quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Feliz 2013


 


Aos nossos leitores e amigos,


“Desejamos e vamos lutar
para que em 2013 a
Mobilidade Sustentável faça
parte da vida de cada
brasileiro e brasileira,
fazendo valer a Lei da
Política Nacional da
Mobilidade Urbana (Lei
12.587/12), trabalhando
para que os investimentos em
sistemas estruturais de
transporte se viabilizem com
qualidade para seus
passageiros, tornando a
cidade mais humanizada e
segura para pedestres e
ciclistas e ampliando o
Direito à Cidade.”
 
Um 2013 de muita paz. 
 

Juntos podemos construir um país mais justo e equânime.

Um forte abraço,
 
 
da Equipe Direta do MDT


Nazareno Stanislau Affonso- Coordenador Nacional
Raphael Dorneles- Secretário Executivo
Cristina Baddini Lucas- Blog MDT
Alexandre Asquini- Jornalista Movimentando
Paulo Souza – MDT Goiás


Entidades do Secretariado
ANTP;AEAMESP;NTU;CMP;CONAM;CNTT/CUT;FENAMETRO;FNRU;MNLM;

UNMP;SEESPe;SEMGE;ABIFER;IEMA;NCST;
FPTP;CMETROFERROVIÁRIA-ANTP


Contribuintes


ABRAVALE;AESA;ATTPOA;CMT;GUARUPAS;METRO RIO;NTU;RIO ONIBUS;

SET SALVADOR;SET SÃO LUÍS;
SETRANSP-GO;URUBUPUNGÁ

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Equívoco prorrogado

Ponto de Vista - ANTP


Quais serão os impactos da resolução do CONTRAN que pemite a conversão de multas em advertências para 82 infrações previstas no CTB?

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Antenor Pinheiro | Coordenador da ANTP Centro-Oeste
O Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) prorrogou para julho de 2013 os efeitos da Resolução 404/12 que, dentre outros itens, facultará aos motoristas brasileiros o direito de cometer infrações leves e médias de trânsito em troca de advertências por escrito. O feito da prorrogação decorreu de sugestão da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) por meio do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Transporte e Trânsito reunido em Vitória mês passado. Mas embora o gesto de prudência tenha empurrado para adiante os efeitos da benevolência, continuam não esclarecidas as graves dúvidas que emolduram tais deliberações.

Com a prorrogação editada (Resolução 424/12) mantém-se a sobreposição da medida, já que o próprio Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que é lei, a prevê como exclusiva faculdade da autoridade de trânsito (Art. 267). Agora este status muda: o motorista infrator terá o direito de requerer formalmente a conversão da multa pela advertência, que será deferida ou não pela autoridade de trânsito – esta a tênue diferença.

Como dúvida, mantém-se o grave dilema em garantir a não pontuação dos infratores (mesmo que) advertidos, subvertendo a Lei Federal que determina exatamente o contrário (CTB, Art. 259). Portanto, ao não retificar o erro original no bojo da prorrogação, o CONTRAN insiste em não pacificar o malfeito que poderá ensejar conflitos de ordem legal, além de alimentar a cadeia da impunidade. Sobra assim, o que de fato interessa ao infrator: confusão na interpretação da aplicabilidade de pontuação e nenhum efeito pecuniário como punição.

Outro aspecto intocado na nova odisseia é o direito ao recurso. Mantido o texto contraditório, o CTB, que é lei, será mais uma vez maculado, pois que na Resolução editada elimina-se o direito do cidadão ao recurso diante das penalidades a ele aplicadas – o que inclui as penalidades de advertência.

Sem querer ser jurista, nos preocupa que uma lei federal (CTB) seja alterada por resolução colegiada, vez que a essência de pelo menos dois de seus preceitos (Artigos 259 e 267) foi ampliada em sua abrangência, além de não reclamar regulamentação por serem autoaplicáveis.

A questionada Resolução prorrogada é exemplo de contrassenso neste país que matou nos últimos mil e cem dias 120.779 pessoas e remeteu outras 396.782 mil aos centros cirúrgicos dos hospitais brasileiros – brutalidade explícita que entristeceu famílias e sorveu 106,7 bilhões de reais dos sistemas de saúde e previdência públicas (www.chegadeacidentes.com.br).

Comutar infrações leves e médias em penalidades de advertência é alimentar a violência no trânsito, pois tecnicamente todo acidente de trânsito é precedido de ao menos uma infração cometida. No CTB 42,1% das infrações se enquadram nesta insensatez. A Resolução prorrogada garante a cada um dos 45 milhões de motoristas habilitados brasileiros o direito de cometer anualmente até 82 distintas situações de infrações de trânsito sem que isso lhe intimide nas perigosas condutas. Bastará ao infrator requerer perante a autoridade competente e esta lhe deferir, a seu exclusivo critério, a anistia travestida de advertência. Logo, é certo que milhares dessas infrações cometidas justificarão também milhares de acidentes delas decorrentes.

Os defensores das medidas já se apresentaram creditando o feito a uma política de educação para o trânsito. Falsa premissa de quem faz vista grossa ao quadro epidemiológico no qual está inserido o país no quesito “mortalidade no trânsito”, segundo a Organização Mundial da Saúde/OMS. Na verdade, o que advogam é a institucionalização da “quebra de multas” e o estímulo à impunidade, o que sem dúvidas ainda mais afastará o Brasil da meta mundial de redução de acidentes.

Mas não é esta a questão central. O agravante é aferir o que esse passivo premiado representará no imaginário de uma população, principalmente jovem, cujo ato de dirigir está inexoravelmente associado à sua autonomia individual. Estamos num país em que o transporte individual motorizado é expressão de liberdade civil, onde a carteira de motorista (CNH) tem mais valor que o título de eleitor e equivale ao rito de passagem que assinala o ingresso da adolescência na sociedade adulta (Figueiredo, Dáquer e Souza, 2004). Logo, ampliado o lastro da impunidade estimulada pela Resolução prorrogada, a individualização dos interesses sociais ainda mais prevalecerá sobre o já fragilizado senso coletivo que deveria, num país civilizado, nortear a construção da cidadania plena, sempre!


* Antenor Pinheiro é jornalista, Superintendente de Desenvolvimento Urbano e Trânsito da Secretaria de Estado das Cidades/GO e Coordenador da ANTP Regional Centro-Oeste.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Realizada em Vitória a 79ª Reunião Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito

Com 50 participantes, que representavam 17 municípios de 11 Estados, foi realizada nos dias 19 e 20 de novembro de 2012, em Vitória, Espírito Santo, a 79ª Reunião Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito. O encontro aconteceu simultaneamente com a reunião da Frente Nacional de Prefeitos e foi patrocinado pela Mercedes Benz do Brasil.
A solenidade de instalação dos trabalhos foi coordenada por Rogério Crantschaninov, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos) e presidente do Fórum Paulista. Participaram do ato Fábio Ney Damasceno, secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas do Espírito Santo; Domingos Sávio Gava, secretário Municipal de Transporte, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória; Leo Carlos Cruz, diretor presidente da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV). A ANTP foi representada por seu superintendente, Luiz Carlos Mantovani Néspoli.
INVESTIMENTOS EM MOBILIDADE URBANA
O governo federal pretende anunciar em 14 de dezembro de 2012 os resultados do processo de escolha de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) – Mobilidade Médias Cidades, segundo informou a representante da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana (SeMob), do Ministério das Cidades, Lúcia Mendonça, ao participar, na manhã de 19 de novembro de 2012, da 79ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito.
Ela assinalou que o cadastramento encerrou-se em 11 e setembro de 2012, tendo sido iniciado em seguida o processo de análise das propostas, com enquadramento e hierarquização, o que se estendeu até 15 de outubro. A terceira e penúltima fase, de reuniões presenciais com os proponentes, se estenderá até 10 de dezembro. Em seguida, será feito o anúncio dos projetos escolhidos.
O PAC 2 – Médias Cidades compreendia 75 municípios elegíveis. Cadastraram-se efetivamente 71 municípios, que somam 27 milhões de habitantes. Alguns dados apresentados por Lúcia Mendonça: a) Há 110 propostas cadastradas. b) 59% dos municípios que pleiteiam investimentos integram regiões metropolitanas ou aglomerados urbanos. C) Em 82% dos municípios cadastrados o sistema de transporte público utiliza bilhetagem eletrônica; em 5%, a bilhetagem eletrônica está em implantação, e em outros 3% há projetos visando à utilização dessa tecnologia de arrecadação e gestão.
Levantamento feito com base nas informações das cartas-consultas preenchidas pelos municípios proponentes do PAC 2 Mobilidade Médias Cidades revela o seguinte quadro de demanda por infraestruturas de mobilidade urbana: 2.118,68 km de calçadas ao longo dos corredores; 780,52 km de ciclovias ou ciclofaixas ao longo dos corredores; 6.828 pontos de parada (estações e abrigos); 250 terminais; 586,96 km de faixas exclusivas para ônibus; 576,78 km de faixas preferenciais/semi-exclusivas.
Grandes Cidades
O PAC da Mobilidade Grandes Cidades tem como objetivo requalificar e implantar sistemas estruturantes de transporte público coletivo com ampliação de capacidade. Estão cadastrados projetos de 22 municípios divididos em três grupos.
Um dos grupos compreende municípios sedes de Regiões Metropolitanas com mais de 3 milhões de habitantes e o Distrito Federal, abrangendo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba, o Distrito Federal. O segundo grupo concerne a municípios entre 1 e 3 milhões de habitantes, reunindo Manaus, Belém, Goiânia, Guarulhos, Campinas e São Luiz.
No terceiro grupo estão municípios com população entre 700 mil e 1 milhão de habitantes, englobando Maceió, Teresina, Natal, Campo Grande, João Pessoa, Nova Iguaçu, São Bernardo do Campo. Há, ao todo, 43 propostas, com R$ 10,268 bilhões de recursos do Orçamento Geral da União (OGU); R$ 12,163 bilhões em financiamentos e mais R$ 10,305 bilhões em contrapartidas dos governos estaduais e municipais, totalizando R$ 32,736 bilhões de investimentos.
Corredores de ônibus
A representante da SeMob apresentou também um quadro de investimentos em projetos para implantação de 930 km de corredores de ônibus em grandes centros urbanos, com investimentos da ordem de R$ 15,1 bilhões.
Em relação à Copa do Mundo de 2014, estão previstos financiamentos que totalizam R$ 4,2 bilhões, com contrapartida dos Estados e Municípios que elevam o investimento a R$ 5,8 bilhões, significando a implantação de 330 km de corredores.
Por sua vez, o PAC Mobilidade Grandes Cidades garante para corredores de ônibus recursos de R$ 3 bilhões do Orçamento Geral da União (OGU), aos quais se somam R$ 4,5 bilhões de financiamento e R$ 1,8 bilhão de contrapartida dos Estados e Municípios, chegando a R$ 9,3 bilhões de investimentos, com a implantação de 600 km de corredores.
PAINEL SOBRE A LEI DE MOBILIDADE URBANA
Ainda na tarde do primeiro dia, desenvolveu-se um Painel sobre Lei da Mobilidade Urbana, organizado pela Frente Nacional de Prefeitos. O debate reuniu o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense Pires; o presidente da FNP e prefeito de Vitória, João Coser; o consultor da presidência da Caixa Econômica Federal, Vicente Trevas; o presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), de Goiânia, e representante indicado pelo Fórum Nacional, José Carlos Xavier e ainda o prefeito de Rio Branco, capital do Acre, Raimundo Angelim. O portal da Frente Nacional de Prefeitos apresentou matéria sobre este debate.
Na sessão, Ailton Brasiliense assinalou que a mobilidade é um tema que afeta diretamente da qualidade de vida dos cidadãos. “Da forma como ele está colocado hoje na maioria das cidades do Brasil, o usuário está bastante desprotegido, desatendido. A qualidade do transporte público oferecido é ruim. São 70 milhões de veículos no país e caminhamos para atingir 120 milhões de veículos daqui a 20 anos. Precisamos oferecer transporte público a um preço menor”, afirmou.
Ele garantiu que o envolvimento dos três níveis de governo no tema é crucial para a solução. “Essa é uma questão importante, que envolve os prefeitos, o governo federal, e envolve os governos estaduais, em função da conurbação das nossas cidades hoje, ou seja, as diversas atividades sociais, econômicas e culturais, de um cidadão são atendidas em parte numa cidade e em parte nas cidades vizinhas”.
O consultor da presidência da Caixa Econômica Federal, Vicente Trevas, defendeu a adoção de políticas públicas voltadas para a mobilidade urbana em áreas de regiões metropolitanas. "Precisamos adotar premissas que nos permitam atingir um novo patamar de mobilidade nas nossas cidades, especialmente num momento em que acontece a retomada dos investimentos públicos", disse.
De acordo com representante do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Transporte Urbano e Trânsito, José Carlos Xavier, o momento é de aprofundar os debates em torno da Lei de Mobilidade Urbana. "A Lei nos oferece instrumentos que permitem a racionalização e até mesmo a restrição do uso do automóvel, visando a equidade de utilização entre todos os modais de transporte", esclareceu.
Semanal ANTP