sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Espaço viário finito requer uso inteligente e sensato

11/10/2015 12:30
As ideias constantes no presente artigo foram apresentadas de maneira sucinta pelo presidente da ANTP, Ailton Brasiliense Pires, em seu discurso na cerimônia de encerramento do 19º Congresso Brasileiro de Transportes e Trânsito, em Brasília, novembro de 2013. Pela importância e atemporalidade das teses aqui dispostas, achamos importante sua republicação. 
"A cidade que quiser resolver o problema da locomoção de seus habitantes com automóveis, ampliará cada vez mais as áreas centrais de circulação e estacionamento, até o extremo em que não existirão mais os edifícios; aí, deixará de existir também a cidade." (Eng. Camp Oakley, década de 1960, na Associação Comercial de São Paulo)
A primeira e necessária compreensão do problema do congestionamento contém a ideia de que a malha viária urbana é finita. Sem essa convicção, qualquer outra discussão restará fruto de devaneio.
Da forma como as cidades brasileiras se estruturaram ao longo de muitas décadas, com a correspondente inversão de vultosos recursos públicos dedicados à circulação de automóveis, esgotaram-se as possibilidades da expansão viária. A configuração do viário é essa que está aí. Nem construir novas vias e nem alargar as que já existem são hoje medidas econômica e politicamente possíveis. O espaço é esse e ponto!
Se fosse possível, certamente já se teria feito, como ao longo de décadas aconteceu, e, nessa hipótese remota, chegaríamos hoje à inaudita situação de ter ruas num lugar e a "cidade” em outro, delas bem distante.
É a partir do espaço que existe, e não de outro - digamos onírico -, é que devemos pensar em como fazer com que a cidade "ande”. O desafio é definir como usá-lo de maneira mais inteligente e sensata, deixando claro de saída quem o consome e quanto dele se consome.
Este tópico, consumo do espaço viário urbano, dentre inúmeros outros que são abordados, faz parte do conteúdo do nosso Curso de Gestão da Mobilidade Urbana da ANTP, que procura levar aos gestores públicos esse e outros entendimentos e suscitar reflexões.
Segundo estudos do IPEA/ANTP, que analisaram o impacto do congestionamento no custo do transporte coletivo, tomando por base dez cidades brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, João Pessoa, Juiz de Fora, Porto Alegre, Recife,Rio de Janeiro e São Paulo), os automóveis consumiam, fisicamente, em 1998, 90% do espaço viário em Brasília (o maior dos valores) e 70% em Porto Alegre (o menor dos valores). Em São Paulo, este consumo era, à época, de 88%.
Este mesmo estudo considerou o consumo de espaço viário urbano por pessoa transportada, concluindo que os automóveis consumiam 7 vezes mais espaços (Campinas) a até 28 vezes mais (Rio de Janeiro). Eduardo Vasconcellos, em artigo no site da ANTP, aponta que no horário de pico em São Paulo não existem mais do que 700 mil carros em circulação. E isso basta para o pandemônio que as rádios anunciam todos os dias.
É importante observar que o espaço viário também é consumido pelos automóveis não apenas em movimento, mas como estacionamento que, na grande maioria das situações, é gratuito.
Se considerarmos o volume de pessoas que "fluem” pela via, observamos que por uma faixa de tráfego de uma via coletora ou arterial de uma cidade passam cerca de 1.500 a 1.800 pessoas por hora e por sentido dentro dos automóveis. Nesta mesma faixa, por ônibus, passariam 12 mil pessoas. Com infraestrutura adequada e sistemas mais modernos de controle de tráfego (BRT), por ela passariam de 20 mil a 30 mil pessoas no mesmo período.
Dados organizados pelo Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da ANTP, em 2012, demonstram que o investimento público para infraestrutura de transporte individual foi 4 vezes maior que os destinados para transporte coletivo. Suprimida a infraestrutura dos sistemas metro-ferroviários, esta proporção é mais elevada ainda.
Esses dados obtidos de estudos técnicos demonstram historicamente que a sociedade preferiu destinar grande parte dos seus recursos para a circulação de automóveis, mesmo contrariando a lógica de consumo per capita do viário (poderíamos chamar de uma "privatização do espaço público”). (Leia Comunicado do Ipea que analisou dados da PNAD sobre mobilidade urbana; outubro 2013)
Com a expansão da frota de automóveis, esta realidade se alterou profundamente também em cidades de médio porte, com congestionamentos diários nos horários de pico. Como já dito logo no início, o espaço viário é finito e, por conseguinte o congestionamento vai gerar filas (lentidão de tráfego) cada vez maiores.
A prioridade ao transporte coletivo, um dos princípios da Lei da Mobilidade Urbana, visa a corrigir exatamente esta distorção histórica, retomando para os ônibus um espaço que lhe é, por critérios físicos e matemáticos (e por que não dizer democráticos), evidente, e dando aos passageiros de ônibus o que lhes é socialmente de direito – a equidade do uso do espaço viário.
A retomada do espaço viário por meio da sua segregação (faixas exclusivas) vai assim subtrair necessariamente daquele destinado aos automóveis. Se não houver uma transferência de uso, o que equivale dizer, se uma parcela dos usuários de automóveis não optar pelo uso do ônibus, certamente as filas de congestionamentos irão aumentar.
Para tanto, é importante agregar às medidas de prioridade na via, que por si só já produzem uma consequência extremamente benéfica para seus usuários – que é a redução dos tempos de viagens –, também outras que acrescentem qualidade ao serviço prestado e possam tornar o transporte por ônibus competitivo. Há vários atributos observados pelos usuários, sendo uns mais valorizados que outros, dentre os quais são mais relevantes:
·         as  condições de acesso ao sistema (calçadas, pontos de parada, estações);
·         o intervalo entre os ônibus (tempo de espera mínimo e o conhecimento dessa informação);
·         a regularidade dos serviços (intervalos variando dentro de um padrão mínimo e conhecido);
·         a confiabilidade dos tempos de viagem (saber quanto tempo leva a viagem com padrões bem definidos); e
·         a lotação (medido em número de passageiros em pé por metro quadrado).
Se desejarmos que uma parte dos usuários dos automóveis migre para o sistema ônibus (ou outros modos de transporte coletivo) é imperativo que esses atributos de qualidade sejam oferecidos, bem como que exista um plano de metas para alcançá-los.
É bom ressaltar que, assim como dar prioridade aos ônibus na via é uma medida de fácil implantação técnica e de baixo custo (apenas sinalização de trânsito), outras medidas como itinerários melhores definidos, pontos de parada mais dignos e informações aos usuários, também não são difíceis de alcançar. Naturalmente que para se garantir regularidade e confiabilidade ao sistema é indispensável a existência de sistemas tecnológicos de gestão e controle, não só no âmbito das empresas operadoras, como também para os órgãos públicos concedentes dos serviços.
Em seguida à segregação dos espaços viários para os ônibus, medida que dá maior eficiência ao sistema de transporte, economizando custos, é recomendável em curto prazo que estes recursos liberados possam ser reaplicados no sistema, aumentando-se a frequência operacional e, com isso, gerando capacidade adicional para suportar a esperada e necessária migração dos usuários de automóvel, além de propiciar maior conforto, tornando o sistema ainda mais atraente. Esta espiral ascendente tem de ser capaz de progressivamente, e até um ponto de equilíbrio, mudar a divisão modal da demanda, que hoje é de 55% para o transporte coletivo e 45% para o transporte individual para, respectivamente, 70% e 30%.
Ressalta-se, ainda, que com uma nova divisão modal, francamente favorável ao Transporte Coletivo, com uma rede de transporte com mais possibilidades de uso (mais pontos de integração entre linhas), e uma maior velocidade media dos ônibus, haverá uma substancial redução de externalidades negativas como a poluição ambiental (gases de efeito local e estufa) e redução do número de mortes no trânsito e devido à saúde. Relatório recente da Agência Internacional de Energia (A Tale of Renewed Cities) cita que o transporte é atualmente responsável por metade do consumo mundial de petróleo e quase 20% do consumo mundial de energia, dos quais aproximadamente 40% são utilizados no transporte urbano individual. O consumo de energia pelo transporte, segundo a AIE, cresceu 30% na última década e as emissões de gases do efeito estufa subiram quase dois bilhões de toneladas de CO2 equivalente por ano desde 2000.
É notório que o uso do transporte público resulta em redução do consumo de gás carbônico per capita e do consumo de energia. Isso sem contar a redução dos congestionamentos aliada ao uso mais eficiente do espaço, como já citado. Hoje trânsito tornou-se um problema de saúde pública, e não mais, apenas, pelos acidentes que causa. Tanto que já é voz corrente a tese de que transportes públicos produzem bem-estar à população.
Uma nova matriz de divisão modal trará benefícios que irão além dos efeitos benéficos imediatos para os usuários de Transporte Coletivo, como as questões ambiental e de saúde pública. A redução da frota de automóveis em circulação, resultado da migração dos seus ocupantes para os ônibus, propiciará redução no consumo de gasolina, que por sua vez vai reduzir gastos governamentais com importação desse combustível, economia que poderá ser destinadaà melhoria do transporte coletivo, que se tornará mais atraente, reduzindo mais os automóveis, o que implicará na redução de mais gasolina..., num ciclo sem dúvida virtuoso.
Finalmente, no longo prazo, é fundamental um novo ordenamento no uso e ocupação do espaço urbano, que aproxime moradias de empregos e que possibilite cidades mais compactas. Estamos falando de um Plano Diretor orientado para o transporte coletivo, que contemple corredores de transporte estruturais, com maior adensamento populacional e áreas de uso misto à sua margem.
Ailton Brasiliense Pires – Presidente da ANTP e
Luiz Carlos Mantovani Néspoli (Branco) – Superintendente da ANTP


Há 38 anos... Parece que foi ontem!
A primeira crise mundial do petróleo chegou ao Brasil em meados da década de 1970. O preço do barril subiu vertiginosamente (para a época, é claro, pois hoje aquele preço seria ridículo) e o país dependia da importação de combustível. Muitas medidas de restrição de consumo foram sendo implantadas, como o fechamento dos postos de gasolina às 6 horas da tarde das sextas feiras e que só reabriam às 6 horas da manhã de segunda-feira,e todas as estradas tiveram as velocidades limites reduzidas para 80 km/h.
Na cidade de São Paulo, as áreas de transporte e trânsito, Metrô (que também era do Município), CMTC (ônibus) e CET (tráfego) foram convocadas para elaborarem medidas para redução consumo de combustível. Este Boletim Técnico nº 3, elaborado pela CET em 1977, apresenta um diagnóstico da situação e várias medidas destinadas a incentivar o transporte coletivo, restringir o uso de automóveis e melhorar a velocidade comercial dos ônibus. Não fosse pela data, poderia ser editado como um plano de governo, hoje. Vale a pena ler.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Está em fase de preparação gráfica a publicação 'Mobilidade Urbana e Inclusão Social – Novas Conquistas'


O Coordenador nacional do MDT, Nazareno Affonso, informa que está em fase de preparação gráfica a publicação Mobilidade Urbana e Inclusão Social – Novas Conquistas, elaborada pelo MDT por meio de parceria com o Fórum Nacional da Reforma Urbana, o Instituto Brasileiro de Direito Urbano (IBDU) e a Fundação Ford. O MDT assinará a publicação junto com o Fórum Nacional da Reforma Urbana, a exemplo do que aconteceu na primeira edição, produzida pela primeira vez em 2009 e reimpressa diversas vezes, chegando a 55 mil exemplares já esgotados. “Esperamos que a nova edição esteja publicada no a mês de outubro”, disse o dirigente.
ESTRUTURAÇÃO
A publicação está estruturada em oito partes. Há inicialmente um conjunto de textos introdutórios seguido de sete capítulos. O primeiro capítulo tem por título uma indagação: O que é mobilidade urbana? E discute os seguintes tópicos: Mobilidade x Cidade, Entendendo a mobilidade, Sistemas convencionaisOs tipos de deslocamentos e serviços, e a Política Nacional de Mobilidade Urbana – Lei 12.87/12, incluindo o processo democrático de elaboração e aprovação da estrutura essencial da lei criada para organizar a mobilidade sustentável no País. Discute ainda o Pacto Nacional da Mobilidade Urbana, para qualificar o transporte e reduzir as tarifas – incluindo a participação do MDT na formulação do texto do Pacto e a Resolução do Conselho das Cidades com recomendações sobre o tema à Presidência da República.
O império do automóvel é o título do segundo capítulo, que coloca em discussão quanto o automóvel custa para a cidade, o disciplinamento do uso do automóvel com uma adequada política de estacionamento. O capítulo também focaliza o fato de o trânsito não ser apenas automóveis circulando nas ruas, com o debate sobre a necessidade da Paz no Trânsito – qualificado com o maior desafio da sociedade brasileira --, o que deve envolver a redução drástica do número de mortos e feridos em ocorrências de trânsito. Também está em debate nessa seção o tema da mobilidade urbana e sustentabilidade, com o Plano Setorial de Transportes e da Mobilidade Urbana para Mitigação das Mudanças Climáticas e o tema do uso dos créditos de carbono para financiamento da mobilidade.
O terceiro capítulo se dedica ao direito ao transporte público coletivo de qualidade, discutindo aspectos gerais da questão, gestão do sistema de transporte, planejamento operacional, o emprego de ITS (Sistemas Inteligentes de Transporte) para a modernização da gestão, os impactos do transporte clandestino de passageiros e o tema da implementação da Acessibilidade Universal. Há uma parte do capítulo voltada a aspectos econômico-tarifários, focalizando custos das tarifas, custo variável e custo fixo, o impacto dos tributos e o tema do barateamento das tarifas como instrumento de inclusão e justiça social, em que se levam em consideração os avanços recentes da luta pelo barateamento das tarifas com qualidade e sustentabilidade e a proposta de tarifa zero. Também estão em foco nessa parte a mobilização social, a conquista de investimentos em sistemas estruturais de transportes públicos e a necessidade de qualificação dos sistemas convencionais, com a consideração de aspectos como implantação de faixas exclusivas, qualidade ‘porta a porta’, conforto e segurança na espera, informações ao usuário, veículos, vias conservadas e controle e segurança. O segmento final do capítulo discute os entraves retardam e encarecem projetos de transporte público.
O quarto capítulo trata da promoção da circulação não motorizada – que junto com o transporte público – integram as iniciativas que podem qualificar a vida urbana. São debatidos o andar a pé e o andar de bicicleta, incluindo o crescimento do uso e a emergência dos sistemas de bicicletas públicas.
Mobilidade e Economia: o direito à cidade que queremos é o título do quinto capítulo. O primeiro tema em foco se refere ao planejamento integrado, considerando mobilidade e uso do solo. Há um segmento sobre o Estatuto da Cidade e os recursos para a mobilidade sustentável, discutindo plano diretor, outorga onerosa do direito de construir, transferência do direito de construir, consórcio imobiliário, operações urbanas consorciadas, e o Parcelamento, Edificação e Utilização Compulsórios (PEUC). O texto também debate o Estatuto da Metrópole e como os sistemas estruturadores podem promover desenvolvimento econômico das cidades.
O sexto capítulo tem por título Participação popular e gestão democrática, apresentando alguns antecedentes sobre o tema e colocando em foco os instrumentos de gestão democrática, as conquistas já alcançadas; o desenvolvimento das Jornadas brasileiras ‘Na Cidade, Sem Meu Carro’, iniciadas em 2001 e realizadas ininterruptamente desde então; o movimento social das pessoas com deficiência por uma mobilidade sustentável; a realização do histórico Encontro Nacional do MDT em 2004 e seus desdobramentos; a bandeira do barateamento das tarifas do transporte público; ações nas Conferências Nacionais das Cidades; o entendimento de que chegou a hora da mobilidade urbana, com o Pacto Nacional pela Mobilidade Urbana e a Proposta de Emenda Constitucional nº 90, que inclui o transporte público entre os direitos sociais, no mesmo nível da saúde e da educação. O capítulo também debate como os direitos sociais nascem como respostas às manifestações de junho de 2013, mostra que MDT e FNRU querem cidades justas e moradia digna e transporte público de qualidade, e trata do tema da participação e conquistas dos trabalhadores de transporte: regulamentação, capacitação e boas condições de trabalho.
O sétimo capítulo apresenta o trabalho fundamental para os movimentos populares intituladoExplicações e comentários sobre a Lei Nº 12.587/2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Há ainda uma súmula da legislação nacional sobre transporte público urbano.
Movimentando MDTagosto 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Mais gente deixa o carro em casa. E você?


05/10/2015 08:08
Folha de SP
O leitor do guia "Como Viver em São Paulo Sem Carro" não se surpreendeu com a notícia de que cada dia mais paulistanos que têm carro se deslocam sem ele. Por isso mesmo, desconfiou do argumento dos "especialistas" que disseram que essa mudança de hábitos se deve à crise econômica, cujos efeitos começaram a ser sentidos este ano. O leitor atento também não se deixou levar pelo discurso oportunista dos técnicos da prefeitura paulistana, que dizem que tudo se deve às medidas de redução da velocidade dos carros e às faixas exclusivas de ônibus e bicicletas.
As duas coisas podem ter contribuído, mas o fenômeno teve início muito antes. Ao contrário do que dizem os especialistas, começou exatamente no auge da expansão econômica; e portanto, antes também do atual prefeito acordar para os benefícios de uma gestão zeladora, em lugar de construir arcos, como prometeu na campanha eleitoral.
No guia publicado em 2012, o congestionamento já era apontado como a principal causa de estresse na cidade; na edição de 2013, 58% dos paulistanos diziam ter reduzido de alguma forma o uso do carro; o índice de redução se manteve praticamente igual em 2014 (os dados são de pesquisas exclusivas do Ipespe, dirigido pelo sociólogo Antônio Lavareda).
Em verdade, os governos Lula e Dilma 1 (2003-2014) espalharam uma epidemia de congestionamentos pelo Brasil com a combinação perversa de redução de impostos para a produção de carros, financiamento para sua compra e a gasolina mantida com preços baixos. Todas as capitais do país passaram a sofrer congestionamentos até então típicos de São Paulo. E os paulistanos já em 2008 viam engarrafamentos atingirem níveis surreais como no filme "Week-end a Francesa" (1967), de Jean-Luc Godard, baseado no conto "A Auto-estrada do Sul", do argentino Júlio Cortázar.
Engenheiros costumam analisar o trânsito conforme as regras de dinâmica dos fluidos. Por isso usam termos típicos de encanamento de água, como fluidez, engarrafamento, gargalo e turbulência. Mas trânsito é também um fenômeno econômico: ao se movimentar por uma cidade, os motoristas fazem cálculos de custo-benefício, do tempo perdido no deslocamento, do combustível e do estacionamento. Ao calcular o meio mais barato para chegar de casa ao trabalho, o viajante considera também o preço de ficar horas parado no trânsito.
Os carros que se deslocam no trânsito de SP levam em média 1,2 pessoa (ou seja, a cada cinco carros, quatro levam só o motorista e o quinto carrega um passageiro também). Esses motoristas gastam para atingir o destino, querem chegar o mais rápido possível para começar a produzir ou estudar. Nos últimos anos, a velocidade de deslocamento dos carros particulares caiu (hoje é inferior a 8 km/h), aumentando os custos em combustível e horas de trabalho perdidas. Enquanto isso, a velocidade dos transportes públicos cresceu, mais linhas de trem e metrô surgiram, faixas exclusivas melhoraram o desempenho dos ônibus, que já tinham se tornado mais baratos com o Bilhete Único e depois com a extensão de sua validade a três horas.
A produtividade de quem não guia, que já era maior, ficou ainda mais evidente com a melhoria da telefonia móvel que permite falar ou trocar mensagens ao celular com o trabalho, ler relatórios, ter reuniões durante o deslocamento ou dedicar-se ao lazer.
Todos esses cálculos são feitos ainda que intuitivamente pelos milhões de moradores das grandes cidades congestionadas de todo o mundo. E não é diferente para o paulistano. É isso que fez por exemplo com que dobrasse o número de usuários de trem e metrô a partir de 2006, muito antes da crise econômica.
A análise dos dados em prazo mais longo permite ver como o carro é um produto decadente. Só a burrice explicaria os incentivos fiscais federais para a indústria automobilística que cada vez emprega menos gente e mais robôs.

Nos últimos dias surgiu a informação de que esses incentivos fiscais desde 2009 teriam sido comprados por fábricas de automóveis por meios ilícitos (lobby). Bem, então teremos que considerar que não foi burrice, mas esperteza. Uma coisa ou outra, no entanto, não levaram em consideração a mobilidade urbana, o interesse público ou a qualidade de vida do brasileiro.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Alckmin deve privatizar monotrilhos


monotrilho
Monotrilho em São Paulo deveria ter 60,1 quilômetros em três linhas. Mas até agora, são apernas 2,9 quilômetros de operação parcial em duas estações. Foto: Divulgação Governo do Estado de São Paulo
Medida é para tentar diminuir impactos financeiros pelos custos de operação do modal que ainda não tem operação plena em São Paulo. Incertezas técnicas também justificam
ADAMO BAZANI
O governo de Geraldo Alckmin estuda privatizar as operações dos monotrilhos das linhas 15 Prata (zona Leste) e 17 Ouro (zona Sul) para tentar minimizar os custos aos cofres públicos e os riscos de falta de capacitação tecnológica para este meio de transporte entrar em funcionamento, quando as obras forem parcialmente concluídas.
A informação é do jornal Folha de São Paulo. Segundo os repórteres André Monteiro e Eduardo Geraque, a conclusão parcial das linhas, que tiveram trechos e estações congelados sem previsão de retomada como nos projetos originais, ainda fica por conta do governo do Estado, mas a operação deve ser privada. Uma das alternativas é a remuneração por passageiro transportado.
A medida também diminuiria o quadro de pessoal que a Companhia do Metropolitano deveria ter e pode fazer com que eventualmente o operador compre mais trens quando necessário.
As três linhas de monotrilho prometidas para São Paulo sofrem atrasos de até seis anos e, se houver mesmo o cumprimento da nova meta do governo do estado, apenas 17 das 36 estações prometidas nas duas linhas e 21,9 quilômetros dos 44,4 quilômetros anunciados estarão em funcionamento até 2018. A linha 18 do monotrilho, prevista para servir o ABC Paulista, segue sem definição e especialistas defendem outro modal para o trecho, seja BRT – Bus Rapid Transit – corredor de ônibus de capacidade semelhante ao do monotrilho, mas podendo custar até dez vezes menos ou de fato uma linha de metrô de alta capacidade.
Os especialistas ouvidos nesta nova reportagem também contestam o monotrilho como viável para São Paulo. Apenas o especialista escalado pelo Metrô, do Governo do Estado, defendeu o modal plenamente:
“Era para ser rápido de implantar e mais barato, mas nenhuma das vantagens foi alcançada ” afirma Marcos Kiyoto, arquiteto e mestre em planejamento urbano. Ele avalia que houve um excesso de confiança nas vantagens da tecnologia. “É um sistema bastante peculiar, que não tínhamos domínio técnico no Brasil, e pouco domínio técnico no mundo.”
Para Peter Alouche, especialista em transporte que trabalhou décadas no Metrô, faltou debate. Em artigo na revista “Engenharia”, ele diz que apresentações feitas pelo Metrô “nunca responderam dúvidas que permanecem no consciente técnico coletivo”.
Já Epaminondas Duarte Junior, escalado pelo Metrô para falar sobre o monotrilho, diz que o sistema é eficiente e está em sintonia com vários outros pelo mundo. “Estudamos os sistemas do Japão e da Malásia antes de montarmos os projetos”, diz.
Para ele, ainda que não substitua o metrô, cuja demanda é maior, o modal é fundamental para a integração da rede de transporte.
Um quadro, comparando os diferentes tipos de modais, quanto a custos e capacidade, traz uma ideia das principais características dos meios de transportes. Os dados foram fornecidos pela própria secretaria estadual de transportes metropolitanos, pela Monorail Society e pelo consultor Peter Alouche à Folha de São Paulo.
– Corredor de ônibus simples: Capacidade de 10 mil a 20 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro inferior a US$ 5 milhões
– Corredor de ônibus BRT: Capacidade de 15 mil a 30 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões
– Monotrilho: Capacidade de 15 mil a 35 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões
– VLT – Veículo Leve sobre Trilhos: Capacidade de 15 mil a 35 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 20 milhões a US$ 60 milhões
– Metrô Leve: Capacidade de 25 mil a 45 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 40 milhões a US$ 80 milhões
– Metrô: Capacidade de 60 mil a 80 mil passageiros hora/sentido – Custo por quilômetro de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões
MONOTRILHOS EM SÃO PAULO VÃO CUSTAR MAIS E TRANSPORTAR MENOS GENTE:
A linha 17 ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Hoje, o orçamento está 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2017. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD.
A linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Agora, o orçamento está 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. A previsão de 9 estações agora é para 2018. Está congelado o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga.
A linha 18 Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista ao custo de R$ 4,5 bilhões com previsão de entrega total em 2015. Agora, o orçamento está 14% mais caro, chegando a R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até 10 vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante.
Blog Ponto de Ônibus

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Desregulamentar o táxi


03/10/2015 07:14


Folha de SP



HÉLIO SCHWARTSMAN 
 
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sugeriu que vai regulamentar o Uber. "Não podemos desperdiçar a tecnologia", disse o alcaide. O caminho lógico, que quase certamente não será adotado para resolver o impasse, seria a desregulamentação dos táxis.
Poderes municipais começaram a emitir licenças para carros de praça nos primeiros anos do século 20 para assegurar que o usuário, tipicamente muito menos informado que o motorista sobre as possibilidades de rota e os preços do mercado, não fosse enganado. Outra justificativa para a burocracia era a segurança. O controle pela prefeitura em tese evitava que bandidos conhecidos da polícia assumissem o volante de táxis, de onde poderiam assaltar suas vítimas com máximo conforto.
O problema é que a tecnologia tornou obsoleto esse tipo de fiscalização. Aplicativos como o do Uber praticamente eliminam as assimetrias de informação. O usuário pode em princípio combinar antes pelo celular não apenas o preço da corrida como o caminho a ser percorrido. No limite, existindo concorrência, seria possível até promover um leilão virtual instantâneo pela menor tarifa.
Os aplicativos também deixam registrado qual motorista atendeu qual usuário, todos devidamente cadastrados. Difícil conseguir algo melhor do que isso em termos de segurança.
Se é mesmo contra a desigualdade de condições que os taxistas protestam, a forma mais simples de resolver a contenda seria desobrigar motoristas de praça de comprar alvarás e pagar taxas municipais (perderiam, é claro, a isenção de ICMS e IPI para comprar o carro). Poderiam, se desejassem, conservar o taxímetro, para facilitar a vida dos poucos clientes que não têm celular.
O papel da prefeitura nesse imbróglio deveria ser o de garantir que o Uber não se torne um monopólio, para o que a utilização da frota de táxis como concorrente do gigante norte-americano seria um excelente passo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

SP tem semestre com o menor número de mortes no trânsito em uma década


30/09/20
Folha de SP

A queda de 19% nas mortes em acidentes de trânsito nos primeiros seis meses deste ano foi a maior da cidade de São Paulo em ao menos uma década.
A quantidade absoluta de vítimas fatais também foi a menor já registrada em um semestre ao menos desde 2005 – ano em que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) retomou os registros de mortes no trânsito com os critérios atuais.
O balanço divulgado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) apontou uma diminuição de 637 para 519 mortes –na comparação de 2014 e 2015, entre janeiro e junho.
Especialistas apontam uma combinação de fatores que podem ter contribuído para que houvesse menos vítimas tanto entre motoristas e passageiros como de pedestres, motociclistas e ciclistas.
Para Haddad, a queda é reflexo de ações de sua gestão, como implantação de faixas de pedestres, lombadas eletrônicas, áreas com limite de 40 km/h e a rede de ciclovias -que se expandiu de 65 km para 303 km em um ano, a partir de junho de 2014. "O ciclista está mais seguro. Isso é malha cicloviária", afirmou.
Apesar da redução, a taxa de mortes no trânsito da capital paulista –que caiu de 10,5 para 9,5 por 100 mil habitantes– ainda está muito acima da de cidades desenvolvidas como Londres (1,5) ou Nova York (2,9) e longe da meta (6) fixada por SP para 2020.
RADARES
A redução das vítimas no trânsito ocorreu em um semestre marcado pelo aperto de fiscalização de agentes da prefeitura e de policiais, além do aumento dos radares –que quase dobraram. Com isso, as multas subiram 22%.
O engenheiro Luiz Célio Bottura, ex-ombudsman da CET, avalia que as reduções dos limites de velocidade em algumas vias podem ter contribuído com os resultados, assim como a crise econômica.
Apesar das mudanças das velocidades máximas terem sido intensificadas só a partir de julho, a gestão Haddad já havia adotado a medida em mais de 90 km de vias.
"Menos viagens quer dizer menos gente exposta ao risco de acidentes. E, de tanto se falar no assunto, com campanhas educativas e na imprensa, acho que as pessoas devem estar tentando evitar os excessos", afirma Bottura.
O prefeito disse não ver relação entre a crise econômica e a redução de acidentes. "Só tem crise no Estado de São Paulo? O problema econômico é no Brasil inteiro", afirmou Haddad, que disse ter consultado outras cidades onde a tendência é diferente.
Horário Figueira, mestre em engenharia de transportes pela USP, afirma que, além do aumento de radares, a diminuição de acidentes pode ser resultado de aumento nas blitze da Lei Seca.
Ele é autor de estudo que apontou que a madrugada concentrava só 3,5% das viagens em São Paulo, mas respondia por 18% das mortes.
Esta foi a primeira vez que Haddad fez a divulgação destes dados. Até então, eles eram informados pela CET ou Secretaria de Transportes e na forma de balanço anual, não semestral. Em 2014 houve aumento de 14% no número de mortes no primeiro semestre, mas os dados só foram incluídos em estudo divulgado em abril deste ano. 

O Estado de SP 

Mortes no trânsito caem 18,5% em São Paulo no primeiro semestre 

Estudo da Companhia de Engenharia de Tráfego mostra que mortes no trânsito caíram de 637 para 519 no primeiro semestre deste ano 

O número de mortes no trânsito em São Paulo caiu 18,5% no primeiro semestre deste ano, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira, 29, pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Nos primeiros seis meses de 2015 foram registradas 519 mortes e, no mesmo período de 2014, foram 637. O prefeito Fernando Haddad (PT) atribuiu a redução a um conjunto de ações da companhia para dar mais segurança ao trânsito, como a implantação de faixas e semáforos para pedestres e lombadas eletrônicas.
Em todas as categorias houve redução das mortes. A principal queda foi no número de ciclistas mortos, que caiu de 28 para 15 neste ano - redução de 46,3%. A segunda maior queda foi a de morte de motoristas e passageiros, que caiu de 115 para 85 no período - 26%. A morte de pedestres e motociclistas também teve redução de 16% e 14,1%, respectivamente.
"(A redução) é fruto do trabalho da CET, que tem atuado fortemente nos bairros. Com o programa CET nos Bairros, os agentes ficam uma semana em cada local para ouvir a população, que é quem orienta e indica os locais que estão perigosos. A gente pode dizer que esse é um trabalho que foi feito pela população que orientou os técnicos, que depois julgaram qual era a tecnologia mais adequada para cada problema", disse Haddad.
Ainda de acordo com o levantamento da CET, o índice anual de mortes no trânsito a cada cem mil habitantes passou de 10,35 para 9,45 no período. O prefeito disse que a meta da cidade é reduzir para seis mortes a cada cem mil habitantes até 2020, de acordo com o compromisso firmado com a Organização das Nações Unidas (ONU).
"Todas as iniciativas se traduzem nesses números. O ciclista está mais seguro na cidade, isso se deve à malha cicloviária. Houve redução de mortes de pedestres, isso é reflexo de mais faixas e semáforos de pedestres. Temos um programa de proteção à vida que está em curso. Os números são bons, mas temos um longo caminho pela frente", disse o prefeito.
De acordo com o secretário de Transportes, Jilmar Tatto, as vias que concentraram o maior número de acidentes no primeiro semestre foram justamente as marginais e as avenidas que tiveram redução de velocidade a partir de junho, como por exemplo as avenidas Jacu-Pêssego, Aricanduva, Teotônio Vilela e a estrada M'Boi Mirim.


                       

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Haddad prevê quase R$ 2 bilhões em subsídio para congelar tarifa em ano eleitoral


A gestão Fernando Haddad (PT) pretende gastar quase R$ 2 bilhões no ano que vem com subsídios da tarifa de ônibus, segundo a proposta de orçamento enviada à Câmara Municipal na quarta-feira, 30. Trata-se de um aumento de R$ 560 milhões em relação à proposta atualizada de gastos para 2015, indicando que a Prefeitura trabalha para não reajustar o preço da passagem em 2016, quando Haddad deve disputar a reeleição.
O aumento dos subsídios ganha peso maior caso se considere que, em meio à crise econômica que atinge o País, o projeto enviado por Haddad não prevê aumento real de receitas. Para 2016, o prefeito projeta orçamento total de R$ 54,4 bilhões, valor 5,8% maior do que o atual. O mercado prevê inflação de 9,46% para este ano, segundo o relatório Focus, do Banco Central.
O Orçamento 2015, que está em execução, foi feito com previsão de aumento da tarifa de ônibus. Assim, trouxe uma expectativa de queda de gastos com o subsídio. Com a tarifa a R$ 3, a Prefeitura gastou R$ 1,7 bilhão com os subsídios. Neste ano, com reajuste da passagem para R$ 3,50, a previsão caiu para R$ 1,4 bilhão. Dados da Secretaria Municipal de Finanças, por outro lado, mostram que, até agosto, as empresas de ônibus já receberam R$ 1,1 bilhão em recursos dos cofres municipais. Se esse ritmo continuar, os gastos de 2015 fecharão próximos de R$ 1,7 bilhão com subsídios.
"Há o aumento do diesel, que tem impacto nessa conta, e não se sabe se haverá outros aumentos no ano que vem. Mas é de se esperar que a Prefeitura trabalhe para não ter aumento ou para ter um aumento mínimo. Essa é uma área muito sensível, especialmente para a população mais pobre”, diz o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. "Mas estão fazendo uma licitação dos ônibus, e também se espera que reduza custos.”
Vereadores da base de apoio de Haddad, que vão analisar a proposta, afirmam que é possível manter a tarifa a R$ 3,50 ao menos até outubro, quando ocorrem as eleições. Na visão dos parlamentares, "é uma das poucas armas” que restam ao prefeito para evitar outras quedas de popularidade que atrapalhariam sua ida para o segundo turno.
Orçamento. Do total do orçamento, 33,1% dos gastos previstos foram encaminhados para a área de Educação. A receita da secretaria para 2016 conta com R$ 2 bilhões a mais do que teve neste ano, saltando de R$ 9 bilhões para R$ 11 bilhões.
Secretarias que cuidam de "vitrines” do prefeito tiveram caixa reforçado. A Controladoria-Geral do Município (CGM), vendida por Haddad como atestado de transparência, tem aumento previsto de 100% dos gastos – de R$ 22 milhões para R$ 44 milhões. A Prefeitura lançou no mês passado um concurso para controladores.
Já a Assistência Social, uma das encarregadas do Programa De Braços Abertos, que atende dependentes químicos da cracolândia, deverá contar com reforço de 15,6%, chegando a cerca de R$ 200 milhões.
Por outro lado, duas das áreas tidas como "críticas” por aliados do prefeito devem passar pelo ano de 2016 com recursos escassos. O orçamento não prevê aumento real para a Saúde. A proposta é de gasto de R$ 9,4 bilhões com a função. Se tivesse correção pela inflação, o setor deveria receber R$ 9,8 bilhões.
Em outra área crítica, a Habitação, a proposta enviada à Câmara apresenta receita ainda menor do que a que está em execução neste ano. Essa pasta teve um Orçamento aprovado para 2015 de R$ 1,17 bilhão. Mas o valor já foi corrigido, ainda em 2015, para R$ 831 milhões. A proposta para 2016 é de R$ 728 milhões para o setor.
Economia. A inflação considerada pela Prefeitura para o cálculo do Orçamento foi de 5,4%, valor abaixo do que é estimado pelo mercado. Enquanto o cenário econômico prevê recessão de 0,8% no ano que vem, a Prefeitura informou, no texto enviado aos vereadores, que fez o orçamento com uma projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,3%.
Ao comentar a previsão de investimentos – feita com aumento real – a Prefeitura disse que "a proposta orçamentária de 2016 dá continuidade à busca por maiores níveis de transferência de recursos federais, considerando a dimensão da cidade de São Paulo em relação às outras grandes cidades”, sem citar o cenário atual de retração nas transferências de recursos de Brasília – que atrasam as principais promessas de campanha do prefeito, incluindo os corredores de ônibus.
Estadão

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Cidades são ineficientes por não priorizarem o transporte público

Ayrton Camargo e Silva afirma que é preciso faixas exclusivas para os ônibus e programação semafórica para diminuir o tempo de trajeto



Linhas de ônibus sem integração, congestionamentos, inexistência de ciclovias, calçadas esburacadas. Esses são alguns sinais de que o espaço viário não é bem utilizado. Os congestionamentos e, como consequência o aumento dos tempos de viagens, são realidade nas cidades brasileiras. Três capitais já aparecem entre as 10 metrópoles mais congestionadas do mundo. O levantamento Measuring Congestion Worldwide da empresa TOMTOM, mostra que o Rio de Janeiro está em terceiro lugar, a quinta posição é ocupada por Salvador e em sexto está Recife.
Para falar sobre as escolhas que levaram à atual conformação das cidades e do sistema viário e medidas para tornar as cidades mais eficientes no quesito mobilidade, a Perkons entrevistou o arquiteto e urbanista Ayrton Camargo e Silva. Ele é o atual diretor presidente da Estrada de Ferro Campos do Jordão e autor do livro “Tudo é passageiro - Expansão urbana, transporte público e o extermínio dos bondes em São Paulo”.
Crise de mobilidade
O urbanista afirma que as grandes e médias cidades estão passando por uma crise de mobilidade. E os pequenos municípios também já esboçam sinais de colapso nos sistemas de locomoção. “A crise de mobilidade ocorre em função da incompatibilidade entre as viagens diárias feitas pelos modos motorizados e o espaço viário disponível para elas”, explica.
Ayrton sugere dar prioridade aos veículos de maior capacidade para chegar a um equilíbrio. “Enquanto as viagens crescem a cada ano, o sistema viário não. Motivo pelo qual deveria ser dada prioridade para nele circularem os modos de maior capacidade, exatamente o que não acontece hoje nas cidades.”, sugere como solução.
Crédito: Luiz Guarnieri/Brazil Photo Press/Folhapress
Especialista afirma que boa parte dos problemas de mobilidade de São Paulo se devem ao fim dos bondes e a falta de prioridade para o transporte coletivo
Ele compara o automóvel e o ônibus para mostrar a necessidade de priorização. “Um ônibus ocupa o lugar de pouco mais de dois automóveis, porém pode transportar até 100 passageiros em média simultaneamente. Enquanto um automóvel ocupa em média 1,7 passageiro por viagem. Apesar de o ônibus ser mais eficiente na relação entre o espaço viário ocupado e o número de passageiros transportados, eles não têm prioridade para circulação nas vias. Pouquíssimas cidades possuem faixas exclusivas para os ônibus circularem, e menos ainda possuem uma programação semafórica que contribua com o aumento de sua velocidade comercial”, afirma.
A falta de priorização do transporte coletivo e o mau uso do espaço viário, segundo o arquiteto e urbanista culminam em cidades ineficientes. “O fruto desse conflito são os congestionamentos e os acidentes, que ilustram o conflito na disputa para ver quem consegue ocupar antes o pouco espaço para circular. Isso tudo gera cidades ineficientes, que perdem sua competitividade econômica numa era de economia globalizada. Além da queda da qualidade de vida, que atinge a toda população de forma indiscriminada”, conclui

Escolhas que levaram à crise de mobilidade

O urbanista afirma que as decisões, no Brasil, para estimular o crescimento das cidades levaram à crise de mobilidade dos dias de hoje. “A escolha foi feita em direcionar a expansão urbana fazendo-a dependente dos modos motorizados por pneus, em particular, o automóvel nos últimos 100 anos”.
Para ele, se fosse possível reescrever a história, a solução seria vincular a expansão urbana e seu adensamento diretamente à existência de transporte coletivo, garantindo a ele prioridade para circulação no sistema viário.
Ayrton afirma que para termos outro cenário, a cidade deveria seguir critérios para garantir expansão com mobilidade. “A expansão urbana deveria ser feita com base em indicadores de qualidade da sua mobilidade. Assim o acesso a uma determinada região ou bairro seria por corredores de transporte coletivo que deveriam ter níveis mínimos de desempenho, como por exemplo, elevada velocidade comercial {expressa pelo tempo gasto em todo o percurso} para os modos coletivos de transporte, níveis reduzidos de acidentes e emissões de poluentes, tempos máximos de viagem, intervalos constantes entre as viagens etc.", exemplifica.
Para isso, o transporte coletivo seria o protagonista principal no uso do sistema viário existente, e o adensamento urbano seria vinculado à existência de transporte coletivo, de forma a não impactar o sistema viário em sua área de influência.
Ayrton afirma que o inverso aconteceu em São Paulo. “O fim dos bondes em São Paulo, e a opção pela expansão do sistema viário sem que o transporte coletivo tivesse prioridade de circular foram as bases de boa parte dos problemas da mobilidade em São Paulo”, ilustra.
Ao priorizar o transporte coletivo e ordenar a expansão dos municípios, o urbanista acredita que as cidades seriam mais amigáveis. “Certamente {a cidade teria} uma ocupação mais compacta, menos espraiada, e com 

Perkons

Poliane Brito

Desafio multimodal faz pessoas verem a cidade de outra forma

Semana desafia cidadãos a experimentarem e compararem diferentes formas de deslocamento


A maioria das pessoas faz seus deslocamentos diários utilizando sempre o mesmo meio de transporte. Para que as pessoas experimentem diferentes modais e possam comparar qual o mais eficiente, além de conhecer melhor o ambiente em que vivem, um grupo de ativistas promoveu a Semana Multimodal. A ideia é que durante 7 dias os participantes se desloquem como pedestre, ciclista, motorista, passageiro e compartilhem sua experiência, na página do evento, de qual é o mais eficiente, conveniente, barato ou prazeroso.
Divulgação
O desafio multimodal foi até 22 de setembro e incentivou os participantes para que durante uma semana se deslocassem de outras formas
De acordo com Hugo Leonardo Peroni, um dos organizadores do evento e fundador do grupo Desbravadores de Sampa, a ideia do desafio multimodal surgiu durante um encontro com ativistas que estimulam a mobilidade a pé – Cidade Ativa, Mobilize, Corrida Amiga e Desbravadores de Sampa. “O desafio intermodal – que compara várias formas de deslocamento realizadas ao mesmo tempo por pessoas diferentes – foi o que inspirou a Semana Multimodal. Experimentei formas diferentes de me deslocar e me surpreendi com o resultado: os modais ativos (bicicleta e caminhada) foram os mais rápidos”, afirma.
O ativista conta que, mesmo com pouca divulgação do evento, surgiram bons resultados, já que as pessoas puderam utilizar a estrutura da cidade de forma diferente do convencional. “Você torna o seu momento do deslocamento que era chato, cinza e sem conteúdo em algo criativo, fora da rotina e bem aproveitado. No deslocamento ativo, por exemplo, você ainda pode se exercitar”, comenta.
Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, acredita que é preciso incentivar a experiência para que mais pessoas troquem os transportes mais utilizados pelos ativos. “É importante a população testar outras possibilidades e ser flexível quando tem alternativas disponíveis. Mas, para isso, o poder público precisa oferecer infraestruturas adequadas. Com diferentes meios disponíveis, é possível utilizá-los de acordo com cada situação”, completa.
Encarando o desafio multimodal
A bacharel em Relações Internacionais Fabiana Bento, aderiu ao desafio multimodal, e acredita que a mobilidade é um dos maiores desafios à sustentabilidade urbana. Para ela, enquanto a opção pelo carro - durante grande parte do século passado - parecia ser a mais acertada, o cotidiano dos centros urbanos, hoje, demanda inovação.
Durante a semana multimodal, Fabiana teve a oportunidade de comparar diversas maneiras de se locomover por São Paulo de forma sistematizada, o que a fez pensar sobre mobilidade, sua relação com a cidade e a sensação de pertencimento a ela. “Redescobrir a cidade por meio da bicicleta, do caminhar e do compartilhamento de caminhos (caronas) foi enriquecedor. Trouxe novos olhares, novas cores e novas texturas. Comprovei que o automóvel não era a melhor opção, tanto financeiramente quanto pelo tempo de deslocamento”, destaca.
Fabiana ressalta que, ao longo da experiência, encontrou algumas dificuldades que deixaram evidentes problemas que colocam em risco o deslocamento, ou ainda podem chegar a impedi-lo. “No caso de deficientes físicos é perceptível a falta de preparo e de acolhimento da cidade. Há obstáculos em calçadas (raízes de arvore, azulejos, buracos), faltam calçadas em alguns trechos ou as calçadas são estreitas, falta sinalização nas vias e há muitos buracos, o que prejudica o deslocamento de bicicleta, além de pontos de ônibus mal sinalizados a respeito de horários e linhas”, explica. Ainda assim, para ela, a bicicleta e o ônibus provaram ser alternativas eficazes e satisfatórias.

As principais formas de locomoção adotadas por ela por causa do desafio foram ônibus, carona e caminhada. “A percepção da cidade e dos lugares ao pedalar é completamente diferente. Os detalhes tornam-se muito mais claros e a interação com o caminho e as pessoas que se encontram nele é muito maior. A caminhada, por sua vez, colabora para o bem-estar pós-expediente. Já a carona é capaz de criar interações ricas e de certa forma é excelente para otimizar a utilização do automóvel”, descreve Fabiana, que acrescenta que a qualidade de vida está intimamente ligada à forma de relacionamento com o cotidiano e que a mobilidade sustentável – conceito que abrange o trânsito de pessoas na busca por equilíbrio entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e justiça social – é garantia de bem-estar.
- See more at: http://www.perkons.com/noticia/1657/desafio-multimodal-faz-pessoas-verem-a-cidade-de-outra-forma-?

Perkons
Mariana Simino

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Nem 15% das obras de mobilidade do PAC 2 saíram do papel

PAC Mobilidade

Presidente Dilma Rousseff em evento sobre mobilidade urbana referente aos recursos do PAC. Balanço divulgado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nesta terça-feira mostra que nem 15% dos 115 projetos previstos para o setor de transportes urbanos de passageiros estão em obras. Foto: Blog do Palácio
Menos de 15% da obras de Mobilidade Urbana previstas no PAC 2 estão sendo realizadas
Atrasos mostram que Brasil poderá não contar com o legado prometido pelo Governo Federal. Apenas 14 de 115 projetos para transportes urbanos foram colocados em prática
ADAMO BAZANI – CBN
À mediada que a Copa do Mundo de 2014 vai se aproximando, o PAC 2 – Programa de Aceleração do Crescimento – fase 2 vem ganhando velocidade de “última hora”.
De acordo com dados divulgados nesta terça-feira, dia 18 de fevereiro de 2014, pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão entre o início do ano de 2011 e 31 de dezembro de 2013, os investimentos em ações sobre diversos setores foram de R$ 773 bilhões e 400 milhões, equivalentes a 76,1% dos valores previstos entre 2011 e 2014.
No entanto, há setores que estão em verdadeira estagnação, como o da mobilidade urbana.
Apenas 15% das obras que contam com apoio do Governo Federal dentro do PAC – 2 estão de fato em execução. Dos 115 projetos para os transportes urbanos, somente 14 estão sendo colocados em prática.
Entre estas obras em andamento estão: o monotrilho da Linha 17-Ouro (São Paulo), o BRT Transcarioca (Rio de Janeiro), o BRT Expresso Sul (Distrito Federal) e o VLT de Cuiabá. O balanço também aponta que sete obras foram concluídas, como a linha oeste e sul do metrô de Fortaleza, o aeromóvel de Porto Alegre, o trem urbano de São Leopoldo a Novo Hamburgo (RS), o Boulevard Arrudas, em Belo Horizonte (MG) e o trem urbano de Salvador (BA).
O custeio da maior parte destas obras é de responsabilidade dos governos estaduais e das prefeituras, mas contam com recursos a fundo perdido do Orçamento Geral da União (OGU) e financiamentos com taxas privilegiadas da Caixa Econômica Federal (CE F). Por causa disso, entram no balanço do PAC.
Após as manifestações sobre tarifas e para a melhoria da qualidade dos transportes em junho de 2013, a presidente Dilma Rousseff anunciou recursos extras de R$ 50 bilhões para a mobilidade urbana. O balanço divulgado pelo Ministério do Planejamento não separa as obras que já estavam em curso e as que contaram com este aporte.
Além disso, falta clareza na divulgação sobre o estágio em que se encontram os estudos de viabilidade e engenharia de obras que não foram realizadas, mas que são considerados projetos em “ação preparatória”. Entre as intervenções nesta situação estão Corredores de ônibus em Piracicaba e Rio Preto (SP), o VLT de Maceió (AL), a ampliação do metrô de Brasília (DF), o monotrilho de Manaus (AM) e o BRT de Vila Velha (ES).
MINHA CASA MINHA VIDA FOI PRIVILEGIADO:
Boa parte das cidades contempladas pelo PAC -2 não vai receber os jogos da Copa do Mundo no Brasil, mas são municípios próximos às cidades-sede. Também nem todas as obras possuem ligações diretas com o evento esportivo, mas acabam criando um clima favorável à Copa.
As obras e ações concluídas em 2013 representam 83,2% das intervenções inscritas somando R$ 583 bilhões.
O PAC 2 tem até 31 de dezembro de 2014 para a conclusão de todas as obras previstas.
Os dados se referem ao 9º balanço da segunda fase do PAC, que em 2013, acelerou de fato. Somente em 2013, o desempenho do PAC foi de R$ 301 bilhões, 12% maior que o desempenho de 2012.
No 8º balanço divulgado pelo governo federal em outubro de 2013, 69% das obras previstas para terem conclusão até 2014 tinham sido finalizadas, correspondendo a R$ 488 bilhões.
O PAC 2 é dividido em diversos eixos de atuação.
O eixo moradia e o eixo “Minha Casa Minha Vida” foram o que receberam maior parte dos recursos:
O “Minha Casa Minha Vida” – MCMVB- concluiu obras até o final do ano passado no valor de R$ 328,1 milhões. “O Minha Casa Minha Vida entregou 1,51 milhão de moradias, beneficiando mais de cinco milhões de brasileiros, o que equivale à região metropolitana de Belo Horizonte (MG), terceira maior do país. As contratações somam, ao todo, 3,24 milhões de unidades, sendo 2,24 milhões de moradias contratadas no MCMV 2”.
Para o eixo transportes foram usados R$ 43,8 bilhões em 3 mil e 80 quilômetros de rodovias.
“Em 2013, foram finalizados os contornos das rodovias BR- 376/PR (Maringá), BR-448/RS (Rodovia do Parque) e BR-324/BA (Via Expressa ao Porto de Salvador). Ainda há obras em andamento em 6.915 km de estradas, dos quais 2.548 km de duplicação e adequação e 4.367 km de construção e pavimentação”
Já no setor ferroviário, foram 639 quilômetros de estradas de ferro. No ano passado, foram considerados destaques pelo Ministério do Planejamento para os 84 km da extensão da Ferronorte entre Rondonópolis e Alto Araguaia no Mato Grosso, concluídos no ano passado.
Foram 21 obras concluídas em Portos, com destaque para intervenções finalizadas no ano passado, segundo o Governo Federal. “Em 2013, obras como o Terminal Marítimo de Passageiros de Recife (PE), recuperação do Berço 201 do porto de São Francisco do Sul (SC), construção da Avenida Perimetral portuária na margem esquerda do porto de Santos (SP) e a recuperação e ampliação do cais comercial do porto de Vitória (ES) ficaram prontas”
A capacidade dos aeroportos foi ampliada em 15 milhões de passageiros por ano com a finalização de 22 obras: “Em 2013, foram concluídas obras como a Reforma e Ampliação do Terminal de Passageiros de Foz de Iguaçu, a ampliação do Terminal de Cargas de Curitiba no Paraná e a ampliação dos Pátios de Aeronaves de Salvador (BA) e Marabá (PA)”
O governo ainda diz que no eixo energia, as obras aumentaram a capacidade do pólo gerador brasileiro em 10 mil 200 megawatts:
“As Usinas Hidrelétricas de Jirau (3.750 MW) e Santo Antônio (3.150 MW), em Rondônia, que estão em operação e juntas já somam 1.276 MW em capacidade instalada; Simplício (333 MW) entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais; Garibaldi (189 MW) em Santa Catarina; e Mauá (361 MW) no Paraná”.
Também foram concluídas 31 linhas de transmissão, com 9 mil 828 quilômetros, de extensão e 32 subestações. “Destacam-se em 2013 a conclusão do Circuito 1 da Interligação Madeira-Porto Velho-Araraquara e Interligação Tucuruí-Macapá-Manaus”
O governo ainda informou que foram finalizados “26 empreendimentos em exploração e produção de petróleo, 18 em refino e petroquímica, oito em fertilizantes e gás natural e dois em combustíveis renováveis”.
Na área de Saneamento, no Eixo Cidade Melhor, foram 877 obras concluídas e 3 mil 398 empreendimentos contratados das seleções feitas entre 2007 e 2009, com investimentos de R$ 25 bilhões que podem beneficiar 7,6 milhões de pessoas.
Desde 2011, foram selecionados 4 mil 128 empreendimentos de saneamento básico, doa quais 54% tiveram contratação efetivada.
Apesar dos números positivos apresentados hoje pelo Governo Federal, algumas intervenções em prol da Copa e dentro do PAC -2 sofrem atrasos, em especial na área de mobilidade urbana, com menos de 15% dos projetos do PAC – 2.
O tal “legado da Copa para a população” de do PAC pode ficar comprometido. Muitas destas obras já foram elaboradas mais pensando no mundial de futebol do que na necessidade real da população e mesmo assim não vão ser finalizadas a tempo.
Além disso, há projetos dentro do PAC – 2 que podem não ser concluídos a prazos.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Destino incerto para o transporte sobre trilhos da CBTU

Foto: Claudio Costa Manso
Foto: Claudio Costa Manso
CNTU participa do Concidades

O risco de extinção, privatização e os cenários possíveis para revitalizar a companhia estão em discussão no Concidades
 Os serviços de transporte de passageiros que ainda são operados pela Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU) estão ameaçados de extinção. Mesmo  que não estejam claros eventuais interesses na privatização, a possibilidade também existe, segundo o coordenador do Departamento de Cidades e Mobilidade, da CNTU, Claudio Costa Manso, que também representa a confederação como membro observador no Conselho das Cidades (Concidades)
O destino da CBTU e seus serviços foi tema de um Grupo de Trabalho do Concidades durante  46ª Reunião Ordinária do colegiado, realizada nos dias 16, 17 e 18 de setembro de 2015, nas dependências do Ministério das Cidades em Brasília - DF. Um subgrupo de estudo, responsável pela elaboração de propostas de reforma e revitalização dos sistemas de transportes de passageiros sobre trilhos administrados pela CBTU, apresentou relatório aos conselheiros. Foram propostas  algumas condições para que a CBTU seja revitalizada.
Costa Manso explica que um novo padrão de serviço é necessário para esses sistemas que estão praticamente paralisados ou oferecendo um péssimo atendimento à população. Por isso, o Concidades deve se dedicar ao tema nas seções futuras.  Na reunião de setembro, diversos possíveis cenários foram apresentados para a recuperação dos serviços. Os trabalhos serão aprimorados pelo Grupo de Trabalho e serão apresentados na próxima reunião.
A 46ª Reunião debateu também o Estatuto da Metrópole, lei que aguarda regulamentação no Congresso e que deve ser tema de debate do Departamento de Cidades e Mobilidade da CNTU. Na ocasião foi  anunciado o lançamento da “ Cartilha Nacional do Ciclista”  cujo conteúdo trata, na forma de manual, a implantação de ciclovias e normas de condutas para a sua utilização. O lançamento ocorreu no Dia Mundial sem Carros, em 22 de agosto.
Costa Manso distribuiu aos presentes 100 exemplares da Revista Brasil Inteligente, da CNTU, que tem a mobilidade urbana entre seus temas de preocupação e que é objeto de campanha da confederação.
Redação CNTU