sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Após 3ª greve de 2013, Prefeitura de SP descredencia empresa de transporte coletivo

A Prefeitura de São Paulo descredenciou a viação Itaquera-Brasil, empresa de ônibus que atende 24 linhas de transporte coletivo na zona leste da capital. Com isso, a partir de segunda-feira (14), a empresa não poderá mais realizar o transporte dos cerca de 150 mil passageiros/dia que eram atendidos. A informação é do SPTV, da Rede Globo.

A decisão foi tomada pela administração municipal nesta sexta-feira (11), quando motoristas e cobradores da empresa realizam a terceira paralisação do ano por conta de atrasos de salários. A última greve havia sido no início do mês passado, quando o prefeito Fernando Haddad (PT) já havia ameaçado a Itaquera-Brasil com o descredenciamento. A primeira paralisação do ano foi em julho.

"Estamos parados desde as três horas porque a empresa ainda não pagou os salários que deveriam ter sido depositados até o dia 5 nem as horas extras de cinco quinzenas", justificou um dos funcionários, Alessandro Roberto de Lima. Ele informou que essa situação afeta 1,7 mil funcionários.

De acordo com a SPTrans (São Paulo Transportes, foi acionado o Paese (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência) para atender aos usuários.
No total, 119 ônibus das viações Sambaíba, Via Sul e VIP Transportes foram colocados em circulação. A paralisação ocorre na garagem de Cidade Tiradentes, um dos bairros afetados e de onde são operadas 24 linhas com 220 ônibus.

O diretor do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, Francisco Inácio dos Santos, informou que a empresa prometeu depositar 22% dos vencimentos até o período da tarde. A Agência Brasil procurou um porta-voz da companhia, mas foi informada de que a direção estava reunida para definir os procedimentos em torno da greve. (* com Agência Brasil)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Para Haddad, privilegiar o carro é como privatizar São Paulo


O uso irresponsável do carro e sua supremacia em detrimento a outros meios de transporte são os maiores erros no direcionamento das políticas públicas para o trânsito paulistano. A crítica é do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ao abrir na manhã desta quarta-feira (9) o primeiro dia do Fórum de Mobilidade Urbana da
Veja o especial sobre mobilidade urbana
Para ele, a sensação é de que toda a superfície da cidade foi privatizada com a escolha do meio de transporte classificada por ele como 'indigesta'. "Todo investimento viário de São Paulo teve o carro como beneficiário direto. As marginais são prova disso", analisou.
Ele também analisou sua principal bandeira no que diz respeito ao transporte público: as faixas exclusivas de ônibus. Haddad afirmou que acreditava que fosse perder apoio. Mas isso não aconteceu, segundo ele próprio.
"Estou muito otimista com o futuro de São Paulo", disse o prefeito no auditório do Tucarena, na zona oeste da cidade.
Para o prefeito, São Paulo tem uma malha viária significativa, mas não há espaço para todos os veículos particulares. "O problema não é todo mundo ter carro. O problema é o modo de usar", afirma. "Os meios viários dão foco demais no carro como meio de transporte. Toda a superfície de São Paulo é privada", analisa.
A maioria das faixas exclusivas de ônibus foram implantadas pela gestão de Haddad após o início da onda de protestos que derrubou o preço da tarifa, em junho. Inicialmente, a meta era fazer 150 km até 2016. Após os protestos, passou para 220 km e já foi superada: a cidade atingiu 224,6 km de faixas com essa última ação.
A exclusividade para o transporte coletivo na faixa vale de segunda a sexta-feira no sentido centro das 5h às 9h e, no sentido bairro, das 16h às 21h. Os corredores de ônibus possuem regras diferentes --também são compartilhados com os táxis em qualquer dia e horário, desde que o veículo esteja com passageiro e não usem películas escuras nos vidros.
Ele citou o legado de Curitiba que, na década de 1970, criou o sistema de corredores exclusivos para ônibus articulados, o BRT e revolucionou o ir e vir dos curitibanos.
"Nós exportamos para o mundo inteiro [tecnologia de transporte] e não exportamos essa mesma tecnologia para outras cidades", disse.
Folha de São Paulo

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ato comemorativo dos dez anos do MDT e da Frente Parlamentar do Transporte Público


O coordenador do MDT, Nazareno Affonso participou de um  café da manhã e sessão comemorativa dos dez anos de atuação do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade (MDT). A comemoração aconteceu na quarta-feira, 2 de outubro de 2013, no Restaurante SENAC, Anexo IV da Câmara dos Deputados, em Brasília. 

Entre outros parlamentares e representantes de entidades participaram do ato o coordenador da Frente Parlamentar do Transporte Público, deputado Mauro Lopes, e o presidente José Geraldo Baião representou a AEAMESP . Houve a distribuição de uma peça impressa consignando os principais acontecimentos em dez anos de atuação do MDT e também foram apresentados dois vídeos do MDT, destacando a importância do transporte público para a mobilidade.

Articulações democráticas e suprapartidárias.

O MDT e a Frente Parlamentar do Transporte Público são articulações democráticas e suprapartidárias em defesa do barateamento e da qualificação do transporte público urbano. Ambas foram lançadas no dia 25 de setembro de 2003 em sessão solene no Congresso Nacional. O MDT teve uma de suas sessões de pré-lançamento em 5 de setembro de 2003, durante a 9ª Semana de Tecnologia Metroferroviária. Agora em 2013, uma das comemorações referentes a uma década de atuação do MDT aconteceu durante o primeiro painel de debates da 19ª Semana de Tecnologia Metroferrovia.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

'Metrô não vai resolver problema', diz Peñalosa sobre trânsito em Salvador


 
 
 
Peñalosa participará de evento em Salvador (Foto: Ruan Melo/G1)Peñalosa participará de evento em Salvador
(Foto: Ruan Melo/G1)

Ele diz que faixa exclusiva para ônibus é opção para solução de mobilidade.
Ex-prefeito de Bogotá participa na terça de evento no Teatro Castro Alves.

 

 

 

 

 

 

 

 

Faixas exclusivas para ônibus e restrição ao uso de veículos particulares. Estas são as soluções para a mobilidade de Salvadorapontadas pelo urbanista e ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa.
O especialista é considerado um dos principais nomes sobre mobilidade urbana no mundo. Na terça-feira (1), ele irá participar do projeto Fronteiras do Pensamento, que acontece na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA), na capital baina. No evento,Peñalosa irá debater sobre as ideias implantadas durante sua gestão como prefeito da capital da Colômbia.
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Coordenador do MDT, Nazareno Affonso, participa de do I Seminário de Transporte Coletivo em Fortaleza



I Seminário Sindiônibus de Transporte Coletivo
Prioridade ao Transporte Coletivo de Passageiros
Local:
Auditório do SEST-SENAT
R. Dona Leopoldina, 1050 - Centro - Fortaleza/CE
Informações:
VAGAS LIMITADAS
4005-0990 e 4005-0995

Realização: Sindionibus
Inscrição gratuita:
www.sindionibus.com.br
Apoio: NTU/ SEST/SENAT
Programação:

Credenciamento e welcome coffee.
Abertura.
Prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.
O transporte coletivo de passageiros frente aos desafios da mobilidade urbana.
Apresentação: Dimas Barreira, presidente do Sindiônibus e conselheiro da NTU (Associação
Nacional das Empresas de Transportes Urbanos).
Lançamento do Prêmio Sindiônibus Imprensa de Transporte Coletivo.
Investimentos na área de transporte coletivo e seus reflexos na mobilidade.
Apresentação: Otávio Cunha, presidente executivo da NTU e André Dantas, diretor técnico da NTU.
Pacto da mobilidade: custo e qualidade do transporte público.
Apresentação: Nazareno Affonso, Coordenador do Escritório da ANTP em Brasília/Coordenador
Nacional do MDT/ Presidente do Instituto RUA VIVA.
Cofee-break.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Limite de velocidade no centro de SP será de 40 km/h

As ruas e avenidas do centro histórico de São Paulo terão limite de velocidade de 40 km/h ainda este ano, de acordo com o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.
Ele disse que a ideia é terminar a implantação das faixas exclusivas de ônibus na chamada Rótula Central e depois reduzir a velocidade. A área é delimitada por avenidas como Ipiranga, São Luís, Rangel Pestana, Mercúrio e Senador Queiroz.
"Quando terminar isso talvez a gente já implante", disse. Em algumas das avenidas que fazem parte da Rótula , a velocidade irá cair de 60 km/h para 50 km/h, já na parte interna ela será padronizada em 40 km/h.
O primeiro trecho de faixas da Rótula, na avenida Ipiranga, foi implantado no último dia dia 16. A próxima etapa, na avenida São Luís e na rua Maria Paula, está prevista para a próxima segunda (24).
Segundo Tatto, um dos objetivos da redução é ampliar a segurança de ciclistas.
"Bicicleta não pode andar na calçada, tem que andar no viário. Se tiver ciclovia, de preferência [nela]. Se não tiver, anda na rua. Por isso que nós precisamos baixar a velocidade dos carros. Vamos diminuir da Paulista e outras. Toda a região central nós vamos abaixar pra 40 km/h, na Rótula também vamos diminuir", disse.

Editoria de Arte/Folhapress
De acordo com o secretário, a redução do limite da avenida Paulista, de 60 km/h para 50 km/h, também deve começar neste ano. Ele disse que a fiscalização será feita com a implantação de novos radares.
"Nós vamos ampliar os radares, não só na Paulista, mas na cidade inteira. Ele serve tanto em relação à velocidade, como ao rodízio, a invasão da faixa, serve para tudo", disse.
Segundo o secretário, essa ampliação irá ocorrer com aditivos nos contratos de fiscalização, mas ele não informou prazos. O mesmo expediente será usado para a instalação de 200 radares nas faixas exclusivas de ônibus.
Inicialmente, a intenção da pasta era reformar todo o parque de radares com uma licitação única. A previsão era que ela estivesse concluída em agosto, mas o processo foi paralisado pelo Tribunal de Contas do Município.
EMPRESA
Tatto disse que a secretaria continua realizando estudos sobre a criação de uma empresa municipal de transportes, semelhante à CMTC, que foi privatizada em 1993.
Os estudos foram solicitados pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no início do mês, após greves de motoristas de algumas das operadoras.
A ideia do prefeito é que a empresa atuasse em situações de emergência, como greves, ou assumisse áreas do sistema consideradas problemáticas, como na zona leste.
"Tem várias ideias: de uma empresa que possa fazer investimento em tecnologia, tanto embarcada quanto de controle operacional, uma empresa que compre ônibus, e tem a proposta também de comprar e operar. Tem de todo tipo, nós estamos levantando", disse Tatto.
No dia 5 de setembro, Hadadd disse ter encomendado um estudo de viabilidade ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socia) e afirmou que a existência de uma empresa municipal "é um expediente inteligente para não manter o poder público refém do setor privado".
Folha de São Paulo

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Grandes eventos e mobilidade urbana



Rio+20, Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude (JMJ). O que estes eventos têm em comum? Todos evidenciaram as fragilidades das cidades-sede em termos de mobilidade urbana nas recepções internacionais de grande porte. Com a estrutura existente, especialistas dizem que é preciso planejamento e medidas preventivas para aumentar a capacidade de mobilidade e apostam em investimentos para o gerenciamento do sistema viário de forma mais inteligente. 

Na visão de estudiosos no assunto, se o transporte e as vias não comportam o volume diário de usuários, não serão suficientes para atender à demanda de grandes eventos. Para Luiz Gustavo Campos, engenheiro especialista em trânsito da Perkons, “o problema é que o planejamento viário e de transportes não é desenhado para atender um volume concentrado de pessoas em uma região. Uma rota que atende bem 100 pessoas por dia não conseguirá atender 1000 com a mesma qualidade. As medidas adotadas nestas ocasiões apenas reduzem o impacto”, analisa. 

Há dois pontos importantes a serem observados na organização de eventos de massa, de acordo com Cesar Cavalcanti, especialista em Planejamento de Transportes. Para ele, eventos realizados em estruturas em que é conhecida a capacidade máxima de usuários e as vias de acesso foram testadas anteriormente tendem a ter efeitos negativos minimizados. Ele cita como exemplos a JMJ transferida para a praia carioca de Copacabana e os acessos à Arena Pernambuco na Copa das Confederações, em Recife. “Em ambos os casos, a possibilidade do subatendimento é quase uma certeza, que pode, mesmo assim, ser minimizado através de medidas criativas do tipo: cancelamento de aulas, ponto facultativo e diluição da demanda com estacionamentos diversificados, atrações passatempo etc.”, pontua Cavalcanti. 

Planejamento competente pode reduzir falhas
 
O aprimoramento da mobilidade deve levar em consideração a melhor gestão do trânsito. Segundo Campos, é necessário planejar as melhores rotas e informar a população com antecedência e até mesmo com sinalização temporária os trajetos para chegar ao evento. Além disso, colocar em circulação um número maior de veículos nas várias opções de transporte público. E levar para as ruas um número maior de agentes de trânsito, especialmente nas proximidades do evento. 

Cavalcanti defende que técnicos sejam ouvidos no processo de planejamento e implantação de novas soluções. “Um planejamento competente, oportuno e respaldado por informações confiáveis pode reduzir, significativamente, resultados negativos e é neste momento que entram os técnicos do setor, com seu conhecimento e instrumentos de simulação”, esclarece. 

Cidadãos precisam abdicar do conforto para tornar evento viável
 
Crises de mobilidade urbana não são exclusivas de nações em desenvolvimento. Países ricos ou pobres, de todos os continentes, lidam com algum tipo de restrição quanto ao deslocamento nas cidades. Grandes eventos impactam na rotina dos participantes, mas também do restante da população. As intervenções no trânsito são pensadas primeiramente para beneficiar o evento. “Na organização dos jogos olímpicos em Londres, por exemplo, os londrinos reclamaram bastante; provavelmente sofreram com as intervenções que foram necessárias ”, relembra Luiz Gustavo Campos. 

Por lá, o Departamento de Trânsito publicou anúncios incentivando a população a fazer a pé o trajeto até o trabalho ou assistir aos jogos em casa. Também fez uso das redes sociais para informar as condições do tráfego em tempo real. “A adoção de bloqueios e a criação da linha olímpica (faixa exclusiva) foram benéficas para que os atletas e organizadores não se atrasassem para os eventos, porém gerou engarrafamentos para os moradores”, ressalta Campos. Entretanto, “como as mudanças eram por um período estipulado e com um objetivo claro, o resultado foi positivo”, completa. 

Transporte de massa
 
Tendo em vista a realização da Copa do Mundo no Brasil daqui menos de um ano, algumas ações na gestão do transporte são necessárias. Segundo Cesar Cavalcanti, é preciso certificar qual é o real nível de demanda que os equipamentos e a infraestrutura que constituem a cadeia de transporte são capazes de atender. Para o especialista, “não existe uma ‘receita de bolo’ que possa ser ministrada em qualquer situação. São necessários levantamentos precisos e confiáveis das características operacionais dos equipamentos, suas limitações, assim como um levantamento meticuloso das edificações que fazem parte da interface indispensável ao bom funcionamento de todo o sistema”, justifica. 

Para Campos, investimentos na ampliação do sistema de transporte coletivo são essenciais. “Essas aplicações devem ser um legado a ser deixado para a população e a infraestrutura deve ser mantida”, diz. Na opinião de Cavalcanti, “o metrô é uma tecnologia imbatível quando se trata de grandes demandas. E, por este motivo, a existência dos maiores metrôs do Brasil, em São Paulo e no Rio, poderiam indicar, a priori, as cidades mais bem preparadas para movimentar tais demandas”, ressalta. “Cidades como Curitiba e Porto Alegre, que contam com sistemas de transporte urbano equilibrados e mais bem distribuídos, também são capazes de proporcionar um atendimento razoável”, acrescenta. 

Investimentos em tecnologia
 
Em médio e longo prazos são necessários investimentos para um gerenciamento do transporte e do trânsito mais inteligente. “Dispositivos de monitoramento e rastreamento da frota de ônibus, trens e metrôs e canais de comunicação com o usuário sobre horários, tempo de chegada e itinerário são algumas soluções”, cita Luiz Gustavo Campos. 

“Quanto à operação do trânsito é preciso destinar verbas para tecnologias em sistemas de semáforos que melhorem as condições de fluidez e em mecanismos para orientação de fluxo e de rotas alternativas, controle de vias de acesso e fiscalização”, completa.

 Site da Perkons

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Você trocaria o automóvel pelo transporte coletivo?


Por ocasião do evento realizado em nível mundial, denominado Dia Mundial sem Carro, a organização Rede Nossa São Paulo realizou uma pesquisa com habitantes da capital paulista. A pesquisa foi conduzida pelo Ibope e, basicamente, tinha como objetivo saber a resposta para a questão: “Você deixaria de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público”?
Dentre uma série de dados obtidos pela pesquisa, registrou-se que 79% dos paulistanos que fazem uso do automóvel particular todos os dias ou quase todos os dias disseram sim. Outro dado importante revelado foi que 93% dos entrevistados se manifestaram favoráveis à ampliação das faixas exclusivas para ônibus, que é uma das principais ações da atual administração municipal no setor de transporte. Apenas 5% dos entrevistados responderam que são contrários à medida.
Por outro lado, 69% dos paulistanos apontaram que o trânsito da cidade é ruim ou péssimo. Uma das justificativas para esta avaliação é que, em média, o tempo médio gasto pelas pessoas para seus deslocamentos cotidianos pela cidade é de 2 horas e 15 minutos.
O uso do automóvel, disseminado pelo mundo inteiro e, nos dias atuais, em franco crescimento em países emergentes, como são os casos de Brasil, China, México, Índia, África do Sul, dentre outros, pressupõe todo um prazer de dirigir. Este bem estar está associado, obviamente, a um conforto inerente ao automóvel, uma vez que ele permite realizar, em tese, viagens porta a porta. Adicionalmente, pode-se desfrutar de benefícios como ar condicionado, som ambiente, abrigo das condições climáticas desfavoráveis, etc.
Acontece que isto efetivamente não está ocorrendo, principalmente nas metrópoles e cidades de médio e grande portes. O que se constata são congestionamentos crônicos, assaltos, acidentes, altos preços de estacionamento, etc. Enfim, todas as condições inicialmente favoráveis aos usuários dos veículos individuais estão sendo paulatinamente substituídas por um caos generalizado, com a consequente perda de qualidade de vida. Esta mesma qualidade que, por pressuposto, o “senhor” automóvel seria capaz de proporcionar ao seu proprietário.
Diante deste fracasso da opção preferencial pelo automóvel, os paulistanos começam a mudar de ideia. Mas, não precisariam chegar a esta condição crítica para começar a se conscientizar que se todo mundo fizesse a opção pelo automóvel, não haveria espaço no sistema viário para acomodar a todos. É uma questão de física. Até hoje não se conseguiu a proeza de colocar dois ou mais corpos ocupando simultaneamente o mesmo espaço.
Condições extremamente desfavoráveis ao uso maciço do automóvel já foram relatadas, por exemplo, por Wilfred Owen, nos anos 1960, para as condições americanas. “... a substituição da ferrovia pela rodovia e do transporte público pelo particular acrescenta enormes encargos às autoestradas e à condução urbana, criando o aparentemente insolúvel problema de estacionamento e dos terminais”. “É baixíssima a velocidade do tráfego nas áreas comerciais do centro durante as chamadas horas do rush, caindo muitas vezes para dez ou quinze km horários; o problema não é apenas achar espaço para onde se mover, mas também um local para estacionar”.
Enfim, a falta de visão e de planejamento das autoridades brasileiras – e as de vários outros países – conduziram a esta situação caótica das cidades nacionais e do exterior. A correção de rota, se iniciada neste momento, só chegará a bom termo daqui a muitas décadas.
No entanto, não parece ser, em geral, este o caminho escolhido pelos gestores urbanos, apesar da existência do Plano Nacional de Mobilidade Sustentável que, ao que parece, ficou quase que restrito ao papel. Os custos sociais proporcionados por esta situação alarmante são enormes e os recursos desperdiçados poderiam ser mais bem aplicados em áreas essenciais à qualidade de vida, tais como: saúde, educação, saneamento básico, habitação, segurança, etc. Tudo isto, claro, acompanhado de investimentos adequados em transporte coletivo.
Metrópoles mundiais, tais como Londres, Nova York, Tóquio, dentre outras, possuem redes metroviárias variando de 300 a 400 km de metrô, além de modais complementares, que garantem acessibilidade e mobilidade adequadas aos seus moradores. São Paulo tem pouco mais de 70 km de trilhos metroviários. Parece, no entanto, que a gestão municipal paulistana está acordando, ao ampliar a rede de corredores exclusivos para ônibus. Esta situação é desejável e salutar, porém não suficiente.
Espera-se que, não só em São Paulo, como nas demais cidades brasileiras, os políticos passem a pensar efetivamente naqueles que seriam a razão de ser de seus mandatos: o povo. Só assim poderemos ter um futuro melhor para nossos bisnetos, tataranetos...


*Prof. Dr. Archimedes Azevedo Raia Jr.
Site da Perkons




Por ocasião do evento realizado em nível mundial, denominado Dia Mundial sem Carro, a organização Rede Nossa São Paulo realizou uma pesquisa com habitantes da capital paulista. A pesquisa foi conduzida pelo Ibope e, basicamente, tinha como objetivo saber a resposta para a questão: “Você deixaria de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público”?
Dentre uma série de dados obtidos pela pesquisa, registrou-se que 79% dos paulistanos que fazem uso do automóvel particular todos os dias ou quase todos os dias disseram sim. Outro dado importante revelado foi que 93% dos entrevistados se manifestaram favoráveis à ampliação das faixas exclusivas para ônibus, que é uma das principais ações da atual administração municipal no setor de transporte. Apenas 5% dos entrevistados responderam que são contrários à medida.
Por outro lado, 69% dos paulistanos apontaram que o trânsito da cidade é ruim ou péssimo. Uma das justificativas para esta avaliação é que, em média, o tempo médio gasto pelas pessoas para seus deslocamentos cotidianos pela cidade é de 2 horas e 15 minutos.
O uso do automóvel, disseminado pelo mundo inteiro e, nos dias atuais, em franco crescimento em países emergentes, como são os casos de Brasil, China, México, Índia, África do Sul, dentre outros, pressupõe todo um prazer de dirigir. Este bem estar está associado, obviamente, a um conforto inerente ao automóvel, uma vez que ele permite realizar, em tese, viagens porta a porta. Adicionalmente, pode-se desfrutar de benefícios como ar condicionado, som ambiente, abrigo das condições climáticas desfavoráveis, etc.
Acontece que isto efetivamente não está ocorrendo, principalmente nas metrópoles e cidades de médio e grande portes. O que se constata são congestionamentos crônicos, assaltos, acidentes, altos preços de estacionamento, etc. Enfim, todas as condições inicialmente favoráveis aos usuários dos veículos individuais estão sendo paulatinamente substituídas por um caos generalizado, com a consequente perda de qualidade de vida. Esta mesma qualidade que, por pressuposto, o “senhor” automóvel seria capaz de proporcionar ao seu proprietário.
Diante deste fracasso da opção preferencial pelo automóvel, os paulistanos começam a mudar de ideia. Mas, não precisariam chegar a esta condição crítica para começar a se conscientizar que se todo mundo fizesse a opção pelo automóvel, não haveria espaço no sistema viário para acomodar a todos. É uma questão de física. Até hoje não se conseguiu a proeza de colocar dois ou mais corpos ocupando simultaneamente o mesmo espaço.
Condições extremamente desfavoráveis ao uso maciço do automóvel já foram relatadas, por exemplo, por Wilfred Owen, nos anos 1960, para as condições americanas. “... a substituição da ferrovia pela rodovia e do transporte público pelo particular acrescenta enormes encargos às autoestradas e à condução urbana, criando o aparentemente insolúvel problema de estacionamento e dos terminais”. “É baixíssima a velocidade do tráfego nas áreas comerciais do centro durante as chamadas horas do rush, caindo muitas vezes para dez ou quinze km horários; o problema não é apenas achar espaço para onde se mover, mas também um local para estacionar”.
Enfim, a falta de visão e de planejamento das autoridades brasileiras – e as de vários outros países – conduziram a esta situação caótica das cidades nacionais e do exterior. A correção de rota, se iniciada neste momento, só chegará a bom termo daqui a muitas décadas.
No entanto, não parece ser, em geral, este o caminho escolhido pelos gestores urbanos, apesar da existência do Plano Nacional de Mobilidade Sustentável que, ao que parece, ficou quase que restrito ao papel. Os custos sociais proporcionados por esta situação alarmante são enormes e os recursos desperdiçados poderiam ser mais bem aplicados em áreas essenciais à qualidade de vida, tais como: saúde, educação, saneamento básico, habitação, segurança, etc. Tudo isto, claro, acompanhado de investimentos adequados em transporte coletivo.
Metrópoles mundiais, tais como Londres, Nova York, Tóquio, dentre outras, possuem redes metroviárias variando de 300 a 400 km de metrô, além de modais complementares, que garantem acessibilidade e mobilidade adequadas aos seus moradores. São Paulo tem pouco mais de 70 km de trilhos metroviários. Parece, no entanto, que a gestão municipal paulistana está acordando, ao ampliar a rede de corredores exclusivos para ônibus. Esta situação é desejável e salutar, porém não suficiente.
Espera-se que, não só em São Paulo, como nas demais cidades brasileiras, os políticos passem a pensar efetivamente naqueles que seriam a razão de ser de seus mandatos: o povo. Só assim poderemos ter um futuro melhor para nossos bisnetos, tataranetos...


*Prof. Dr. Archimedes Azevedo Raia Jr.
Engenheiro, Mestre e Doutor em Engenharia de Transportes pela USP, professor e coordenador do Núcleo de Estudos em Engenharia e Segurança de Tráfego Sustentável da UFSCar e co-autor do livro "Segurança no Trânsito", Ed. São Francisco. E-mail: raiajr@ufscar.br
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Por ocasião do evento realizado em nível mundial, denominado Dia Mundial sem Carro, a organização Rede Nossa São Paulo realizou uma pesquisa com habitantes da capital paulista. A pesquisa foi conduzida pelo Ibope e, basicamente, tinha como objetivo saber a resposta para a questão: “Você deixaria de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público”?
Dentre uma série de dados obtidos pela pesquisa, registrou-se que 79% dos paulistanos que fazem uso do automóvel particular todos os dias ou quase todos os dias disseram sim. Outro dado importante revelado foi que 93% dos entrevistados se manifestaram favoráveis à ampliação das faixas exclusivas para ônibus, que é uma das principais ações da atual administração municipal no setor de transporte. Apenas 5% dos entrevistados responderam que são contrários à medida.
Por outro lado, 69% dos paulistanos apontaram que o trânsito da cidade é ruim ou péssimo. Uma das justificativas para esta avaliação é que, em média, o tempo médio gasto pelas pessoas para seus deslocamentos cotidianos pela cidade é de 2 horas e 15 minutos.
O uso do automóvel, disseminado pelo mundo inteiro e, nos dias atuais, em franco crescimento em países emergentes, como são os casos de Brasil, China, México, Índia, África do Sul, dentre outros, pressupõe todo um prazer de dirigir. Este bem estar está associado, obviamente, a um conforto inerente ao automóvel, uma vez que ele permite realizar, em tese, viagens porta a porta. Adicionalmente, pode-se desfrutar de benefícios como ar condicionado, som ambiente, abrigo das condições climáticas desfavoráveis, etc.
Acontece que isto efetivamente não está ocorrendo, principalmente nas metrópoles e cidades de médio e grande portes. O que se constata são congestionamentos crônicos, assaltos, acidentes, altos preços de estacionamento, etc. Enfim, todas as condições inicialmente favoráveis aos usuários dos veículos individuais estão sendo paulatinamente substituídas por um caos generalizado, com a consequente perda de qualidade de vida. Esta mesma qualidade que, por pressuposto, o “senhor” automóvel seria capaz de proporcionar ao seu proprietário.
Diante deste fracasso da opção preferencial pelo automóvel, os paulistanos começam a mudar de ideia. Mas, não precisariam chegar a esta condição crítica para começar a se conscientizar que se todo mundo fizesse a opção pelo automóvel, não haveria espaço no sistema viário para acomodar a todos. É uma questão de física. Até hoje não se conseguiu a proeza de colocar dois ou mais corpos ocupando simultaneamente o mesmo espaço.
Condições extremamente desfavoráveis ao uso maciço do automóvel já foram relatadas, por exemplo, por Wilfred Owen, nos anos 1960, para as condições americanas. “... a substituição da ferrovia pela rodovia e do transporte público pelo particular acrescenta enormes encargos às autoestradas e à condução urbana, criando o aparentemente insolúvel problema de estacionamento e dos terminais”. “É baixíssima a velocidade do tráfego nas áreas comerciais do centro durante as chamadas horas do rush, caindo muitas vezes para dez ou quinze km horários; o problema não é apenas achar espaço para onde se mover, mas também um local para estacionar”.
Enfim, a falta de visão e de planejamento das autoridades brasileiras – e as de vários outros países – conduziram a esta situação caótica das cidades nacionais e do exterior. A correção de rota, se iniciada neste momento, só chegará a bom termo daqui a muitas décadas.
No entanto, não parece ser, em geral, este o caminho escolhido pelos gestores urbanos, apesar da existência do Plano Nacional de Mobilidade Sustentável que, ao que parece, ficou quase que restrito ao papel. Os custos sociais proporcionados por esta situação alarmante são enormes e os recursos desperdiçados poderiam ser mais bem aplicados em áreas essenciais à qualidade de vida, tais como: saúde, educação, saneamento básico, habitação, segurança, etc. Tudo isto, claro, acompanhado de investimentos adequados em transporte coletivo.
Metrópoles mundiais, tais como Londres, Nova York, Tóquio, dentre outras, possuem redes metroviárias variando de 300 a 400 km de metrô, além de modais complementares, que garantem acessibilidade e mobilidade adequadas aos seus moradores. São Paulo tem pouco mais de 70 km de trilhos metroviários. Parece, no entanto, que a gestão municipal paulistana está acordando, ao ampliar a rede de corredores exclusivos para ônibus. Esta situação é desejável e salutar, porém não suficiente.
Espera-se que, não só em São Paulo, como nas demais cidades brasileiras, os políticos passem a pensar efetivamente naqueles que seriam a razão de ser de seus mandatos: o povo. Só assim poderemos ter um futuro melhor para nossos bisnetos, tataranetos...


*Prof. Dr. Archimedes Azevedo Raia Jr.
Engenheiro, Mestre e Doutor em Engenharia de Transportes pela USP, professor e coordenador do Núcleo de Estudos em Engenharia e Segurança de Tráfego Sustentável da UFSCar e co-autor do livro "Segurança no Trânsito", Ed. São Francisco. E-mail: raiajr@ufscar.br
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Por ocasião do evento realizado em nível mundial, denominado Dia Mundial sem Carro, a organização Rede Nossa São Paulo realizou uma pesquisa com habitantes da capital paulista. A pesquisa foi conduzida pelo Ibope e, basicamente, tinha como objetivo saber a resposta para a questão: “Você deixaria de usar o carro se houvesse boa alternativa de transporte público”?
Dentre uma série de dados obtidos pela pesquisa, registrou-se que 79% dos paulistanos que fazem uso do automóvel particular todos os dias ou quase todos os dias disseram sim. Outro dado importante revelado foi que 93% dos entrevistados se manifestaram favoráveis à ampliação das faixas exclusivas para ônibus, que é uma das principais ações da atual administração municipal no setor de transporte. Apenas 5% dos entrevistados responderam que são contrários à medida.
Por outro lado, 69% dos paulistanos apontaram que o trânsito da cidade é ruim ou péssimo. Uma das justificativas para esta avaliação é que, em média, o tempo médio gasto pelas pessoas para seus deslocamentos cotidianos pela cidade é de 2 horas e 15 minutos.
O uso do automóvel, disseminado pelo mundo inteiro e, nos dias atuais, em franco crescimento em países emergentes, como são os casos de Brasil, China, México, Índia, África do Sul, dentre outros, pressupõe todo um prazer de dirigir. Este bem estar está associado, obviamente, a um conforto inerente ao automóvel, uma vez que ele permite realizar, em tese, viagens porta a porta. Adicionalmente, pode-se desfrutar de benefícios como ar condicionado, som ambiente, abrigo das condições climáticas desfavoráveis, etc.
Acontece que isto efetivamente não está ocorrendo, principalmente nas metrópoles e cidades de médio e grande portes. O que se constata são congestionamentos crônicos, assaltos, acidentes, altos preços de estacionamento, etc. Enfim, todas as condições inicialmente favoráveis aos usuários dos veículos individuais estão sendo paulatinamente substituídas por um caos generalizado, com a consequente perda de qualidade de vida. Esta mesma qualidade que, por pressuposto, o “senhor” automóvel seria capaz de proporcionar ao seu proprietário.
Diante deste fracasso da opção preferencial pelo automóvel, os paulistanos começam a mudar de ideia. Mas, não precisariam chegar a esta condição crítica para começar a se conscientizar que se todo mundo fizesse a opção pelo automóvel, não haveria espaço no sistema viário para acomodar a todos. É uma questão de física. Até hoje não se conseguiu a proeza de colocar dois ou mais corpos ocupando simultaneamente o mesmo espaço.
Condições extremamente desfavoráveis ao uso maciço do automóvel já foram relatadas, por exemplo, por Wilfred Owen, nos anos 1960, para as condições americanas. “... a substituição da ferrovia pela rodovia e do transporte público pelo particular acrescenta enormes encargos às autoestradas e à condução urbana, criando o aparentemente insolúvel problema de estacionamento e dos terminais”. “É baixíssima a velocidade do tráfego nas áreas comerciais do centro durante as chamadas horas do rush, caindo muitas vezes para dez ou quinze km horários; o problema não é apenas achar espaço para onde se mover, mas também um local para estacionar”.
Enfim, a falta de visão e de planejamento das autoridades brasileiras – e as de vários outros países – conduziram a esta situação caótica das cidades nacionais e do exterior. A correção de rota, se iniciada neste momento, só chegará a bom termo daqui a muitas décadas.
No entanto, não parece ser, em geral, este o caminho escolhido pelos gestores urbanos, apesar da existência do Plano Nacional de Mobilidade Sustentável que, ao que parece, ficou quase que restrito ao papel. Os custos sociais proporcionados por esta situação alarmante são enormes e os recursos desperdiçados poderiam ser mais bem aplicados em áreas essenciais à qualidade de vida, tais como: saúde, educação, saneamento básico, habitação, segurança, etc. Tudo isto, claro, acompanhado de investimentos adequados em transporte coletivo.
Metrópoles mundiais, tais como Londres, Nova York, Tóquio, dentre outras, possuem redes metroviárias variando de 300 a 400 km de metrô, além de modais complementares, que garantem acessibilidade e mobilidade adequadas aos seus moradores. São Paulo tem pouco mais de 70 km de trilhos metroviários. Parece, no entanto, que a gestão municipal paulistana está acordando, ao ampliar a rede de corredores exclusivos para ônibus. Esta situação é desejável e salutar, porém não suficiente.
Espera-se que, não só em São Paulo, como nas demais cidades brasileiras, os políticos passem a pensar efetivamente naqueles que seriam a razão de ser de seus mandatos: o povo. Só assim poderemos ter um futuro melhor para nossos bisnetos, tataranetos...


*Prof. Dr. Archimedes Azevedo Raia Jr.
Engenheiro, Mestre e Doutor em Engenharia de Transportes pela USP, professor e coordenador do Núcleo de Estudos em Engenharia e Segurança de Tráfego Sustentável da UFSCar e co-autor do livro "Segurança no Trânsito", Ed. São Francisco. E-mail: raiajr@ufscar.br
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

A revolução das cidades



O fato é que centros urbanos tendem a ser mais "verdes" que subúrbios. A ilha de Manhattan, com todos aqueles prédios, é considerada um dos lugares mais verdes dos EUA: lá, só 25% das famílias têm carro, por exemplo, contra 92% no resto do país. Sim, as cidades venceram e podem ser mais ecologicamente corretas do que o senso comum imagina. Mas, claro: ainda existe muito o que corrigir. Os problemas você conhece: trânsito, sujeira, poluição.

Mas as metrópoles também contêm as soluções para estas questões. A seguir, você vai conhecer um dos quatro projetos que vão revolucionar as cidades - Hidroanel de São Paulo.  Em 2013, apresentaremos os outros três:
- Energia esperta em um estádio de futebol na Bahia, que será centro de treinamento durante a Copa;
- Soluções em duas rodas em São Paulo e Rio de Janeiro, que se inspiraram na Europa;
- Da terra para os telhados: a tendência mundial de hortas urbanas aproxima as cidades das plantações.

Tem muita gente atuando em áreas tão diferentes e representando grupos tão diversos, mas todos têm algo em comum: acreditam nas metrópoles e não querem fugir delas. Em vez disso, estão tentando revolucionar as cidades onde vivem. E o melhor: estão conseguindo.

HIDROANEL
Os rios da maior cidade do Brasil são mais do que um esgoto: podem revolucionar o trânsito, a coleta de lixo e a qualidade de vida da metrópole

Trânsito e lixo. Esses dois agentes são a dor de cabeça de qualquer cidade grande desde o Império Romano. Em São Paulo, então, a dor é muito mais aguda. Considerando que a frota de carros na capital só cresce (foram de 1 milhão para 7 milhões dos anos 70 para cá) e que a velocidade média dos veículos no trânsito só cai (indo de 27 km/h para 17 km/h nesse meio tempo), o problema parece sem solução. Mas só parece. Um grupo de pesquisadores da USP tem um projeto para colocar ordem neste caos. E a resposta vem do lugar mais improvável: os rios da cidade.
Vivemos no século em que as cidades venceram. Pela primeira vez na história, existe mais gente vivendo entre prédios e avenidas do que entre pastos e animais. Em 2008, os moradores de metrópoles viraram mais da metade da população do planeta. E, em 2011, cidades americanas cresceram mais do que os subúrbios pela primeira vez desde 1920.
REFORMA HIDROGRÁFICA Conheça uma São Paulo possível: avenidas fluviais, reciclagem em massa e mais áreas verdes

O Hidroanel Metropolitano pretende resolver São Paulo em dois momentos. O primeiro envolve a construção de uma série de portos na borda dos rios e das represas que circundam a cidade. Eles serviriam para receber a quantidade enorme de sujeira produzida pela metrópole. Desde os saquinhos que os moradores colocam na porta de casa até a terra e o entulho de construções e demolições. Passando por outros dejetos, como a sujeira retirada dos córregos e das estações de tratamento. Estas cargas seriam levadas para os portos de caminhão mesmo.

Mas existe uma diferença importante. Com a construção dos portos para recebimento do lixo, as distâncias percorridas pelos veículos de carga seriam encurtadas de 30 km para apenas 8 km em média. Sem precisar atravessar a cidade, eles desafogariam o trânsito. Os barcos que esperam a sujeira atracados nos portos serviriam para percorrer o resto do caminho. Enquanto cada caminhão transporta apenas oito toneladas, um barco consegue movimentar 400 toneladas. Mas para onde estes barcos iriam? Este é o segundo passo. O Hidroanel Metropolitano prevê um enorme círculo de água em volta da cidade. Ele contaria com os dois rios e as duas represas que cortam a borda de São Paulo, mais um canal artificial ligando as pontas soltas.

Além dos portos, existiriam três centros de processamento de lixo prontos para receber 800 toneladas de lixo por hora. E todas aquelas cargas públicas - que saíram das ruas, percorreram os rios e chegaram aos centros - seriam recicladas, transformadas em matéria-prima novamente. "O Hidroanel constitui uma infraestrutura de saneamento, mobilidade e transporte, que tem como espinha dorsal o canal navegável. Ele serve também como um arco irradiador de desenvolvimento", resume Alexandre Delijaicov, professor da USP e um dos responsáveis pelo projeto.

Contando com a iniciativa dos governos que se sucedem na capital, ele poderia ficar pronto até 2045. E, mesmo grandioso, começa a virar realidade: já está planejada uma construção no rio Tietê que aumentaria em 14 quilômetros o trecho em que ele pode ser navegado, possibilitando que os barcos trafeguem por um trecho maior e iniciando a construção do círculo de águas. Nada mal para uma cidade que há décadas só vê seus rios como esgotos a céu aberto.