quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Confira a programação de hoje da 20 Semana de Tecnologia Metroferroviária

 

Auditório - 09:00 às 10:20

Painel 5 - A Gestão como Fator Crítico de Sucesso de Grandes Empreendimentos de Infraestrutura

Discutir fatores críticos de sucesso de grandes empreendimentos de infraestrutura, abordando como a gestão pode influenciar o seu desempenho.
Em diversas partes do mundo, pesquisas indicam que o sucesso no gerenciamento de grandes projetos de infraestrutura, como é o caso da implantação de sistemas de transportes metroferroviários, tem sido um objetivo difícil de ser alcançado por empresas públicas, privadas e órgãos governamentais responsáveis por sua execução.
  • Coordenador:
    Guilherme Ary Plonski – Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – FEA e da Escola Politécnica – POLI, ambas da USP
  • Palestrantes:
    José Roberto Bernasconi – Presidente, Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva – Sinaenco
    Marco Antonio Buoncompagno – Gerente, Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô
    Margareth F. Santos Carneiro – Professora e Consultora da Fundação Getúlio Vargas – FGV

Sala 1 - 9:00 às 9:40

A Influência da Conectividade na Configuração da Rede Metroferroviária e no Desenvolvimento da Cidade - T17
Apresentador e autor
  • Dionísio M. M. Gutierres
Autores
  • Dionísio M. M. Gutierres
  • Leonardo C. L. dos Santos
Categoria 1 – Políticas públicas, planejamento urbano, mobilidade sustentável, planejamento e concepção de sistemas de transporte

Sala 4 - 9:00 às 9:40

Proposta de Terminal de Manobra para Sistemas de Transporte Metroferroviário de Alto Desempenho. Um Projeto Integrado - T18
Apresentador e autor
  • Rubens Tadeu de Azevedo
Trabalho finalista do Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários 2014

Sala 5 - 9:00 às 9:40

O Tratamento Paisagístico nas Estações do Metrô - T185
Apresentador
  • Michelle Nazakato Mikaro
Autores
  • Michelle Nazakato Mikaro
  • Neila Custódio

Sala 1 - 9:40 às 10:20

Impacto da Proximidade a Estações de Metrô sobre o Comportamento da Demanda por Transportes - T19
Apresentador
  • Dionísio M. M. Gutierres
Autores
  • Dionísio M. M. Gutierres
  • Orlando Strambi
Trabalho finalista do Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários 2014

Sala 4 - 9:40 às 10:20

Palestra ALSTOM - T20

Sala 5 - 9:40 às 10:20

Sistema de Monitoramento Automatizado 3D em Tempo Real - T205
Apresentador
  • Jaderson Antunes Pinto
Autores
  • Jaderson Antunes Pinto
  • Jorge Massayoshi Ono
  • Monique C. Curtulo
  • Patrick Carlos Pires
  • Paulo Wagner
  • Roberto Akira Kawahara
  • Sergio R. Arruda Leme


Visite a MetroFerr - intervalo 20 minutos


Auditório - 10:40 às 12:00

Painel 6 - Trens Regionais, uma Necessidade e Oportunidade de Reorganização Territorial

No espaço em que se configura a macrometrópolepaulista concentra-se expressiva parte da população e do PIB do estado, o que implica reconhecer o transporte sobre trilhos como sistema estruturador essencial ao desenvolvimento econômico e social dessa ampla região.
Este painel evidenciará a urgência na concretização dessa infraestrutura e apresentará projetos de trens regionais em São Paulo, analisando benefícios diretos e indiretos vinculados à viabilização de projetos dessa natureza, vetores da reordenação do uso e ocupação do território, gerando oportunidades para o mercado imobiliário e qualificando a evolução sustentável das metrópoles brasileiras.
  • Coordenador:
    Mário Manuel Seabra Rodrigues Bandeira – Presidente, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM
  • Palestrante
    Raul Coleto Sierra – Consultor, IDOM
    Renato Pires de Carvalho Viegas – Presidente, Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano – EMPLASA
    Thierry Besse – Assessor Técnico, Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo


Sala 1 - 10:40 às 11:20

Automatização do Sistema de Sinalização de Rotas de Fuga em Túneis do Metrô de São Paulo - T21
Apresentador
  • José Augusto de Araujo Junior
Autores
  • José Augusto de Araujo Junior
  • Renato Ferreira da Costa
  • Ricardo Frade Mouriño

Sala 4 - 10:40 às 11:20

Palestra: Mobilidade, Poluição e Saúde
Apresentador
  • Evangelina Vormittag
    Instituto Saúde e Sustentabilidade

Sala 5 - 10:40 às 11:20

Sistema de Gestão de Base de Conhecimento de Requisitos para Sinalização e Controle - T225
Apresentador
  • Carlo Borsoi Moura
Autores
  • Carlo Borsoi Moura
  • Rubens Navas Borloni

Sala 1 - 11:20 às 12:00

Melhoria da Precisão do Ponto de Parada dos Trens nas Estações, na Modalidade Ato, nas Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô-SP - T23
Apresentador
  • Paulo Sérgio Siqueira de Carvalho
Autores
  • Paulo Sérgio Siqueira de Carvalho
  • Regis Peleggi
Categoria 3: Tecnologias de implantação, operação e manutenção de sistemas de transporte

Sala 4 - 11:20 às 12:00

Palestra: Alternativas de Transporte Público Sustentável de Média Capacidade - T24
Apresentador
  • Peter Ludwig Alouche

Sala 5 - 11:20 às 12:00

Tecnologias de Segurança e Detecção de Vulnerabilidades em Sistemas de Automação Metroviária - T245
Apresentador
  • Gilmario Ribeiro
Autores
  • Bruno Leça Ribeiro
  • Gilmario Ribeiro

período da manha
Tarde de Quinta feira, 10/09/2014

Auditório - 13:30 às 15:00

Painel 7 - Integração e Racionalização para Eficiência e Melhoria do Transporte Público

A integração e racionalização dos sistemas sãos fundamentais para a redução de custos e aumento da eficiência do transporte público. Este painel debaterá os benefícios da racionalização dos sistemas e os impactos das políticas de integração multimodal e tarifária, do congelamento de tarifas e da remuneração dos operadores privados, nas finanças públicas e nos riscos para os operadores.
  • Coordenador
    Pedro Armante Carneiro Machado - Membro do Conselho Deliberativo da AEAMESP
  • Palestrantes:
    Alberto Epifani – Gerente, Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô
    Ana Odila de Paiva Souza – Diretora, São Paulo Transporte S.A. – SPTrans
    Raul Velloso – Consultor

Sala 1 - 13:30 às 14:15

Gerenciamento de Programas - Modelo de Gestão Integrada em Projetos de Expansão do Setor Metroferroviário - Conceito PMI (Project Management Institute) - T25
Apresentador e autor
  • Jayme Domingo Filho
Trabalho finalista do Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários 2014

Sala 4 - 13:30 às 14:15

Palestra CAF BRASIL: VLT como solução ideal para transporte de média capacidade - T26
Apresentador
  • Ricardo Sanchez

Sala 5 - 13:30 às 14:15

Palestra ABIFER: Panorama da indústria ferroviária no Brasil - T265
Apresentador
  • Vicente Abate

Sala 1 - 14:15 às 15:00

Artefatos para Gerenciamento de Projetos em Infraestrutura - T27
Apresentador
  • Leandro Kojima
Autores
  • Leandro Kojima
  • Rafael Barreto Gatti
Trabalho finalista do Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários 2014

Sala 4 - 14:15 às 15:00

Palestra Consolis: Sistemas de Via sem Lastro - Tecnologia Francesa a Serviço dos Transportes Urbanos - T28
Apresentador
  • Rafaella Franco

Sala 5 - 14:15 às 15:00

Palestra TRENSURB: Tecnologia Aeromóvel Aplicada - T285
Apresentador
  • Ernani da Silva Fagundes


Visite a MetroFerr - intervalo 20 minutos


Auditório - 15:30 às 17:00

Painel 8 - Monotrilho e VLT contribuindo para a mobilidade urbana no Brasil

Fazer um balanço dos empreendimentos em implantações e projetados no Brasil e como estes novos modais irão contribuir na mobilidade urbana.
Apresentar o que o Metrô de SP está fazendo para garantir um nível de operação e manutenção equivalente ao das suas linhas em operação no Monotrilho da Linha 15 - Prata. No âmbito dos sistemas de VLT, apresentar o sistema em implantação pela EMTU-SP.
  • Coordenador
    Silvestre Eduardo Rocha Ribeiro – Diretor, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM
  • Palestrantes:
    Halan Lemos Moreira – Presidente, Associação Brasileira de Monotrilhos – ABRAMON
    Joaquim Lopes da Silva Júnior – Presidente, Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo – EMTU
    Augusto Schei Consórcio VLT Carioca
    Paulo Sérgio Amalfi Meca – Gerente, Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô


Sala 1 - 15:30 às 16:15

A Sinergia entre o Hidroanel Metropolitano e Expansão da Rede de Trilhos Paulistana - T29
Apresentador e autor
Murilo Macedo Gabarra
Trabalho finalista do Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários 2014

Sala 4 - 15:30 às 16:15


Retirada de Tirantes com Interferência no Traçado do Túnel - T30
Apresentador
Sergio Renato de Arruda Leme
Autores
Sergio Renato de Arruda Leme
Thiago de Oliveira Pires
Waldir José Giannotti
Trabalho finalista do Prêmio Tecnologia e Desenvolvimento Metroferroviários 2014


Sala 1 - 16:15 às 17:00

Identificação dos Principais Fatores de Risco em Projetos de Infraestrutura de Transporte de Passageiros sobre Trilhos na Modalidade Parceria Público-Privada - T31
Apresentador e autor
Vagner Sanches Vasconcelos
 
Categoria 2 – Financiamento (funding) e gestão de empreendimentos de transporte

Sala 4 - 16:15 às 17:00

Manual de Entrega de Obras: Ferramenta Fudamental para a Manutençãodas Estações- T32
Apresentador
Celio Marcos Penteado Emerique
Autores
Celio Marcos Penteado Emerique
Marcio Guimarães Mende
Renato Klages Giannela



Auditório - 17:00

Palestra CREA-SP



Visite a MetroFerr
Terça 09 Quarta 10 Quinta 11 Sexta 12
Fim da quinta feira, 11/09/2014
período da manha período da tarde

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Dia Mundial Sem Carro

No dia 22 de setembro, em cidades do mundo todo, são realizadas atividades em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades, no que passou a ser conhecido como Dia Mundial Sem Carro.


O objetivo principal do Dia Mundial Sem Carro é estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, além de propor às pessoas que dirigem todos os dias que revejam a dependência que criaram em relação ao carro ou moto. A ideia é que essas pessoas experimentem, pelo menos nesse dia, formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade sem usar o automóvel e que há vida além do para-brisa.

No Brasil



A data foi criada na França, e no Brasil, veio através do Instituto Rua Viva, em 1997 adotada por vários países europeus já no ano 2000. Na cidade de São Paulo são realizadas atividades desde 2003. Com pedalada-manifesto em 2004, No ano de 2005 houve até visita à Câmara de Vereadores. Até 2006 essas atividades eram realizadas principalmente por iniciativa de cicloativistas e participantes da Bicicletada, com apoio da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.


As iniciativas dos ciclistas paulistanos continuaram ocorrendo em 2007 e 2008, mas desde 2007 passamos a contar com o Movimento Nossa São Paulo para engrossar o coro, realizando novas atividades e eventos e trazendo mais visibilidade para a data.


Várias outras cidades brasileiras passaram a “comemorar” a data, no mínimo com uma Bicicletada, no dia 22. Em 2010, houve atividades na semana toda em vários estados. Já em 2011, algumas cidades programaram eventos para o mês inteiro, que começou a ser chamado informalmente de Mês da Mobilidade. De lá para cá, a adesão de cidadãos e poder público só aumentou, bem como o esclarecimento correto sobre o DMSC.

Mas qual o problema em andar de carro?

Andar de carro por si só não parece um grande problema. Para entender melhor o real cenário, é preciso afastar-se da visão individual e analisar todo o conjunto.

Locomotiva abandonada em Paranapiacaba. Foto: Versurix, via Flickr

Como chegamos aqui


Ao longo do último século, nossas cidades foram adaptadas para atender prioritariamente ao carro, não às pessoas que nelas vivem. Investiu-se muito mais no uso individual do automóvel do que em soluções de transporte de massa. À medida que as cidades e o país cresciam, deu-se ênfase em possibilitar a venda massificada de automóveis (com incentivos contínuos às montadoras) e à criação de infraestrutura para que esses carros rodassem.

Nessa política, cada cidadão deveria resolver por conta própria o “seu” problema de mobilidade. O carro incorporava cada vez a imagem de liberdade de ir e vir quando, na realidade, não era sinônimo de liberdade, mas a alternativa que restou. Para mover “massas” de pessoas, deveria haver mais opções de transporte “de massa”.


As ferrovias foram desmanteladas ao longo do século e as hidrovias não saíram do papel. As rodovias se espalharam por todo país, até no coração da floresta amazônica, levando o desmatamento e a poluição no porta-malas. Mesmo os investimentos em transporte coletivo sobre rodas foram sempre muito menores que os investimentos diretos ou indiretos no modelo de mobilidade individual e particular. As ruas, avenidas, pontes e túneis, supostamente criados para atender à demanda, foram agindo como estimuladores dessa demanda, criando um círculo difícil de quebrar: cada vez mais carros ocupando a estrutura criada acabam necessitando de ainda mais espaço, exponencialmente.

As cidades deixaram de ter caminhos por onde as pessoas e os rios passavam para ter caminhos para “chegar rápido de carro”. Atravessar as ruas sem uma armadura de uma tonelada se tornou, cada vez mais, uma aventura perigosa. As cidades deixaram de ser das pessoas e passaram a ser dos carros.

O mau uso do automóvel



O carro é uma invenção maravilhosa. Com um veículo a motor, você pode carregar centenas (milhares?) de vezes o que conseguiria carregar com as mãos. Pode levar pessoas enfermas até um hospital, suprir deficiências de mobilidade e transpor distâncias enormes.

O problema começa a se mostrar quando você percebe que a quase totalidade dos motoristas nas cidades são pessoas sem nenhuma restrição de mobilidade, que estão carregando apenas uma blusa ou um caderno, não estão sendo levadas a hospital algum e estão fazendo um trajeto que muitas vezes não chega nem a 10 km
.
Todos saindo com seus carros no mesmo horário causam o efeito mais visível da mobilidade baseada no automóvel: o congestionamento. Outros efeitos são mais difíceis de perceber e alguns até impossíveis de mensurar com exatidão: mortes e sequelas de vítimas de acidentes, stress,isolamento e frustração, agressividade e violência, doenças cardiovasculares e respiratórias, menor tempo para convívio com a família, poluição do ar e das águas, consumo exagerado de recursos naturais, impermeabilização do solo e aumento da temperatura das cidades, diminuição do espaço para convívio entre as pessoas, mudanças na sociedade e degradação nas relações entre as pessoas, prestígio e autoestima atreladas ao automóvel e outras mais.

Nossa! Então tá! O que eu posso fazer?



O dia 22 de setembro é uma oportunidade para que as pessoas experimentem vivenciar a cidade de outra forma. Transporte público, bicicleta e mesmo a caminhada são alternativas saudáveis e cidadãs, que contribuem com o meio ambiente, com a sua saúde e até com a locomoção daqueles que realmente necessitam utilizar o carro, sobretudo em situações especiais de mobilidade (melhor idade, gestantes, transporte de crianças pequenas, pessoas com necessidades especiais, etc). Até a carona solidária, combinada com um colega de escritório que more perto da sua casa, já ajuda bastante.

Se você utiliza o carro no dia a dia, faça um desafio a si mesmo no mês de setembro e descubra se você é capaz de passar um único dia útil no ano sem seu carro. A cidade, o planeta e nossas crianças agradecem!

Vá de Bike

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Mobilidade Urbana em seus vários aspectos

A atual crise da mobilidade urbana é de natureza estrutural e remonta do caráter residual da ação do Estado em face das transformações sociais e demográficas ocorridas no Brasil nos últimas décadas. Entre 1950 e 2010, a população brasileira quase quadruplicou (de 51,9 para 190,7 milhões), a população urbana cresceu mais de oito vezes (de 18,7 para 160,0 milhões) e a taxa de urbanização passou de 36% para 84,3%.CONJUNTOS DE QUESTÕES
Mobilidade e desenvolvimento. O primeiro conjunto de questões sobre mobilidade e desenvolvimento, busca identificar por que a mobilidade urbana deveria ser um dos eixos da dimensão social do desenvolvimento, em que medida está efetivamente considerada na atual estratégia de desenvolvimento e nas políticas públicas em curso no País, os principais avanços que teve na última década nas grandes cidades, os principais constrangimentos e desafios que se encontram no século 21 e os fatores para superação dos constrangimentos apontados. Também procurou saber se a sociedade brasileira será capaz de universalizar a mobilidade urbana como direito da cidadania ainda no século 21 e quanto custará esse processo.
Matriz do transporte urbano. O segundo conjunto de questões trata de focalizar a matriz de transporte urbano, inquirindo se as cidades são feitas para pessoas ou para automóveis. Nesse segmento o debate procurou saber como efetivar a prioridade para o transporte coletivo, se é possível mudar a atual matriz de transportes e as políticas econômicas e setoriais a serem adotadas para esse fim. Buscou também identificar o paradigma atual de tecnologia e inovação em mobilidade do século 21 disponível nos países desenvolvidos, e se, como ocorre na área da saúde, é possível observar um complexo produtivo do transporte público “percebido pela existência de segmentos com maior densidade tecnológica (áreas intensivas em tecnologia)”, se há outras oportunidades e desafios tecnológicos, e quais seriam os núcleos de uma política industrial e tecnológica voltada para a inovação e elevação da produtividade no setor de transporte público.
Modais mais adequados às cidades. O terceiro grupo de questões voltou-se à identificação dos modais mais adequados para metrópoles e cidades de grande porte. Buscou-se discutir se a política de mobilidade deve ser diferente para as cidades pequenas, as medias e as grandes; se as cidades de grande porte e as regiões metropolitanas deveriam ter uma política de mobilidade baseada em modais de alta capacidade, como metrô e trem e suplementada pelos ônibus. Também se indagou se apenas a ampliação da oferta de ônibus e de vias exclusivas para a sua circulação seriam suficientes para fazer com que o usuário do automóvel passe a utilizar o transporte público, e se desestímulo ao transporte individual deve ser feito com a melhora do público ou com a oneração da propriedade ou uso do automóvel.
Transporte público como motor do crescimento. O quarto grupo de questões tem como foco o transporte público como motor do crescimento. Algumas perguntas buscaram estabelecer se efetivamente o transporte público pode vir a ser um dos motores do crescimento da economia brasileira, as áreas em que o investimento deve ser prioritário, as cadeias produtivas a serem incentivadas. Buscaram também saber se é possível repetir os efeitos observados na indústria naval e outras associadas à exploração de petróleo, por meio de um pacote anunciado de investimentos e políticas de conteúdo local e compras governamentais, e quais poderiam ser outros instrumentos e contrapartidas aplicáveis a esse propósito. Por fim, uma pergunta procurou determinar quais seriam as propostas apresentadas para o fomento da tecnologia e da inovação.
Financiamento de investimentos. O quinto ponto voltou-se para o tema do financiamento de investimentos. Busca-se estabelecer se há um problema de financiamento para expansão dos serviços de transporte, como financiar a ampliação da oferta, o que tem sido feito no sentido de criar uma base de financiamento estável para o setor, as externalidades decorrentes de um aumento significativo da frota de transporte público e da redução do transporte privado, a compensação possível para a perda (econômica e política) de um corte abrupto da participação do setor automotivo individual. Indagou-se se a penalização do usuário do transporte individual deveria ser uma das fontes de financiamento – como a tributação feita em Londres e outros países, conhecida no Brasil como pedágio urbano – ou se tal modelo apenas elitiza o uso do transporte individual, no sentido de que apenas os ricos poderão usá-lo. Perguntou-se também sobre as perspectivas da construção de uma base de financiamento apoiada na corresponsabilidade dos três entes da federação, sobre os alcances e limites do setor privado no financiamento dos investimentos para ampliar a oferta de serviços nos sistemas de alta capacidade.
Planejamento, pactos federativos e Sistema Nacional de Mobilidade. O sexto e último ponto tratou do planejamento, dos pactos federativos e do sistema nacional de mobilidade, com um conjunto de questões sobre como reforçar o papel do Estado e resgatar o planejamento setorial; as perspectivas, viabilidade e alcance da construção de um efetivo Sistema Nacional de Mobilidade de pactos federativos entre os três níveis de governo em torno da política nacional de mobilidade, incluindo as propostas existentes neste sentido e as dificuldades de avanço. Tem se ainda sobre a existência de exemplos de boas práticas municipais ou estaduais para o enfrentamento de todos estes desafios relacionados no debate, as lições que podem ser extraídas dos projetos de investimento em BRTs; a disponibilidade de recursos versus a falta de capacidade de Estados e Municípios para planejamento, execução e gestão dos projetos, e, diante das dificuldades de acesso e utilização dos recursos disponibilizados pelo PAC Mobilidade para investimentos, quais as providências já tomadas ou a se propor, tendo em vista da capacitação de gestores estaduais e municipais.


Folha  SP

terça-feira, 2 de setembro de 2014

FRENTE NACIONAL DOS PREFEITOS ENTREGARA CARTA AOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.

Prefeitos da Diretoria Executiva da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) apresentarão carta que a entidade entregará aos candidatos à Presidência da República. O documento reúne os principais desafios das gestões municipais, com ponderações sobre as demandas urgentes das cidades. A distribuição do documento aos 11 candidatos será realizada neste mês.
O envio da carta tem como finalidade explicitar os anseios dos prefeitos para que as demandas enumeradas possam nortear o planejamento e a implementação das futuras políticas públicas. 
A decisão de encaminhar a pauta de solicitações dos prefeitos aos candidatos foi aprovada na 65ª Reunião Geral da FNP, realizada em abril deste ano, na cidade de São Paulo (SP).

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Eleições 2014 e nossas cidades


Engana-se quem acredita que os desafios em mobilidade urbana devem estar apenas na pauta municipal e não nas campanhas dos candidatos à Presidente e governos estaduais. A história recente tem mostrado que governo federal e estados tem papel importantíssimo, sendo responsáveis pela maior parte dos investimentos públicos em transporte, habitação e saneamento.
Mesmo nos projetos municipais, como por exemplo BRTs ou corredores de ônibus, a participação federal é decisiva. Sobretudo se os recursos vierem, como de fato vem (salvo raras exceções) de empréstimos da Caixa Econômica Federal e do BNDES. A participação do Governo Federal com recursos a fundo perdido (OGU) ainda é tímida se comparada, por exemplo,à política habitacional.
Cabe ao governo federal estabelecer políticas públicas integradoras em seus programas de governos. A desarticulação entre as políticas em distintas esferas (federal, estadual e municipal) é grave, precisa ser revista do ponto de vista institucional e compromete o desenvolvimento urbano sustentável de nossas cidades. Já a desarticulação entre políticas de um mesmo nível de governo é absolutamente inaceitável!
Vemos constantemente políticas que não dialogam entre si. Como os Planos de Saneamento, Diretor, Mobilidade e Resíduos Sólidos. Estes planos estão dialogando com os aportes financeiros do governo federal e estadual? Os planos de mobilidade, saneamento e diretor de cada município estão sendo levados em consideração na construção das milhares de unidades do programa Minha Casa Minha Vida?
Em âmbito estadual o desafio é enorme e caro. Cabe, segundo nossa constituição, aos estados os transportes por trilhos, seja ele metrô ou trem. Esse alto custo leva os governos estaduais a tomarem empréstimos do governo federal. Também é fundamental analisar o impacto urbano causado por grandes obras de infraestrutura nas cidades. Estão seguindo as diretrizes do plano diretor e de mobilidade? Estão refletindo sobre os impactos nos entornos das estações e da área de abrangência do projeto? Isso mostra, mais uma vez, a importância de termos agências de planejamento metropolitano.
Do ponto de vista da política econômica outra questão merece esclarecimento dos candidatos: manteremos o incentivo à compra do automóvel e, ao mesmo tempo, a CIDE zerada? Estudos recentes da UFPR indicam que os resultados dessa política de incentivo à compra de automóveis para o crescimento da economia e geração de empregos foram pífios. Do outro lado os custos com congestionamentos, segundo recente pesquisa da Firjan chegam a R$ 29 bilhões apenas no Rio de Janeiro. Com esse valor seria possível construir o equivalente a 4 vezes a rede atual de metrô da cidade por ano. Isso sem contar os custos ambientas ou com saúde e vítimas de trânsito, que segundo dados do IPEA custam cerca de R$ 40 bilhões de reais por ano, ou um pouco mais que um terço do total investido em mobilidade urbana pelo atual governo federal.
Se ainda não está convencido do papel que a mobilidade merece nessa eleição presidencial lhe apresento mais um argumento: em abril de 2015 vence o prazo estabelecido pela Lei 12.587 para que as cidades com mais 20.000 habitantes concluam seus planos municipais de mobilidade urbana. Caso não tenham seus planos até essa data serão impedidos de acessar recursos do governo federal para mobilidade. O próximo presidente manterá essa data? Ou como no caso dos planos de saneamento o prazo será adiado?
Por fim deixo um desafio e uma proposta para o próximo presidente. Hoje, de acordo com dados da ANTP, cerca de 40% dos deslocamentos feitos nas cidades são por meio não motorizado (a pé ou bicicleta). Mas não há uma linha sequer exclusiva de financiamento para o transporte não motorizado em âmbito federal. Se dos R$ 143 bilhões tivéssemos destinado 1% para infraestrutura cicloviária poderíamos ter construído 7.150 km de ciclovias.

Pedro Torres é especialista e mestre em Planejamento Urbano pelo IPPUR/UFRJ. Atualmente é Gerente de Políticas públicas no ITDP Brasil.
ANTP

sábado, 30 de agosto de 2014

Por que a Suécia tem tão poucas mortes no trânsito

FonteThe City Fix Brasil |  AutorPriscila Kichler Pacheco 
Estrada Nacional 40, ou Rv 40, na Suécia
Estrada Nacional 40, ou Rv 40, na Suécia
créditos: Wikimedia Commons

No Brasil, de acordo com dados disponíveis no Roads Kill Map, publicado pelo Pulitzer Center, o índice de mortes por ano é de 22,5 a cada 100 mil habitantes. Na Suécia, esse número cai para 3 mortes a cada 100 mil pessoas. O artigo abaixo, originalmente publicado no The Economist e traduzido pelo The City Fix Brasil, fala de algumas das razões por que possivelmente tão poucas pessoas morrem nas estradas suecas.

No ano passado, 264 pessoas morreram em acidentes de trânsito na Suécia, um recorde – para baixo. Embora o número de carros em circulação e o número de milhas dirigidas tenham ambos dobrado desde 1970, o número de mortes nas estradas caiu quatro quintos (ou 80%) no mesmo período. Com apenas três mortos a cada 100 mil habitantes por ano, em comparação à média de 5,5 a cada 100 mil na União Europeia, de 11,4 nos Estados Unidos e de 40 na República Dominicana, que tem o trânsito mais fatal em todo o mundo, as estradas da Suécia se tornaram as mais seguras do mundo. Outros lugares, como a cidade de Nova York, tentam copiar esse sucesso. Como a Suécia fez isso?

Desde que alcançaram um pico em mortes no trânsito na década de 1970, países ricos melhoraram muito no que diz respeito à redução do número de acidentes no trânsito. (Países mais pobres, em contraste, têm visto um constante aumento nessa conta, na medida em que a venda de carros tem acelerado.) Em 1997 o Parlamento Sueco colocou em vigor o plano Visão Zero, prometendo eliminar as fatalidades e ferimentos graves nas estradas. “Nós apenas não aceitamos mortes nas nossas estradas”, declarou Hans Berg, da agência nacional de transporte. Os suecos acreditam – e agora estão provando – que é possível ter mobilidade e segurança ao mesmo tempo.

O planejamento desempenhou papel central na redução dos acidentes. As estradas na Suécia foram construídas com prioridade total à segurança, em detrimento de espaço ou conveniência. Limites de velocidade baixos em meio urbano, zonas exclusivas para pedestres e barreiras que separam fisicamente carros de bicicletas ajudaram. Calcula-se que construção de 1.500 km de estradas “2 + 1” – onde as duas faixas se revezam no uso da terceira para ultrapassagens – tenha salvado pelo menos 145 vidas ao longo da primeira década do Visão Zero. E as estimativas apontam que 12.600 cruzamentos mais seguros, incluindo passarelas para pedestres, quebra-molas e luzes de sinalização, fizeram cair pela metade o número de mortes de pedestres nos últimos cinco anos. O policiamento rigoroso também contribuiu: hoje, menos de 0,25% dos motoristas examinados ultrapassam o limite permitido de álcool no sangue. As mortes de crianças menores de sete anos despencaram – em 2012, foi apenas uma, em comparação às 58 de 1970.

Se os suecos algum dia vão atingir a meta de zero mortes nas estradas? Defensores da segurança viária estão confiantes de que é possível. Com o número de mortes reduzido pela metade desde 2000, eles estão no caminho. O próximo passo seria reduzir os erros humanos ainda mais; por exemplo, com carros que alertam o motorista sobre o perigo de beber e dirigir por meio de bafômetros embutidos. A implementação rápida de novos sistemas de segurança, como sinais de alerta para o limite de velocidade ou cintos de segurança desafivelados, também ajudariam. Eventualmente, os carros talvez possam tirar de cena o próprio motorista. E isso pode não estar tão longe quanto parece: em 2017, a Volvo, em parceria com o ministério do transporte, deve lançar um programa piloto de carros que podem circular sem a ação de um motorista. Sem o risco de motoristas cometerem erros, os carros podem finalmente se tornar o meio mais seguro de transporte.

Barateamento do transporte coletivo e os desafios rumo à mobilidade sustentável.

A luta dos prefeitos pelo barateamento das tarifas junto ao governo federal vem desde 1992 quando a Frente Nacional de Prefeito na ocasião sobre a liderança do prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, iniciam um seqüência de tratativas diretamente com o Presidente Itamar Franco, essa propostas chegaram a redação de medidas concretas de desoneração de tributos e redução dos preços de combustíveis para os transportes públicos mas que ao final daquele governo não redundaram em nenhuma medida concreta.

Essa luta foi retomada no Governo Lula em 2003 com formação de um grupo inter-ministerial junto a Secretária Nacional de Assuntos Federativos. Houve inúmeras reuniões com representação da Frente Nacional de Prefeitos ,do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transporte e Transito, da Frente e de representação da sociedade civil como ANTP, MDT bem como na área parlamentar através da Frente Parlamentar dos Transportes Públicos.

Mas novamente houve uma seqüência de promessas que não levaram a nenhuma medida concreta que promovesse a redução das tarifas.

Nesse ínterim houve muitas manifestações estudantis contra reajustes tarifários e inúmeras prefeituras e governos dos Estados desoneraram seus tributos reduzindo os custos das tarifas não sendo seguido por nenhum imposto federal.

Mas o tema do barateamento das tarifas, não saiu de pauta da luta da sociedade civil e do legislativo , na sessão de 13/09/2011,da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, foi aprovado por unanimidade o Projeto de Lei da Câmara nº 310/2009 que institui o Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros – REITUP , no seu parecer, o relator destacou que o alto valor das passagens prejudica principalmente a população de baixa renda, que depende do transporte público para os seus deslocamentos e que estudos recentes indicam que grande parte da população desloca-se a pé, por não dispor de meios para pagar o transporte público, e assim, ao reduzir a carga tributária desse setor, vinculando a racionalização operacional dos sistemas de transportes, o benefício social torna-se de ampla repercussão.

A aprovação do projeto de lei significa uma redução de 26% das tarifas. Mas como nesses quase 10 anos de luta dos Prefeitos pela redução das tarifas vai precisar de uma grande união e pressão da sociedade para que esse tema entre na agenda econômica e social do Governo Federal.

Em dezembro, após uma longa polêmica do Governo federal de propor alterações na ultima comissão do Senado, foi aprovado com uma única emenda de redação, o projeto de Lei da Câmara nº 166, de 2010, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana .

Esse projeto de lei que, entre outros dispositivos de grande importância, estabelece a prevalência dos modos de transportes não motorizados sobre o transporte coletivo e deste sobre o transporte individual nos sistemas viários de nossas cidades tem como objetivos a redução das desigualdades e promoção da inclusão social, do acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais e proporcionar melhoria nas condições urbanas da população no que se refere à acessibilidade e à mobilidade, além de promover o desenvolvimento sustentável com a mitigação dos custos ambientais e socioeconômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas nas cidades, o que fará toda a diferença em termos de políticas públicas para a mobilidade urbana.


Finalmente em 03 de janeiro a presidente Dilma Russeff fez a Sanção deste projeto de agora LEI Nº 12.587, DE 3 DE JANEIRO DE 2012 que Institui as Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana e que infelizmente teve o veto do parágrafo único do artigo 8º que impede que novas gratuidades sejam subsidiadas (pagas) pelos usuários através das tarifas e que hoje já elevam as mesmas em mais de 20%.

Temos então boas perspectivas para pressão da sociedade e do legislativo sobre os Governos em prol da Mobilidade Sustentável:

1. Aprovação e em vigor (12 de maio de 2012) da Lei Nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012 nosso Estatuto da Mobilidade Sustentável significando que o transporte público, as bicicletas e as calçadas devem constituir política prioritária de Estado e os governos devem cumpri-la;

2. Os Projetos de Sistemas estruturais de transportes públicos (metrôs, BRTs, VLTs,monotrilhos) dos PAC da Copa e PAC da Mobilidade Grandes Cidades e Cidades Médias, já disponibilizados cerca de 144 bilhões de reais, 

3. A Década da ONU de redução de 50% das mortes no trânsito, que o Brasil aderiu com o nome “Pacto Nacional pela redução de acidentes”;

4. Persistir na luta pela desoneração dos tributos que hoje está centrada na aprovação do PLC 310/09, não tem a concordância do governo federal para contribuir na inclusão social com uma tarifa com Justiça Tributária e com Justiça Social;

5. Os novos combustíveis estão a espera de iniciativas governamentais para utilização de motores híbridos elétricos e com combustíveis limpos como o álcool, gás, biodiesel. Hoje com os motores EURO 5 e com o Diesel S 10 já se terá o fim da fumaça preta dos ônibus.

Está próximo para o Brasil a implantação de uma mobilidade sustentável (era pós automóvel) mas dependerá substancialmente da mobilização da sociedade civil, do legislativo e de governos comprometidos com o desenvolvimento sustentável de nossas cidades.
FONTE DIARIO DO GRANDE ABC