sejam prioritariamente destinados aos pedestres, ônibus e bicicletas e que esses sejam os eixos principais dos Planos de Mobilidade;
  2. Agora é leia utilização de faixa ou faixas de vias, hoje dos automóveis, para corredores exclusivos de ônibus segregados e monitorados (BRTs), corredores fiscalizados eletronicamente para não serem invadidos (BRS), bondes modernos (VLTs) e monotrilhos;
  3. A integração dos sistemas estruturais de transporte como metrôs, ferrovias urbanas, bondes modernos, barcos e ônibus (BRT e BRS). Todos devem ter acessibilidade para pessoas com deficiência e integração com as bicicletas (publicas e privadas), calçadas acessíveis e bilhetagem eletrônica temporal (“bilhete único”), onde o usuário utiliza o transporte público por 1 ou 2 horas, garantindo cidadania e redução de custos;
  4. A criação de calçadas públicas acessíveis a pessoas portadoras de deficiência (implantadas e fiscalizadas pelo poder público), onde houver grande fluxo de pedestres. Nas demais calçadas, implantar normas para que se garanta a circulação com acessibilidade universal, bem como para o plantio de árvores. Isso também está nas LEIS DE ACESSIBILIDADE para pessoas com deficiência;
  5. Nos bairros, as prefeituras devem estreitar as vias e alargarem as calçadas para os pedestres, implantarem ciclofaixas, calçadas compartilhadas, ciclovias para as bicicletas e campanhas educativas. Em muitos lugares, a calçada deve atravessar a rua para que os carros saibam que essa rua é das pessoas;
  6. A fiscalização da faixa de pedestre, com multa, para que seja respeitada, como acontece em Brasília, onde os motoristas se tornaram cidadãos e respeitam a cidadania dos pedestres, fazendo valer o CODIGO BRASILEIRO DE TRÂNSITO;
  7. Que se cumpra a LEI DE MOBILIDADE, implantando nos municípios políticas de estacionamento de automóveis com regulação pública, localizados junto aos corredores estruturais de transportes públicos e com taxas progressivamente mais altas conforme se aproximem aos centros urbanos. E que com esses recursos compunham um fundo público para aplicar em obras de transportes, calçadas e ciclovias;
  8. A utilização dos estacionamentos na via pública para aumentos de calçadas, ciclovias, faixas exclusivas de ônibus e áreas verdes;
  9. O direito à qualidade do ar nas cidades, utilizando em todo o país, com apoio de recursos federais e estaduais, os motores Euro 5 e o Diesel com S10 ppm (partículas por milhão de enxofre) que eliminam a fumaça preta dos ônibus e lutar para que os ônibus sejam movidos a biocombustível, gás, álcool e outros combustíveis limpos;
  10. O enfrentamento da tragédia dos mortos e feridos no trânsito, pressionando os Governos a se engajarem na Década da Redução de Mortes no trânsito da ONU, assumindo o compromisso público de que o dinheiro recolhido das multas de trânsito não seja contingenciado ou desviado para pagar salários e construir vias para os automóveis, mas aplicados na fiscalização, educação de trânsito, reforma de calçadas, ciclovias e faixas exclusivas de ônibus, e que, todo ano, o Poder Público preste contas publicamente da aplicação desse dinheiro;
  11. E que os investimentos em sistemas estruturais de transportes públicos na Copa, PACs da Mobilidade e dos governos estaduais entrem em operação com controle social, integrados, acessíveis, com calçadas, ciclovias e estacionamentos geridos pelo governo e acompanhados do barateamento das tarifas em todo território nacional. Para finalmente transformar a “rua dos carros” em “rua das pessoas”.
Brasília, 22 de setembro de 2013
FNRU-Fórum Nacional da Reforma Urbana  -  ONG RUAVIVA  -  ITDP-Institute for Transportation e Development Policy  -  MDT – Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

BRASIL REALIZA A 13 ª JORNADA BRASILEIRA “NA CIDADE SEM MEU CARRO” NO DIA 22 DE SETEMBRO

A Jornada Mundial “Na Cidade Sem Meu Carro” (22 de setembro) é um momento de reflexão sobre a realidade devastadora da prioridade das políticas públicas no trânsito e nas vias para os automóveis e motocicletas, bem como das graves conseqüências para o meio ambiente e ao Direito à Cidade.
O movimento acontece todos os anos, e em 2013 mobiliza até o momento mais de duas mil cidades no mundo, restringindo o uso do automóvel e motocicletas nas vias. No Brasil esta é a décima terceira edição e tem prevista a participação de mais de 25 cidades.

A Jornada surge da preocupação relacionada com o transporte individual motorizado e suas conseqüências sobre o meio ambiente e a qualidade de vida nas nossas cidades. Surgiu na França em 1997, e no ano passado já se fez presente em 40 países. A primeira Jornada Brasileira aconteceu em 2001 por iniciativa do Instituto de Mobilidade Sustentável - RUAVIVA, sediado em Belo Horizonte e é o responsável da jornada do Brasil perante a organização internacional.

Em 2013, se agregam à organização da Jornada o Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte de Qualidade para Todos (MDT) e o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). Recebe o apoio institucional da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Fórum de Secretários de Transporte e Trânsito e da Secretaria de Mobilidade e Transporte do Ministério das Cidades.
A Jornada “Na Cidade Sem Meu Carro” é uma atividade institucional que acontece todo 22 de setembro e é de responsabilidade das Prefeituras que aderem ao movimento, mas poderá também acontecer por iniciativa da sociedade civil, que desenvolvem atividades onde não há apoio governamental. É a hora propícia para as Prefeituras lançarem corredores exclusivos sem estacionamentos de carros e monitorados contra invasão dos automóveis; promoverem bicicletadas ou caminhadas e estabelecerem temporariamente espaços gramados em locais normalmente destinados aos automóveis, como estacionamentos e cruzamentos importantes, surpreendendo e divertindo as pessoas, além de favorecer o entendimento da mensagem “Na Cidade, Sem Meu Carro”. Sugerimos estas e tantas outras formas para a população perceber a mudança que poderia acontecer com os carros domesticados.
A Jornada pretende ser uma reflexão sobre o uso insustentável do automóvel pelos seus custos sociais, sobre o consumo elevado de combustível não renovável e poluente, sobre os congestionamentos das vias urbanas e sobre os acidentes com vitimas fatais. A questão ambiental, o efeito estufa e as chuvas ácidas estão no centro do debate europeu sobre o uso do automóvel. Para nós, o centro do debate está no uso da via pública pelo transporte público e não motorizado para conquistar qualidade, e acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

A sociedade brasileira percebeu que não há mais como abrigar nas ruas tantos carros. Com a vigência a Lei da Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012), cria-se UM NOVO PARADIGMA: a prioridade no uso e nos investimentos públicos feito nas ruas é agora para pedestres, bicicletas e transporte público. Esse é o centro da luta da 13ª Jornada Brasileira.

Para acontecer a Jornada, o Instituto RUAVIVA envia cartas convite e de adesão às cidades, indicando formas de organização. Além disso, desenvolve contatos com secretários municipais de transporte, prefeitos, diretores de educação para o trânsito e entidades afins, chamando-os a se engajarem na Jornada.
A Jornada “Na Cidade, Sem Meu Carro” quando garante uma área sem automóveis, torna-se um dia de reflexão sobre as conseqüências do uso indisciplinado dos automóveis e da apropriação antidemocrática das vias, restringindo a fluidez dos ônibus, bicicletas e pedestres. Para o arquiteto e urbanista Nazareno Affonso, presidente do RUAVIVA, esse dia “ajuda a demonstrar que as pessoas podem viver um espaço urbano com melhor qualidade ambiental, com paz no trânsito, e propiciando mais cidadania e maior integração social, contribuindo para a construção de uma consciência em favor da mobilidade sustentável, usando, para tanto, a criatividade. Portanto, é o momento para as entidades da sociedade civil organizada, grupos de moradores e a mídia se mobilizarem para levar e difundir suas propostas”.

As inscrições dos municípios são feitas mediante o envio de carta de adesão para ao Instituto da Mobilidade Sustentável- RUAVIVA, pelo fone/fax: (31) 3224-0906, e-mail: ruaviva@ruaviva.org.br ou pelo endereço Rua Bueno Brandão, 307 - Belo Horizonte (MG) CEP: 31.010-060. 111. Informações adicionais e solicitação de entrevista podem ser obtidas mediante o fone/fax acima ou pelo e-mail da Assessoria de Comunicação Social: ruaviva@ruaviva.org.br

terça-feira, 17 de setembro de 2013

13ª Jornada Brasileira "na cidade, sem meu carro"


Estamos na reta final para a 13ª Jornada Brasileira  "Na Cidade, Sem Meu Carro" no dia 22 de setembro proximo . Até o momento, temos a adesão formal de 25 cidades no Brasil e mais de 2000 no mundo. 

Vamos melhorar a participação do Brasil na Jornada Mundial , principalmente neste ano de Pacto Nacional da Mobilidade Urbana, manifestações de rua por barateamento e qualidade do transporte público e difusão e implementação do estatuto da Mobilidade Sustentável - Lei da Mobilidade Urbana 12587/12. 

É uma otima oportunidade para colocar as propostas de Mobilidade Urbana Sustentável das prefeituras na rua.

Urbanista Nazareno Stanislau Affonso
Coordenador do Escritório da ANTP em Brasília/Coordenador Nacional MDT/ Presidente Instituto RUAVIVA 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Novas faixas de ônibus beneficiam 2 milhões


Hoje mais 9,9 km de faixas exclusivas à direita passam a funcionar na cidade e, com isso, a capital atinge a marca de 150 km desse mecanismo


 A cidade de São Paulo alcançou na segunda-feira, 9, a marca de 150 km de faixas exclusivas de ônibus à direita, uma meta de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT). Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), mais 9,9 km de faixas só para os coletivos começam a funcionar.

Ao todo, cerca de 2,2 milhões de passageiros devem ser beneficiados. Diariamente, o sistema transporta 9,8 milhões de usuários. A CET não divulgou quando começa a aplicação de multas nas novas faixas.
Do novo lote, a Avenida Ragueb Chohfi, na zona leste, terá a maior quantidade de quilômetros de faixas exclusivas: 3,5 km, nos dois sentidos de segunda a sexta-feira das 6h às 9h e das 17h às 20h. Outra avenida da região, a Amador Bueno da Veiga, na Penha, terá 1,3 km de faixas exclusivas. No sentido centro, das 6h às 9h. No sentido bairro, das 17h às 20h.
Na Avenida Nordestina, serão 1,2 km de faixas exclusivas que também vão funcionar entre 17h e 20h, nos dias úteis.
Zona sul. A zona sul de São Paulo também receberá novas faixas a partir de hoje. Na Rua Pedro de Toledo, na Vila Mariana, serão 500 metros, de segunda a sexta-feira, entre 6h e 22h. No Ipiranga, a Avenida Dom Pedro 1.º terá faixa de 900 metros. No sentido centro, ela vai ser ativada das 6h às 9h e, no contrário, entre 17h e 20h, somente em dias úteis.
Ali perto, a Rua Clímaco Barbosa, no Cambuci, terá 1,1 km de faixa exclusiva ativa das 6h às 9h, de segunda a sexta-feira.
Motoristas na Avenida Imirim, na zona norte da capital, passarão a ter que respeitar a faixa de ônibus à direita em 1,4 km da via entre 6h e 9h. E das 17h às 20h, no rumo oposto.
A Prefeitura planeja abrir mais 70 km de faixas, totalizando 220 km até o fim de 2013. O objetivo inicial era que os 150 km originais fossem abertos até o fim da gestão Haddad, em 2016. Especialistas em transportes sustentam que as faixas exclusivas são uma opção paliativa para resolver o problema do deslocamento dos ônibus.
Para eles, a velocidade e a pontualidade dos coletivos só irão melhorar de fato com a abertura de corredores de ônibus à esquerda e totalmente segregados dos automóveis. Atualmente, existem 130 km de corredores à esquerda na capital.

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Caio do Valle - O Estado de S.Paulo

sábado, 14 de setembro de 2013

DEZ ANOS DE LUTA PELO DIREITO AO TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE


Este texto tem como objetivo apontar ações significativas desenvolvidas no campo da mobilidade urbana no Brasil nos últimos dez anos e como o MDT contribuiu para o sucesso da maior parte delas. Trajetória. Estão considerados aqui pontos da trajetória do MDT desde a época de sua gestação como Movimento, com o Grupo de Ação Pró-Transporte (GAT) e a aliança com a Frente Parlamentar do Transporte Público, Fórum Nacional de Reforma Urbana, Frente Nacional de Prefeitos e Fórum Nacional de Secretários e Transporte no início da década passada, até os momentos atuais, em que se destaca um anteriormente inimaginável volume de recursos proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e de iniciativas dos governos do Estado de São Paulo e do Estado do Rio de Janeiro para investimentos em sistemas estruturais de transporte. Cenário presente. O panorama atual, mais promissor do que foi há dez anos, envolve, entre outros pontos, maior vontade política de governantes de promoverem a desonerações das tarifas, e a perspectiva de aprovação pelo Congresso, do Regime Especial de Incentivos para o Transporte Urbano de Passageiros (REITUP); nova fase de implantação das políticas de acessibilidade universal; a aprovação e implementação da Lei da Mobilidade Urbana, que consagra diversos pontos defendidos historicamente pelo MDT); as manifestações nas ruas contra o aumento das tarifas e por maior qualidade dos serviços; e o trabalho de membros do Secretariado do MDT no Conselho das Cidades, em especial, recentemente, com propostas visando a um pacto nacional pela mobilidade.
MDT NASCE EM 2003, DEFENDENDO CINCO EIXOS BÁSICOS
EIXO 1 – Mobilidade para Todos
EIXO 2 – Investimentos Permanentes nos Transportes Públicos
EIXO 3 – Barateamento das tarifas para Inclusão Social
EIXO 4 – Prioridade para o transporte público no Transito
EIXO 5 – Transporte Público com Desenvolvimento Sustentável e Respeito ao meio ambiente

2003 O MDT foi criado em 2003, reunindo, na sua origem, um conjunto de entidades e instituições que nas décadas anteriores vinham resistindo à política de sucateamento e de desprestígio do transporte público, lutando pela criação de recursos permanentes para o transporte público e pelo barateamento da tarifa. Grupo de Ação Pró-Transporte (GAT). No início da última década, as propostas e os esforços dessas entidades convergiram, tendo como principal ponto de aglutinação o Grupo de Ação Pró-Transporte (GAT), oficialmente instituído em agosto de 2002, e a sustentação da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), por intermédio de seu escritório em Brasília. Um dos principais resultados obtidos foi a aprovação do projeto de lei de regulamentação da CIDE/Combustíveis na Câmara e no Senado, que garantiria 25% desses recursos para os transportes públicos, artigo infelizmente vetado. Reivindicações e interesses comuns. A primeira conquista do MDT foi identificar um conjunto de reivindicações e interesses comuns a trabalhadores, empresários, organizações não governamentais profissionais liberais, universidades, movimentos populares, governos estaduais e municipais e formular um conjunto de propostas que pudessem ser abraçadas por todos. Manifesto e Documento Base. Tomam forma o Manifesto e o Documento Base do MDT, que logo passam a ser divulgados por vários meios. É nesse instante que se fixa o nome Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos – MDT. Pré-lançamento em Brasília.  Em 21 de agosto, houve o pré-lançamento do MDT em Brasília, em seminário da NTU, com 500 participantes. Na ocasião, o ministro das Cidades elogiou o MDT e defendeu investimentos em transporte público e o barateamento da tarifa como instrumento de inclusão social. Pré-lançamento em São Paulo. Em 5 de setembro, no encerramento da 9ª Semana de Tecnologia Metroviária, organizada pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP), aconteceu o pré-lançamento do MDT em São Paulo, com autoridades do governo nas esferas estadual e municipal. Lançamento do MDT e da Frente Parlamentar. Em 25 de setembro de 2003, ato na Câmara Federal lançou o MDT, suprapartidário, e seu parceiro político, a Frente Parlamentar do Transporte Público, que reúne mais de 150 parlamentares na Câmara Federal e no Senado, de todos os partidos. Após o ato, 36 líderes e parlamentares entregaram as propostas do MDT ao vice-presidente da República. Na ocasião, o MDT recebeu apoio unânime dos deputados estaduais de Minas Gerais e da Frente Nacional de Prefeitos. 14º Congresso da ANTP.. As propostas do MDT repercutiram no 14º Congresso da ANTP, realizado na cidade de Vitória, no Espírito Santo. A luta pela qualidade e contra a exclusão no transporte é um dos eixos de discussão do encontro. Na Conferência Nacional das Cidades. Entidades fundadoras do MDT figuram entre os membros titulares do Conselho Nacional das Cidades – organismo formalizado na 1ª Conferência Nacional das Cidades, em Brasília, em 23 a 26 de outubro.

2004 Pacto Federativo. É concluído o relatório do pacto federativo que vinha sendo discutido desde 2003, envolvendo quatro ministérios, entidades nacionais representativas dos municípios, a Frente Parlamentar do Transporte Público e ANTP, com participação do MDT. O documento final do encontro, que acabou não sendo implementado, incluía aumento de 10 centavos no custo da gasolina para reduzir 10% das tarifas, combate ao transporte clandestino, fim das gratuidades, destinação de recursos da CIDE/Combustíveis para o transporte público, defesa do vale-transporte e ações para arregimentar participação dos estados.  Encontro Nacional do MDT e Manifesto 2004. Realizado em São Paulo o Encontro Nacional do MDT – com 300 participantes e grande presença de lideranças dos movimentos sociais e populares –, que debateu as teses consagradas no segundo documento do MDT, o Manifesto 2004.
2005.Barateamento e qualidade com participação dos prefeitos. Em abril, foi realizado em Salvador, com participação do MDT, o encontro da Frente Nacional de Prefeitos intitulado Barateamento e Qualidade no Transporte Coletivo Urbano. Tarifa Cidadã. Desenvolve-se a partir de junho a Campanha Ação Nacional Tarifa Cidadã, com diferentes e atraentes peças publicitárias impressas e eletrônicas, mostrando pela primeira vez, de forma didática, a composição das tarifas de transporte com a clara identificação do peso dos tributos e das gratuidades, que acabam sendo pagos pelo usuário comum; mais de 100 municípios aderiram à campanha durante vários meses.
2006 Participação dos governos. Lançamento do Manifesto pela efetiva participação dos governos na garantia do direito ao transporte público de qualidade para todos.  Defesa do vale-transporte.  Luta pela manutenção do vale-transporte, que, no primeiro semestre daquele ano, sofreu pelo menos quatro tentativas de eliminação ou descaracterização. O MDT lançou na ocasião do manifesto Não ao vale-transporte em dinheiro! Custo do diesel. Em maio, o MDT lança o manifesto Aumento do óleo diesel incentiva a exclusão social. De olho no voto. Em setembro, há o lançamento da Campanha Nacional De Olho no Seu Voto junto com o Fórum Nacional da Reforma Urbana.
2007 Direito ao transporte. Em abril, acontece o lançamento do manifesto Pelo direito ao transporte público bom e barato. Sustentabilidade. No mês de setembro, publicação do manifesto Por uma mobilidade urbana sustentável com direito ao transporte público de qualidade. Poucos recursos do PAC. O MDT critica o baixo volume de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-1) para o setor de mobilidade urbana (menos de 1% do total).
2008 Crítica aos subsídios para os automóveis.  O MDT divulga o manifesto Mais subsídios aos automóveis! Enquanto isso, nossas cidades estão parando e os transportes públicos recebem mais um aumento do diesel. A rua é nossa. Em setembro, é divulgado o manifesto A rua é nossa e não dos carros!, por ocasião da 8ª Jornada Brasileira “Na Cidade, Sem Meu Carro”. Este texto será atualizado e reeditado nos anos seguintes.
2009 Contra o moto-táxi. Em maio, o Senado traz de volta o risco da regulamentação da profissão de moto-taxista. MDT publica manifesto contrário à medida. Recursos para o setor metroferroviário. Governo paulista anuncia o Plano de Expansão com investimentos de R$ 20 bilhões, para Metrô-SP e da CPTM. Reforma urbana e mobilidade.  O MDT, o Instituto RUAVIVA e o Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU) lançaram manifesto sobre a mobilidade urbana por ocasião da 9ª Jornada “Na Cidade, Sem Meu Carro”. Publicação Mobilidade Urbana e Inclusão Social. Em parceria com o FNRU, MDT lança nacionalmente a publicação Mobilidade Urbana e Inclusão Social. A publicação integra um projeto de formação e sensibilização da sociedade, tendo como público alvo os movimentos sociais, em especial os que compõem o Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU), e como instrumentos, seminários e cursos regionais.
2010 Recursos do PAC-2. É anunciado o PAC da Copa, com R$ 7,68 bilhões federais e R$ 3,8 bilhões estaduais e municipais para 47 projetos em 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014. Trata-se primeiro grande investimento federal no setor. Em março, o PAC-2 prevê recursos da ordem de R$ 24 bilhões para mobilidade urbana, incluindo calçadas e pavimentação do viário utilizado por ônibus. Curso do MDT. Realizado com êxito curso piloto Mobilidade Urbana e Inclusão Social, que tem por base a publicação do mesmo nome. O curso aconteceu durante encontro do Fórum Nordeste da Reforma Urbana. Eleições. Candidatos à Presidência, aos Governos Estaduais e ao Legislativo receberam propostas do MDT. Blog do MDT. Em junho, é lançado o Blog do MDT, com dezenas de postagens mensais sobre temas do setor. Balanço de sete anos. MDT divulga na 16ª Semana de Tecnologia Metroferroviária um balanço político dos seus sete anos de atividades, contrapondo suas teses e ações com as conquistas na área do barateamento tarifário e qualificação do transporte público. Novamente, de olho no voto. Com a proximidade das eleições, há o relançamento da Campanha Nacional De Olho no Seu Voto. Reiterando a tese de que as ruas pertencem às pessoas. Durante a 10ª Jornada Brasileira “Na Cidade, Sem Meu Carro”, o MDT, o RUAVIVA e Fórum Nacional da Reforma Urbana reiteram a defesa das ruas para as pessoas.
2011 Mais recursos. O governo federal apresenta o PAC Grandes Cidades e registra-se compromisso do governo do Estado de São Paulo de investir R$ 45 bilhões em sistemas estruturais de transporte público. MDT em Goiás. No mês de agosto, há o lançamento do MDT Goiás, que como uma de suas primeiras atividades, desenvolve a segunda edição do curso “Mobilidade Urbana e Inclusão Social”. Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011/2020. Resolução da ONU que propôs que entre 2011 e 2020 os países reduzirem em pelo menos 50% o número de mortos no trânsito. O Brasil aderiu oficialmente a essa convocação da ONU e entidades do setor (muitas delas integrantes do Secretariado do MDT) formularam o documento do Comitê de Mobilização da Saúde e Paz no Trânsito. O documento final resultante ainda está em análise pelo governo federal, apesar de decorridos mais de dois anos do prazo proposto pela da ONU. Na Década, em vez de diminuir, aumentaram as mortes no trânsito e o Comitê ficou mais de um ano sem se reunir.
2012 Lei de Mobilidade Urbana. Sancionada a Lei da Mobilidade, nº 12.587/12, que entrou em vigor três meses depois. Pontos defendidos nos cinco eixos do MDT integram as diretrizes estabelecidas pela lei, como por exemplo, a prioridade no uso das vias pelos dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado, a política de estacionamentos, ou a racionalização e integração entre os modos e serviços de transporte urbano. MDT em audiência com a Presidência da República. Responsável pelo Escritório da ANTP em Brasília, o coordenador nacional do MDT foi um dos quatro representantes do Fórum Nacional da Reforma Urbana em audiência concedida em 14 de junho pela presidente da República a esse movimento; a questão da mobilidade foi um dos temas tratados. Rio+ 20. MDT participa de atividades correlatas à conferência global da ONU Rio+20. O documento final do encontro reconhece o transporte sustentável como essencial para o desenvolvimento sustentável. Seminários sobre a Lei de Mobilidade. Em ações que contaram com a participação do MDT, a Lei de Mobilidade Urbana foi apresentada nacionalmente por meio de seminários regionais organizados pela Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades. Prioridades nas vias. Em setembro, por ocasião da 12ª Jornada “Na Cidade, Sem Meu Carro”, há o lançamento do manifesto com alusão à Lei de Mobilidade Urbana: Agora é Lei, a rua é dos pedestres, bicicletas e transporte público. Desoneração. Com início previsto para junho de 2013, o governo federal anuncia que isentará os transportes públicos do pagamento de valores referentes ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que representam, juntos, 3,65% da planilha tarifária, bem como o pagamento dos encargos pelo faturamento que permite reduzir as tarifas em mais 3%.
2013 No Facebook. Em 20 de março, foi implantada a página do MDT no Facebook. Compreensão da Lei de Mobilidade. Com participação do MDT, Ministério das Cidades promove seminário de sensibilização e de capacitação de gestores para compreender e aplicar a Lei de Mobilidade Urbana. Manifestações e avanços legislativos. Em junho de 2013, manifestações generalizadas tomação m as ruas do Brasil para reivindicar uma tarifa justa e qualidade para o transporte público. Em meio aos protestos avançavam no Congresso projetos que visam melhorar e baratear o transporte público. Há projetos voltados para desoneração do setor e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 90/11, que inclui o transporte no grupo de direitos sociais, destinados a todas as pessoas, estabelecidos pela Constituição.  Pacto Nacional da Mobilidade.  Membros do Secretariado do MDT participam da elaboração de propostas ao governo federal para as diretrizes de um pacto federativo tendo como objeto a redução das tarifas, dar qualidade ao transporte público e implementar a participação da sociedade nas decisões da mobilidade urbana, constituindo um Conselho de Transporte e propondo a utilização de mais 50 bilhões em investimentos de transportes públicos.




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ENTIDADES INTEGRANTES DO SECRETARIADO DO MDT

 
Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU); Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP); Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP); Central de Movimentos Populares (CMP); Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM); Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes/ Central Única de Trabalhadores (CNTT/CUT); Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU); Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito (FNSTT); Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA); METRÔ RIO; METRÔ DE SÃO PAULO; Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM); Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST); Sindicato dos Engenheiros da Bahia (SENGE-BA); Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP); União Nacional por Moradia Popular (UNMP).


Venda de bicicletas supera a de carros na Itália

A Itália registra um aumento no uso de bicicleta como alternativa no transporte urbano, revela o Ministério de Infraestruturas e Transporte do país.  

Em 2012, pela primeira vez após 48 anos, a venda de bicicletas superou a de carros, foram vendidas mais de 1,7 mil bicicletas diante de cerca de 1,4 mil carros.  

O uso deste meio de transporte nos dias úteis triplicou desde 2001 quando os ciclistas urbanos eram apenas 2,9% da população adulta. Atualmente o número de usuários chegou a 9% da população, são 5 milhões de pessoas que usam a bicicleta de 3 a 4 vezes na semana.  

"A Itália esta pronta para uma ciclo-revolução e a política tem a tarefa de dar respostas certas e concretas a esta grande demanda de mobilidade alternativa", afirmou o vice-ministro de Infraestruturas e Transportes, Erasmo D'Angelis.  

"As leis atuais serão revistas e considerando este cenário positivo é importante que os direitos e os deveres expressem com clareza também a necessidade para todas as categorias de usuários, e em particular para os ciclistas, de serem mais responsáveis e compartilhar as medidas de prevenção e segurança adotando acessórios e sistemas de sinalização", acrescentou ele.

(ANSA)



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Plano Municipal de Mobilidade Urbana é apresentado á Câmara Municipal


O superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Mantovani Néspoli, apresentou à Câmara o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, idealizado para a Cidade, nos mesmos moldes do que prevê o Plano Nacional de Mobilidade Urbana. A explanação para os vereadores ocorreu na última sexta-feira, 6, na Câmara Municipal.
O prazo determinado pelo Governo Federal para os municípios implantarem o plano municipal é janeiro de 2015. A Lei Federal passou a vigorar em 13 de abril de 2012. De acordo com o representante da ANTP, esse encontro é o primeiro em que foi exposta a metodologia do Plano de Mobilidade planejado para a Cidade pela Administração Municipal.
Esse é o quinto encontro para discussão da mobilidade em Guarujá, mas os outros foram apenas técnicos. "Nossa intenção é ampliar a discussão sobre esse tema. Para implantar esse projeto, é fundamental que a Câmara tenha conhecimento da elaboração de um plano de mobilidade, com metodologia, sistema de experimento, levantamento de campo, um processo para conhecimento de todos”, destacou Néspoli.
Os principais pontos da Política Nacional de Mobilidade Urbana são a prioridade dos modos de transporte não motorizados e dos transportes públicos coletivos sobre o transporte individual motorizado; a restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados; o estabelecimento de padrões de emissão de poluentes para locais e horários determinados, podendo condicionar o acesso e a circulação aos espaços urbanos sob controle.
Também merece destaque a possibilidade de cobrança de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, para desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade; a dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas ao transporte público coletivo e a modos de transporte não motorizados; além do direito dos usuários participarem do planejamento, da fiscalização e da avaliação da política local de mobilidade urbana.
O Plano Municipal de Mobilidade Urbana elaborado para Guarujá segue as premissas previstas no Plano Nacional, tendo como foco e prioridade a modernização do transporte público. Ainda segundo o representante da ANTP, seria interessante que os municípios implantassem o projeto por força de lei municipal.
A Lei Nacional não obriga que os municípios criem uma lei especifica para mobilidade. "Mas acho extremamente importante esse entendimento do Executivo ter a preocupação de apresentar a outros grupos, que têm poder de decisão, além da Administração Municipal. No caso em questão, os vereadores”, apontou o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos.
Participaram do encontro, os secretários municipais de Planejamento e Gestão, Desenvolvimento Econômico e Portuário e Defesa e Convivência Social. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Portuário, o projeto de mobilidade é uma peça fundamental para o desenvolvimento da cidade. "Essa medida vai suprir a carência que vivenciamos diariamente. Muitas vezes não conseguimos detectar de forma ampla e planejar as necessidades para realizar intervenção na projeção esperada”, destacou.
A Câmara adiantou que vai formar uma Comissão de Assuntos Relevantes para acompanhar todo esse processo. "Saio desta reunião satisfeito com a exposição do projeto de mobilidade apresentado aqui, Guarujá precisa realmente de planejamento em sua infraestrutura de tráfego. É importante lembrar que temos um prazo a cumprir” , disse um vereador.
O secretário de Defesa e Convivência Social, que responde também pelo departamento de trânsito do Município, apontou três focos que a Administração está trabalhando para garantir a mobilidade na Cidade: subsídios técnicos, para saber o que pode ser feito; qual a infraestrutura humana e administrativa, além de tudo que pode ser feito na pratica garantindo a execução do plano. "Uma comissão será instituída pela Prefeitura para discutir e acompanhar todos os trâmites, inclusive na aproximação com a população, durante as consultas populares que serão realizadas”, explicou o secretário.

Outro fator apontado pelo secretário de Defesa e Convivência social, em caso de descumprimento do projeto, é que o Município será penalizado. "Podemos perder recursos provenientes do Governo Federal, se não cumprirmos a lei de mobilidade urbana. A próxima fase ser` iniciar os estudos e levantamento de dados para obtermos uma radiografia da mobilidade urbana na cidade, e assim propor as melhorias e cumprir o requisito de elaboração do plano em si”, concluiu.
ANTP

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O futuro dos taxis como transporte público urbano

Análise de Rogerio Belda, Folha de SP (08/set) 
As novas tecnologias de geolocalização e telecomunicação tais como o GPS e o celular, ao permitir o rápido atendimento aos clientes estão provocando novas transformações neste serviço público de transporte. O serviço de carroças de aluguel já existia no século XVIII, na 
França e a palavra taxi apareceu em 1907 derivado da redução do nome dos aparelhostaximetre que media o trajeto percorrido. Examinando este tipo de serviço em Berlim, Bruxelas, Lisboa, Londres, Nova Iorque, Paris e Tóquio, Richard Darberá, autor do livro: "Ou vont les taxis?” conclui que, apesar de imaginarmos que é uma atividade similar em toda a parte, são serviços com características e condições muito diferentes.
Um exemplo recente: Durante muito tempo existiam basicamente duas formas de encontrar o cliente: o taxista percorrendo as ruas ou o passageiro que se dirige a um ponto definido. Isto mudou com o aparecimento do telefone e, depois, com a colocação de rádios de comunicação nos carros. Mais tarde é o telefone celular que muda hábitos e procedimentos e, bem mais recente, é o GPS que permite identificar qual o carro mais próximo do cliente.
Há aspectos que são distintos de uma cidade para outra como, por exemplo, a limitação ou não do número de licenças. Em Londres não há limitação de número, mas as provas de seleção são extremamente rigorosas. Outra diferença é a permissão de empresas que alugam carros com chofer para atender chamadas telefônicas, como em Nova York, sendo este sistema vetado aos taxis que operam nas ruas. São, então, como dois "mercados distintos”. Os taxis de atendimento exclusivo a aeroportos são um terceiro mercado. E, há ainda um mercado especial de prestação de serviço por cooperativas de taxis para empresas clientes mediante contrato.
Também a forma de regulamentação é bem variada, conforme são estabelecidos pelo poder público a tarifa e a frota de taxis. Em outros casos, apenas uma destas características é regulamentada. E há, até mesmo, casos em que não há nenhuma regulamentação como em Estocolmo, Amsterdam e Lima no Perú. Alem disso, em diversas cidades há um serviço autorizado de veículos de aluguel similar ao serviço de taxis existente.
O autor, a partir das analises efetuadas e de consulta a outros estudos, afirma que não é só a tarifa do taxi que define seu uso, também a rapidez do atendimento. Por isso, o serviço de centrais de atendimento conjugado com GPS estão dominando, cada vez mais, o acesso às clientelas nas cidades onde existem, a ponto das autoridades estabelecerem limites de expansão destes serviços. Esta condição será tão mais presente quanto mais forem comuns os telefones celulares dotados de GPS. E, quanto maior for a frota de taxis com esta facilidade, tanto mais rápido é o seu atendimento aos interessados.
Existem outras formas deste serviço com características inesperadas em cidades de países mais pobres como, por exemplo, os "rickshaws” motorizados, (apesar do nome significar "energia muscular”) apelidados de Tuc-tuc por serem tracionados por motos de baixa-cilindrada cujo ruído é bem peculiar. Há também o transporte informal tolerado em cidade de países pobres, e até mesmo em países ricos, já usando as facilidades de comunicação eletrônica por GPS, cujas centrais tendem a crescer, da mesma forma que as centrais de taxis, substituindo os taxistas autônomos sejam eles oficiais ou informais.
O serviço moderno de taxi está na categoria econômica de "monopólio natural” por tender à concentração da prestação do serviço. Esta condição vai obrigar a mudanças também nas agências oficiais encarregadas da regulamentação e regulação destes serviços. Dois exemplos: Na Suécia a legislação antitruste impede que uma empresa alcance uma posição dominante. Em Genova é feito uma concessão para uma empresa única mas com prazo de concessão por um tempo definido.
O livro termina afirmando que taxi é um serviço perfeitamente adaptado a vida urbana como um sistema intermediário entre o transporte coletivo público e o transporte individual privado. O autor não acredita que a profissão desaparecerá e menciona o simpósio a respeito, feito em Lisboa em 2007, sob o patrocínio da Comunidade Européia sob a orientação do autor do livro e do professor José Manuel Viegas da Universidade de Lisboa. Os trabalhos apresentados nesta ocasião estiveram acessíveis em www.ville-en-mouvement.com
Rogério Belda foi o primeiro diretor executivo da ANTP; ex-Diretor de Planejamento do Metrô de São Paulo; atual membro do Conselho Diretor da ANTP.