segunda-feira, 4 de junho de 2012

Caronetas ganha prêmio de mobilidade urbana

Desireé e Tatiana: com o Caronetas, as duas passaram a voltar juntas do trabalho
Veja São Paulo
Fernando Moraes
Uma saída simples para um problema complexo. Foi assim que um site brasileiro de incentivo à carona conquistou um prêmio internacional de soluções para o trânsito. No início do mês, o portal Caronetas ganhou o MobiPrize na categoria escolha do público, recebeu 5.000 dólares e teve sua marca divulgada internacionalmente. Organizado pela Universidade de Michigan e pela Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos, o concurso reuniu participantes de diversas partes do mundo. Para concorrer, a ideia deveria ser inovadora e replicável, além de preencher outros critérios. Entre os projetos desbancados pelo portal brasileiro estão um skate elétrico desenvolvido por um americano e um riquixá (tipo de carroça com tração humana ou motorizada, comum em países asiáticos) movido a bateria, da Holanda.

+ Sites para quem quer dar ou conseguir uma carona

+ Dar carona pode aliviar o congestionamento de São Paulo
+ Sustentável, sim. E sem ser chamado de mala

Criado em 2011 pelo engenheiro Marcio Nigro, o Caronetas é gratuito e destinado a empresas. Funciona assim: a firma se cadastra, recebe um link e inscreve os funcionários. A partir daí, os interessados divulgam seus trajetos diários, para oferecer ou pegar carona. Na visão de ecologistas e urbanistas, o compartilhamento de veículos, além de trazer benefícios ao meio ambiente e ao tráfego, proporciona vantagens ao motorista, ao passageiro e ao empreendimento que abraça a causa. Ou seja, o condutor pode dividir os custos, o viajante ganha tempo e a empresa supre uma deficiência cada vez mais comum: a falta de vagas em suas garagens e nos estacionamentos particulares do entorno para abrigar os carros de seus funcionários. “A prática é benéfica para todos”, diz Nigro, que nutre o sonho para lá de otimista de tirar metade dos automóveis das ruas da capital nos próximos anos. Hoje a frota circulante de veículos em São Paulo é estimada em 3,8 milhões. Boa parte dos carros roda apenas com uma pessoa (a taxa de ocupação é de 1,4 pessoa por veículo, segundo a CET). O portal reúne 1.100 estabelecimentos e tem 265.000 usuários cadastrados — quase todos da cidade. Detalhe: 100 companhias se juntaram à causa na semana seguinte à divulgação do prêmio.
Instalada no centro, a empresa de tecnologia da informação Alog fechou parceria com o Caronetas em dezembro e fez uma ação promocional interna. As colegas Tatiana Botta, de 37 anos, e Desireé Meneguim, 29, se encontravam no trabalho, mas só descobriram que eram vizinhas na Vila Prudente, Zona Leste, após se cadastrarem no portal. Há quatro meses, começaram a voltar juntas para casa. O trajeto dura cerca de vinte minutos e Tatiana deixa Desireé a duas quadras de sua residência. Engajada, Tatiana resolveu abrir a porta de seu carro em nome de um trânsito melhor e um ar mais limpo. “Eu me sentia mal por dirigir um veículo grande (Chevrolet Cruze) e ficar sozinha lá dentro”, conta.
O reconhecimento no exterior joga luz sobre outras iniciativas semelhantes em operação na cidade. Inspirados em ferramentas de sucesso em diversos países, como o francês Covoiturage e o americano Zimride, sites como esses passaram a ser desenvolvidos por aqui há cinco anos. Os pioneiros foram o UniCaronas e o Caroneiros, ambos lançados em 2007 por alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O primeiro é voltado para universitários que buscam uma vaga em carros de colegas para ir e voltar da faculdade. O segundo nasceu aberto à população e alguns anos depois também passou a fechar parcerias com instituições
Fernando Moraes
Mario Sebok: CEO de um dos primeiros sites pró-carona desenvolvidos no país
Mario Sebok: CEO de um dos primeiros sites pró-carona desenvolvidos no país
Para crescerem e se consolidarem, o maior desafio desses sites é transmitir segurança aos usuários. Afinal, ninguém quer dividir a viagem com desconhecidos. A melhor opção encontrada até agora é exatamente a parceria com empresas. “Ao acessar o site, o interessado usa o seu e-mail corporativo e sente-se mais confortável ao saber de onde a outra pessoa vem e o que ela faz”, explica Nigro. Apesar disso, o cuidado não representa uma garantia total. Outra barreira a ser rompida é a do preconceito. “Diferentemente do estrangeiro, o brasileiro acha que andar de carona é coisa de pobre”, afirma Mario Sebok, CEO do Caroneiros. Enquanto isso, os negócios procuram soluções para se tornar sustentáveis. Até hoje nenhum deles dá lucro. Mais uma vez, o Caronetas quer largar na frente. Seus responsáveis estudam implementar uma moeda virtual: o passageiro pagaria pela viagem por meio do site e o motorista receberia créditos para gastar em lojas cadastradas. Dessa forma, o site lucraria ao direcionar seus usuários aos estabelecimentos comerciais. Certamente, o prêmio servirá de carona para que o Caronetas chegue lá.


SINAL VERDE
As principais iniciativas que aproximam quem tem espaço de sobra no carro dos que não possuem veículo próprio

Caronetas
No ar desde 2011, é voltado apenas para quem trabalha em empresas parceiras. Ao se cadastrar, a firma recebe um link para inscrever seus funcionários, que divulgam os trajetos com o objetivo de oferecer ou pegar carona. Reúne 1.100 companhias e tem 265.000 usuários cadastrados — cerca de 85% deles são da cidade de São Paulo.

Caroneiros
Aberto a todos, disponibiliza uma lista de trajetos onde há vagas em veículos. A partir daí, por meio de uma rede social, o interessado entra em contato com o motorista para acertar os detalhes. Motorista e passageiro têm acesso ao perfil de seus parceiros de viagem. Fundado em 2007, conta com 16.000 usuários e dez empresas cadastradas.

UniCaronas
Lançado há cinco anos, foi criado por dois alunos do curso de engenharia da computação da Unicamp. Em 2009, deixou de ser exclusivo dessa faculdade para contemplar outras instituições de ensino. Atende estudantes de 53 universidades no estado, entre elas USP e Mackenzie na capital. Soma cerca de 12.000 usuários ativos.

Carona Solidária
Tem cerca de 3.500 usuários da Grande São Paulo e do interior. Entre as pessoas que recorrem ao site, há quem busque companhia ou vaga para viajar da capital para outras cidades ou realizar viagens urbanas. Nascido em Marília (a 438 quilômetros de São Paulo) em 2010, também é utilizado por quinze empresas.
 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Acontececerá no Guarujá a 53ª Reunião do Fórum Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte e Trânsito


A 52ª Reunião do Fórum Paulista ocorreu ontem e hoje no Auditório do CIESP, localizado na Avenida Navarro de Andrade s/nºem Jundiaí/SP com a presença de 27 cidades e 210 participantes.

Abertura

Ontem às 9 horas ocorreu a solenidade de abertura, com a participação do prefeito de Jundiaí, Miguel Moubadda Haddad, e demais autoridades. No segundo dia, 1º de junho, as atividades foram abertas às 9 horas e se estenderam até as 13 horas.  

Temas

De acordo com o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos) e presidente do Fórum Paulista, Rogério Crantschaninov, a programação incluiu, além de uma apresentação a respeito dos programas de mobilidade urbana de Jundiaí, debates sobre os seguintes temas: Aglomerado Urbano, Processos de identificação de fatores de risco em acidentes viários, Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP), Lei de Mobilidade Urbana, Programas de segurança viária – Experiências de êxito, Subsídios ao sistema de transporte coletivo urbano, com a presença do Deputado Federal Carlos Zaratini e a exposição sobre o projeto de lei 310/08, de sua autoria, que agora que tramita no Senado.

A próxima reunião do Fórum Paulista ocorrerá na cidade do Guarujá, em novembro próximo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

NTU, que faz parte do secretariado do MDT, lança o portal BRTBrasil


A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) lança hoje, 30 de maio o portal BRTBrasil. O pré-lançamento aconteceu em 8 de maio de 2012, data da abertura do 2º Seminário Nacional de Mobilidade Urbana e da II EXPO Mobilidade Urbana, eventos promovidos em São Paulo pela ANTP.  

Garantir o sucesso dos BRTs

O portal BRTBrasil será o canal de comunicação para divulgação do Programa BRT Brasil, uma iniciativa da NTU com o propósito de garantir o sucesso dos novos sistemas de BRT em implantação ou revitalização no País e acompanhar a operação desses sistemas após o término das obras. 

Impulso

Vinte projetos de BRT integram o plano de mobilidade urbana para as cidades-sede da Copa 2014. A NTU acredita que os bons resultados a serem obtidos com a operação desses novos sistemas deverão impulsionar a ampliação de investimentos em mobilidade urbana nas médias cidades brasileiras. 

Endereço

Acesse o portal BRT Brasil por meio de link ao final desta notícia. Veja também o link para o espaço do BRTBrasil no Facebook

terça-feira, 29 de maio de 2012

BC amplia financiamento para obras de saneamento e mobilidade urbana



O Diário Oficial da União publica hoje a resolução do Banco Central que amplia de R$ 18,1 bilhões para R$ 19,2 bilhões o limite de crédito das operações destinadas a obras de saneamento básico no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A resolução foi aprovada em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), na semana passada. Os recursos são do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

De acordo com o Ministério da Fazenda, o acréscimo de R$ 1,1 bilhão vai beneficiar projetos novos aprovados em 2011, abrangendo 124 municípios com até 50 mil habitantes selecionados pelo Comitê Gestor do PAC.

Todas as operações com as instituições financeiras a serem realizadas pelos municípios selecionados passarão por análise do Tesouro Nacional com base na capacidade de endividamento.

O CMN também aprovou a abertura de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões para projetos de mobilidade urbana inseridos no PAC 2 (Mobilidade Grandes Cidades). Os projetos, divulgados pelo Ministério das Cidades (Portaria nº 185/2012), também foram selecionados pelo Comitê Gestor do PAC.
Agência Brasil

segunda-feira, 28 de maio de 2012

OBRAS DE MOBILIDADE DA COPA TEM 55% EM ANDAMENTO

Balanço divulgado quarta passada (23) pelo governo federal revela que apenas 5% das obras para a Copa do Mundo de 2014 foram concluídas. Entram no cálculo obras de estádios, mobilidade urbana e infraestrutura, como portos e aeroportos. Esses projetos terminados equivalem a 1% do investimento total previsto para o Mundial, que é de R$ 27,1 bilhões, de acordo com o governo - veja relatório do governo sobre as obras.
Os dados mostram que 41% das obras nem começaram - dessas, 9% tiveram a licitação concluída, 17% estão em processo de licitação e 15% ainda estão em fase de elaboração do projeto.

MOBILIDADE:

De acordo com o balanço divulgado pelo governo, entre as obras de mobilidade urbana, o percentual de empreendimentos ainda não iniciados é de 45%, o que representa 39% dos recursos destinados ao setor. Dos empreendimentos em mobilidade urbana, 55% estão em andamento.
Publicado Quarta-Feira, 23 de Maio de 2012, às 15:15 | Do G1

"MDT tem defendido que legado das obras da Copa são Sistemas de Trans porte operando em 2014 e não canteiros de obras atravancado ainda mais as vias lotadas de automóveis com seus ônibus circulando nesses congestionamentos. Legado também é ter sistemas cicloviários e calçadas acessíveis funcionando nas ligação entreas arenas e os centros principais das cidades."

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias teve a presença do Coordenador do MDT, Nazareno Affonso


No dia 24 de maio foi instaurada a Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias e que tem como objetivos debater políticas públicas de mobilidade urbana e atuar pela implantação de ciclovias nas cidades brasileiras. O ato de lançamento foi realizado no Plenário 13. Antes disso houve um passeio ciclístico da Catedral até a Câmara.

A iniciativa de criação da Frente Parlamentar é das deputadas Marina Santanna (PT-GO) e Rebecca Garcia (PP-AM) e dos deputados Márcio Macêdo (PT-SE), Policarpo (PT-DF) e Vicentinho (PT-SP)- este não pode participar da solenidade. Entre as metas da Frente Parlamentar estão também a discussão de medidas de integração entre a bicicleta e os modos coletivos de transporte, e o incentivo à adoção de políticas e ações para implementação de infraestrutura do sistema cicloviário brasileiro.

Além de parlamentares que integram a frente, participaram da solenidade de lançamento o Dep. Amauri (PT -BA), Dep.Jesus (PT-SE), Dep.Serkis (PV-RJ); Dep.Rosana Ferreira (PV_PA),  representantes dos ministérios dos Transportes, da Saúde, do Meio Ambiente - Secretário Nacional de Gestão Hídrica e Urbana) e das Cidades;  pela Sociedade Civil o MDT através de seu Coordenador Nacional, o  dirigente da ANTP Goiás, a União dos Ciclistas do Brasil, Rodas da Paz, Pedal Goiano, Universidade Nacional de Brasília.

O coordenador do MDT, falou da importância da Lei da Mobilidade Urbana para os movimentos e entidades da sociedade civil de organizarem para não permitir no primeiro momento que novas obras de mobilidade privilegie o automóvel e que agora é lei que devem primeiro garantir espaço no sistema viário para as calçadas , ciclovias ou ciclofaixa , transporte coletivo e só então ter espaço para os automóveis e que não pode exceder 30% do viário. Disse também da necesidade da integração com os sistemas de transportes públicos, atenção a segurança nos casos de vias compartilhadas que exceda 50 km hora e da importancia do engajamento na Jornada Brasileira " Na Cidade Sem Meu Carro", organizada nacionalmente pela ONG RUA VIVA e defendeu que a indústria automobilística precisa definir sua contribuição para a mobilidade sustentável para  retribuir , nem que seja em parte as benesses do governos desde que se instalaram no Brasil.

Rebecca Garcia, que será coordenadora da Frente na Região Norte, disse que pretende viabilizar propostas alternativas e sustentáveis para aumentar a quantidade de ciclovias, e fortalecer o Fórum das Bicicletas na Amazônia.

A Frente Parlamentar aprovou seu estatuto, decidiu fazer audiencias públicas nos vários Estado a começar pelo Distrito Federal e Aracajú  e discutir se incorpora as calçadas no seu escopo, bem como dar atenção especial a questão da segurança de trânsito.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Coordenador do MDT participará do Fórum Cidades Amigáveis


A ANTP e a Prefeitura de São Caetano do Sul promoverão nos dias 16 de 17 de junho de 2012, no Campus II do IMES - Universidade Municipal de São Caetano do Sul (Rua Santo Antônio, 50, junto à estação rodoferroviária da cidade) o Fórum Cidades Amigáveis.

Objetivos.

O evento que tem por objetivo proporcionar a reflexão e a discussão sobre o uso do espaço viário. Visa conscientizar a população de que a rua não é apenas um espaço de circulação, mas, também, e principalmente, um espaço de vida.

Uso adequado do automóvel.

Os organizadores assinalam que não se trata de um evento contra o automóvel – “veículo de utilidade para as pessoas” – , e sim um debate sobre o uso adequado e justo desse tipo de veículo, de maneira a favorecer o compartilhamento do espaço viário com segurança para todos e a qualidade de vida das pessoas na cidade.

Ações saudáveis.

O evento irá fortalecer a ideia de ações mais saudáveis, como a marcha a pé e a bicicleta e o uso da rua como espaço de reencontros e de convivência.

Sessões de debate.

O primeiro dia do Fórum Cidades Amigáveis, 16 de junho, será destinado às sessões de debate, com uma abertura solene e quatro conferências, sobre os temas: Cidade Amigável é Cidade Segura, Segurança viária e externalidades no transporte público, Tráfego compartilhado em áreas urbanas: boas práticas brasileiras, e Saúde e Segurança de Ciclistas e Pedestres.

Mobilização para saúde e lazer.

O dia 17 de junho será dedicado à mobilização para a saúde e lazer, com atividades ao ar livre: Passeio ciclístico na Avenida Presidente Kennedy, em São Caetano do Sul; oficinas com crianças, show de malabarismos e plantio de árvores e vivências com mobilidade reduzida.  Haverá a apresentação de painéis e faixas educativas e institucionais ao longo do circuito do passeio ciclístico, e estandes de expositores, no local do início do passeio, e onde também ocorrerão as oficinas.

Informações completas. Para informações mais detalhadas, acesse a fica técnica do Fórum Cidades Amigáveis ao final desta notícia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

IPI reduzido e a mobilidade das cidades

Será que o modelo atual de cidade é aquela onde a posse de um carro se torna imprescindível em face da carência de transporte público, do desenvolvimento das indústrias automobilísticas, da grande oferta de crédito e do crescimento da construção civil? Medidas de redução do IPI resolvem problemas pontuais, mas contribuem para problemas crônicos como o excesso de veículos, a poluição e os acidentes e mortes no trânsito das cidades.


Veja uma análise desta situação neste texto publicado no Blog Ponto de Ônibus:


ADAMO BAZANI – CBN

Mais uma vez no momento em que a economia brasileira se vê ameaçada, apesar de a equipe econômica do Governo Federal tentar passar a imagem de tranqüilidade, são anunciadas medidas pontuais de estímulo à produção.
E mais uma vez adivinhe quem vai ser beneficiada? A indústria de carros.
Obviamente que num momento iminente de uma eminente crise, o País tem de se mexer para não comprometer o nível de renda e de emprego de seus cidadãos.
Mas é sempre o mesmo remédio, desde a época que nossos presidentes vestiam fardas e tinham medalhas no peito. Sinal de crise? Vamos fazer medidas para baratear a produção dos carros no País.
E hoje, o governo, cujo alguns integrantes foram ameaçados pelos homens de farda, usa a mesma receita.
Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote de incentivos para a produção de carros de passeio.
Os veículos flex (movidos à gasolina e álcool) tiveram o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados reduzido da seguinte maneira:
Carros 1.0 – de 7% para ZERO de alíquota.
Carros 1.1 a 2.0 – de 11% para 5%
Já para os veículos com um combustível as reduções são:
Carros 1.1 a 2.0 – de 13% para 6,5%
Os utilitários tiveram imposto reduzido de 4% para 1%.
Os benefícios valem para os veículos produzidos no Brasil ou mesmo fora do país, que estejam inclusos no Regime Automotivo do Mercosul.
As reduções valem até agosto, prazo que deve somar uma renúncia fiscal de R$ 1 bilhão para o Governo Federal.
Em contrapartida, mesmo tendo significativas reduções, as indústrias vão oferecer aos clientes descontos bem menores:
- 2,5 % para carros 1.0
- 1,5% para carros 1.1 a 2.0
- 1% para utilitários.
A previsão já não é nenhum exercício de raciocínio para ninguém: ao passar o período de ameaça de crise, o carro brasileiro volta a ser um dos mais caros do mundo, com alta carga tributária. Política que desonere de forma estrutural a produção, só mesmo nos discursos de esquerda e direita (embora estes conceitos não estão mais definidos)

BOLHAS E MOBILIDADE:

Um dos grandes problemas quando ocorrem estes estímulos é que são geradas bolhas de vendas de carros que possuem impactos diretos na mobilidade das cidades.
Aí, não tem rodízio que dê conta.
Enquanto os transportes públicos não recebem os mesmos incentivos que os carros de passeio, a qualidade não melhora.
Isso faz então com que o cidadão migre de seu carro para outro carro.
Em vez de usar o transporte público para driblar o rodízio de veículos, como é adotado em São Paulo, a pessoa vai para o segundo carro.
E o filho ou filha que entrou na faculdade, em vez de ir estudar de ônibus fretado, que não pode mais circular nas áreas importantes de São Paulo, por exemplo, ganha um carro de presente por ter passado no vestibular. Afinal, comprar carro está mais barato, mais fácil, com juros menores e prazos maiores.
Nada contra medidas de estímulos à produção de automóveis. Eles não são vilãos e a indústria automotiva emprega muita gente.
Mas por que os incentivos não são mais direcionados à mobilidade nas cidades, que precisam muito mais que PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e sim de POLÍTICAS PÚBLICAS?
O excesso de veículos causa congestionamentos e poluição, que podem ser traduzidos, por exemplo, em perda de produtividade (gente parada em sem fazer nada no trânsito) e em poluição (gastos com saúde).
Além disso, não se pode esquecer que a mobilidade urbana também gera muitos empregos.
PARA FINALIZAR, UM DADO IMPORTANTE DO DENATRAN: De 2000 a 2010, a frota de veículos no Brasil cresceu 119% e já ultrapassa 66 milhões de carros. Para neutralizar toda essa emissão de gás carbônico seriam necessárias mais 11 Matas Atlânticas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes