quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DE LA VILLE AUTOMOBILE A LA VILLE A VIVRE

Acontecerá no dia 17 novembro em Bordeaux um encontro "De lavilleautomobile à laville a vivre”,  organizado pela Rue de l’Avenir, em parceria com a Federationdes Usagers de la Bicyclette (FUB), do Pôle Urbain des mobilités alternatives de Bordeaux (PUMA) e doDroits du Piéton em Gironde.

Quatro questões essenciais pautarão o encontro.


1.      ESPRAIAMENTO URBANO E DESLOCAMENTOS MOTORIZADOS
A partir da análise das relações entre formas urbanas e mobilidade quotidiana é possível prever um modelo de urbanismo para os modos ativos (saudáveis, não-motorizados)? Que direção e que escolha em particular no que concerne à densidade urbana para que se possa sair da espiral espraiamento urbano/uso crescente do automóvel? Que orientações devem ser adotadas ou que já se encontram em curso de discussão nos diferentes documentos destinados a preparar o futuro PADD, SCOT, PDU, PLU?

2.      RECONQUISTA DO ESPAÇO PÚBLICO
Tendo em vista o papel regulador do tempo e do espaço no uso do automóvel, o estacionamento é um elemento determinante da qualidade da vida urbana. Ocupa áreas consideráveis no espaço público, que é um bem comum, cujas diferentes funções ficam, assim, reduzidas. Estas áreassão quase sempre excessivas para o estacionamento autorizado e é agravado, em muitas cidades, pela tolerância excessiva, que beneficia o estacionamento ilícito. Sua utilização assinala para uma privatização do espaço público, cujo custo é, ou subestimado (automóvel) ou negligenciado (motos).
Que novo enfoque, considerada a questão do espaço público, suas prioridades de uso e seu potencial de vitalidade para a vida urbana, pode ser impulsionado? Pode-se, com este enfoque, impulsionar uma nova lógica de urbanização do espaço público?

3.      UMA CIDADE ONDE A VELOCIDADE SEJA HIERARQUIZADA
O conceito de zona 30, tem origem na “rua de se viver” (larue a vivre) dos Países Baixos e permite,a partir de um decreto de novembro de 1990, que, em uma rua ou em um bairro, estabelecer um melhor equilíbrio entre oconjunto das funções urbanas e a circulação dos automóveis, oferecer melhores condições às modos ativos (bicicletas, a pé) e melhorar a qualidade do espaço urbano. OCódigo das Ruas (Code de laRue) e o decreto de 30 de julho de 2008, instauram o princípio essencial do respeito ao mais fraco pelo mais forte, a criação da zona de encontro (?) (rencontre) e de dois sentidos de circulação nas zonas 30 e de encontro (?).
Assim, é recomendável proceder-se à uma avaliação dos resultados da aplicação da política das zonas 30 nas cidades, a partir da experiência do 30/50 e das iniciativas inovadoras implantadas na Suíça e, também, das primeiras experiências de circulação dos ciclistas nas cidades-30 em diferentes países.

1.      UMA CIDADE ONDE SE CAMINHA
A marcha a pé, por ser a mais importante das eco-mobilidades, e que, pela redução do número e da velocidade dos veículos motorizados, tornou-se, pela comodidade e segurança alcançadas, configura-se como um elemento importante a uma política alternativa à dependência automotiva. A marcha a pé envolve a todos: é a unidade-base dos deslocamentos. Como considerar a marcha a pé, além da valorização dos seus elementos positivos e de sua pertinência nos deslocamentos de pequena distancia, no quadro da acessibilidade urbana ou no âmbito mais abrangente da organização dos deslocamentos na escala da região metropolitana?

PROGRAMA

(Segue a lista dos temas e palestrantes do Programa)
ABERTURA
·         “La ville tout simplement” –Gilbert LIEUTIER – Presidente da Rue de l’Avenir;
ESPRAIAMENTO URBANO E DESLOCAMENTOS MOTORIZADOS
·         “Les formes urbainesetlamobilitéquotidienne. Vers um urbanisme de modesdoux”-Fuillaume POUYANNE GRETHA – Université de Bordeaux
·         “Mauvaiseetbonnedensité” – Hubert PEIGNE
PELA RECONQUISTA DO ESPAÇO PUBLICO
·         “De nouvelles logiques d’aménagementpourl’espacepublic” – Gilles BLANCHARD CETE
·         “Lesréponsesencours ou à l’étudeausein de la CUB”
·         “Espace publicetstationnement” – Anne FAURE – UrbanisteRue de l’Avenir
·         “Le stationnement (auto), entre discoursetréalité” – Gilbert LIEUTIER
UMA CIDADE ONDE A VELOCIDADE SEJA HIERARQUIZADA
·         “L’expérienceduprogramme 30/50 km/h et desiniciativesinnovantes em Suisse” – Alan ROULIER – Vice PrésidentRue de l’Avenir
·         Mesa redonda: “Le point surlesvilles 30 et l’usageduvélo”
MARCHA A PÉ, ACESSIBILIDADE E METRÓPOLE
·         “Lesenseignementsdes enquetes déplacements (Zoom sur Bordeaux etla marche” – Cristian FRANÇOISE CETE
·         “Marche etMetropole” – Ole THORSON – InternationalFederationofPedestriansavec um témoignagesurBarcelone
·         “Reglesetlois à fairerespecter” – Gilbert LIEUTIER
·         “Lesdiagnosticspartagés: laruecitoyenne ou laplace em villedespiétons et despersonnes à mobilitéréduite”. 
        – René VERNAY – Droitsdupiéton de Gironde

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

terça-feira, 8 de novembro de 2011

São Paulo busca resposta para os congestionamentos

FONTE: Valor Econômico – SP
No ano passado, São Paulo perdeu a liderança no ranking anual elaborado pela AméricaEconomía Intelligence como a melhor cidade da América Latina para se fazer negócios. Motivos: os congestionamentos gigantescos e a dificuldade de deslocamento das pessoas. Agora, São Paulo tem em mãos o maior projeto metroferroviário de sua história.

As estimativas para os investimento em transporte de massa sobre trilhos entre 2012 e 2015, feitas pelo governo do Estado, chegam a R$ 45 bilhões. Desse montante, R$ 30 bilhões deverão vir dos cofres públicos estaduais e o restante, do setor privado, por meio das Parcerias Público Privadas (PPPs).
O destino desses recursos já está delineado, segundo o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. Projetos e obras da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) devem absorver R$ 29,2 bilhões. Outros R$ 9,4 bilhões estão destinados para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP) vai receber R$ 870 milhões e a Secretaria de Transportes Metropolitanos, R$ 4,9 bilhões.
Os planos de expansão do transporte sobre trilhos no Estado de São Paulo são tão ambiciosos que a meta da administração Alckmin é passar dos atuais 335 km (entre Metrô e CPTM) para 402,7 km em 2014. O acréscimo de 67,7 km equivale a uma viagem entre São Paulo e Santos.
Em termos de número de estações à disposição do público, o plano é crescer proporcionalmente ao aumento da rede metroferroviária, de 153 para 186 no mesmo período. O Metrô paulista tem 64 estações em 74,3 km de trilhos que se prolongam por cinco linhas. Em 2014, poderá chegar a 87 estações em 101,3 quilômetros de extensão. Com isso, a estimativa é dobrar o número de usuários, hoje calculado em 3,7 milhões nos dias úteis.
A CPTM também tem planos ambiciosos de expansão. No momento, de acordo com o gerente de projetos de transporte, Silvestre Eduardo Rocha Ribeiro, a companhia está recapacitando a infraestrutura de suas seis linhas, com a implantação de novos sistemas de sinalização, telecomunicações, energia, rede aérea e via permanente. Os atuais 260,7 km de redes em operação chegarão a 301,4 km em 2014. O número de estações em atividade passará de 89 para 97 na Região Metropolitana de São Paulo.
Além disso, a CPTM programa duas novas linhas. A 13-Jade ligará Guarulhos à rede da CPTM e do Metrô. São aproximadamente 11 km de extensão. O investimento para a implantação da obra, incluindo a infraestrutura de operação e trens, está estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão. "Até o final de outubro será publicado o edital do projeto básico e executivo", disse Ribeiro. A obra deverá estar concluída até o final de 2014.
Já o Expresso ABC terá 25,2 km e seis paradas. Ela vai trafegar paralelamente à Linha 10 da CPTM, diminuindo em 35% o tempo de viagem entre as estações Luz e Mauá. De acordo com o governo, o fluxo de pessoas no ramal deverá passar de 260 mil para 600 mil por dia. O investimento será de R$ 1,2 bilhão.
Cristina Baddini lucas - Assessora do MDT

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

XXV ANPET - Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes

O XXV ANPET - Congresso de Ensino e Pesquisa em Transportes será realizado em Belo Horizonte de hoje a 11 de novembro de 2011 no Centro de Convenções da Escola de Engenharia da UFMG. 

A organização do evento está a cargo do Depto. de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Minas Gerais.
Os temas do congresso incluem, entre outros:
Políticas de Transporte,
Planejamento de Transportes,
Analise de Sistemas de Transportes,
Transporte e Meio Ambiente,
Economia dos Transportes,
Gestão e Organização do Transporte,
Operação de Sistemas de Transportes,
Engenharia e Segurança de Tráfego,
Infra-estrutura de Transportes,
Logística,
Novas Tecnologias, e
Formação de Recursos Humanos em Transportes.


O Congresso permitirá a discussão de temas de grande interesse para os profissionais que atuam no setor, possibilitando que todas as esferas ligadas às atividades de transportes, seja acadêmica, científica, profissional, privada ou governamental, possam discutir e apresentar seus problemas e soluções, e ainda refletir sobre possíveis linhas de ação num ambiente cooperativo e instrutivo.

O XXV ANPET deverá reunir cerca de 400 participantes e nele serão apresentados e discutidos mais de 250 artigos técnicos e científicos relativos a transportes. O Congresso abrigará também Seminários, Conferências, Mini-cursos e uma feira para empresas e instituições interessadas em divulgar os avanços científicos e tecnológicos do setor.

O XXV ANPET espera contribuir para o aprimoramento científico e tecnológico de todas as modalidades de transportes e para a adoção de políticas públicas que atuem como fatores de desenvolvimento e inclusão social para o Brasil.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Matança no Trânsito


Cristina Baddini - colunista do DGABC
 Diario do Grande ABC
Coluna - De Olho no Trânsito

As tragédias nas ruas e estradas estão destruindo sonhos e arrebentando com as famílias brasileiras. Quem não tem um caso de morte no trânsito entre a sua família ou amigos? Os hospitais estão superlotados de vítimas de colisões, capotamentos e atropelamentos. Em 2010, os acidentes de trânsito ocorridos no país deixaram 40.610 mortos, número 8% maior que o registrado em 2009 (37,6 mil), segundo dados do Ministério da Saúde. Pelas estatísticas 111 pessoas morreram por dia em acidentes em 2010. Em dois dias, o número de mortes supera o número de vítimas da queda do Airbus da TAM em 2007, A maior tragédia da aviação brasileira. Trata-se do maior número registrado nos últimos 15 anos.




Epidemia de lesões e mortes



Essa absurda matança no trânsito brasileiro precisa sim ser reprimida. As ocorrências de trânsito refletem um conjunto de fatores estruturais da realidade social, a começar pela prioridade concedida aos automóveis nas vias públicas. Se nada for feito, a previsão é que até 2015 o acidente de trânsito seja a principal causa de morte nos países em desenvolvimento. Para tanto É necessária a implementação de políticas públicas sérias.







Responsabilidades



O balanço do Ministério da Saúde atribui a alta do número de vítimas ao aumento das motos no trânsito. Dos 40 mil mortos em 2010, 25% ou seja, 10 mil são oriundos de acidentes envolvendo motos. A aprovação da lei do mototaxista foi outro agravante. Outra causa provável do aumento da mortalidade é o relaxamento da Lei Seca.



A Década de Ações para a Segurança no Trânsito de 2011 a 2020, instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) e que envolve 150 países num esforço conjunto para a redução dos acidentes de trânsito no mundo ainda caminha a passos lentos no Brasil. O governo federal acompanha meia dúzia de cidades na questão da segurança, mas esquece os outros 5.000 municípios brasileiros. Nem uma carta os prefeitos receberam do Governo Federal colocando o assunto em pauta e solicitando medidas nas cidades. Segundo estimativas, se somente as capitais reduzirem 50% da mortalidade no trânsito, teremos 30% de redução no total.





Mais punição



Há uma comissão de reforma do Código Penal no Senado prevendo aumento do rigor na punição aos motoristas que dirigem após beber e provocam acidentes com vítimas. Se a reforma for adiante, a embriaguez pode ser considerada qualificadora nos casos de morte. A pena de prisão poderá chegar a oito anos para o causador pelo acidente.



O Ministério da Saúde está propondo a criação de um novo fundo nacional com a receita das multas. Os recursos serão repartidos segundo o cumprimento de metas de redução de acidentes na forma de contrapartida.



Indiferença dos governantes



O governo federal merece ser criticado por conceder incentivos à produção e venda de motos e pelo contingenciamento da arrecadação com multas de trânsito, dinheiro este que deveria ser investido na prevenção de acidentes.



Enfim, espero que a ONU e a OMS (Organização Mundial da Saúde) na condição de patrocinadoras das ações incentivem de imediato, no âmbito nacional e de maneira ampla a integração dos órgãos de trânsito com os demais órgãos como saúde, educação e transporte. Espero também que finalmente se implante um órgão federal que tenha condições de dar um norte para a segurança de trânsito. Até hoje o governo federal vem ignorando o DENATRAN. Os governos estaduais entendem os DETRANs como fontes de receita. Os governantes municipais enxergam o trânsito como fonte de despesa e perda de votos. Os fabricantes culpam os condutores e a sociedade civil entende a área de trânsito como “indústria de multas”. O resultado é a chacina que todos participamos. Enquanto continuarmos com este pacto de impunidade, que envolve a todos, a chacina continuará. Afinal, qual o valor de uma vida humana?

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT






quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Consolação tem parada de ônibus 'high tech'


A partir de hoje a parada de ônibus na esquina da rua da Consolação com a av. Paulista, em São Paulo, tem novidades tecnológicas para os usuários.



Entre elas, o abrigo ganha climatizador para regular a umidade relativa do ar, painel interativo com tela sensível ao toque para consulta de linhas, conexão Wi-Fi (sem fio) para celulares, lixeira com sinal sonoro e iluminação controlada a partir da presença das pessoas , informa reportagem da Folha de S.Paulo.



Por enquanto, a rede sem fio permite apenas a consulta a linhas que atendem a parada. A SPTrans (que gerencia o transporte público na capital) pretende, no futuro, abrir aos usuários a consulta a outros sites.



Após o teste na esquina da Paulista, os dispositivos farão uma espécie de rodízio por outros pontos da capital. Atualmente, a cidade conta com 19 mil paradas de ônibus.
 
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
Arte: Nazareno Affonso

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Filippi se reúne com especialistas em Mobilidade Urbana




http://www.filippi.com.br/

Na última segunda-feira, 24/10, o mandato do deputado José de Filippi (PT-SP) promoveu uma reunião sobre Mobilidade Urbana com técnicos da área de transporte de vários Estados do Brasil, para debater o projeto sobre a criação de uma Autoridade Metropolitana de Transporte.




Entre os temas foram abordados o financiamento para obras de mobilidade, um novo modelo de gestão institucional e ações de curto, médio e longo prazo.



O presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) de Goiás, José Carlos Xavier, conhecido como Grafite, apresentou o modelo de gestão do sistema, falou dos desafios e se mostrou favorável a proposta de Filippi. “Fico feliz em participar de uma reunião com tantos quadros importantes para debater um tema que é fundamental para o desenvolvimento do país. Parabenizo o mandato por essa iniciativa”, disse Grafite.



Filippi afirmou que esta reunião foi mais um momento importante para o debate. “Esse nosso encontro ajuda a aprofundar o tema e darmos consistência às propostas. Agora o grupo irá se reunir mais vezes para que possamos avançar na discussão e subsidiar nossa ação parlamentar”, afirma o deputado.

Participantes da reunião:


Antônio Luiz Mourão Santana – Consultor na área de transporte.


Carlos Batinga – Engenheiro civil e especialista em transporte


Nazareno Affonso – Arquiteto, urbanista, coordenador do escritório da ANTP - Brasília e coordenador do MDT (Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos).



José Carlos Xavier – Engenheiro civil e presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) do Estado de Goiás.


Arlindo Fernandes – Consultor na área de transporte.

Ailton Brasiliense – Presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos).


Marcos Pimentel Bicalho – Arquiteto, urbanista e Superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos).


Ricardo Mendanha – Engenheiro, ex-presidente da BHTRANS, responsável pela Regional de Minas Gerais da ANTP e consultor na área de transporte.


Evaristo Almeida – Coordenador do setorial de Transporte e Mobilidade Urbana do PT de São Paulo e assessor da liderança da bancada do PT na Assembleia Legislativa.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT








terça-feira, 1 de novembro de 2011

Visite a Feira e Seminário Negócios nos Trilhos em São Paulo

Organizada e realizada pela Revista Ferroviária, a Feira Negócios nos Trilhos está consolidada como a maior exposição metroferroviária da América Latina, devendo contar com cerca de 180 expositores de diversos países e receber mais de 10 mil visitantes, sendo 15% do exterior.


14ª Feira e Seminário Negócios nos Trilhos
Data: 08 a 10 de novembro de 2011
Horário do Seminário
– dia 08/11 (terça feira) 9h00 às 12h30 
– dia 09/11 (quarta-feira) 9h00 às 12h30 e 14hàs 17h00
– dia 10/11 (quinta-feira) 9h00 às 12h45
Horário da Feira: 14 horas às 20 horas
Local: Pavilhão Vermelho - Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - São Paulo – SP

Mais informações sobre a Feira Negócios nos Trilhos poderão ser obtidas acessando o site: www.revistaferroviaria.com.br

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT.

O Futuro da Mobilidade Urbana


LONDRES, (BSW) - 
Com os atuais sistemas beirando o colapso, a mobilidade urbana é um dos desafios mais difíceis com que as cidades se defrontam. Em seu novo estudo,O Futuro da Mobilidade Urbana: Rumo às cidades multimodais em rede em 2050,a empresa de consultoria em inovação, Arthur D. Little (ADL), mostra as melhores práticas de todo o mundo identificando imperativos estratégicos para fazer frente a este desafio.

Usando 11 critérios, a ADL avaliou a maturidade da mobilidade e o desempenho de 66 cidades em todo o mundo utilizando uma pontuação de 0 a 100 para os indicadores. O resultado médio acabou ficando abaixo de 65, mostrando que hoje a maioria das cidades somente está alcançando dois terços de seus potenciais. Hong Kong e Amsterdã são as duas únicas cidades que obtiveram mais de 80 pontos, com Atlanta e Teerã na parte inferior do espectro com 46,2 e 47,7 pontos, respectivamente.

"Em 2050, setenta por cento da população mundial viverão em cidades, e a maioria dos sistemas de mobilidade urbana simplesmente não pode lidar com isto. Nossa pesquisa e análise evidenciaram que existe uma ampla gama de soluções e tecnologias disponíveis para resolver os atuais desafios da mobilidade, mas a maioria dos sistemas de mobilidade urbana se mostrou hostil à inovaçãoâ??, declara Wilhelm Lerner, Parceiro de Estratégia e Organização da Arthur D. Little.

Para enfrentar o desafio da mobilidade urbana, as cidades devem implementar uma das três estratégias, dependendo de sua localização e maturidade:

-- Interligar o sistema em rede: Cidades com alto desempenho devem fornecer um ponto de acesso único para a cadeia de valor da viagem a fim de promover o transporte multimodal.

-- Repensar o sistema: Cidades em países desenvolvidos com uma alta proporção de transporte individual motorizado necessitam replanejar fundamentalmente seus sistemas de mobilidade para se tornarem mais orientados ao público e à sustentabilidade.

-- Estabelecer estrutura sustentável: Cidades de países emergentes devem estabelecer uma estrutura sustentável que possa satisfazer as demandas de curto prazo com um custo razoável sem a necessidade de grande remodelamento posterior.

Além disto, a ADL identificou três modelos de negócios sustentáveis em longo prazo para os fornecedores de mobilidade:

-- O Google da mobilidade urbana: Construído sobre um ativo fundamental de uma interface amigável ao cliente, o modelo fornece um ponto único de acesso para a mobilidade multimodal e serviços complementares para os consumidores finais em larga escala para conduzir a captação.

-- O Apple da mobilidade urbana: No centro deste modelo de negócios estão integrados serviços e soluções de mobilidade a consumidores finais ou cidades. Serviços integrados de mobilidade para consumidores finais fornecem uma experiência de percursos multimodais sem descontinuidade, como transporte público interligado com carros e compartilhamento de bicicletas. O fornecedores interessados disponibilizam soluções multimodais integradas completas.

-- A Dell da mobilidade urbana: Esta é uma oferta básica com compartilhamento de carros ou bicicletas, sem integração ou interligação em rede. Também pode incluir soluções tecnológicas inovadoras como transponders que tornam viáveis os modelos Google e Apple.

O relatório completo pode ser baixado em www.adl.com/Urban_Mobility

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
Arte: Nazareno Affonso

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

18º Congresso da ANTP no Diário do Grande ABC


Cristina Baddini - colunista do DGABC
 

Diário do Grande ABC

De olho no trânsito

Cristina Baddini 
O modelo de cidades espraiadas se esgotou. Modelo este que considera a ‘sagrada aliança' entre a indústria automobilística e a de construção civil onde, para morar, torna-se imprescindível a posse de carros (no plural, um carro não resolve a mobilidade familiar), que sejam confortáveis, velozes e capazes de vencer estas longas distâncias em pouco tempo. Mitificado como símbolo inconteste da liberdade individual - condição hoje dividida com as motos, razoavelmente acessíveis aos extratos mais jovens e pobres da população - o automóvel irrompe o século 21 como um dos agentes efetivos da ineficiência das metrópoles e médias cidades, promovendo custos ambientais de alta monta e aumentando tempo perdido. No dia a dia das cidades congestionadas, apenas lentamente uma parcela da população começa a se dar conta de que, com o carro individual, perde-se muito mais tempo do que com o transporte público para cumprir seus trajetos rotineiros, pagando mais por isso.
Fonte da queima cotidiana e ineficiente de incontáveis toneladas de carbono, o crescente contingente de automóveis particulares cruza nossas cidades sem que seus fabricantes, revendedores e proprietários sejam sequer indagados a respeito do impacto ambiental que causam. A questão é perguntar por que o conjunto dos automóveis fica livre de algo análogo ao Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental - procedimentos justamente obrigatórios para uma série de atividades urbanas, incluindo a implantação de linhas de metrô e de corredores de ônibus.
Neste momento os desafios urbanos na questão da mobilidade são muitos e o evento da Copa 2014 e os investimentos que virão com o PAC da Mobilidade nos colocam uma perspectiva de melhoria na qualidade de vida das cidades. A priorização do transporte público nas cidades é ponto pacífico nesta discussão e um sistema com qualidade para o usuário, reduzindo tempo de viagem e garantindo confiabilidade e pontualidade nos serviços prestados é fundamental.
Com o objetivo principal de promover a troca de experiências entre cidades para a solução de problemas dentro dos preceitos da mobilidade urbana, nos dias 19 e 21, aconteceu no Rio de Janeiro, o 18° Congresso da Associação Nacional de Transportes Públicos.
O congresso trouxe profissionais especializados que discutiram assuntos como a acessibilidade de pedestres e ciclovias, as estratégias e planejamento para soluções em mobilidade urbana e o futuro das tecnologias modais, além dos desafios para a Década de Redução de Acidentes e a mobilidade urbana na agenda ambiental - a Conferência ONU Rio+20.
O evento serviu como uma plataforma de comunicação sobre a integração tarifária e inclusão social e outra conferência tratou do tema das tecnologias aplicadas na gestão das cidades, tendo como foco o Centro de Operações Rio. Também se discutiu mobilidade urbana para a Copa e 2014, em uma oficina internacional específica; o monotrilho como meio de transporte nos grandes centros urbanos, mobilidade para cidades sustentáveis.
Foi uma boa oportunidade de debate e promoção de informações que resultarão em soluções sustentáveis e eficientes entre sociedade, mobilidade e tecnologia. Com a participação de mais de 2.000 congressistas, público este de extrema qualificação. O congresso proporcionou um encontro entre os maiores representantes e interessados no assunto, com posicionamento frente a um mercado discutido mundialmente em busca de novas opções e soluções inteligentes que demandam um amplo planejamento.
Enfim, o congresso também defendeu medidas para que o automóvel seja adequadamente taxado por sua ineficiência energética, pelo impacto ambiental, pelos acidentes que causa, sugerindo que os recursos daí advindos sejam empregados diretamente na melhoria dos sistemas de transporte coletivo para toda a sociedade.
Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

sábado, 29 de outubro de 2011

Brasil tem 40 mil mortos no trânsito em apenas um ano


ALENCAR IZIDORO
Folha de São Paulo
 No ano passado, os acidentes de trânsito em estradas, ruas e avenidas deixaram 40.610 mortos no Brasil.
Trata-se do maior número registrado pelo Ministério da Saúde em ao menos 15 anos.
Pelas estatísticas recém-compiladas pelo governo federal, 111 pessoas morreram por dia em acidentes em 2010, 8% mais que no ano anterior.
Em dois dias, é suficiente para superar a quantidade de vítimas da queda do Airbus da TAM em 2007, maior tragédia da aviação brasileira.
As internações hospitalares de vítimas do trânsito também subiram -15%-, beirando 146 mil no ano.
A escalada de mortes havia sido interrompida em 2009, primeiro ano completo após a Lei Seca, quando houve queda inédita na década.
No ano seguinte, a quantidade superou patamares anteriores. "Há uma verdadeira epidemia de lesões e mortes no trânsito", diz Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
A pasta atribui a elevação principalmente ao aumento -de 12%, em 2010- da frota de motos. Pelo segundo ano, as mortes de motociclistas superaram inclusive as de pedestres, sendo líder entre todos os tipos de vítimas cujos detalhes são conhecidos.
O ministério também diz que, ao longo dos anos, houve "melhoria estatística" -de casos que antes eram subnotificados. Porém, diz Padilha, só isso não justificaria as 3.016 mortes a mais de 2010 em relação ao ano anterior.

RESPONSABILIDADES
O balanço do ministério foi apresentado no Rio, no 18º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado pela Associação Nacional de Transportes Públicos.
Técnicos incluem, entre as explicações para a alta do número de vítimas, um provável relaxamento da Lei Seca.
O ministro reconhece que "há evidências de que é preciso intensificar" esse controle, porque a embriaguez é uma das principais causas de acidentes. Mas ele alega ser uma atribuição dos Estados. Especialistas também elencam ações sob responsabilidade do governo federal.
Em 2009, por exemplo, uma lei sancionada pelo presidente Lula regulamentou a profissão de mototaxista.
A medida foi criticada por boa parte dos técnicos, pela avaliação de que estimularia a difusão desse transporte.
O governo também é criticado por incentivos à produção e venda de motos e pelo congelamento da arrecadação com multas de trânsito (que deveria ser investida em prevenção de acidentes).

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT
Arte: Nazareno Affonso

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Metrô e ônibus

Jurandir Fernandes - Secretario de Transportes Metropolitanos de São Paulo
O Estado de S.Paulo


Com muito realismo e em termos claros, o secretário estadual de Transporte Metropolitanos, Jurandir Fernandes, chamou a atenção para um ponto fundamental do problema do transporte coletivo da Grande São Paulo, com destaque para a capital: não se pode apostar apenas no metrô, porque a solução depende também da melhoria do serviço de ônibus, que cabe aos municípios. A ênfase excessiva no metrô - ele poderia ter acrescentado - tem sido na prática uma forma de os prefeitos da região fugirem de, pelo menos, uma parcela da responsabilidade que lhes cabe nesse caso.


É conhecido o esforço das últimas administrações estaduais para ampliar a rede do metrô. Mas esta é uma obra que, além de cara, demanda tempo. Não é de admirar, portanto, que, embora o governo do Estado esteja fazendo o maior investimento na extensão da rede em apenas um ano - R$ 4,9 bilhões -, o secretário reconheça que a conclusão de um importante conjunto de 11 obras, em meados do próximo ano, não trará uma melhora significativa para o transporte coletivo e o trânsito na capital. A superlotação do metrô em várias linhas deve continuar mesmo com essa expansão.


O problema é que os vários meios de transporte coletivo devem funcionar de forma integrada. Por mais importante que seja o transporte por trilhos - do metrô e da CPTM -, apenas a sua expansão, feita pelo governo do Estado, não resolve. Ela deveria ser coordenada com a melhoria do serviço de ônibus, para que ele mantivesse seus usuários. Como isso não ocorreu, eles estão migrando para o metrô. "Estamos tirando passageiros dos ônibus. Por quê? Em nossa opinião, é por tempo e por dinheiro. A viagem de metrô é mais rápida e custa R$ 3,20 por dia a menos", afirma Fernandes em entrevista ao Estado.


Imaginava-se, acrescenta ele, que o metrô ganharia passageiros que usam carro: "Você tiraria gente dos carros e daria até mais fluidez aos ônibus. Mas o carro continua ali". Como o serviço de ônibus continuou ruim, isso teve um triplo efeito negativo para o sistema de transporte coletivo: a absorção de parte de seus passageiros superlota as novas linhas do metrô que, assim, não conseguem atrair quem se locomove de carro. E o número cada vez maior de carros nas ruas piora o trânsito e, por isso, também colabora para a lentidão dos ônibus.


A solução, segundo Fernandes, é uma conjugação de esforços do governo estadual e dos municípios da Grande São Paulo. "De que adianta uma bela rede metroferroviária, se você não tem uma capilaridade funcionando bem? Não adianta fazermos só metrô. Ele nunca vai passar na esquina de casa. É preciso uma complementação. Não basta um prefeito pedir metrô para a cidade dele. Não basta dizer que está ajudando o metrô. Precisa fazer a parte dele."


A parte das prefeituras, a começar pela da capital, é a reforma e melhoria do péssimo serviço de ônibus que oferecem à população, um problema do qual elas vêm fugindo há muito tempo, ao longo de várias administrações. Uma pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com a Câmara Municipal e apoio da rádio Estadão ESPN, cujos resultados acabam de ser divulgados, mostra que na área de transporte a melhoria dos ônibus foi apontada como prioridade por 77,4% dos paulistanos. A participação da Prefeitura nos investimentos para a ampliação da rede do metrô vem em quinto lugar (47,94%).


O recado dos paulistanos é claro. Eles sabem muito bem que, como a implantação de uma rede de metrô à altura de suas necessidades demanda tempo, a curto prazo dependem em grande parte do serviço de ônibus, cuja má qualidade é notória - lento, sem pontualidade e desconfortável. Disso sabem também, é claro, as autoridades municipais, e há muito tempo. A única explicação razoável para isso nunca ter sido feito é a falta de coragem para contrariar os interesses das empresas que dominam o setor - altamente subsidiado - e não parecem nem um pouco descontentes com a situação.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A cidade de São Paulo terá trólebus autônomo



Veículo vai poder recarregar a energia nas paradas ou em pontos específicos. Prefeitura deve contratar empresa para substituir 325 quilômetros de fios




ADAMO BAZANI – CBN

Além de mais modelos semelhantes ao novo trólebus apresentado nesta segunda-feira, dia 24 de outubro de 2011, a cidade de São Paulo deve ter outros tipos de ônibus elétricos que prometem mostrar que este tipo de transporte não é ultrapassado. Pelo contrário, ele se modernizou e hoje oferece soluções que ampliam suas vantagens, como não emitir nenhum poluente na atmosfera em sua operação, produzir pouco ruído e ser mais confortável para os passageiros.

A cidade deve ter em breve um tipo de trolebus, chamado Auto Trolley, que pode funcionar de forma independente da rede aérea.

O veículo terá baterias armazenadoras de energia elétrica. Entre uma parada e outra, os ônibus usam a energia guardada e, quando param nos pontos, se conectam a uma fonte de alimentação que abastece essas baterias.

Com isso, os trólebus podem ser mais flexíveis principalmente em trechos que, por conta de irregularidades no pavimento e falta de corredores exclusivos, há constantes quedas de pantógrafos (as alavancas que ligam o ônibus a rede elétrica aérea).

Os estudos para este tipo de trólebus já estão bem desenvolvidos para serem aplicados em São Paulo.

O modelo para circular em São Paulo foi desenvolvido pela Illuminatti, empresa de tecnologia para tração elétrica e veículos não poluidores.


O veículo também vai contar com equipamentos de acessibilidade, como piso baixo, portas mais largas e espaço para cadeira de rodas e cão guia, e tecnologia de corrente alternada, que acaba resultando em melhor aproveitamento da energia elétrica, melhor desempenho do veículo e menos custos de aquisição de veículo e manutenção elétrica e mecânica.


Cristina Baddini Lucas - Asessora do MDT


terça-feira, 25 de outubro de 2011

RJ é líder em mobilidade e SP é última, mas o destaque é a falta de dados

São Paulo tem a pior nota em mobilidade urbana

Rede Brasil Atual

Um estudo realizado pelo Mobilize Brasil, entidade que estuda a mobilidade urbana no país, mediu as condições de deslocamento em nove capitais. O resultado mostrou que São Paulo tem as piores notas em relação à mobilidade, enquanto o Rio de Janeiro ficou na liderança.




Os quesitos analisados na pesquisa foram acessibilidade dos ônibus, mortes no trânsito, estrutura cicloviária, custo do ônibus no orçamento médio da população e proporção de viagens motorizadas. O Mobilize buscou dados em mais quatro capitais. A dificuldade de obter dados em Goiânia, Recife, Fortaleza e Manaus diminuiu a lista. Mesmo nas cidades que informaram seus indicadores, o processo não foi fácil. Os dados ficam dispersos em diversos órgãos, que dificilmente estão dispostos a compartilhá-los. Além disso, não é possível garatir a confiabilidade dos dados.



Outra dificuldade foi a obtenção de informações sobre sustentabilidade no transporte. As cidades não sabem os poluentes que sua frota emite na atmosfera.



Resultados

O Rio de janeiro se destacou principalmente na pequena proporção de viagens de carro no total de deslocamentos na cidade: apenas 13% delas é feita com carro. Outro quesito importante no Rio é a alta proporção de ônibus acessíveis, 60% da frota, e pela extensão de suas ciclovias. Curitiba vem logo depois do Rio, com bons indicadores em acessibilidade dos ônibus, mortes no trânsito e estrutura cicloviária. Apesar de ser conhecida pelo sistema de ônibus, a capital paranaense perde pontos no quesito viagens motorizadas: 27% dos deslocamentos são feitos em veículos motorizados.



Na rabeira da lista, estão Cuiabá e São Paulo. A capital paulista mostrou indicadores ruins em todos os elementos analisados. Os piores são estrutura cicloviária e proporção de viagens motorizadas. Em Cuiabá, o custo da tarifa é o que mais pesa para o mau desempenho. Para ler o estudo na íntegra, clique aqui.



Para comentar os resultados da pesquisa, foi ouvido o consultor editorial do estudo, Thiago Guimarães, jornalista e especialista em mobilidade urbana.



Perguntas: A pesquisa teve que ficar restrita a menos cidades e usar menos dados do que o previsto inicialmente. A falta de dados sobre as cidades brasileiras atrapalhou o objetivo do trabalho de vocês? Os indicadores que faltaram poderiam mostrar um resultado diferente?



Thiago Guimarães: Ao mesmo tempo que afetou a abrangência do índice, a dificuldade de obter dados importantes junto às administrações municipais foi em si um resultado importante do estudo: os municípios brasileiros frequentemente não dispõem de informações elementares para o planejamento urbano e de transportes sob a égide da sustentabilidade. É claro que o estudo ganharia ao incorporar mais informações e mais cidades, mas, pessoalmente, esse resultado não me surpreendeu. Antes, como jornalista e como pesquisador, já havia tentado levantar informações básicas, que deveriam ser acessíveis a todo cidadão e que, no entanto, são indisponíveis ou tratadas quase como segredo de Estado. Ambos os problemas são gravíssimos. A inexistência ou a falta de transparência de dados fundamentais dificultam, impedem um envolvimento cidadão nesses assuntos. Como se pode observar, nenhum indicador que destaca sobre os impactos ambientais dos transportes foi incluído. Na segunda década do século XXI, ruídos, emissão de poluentes, produção de gases doe efeito estufa, mudança climática são temas muito distantes da política de transportes no Brasil inteiro. Além da comparação das condições de mobilidade sustentável entre as cidades, essa é uma das principais mensagens trazidas pelo estudo.



Pergunta: A qualidade dos dados foi um problema para a avaliação? Como comparar números que são obtidos de maneiras diferentes? Vocês atuaram in loco de alguma forma para confirmar os dados?



TG: Os cinco indicadores considerados no cálculo revelam aspectos da mobilidade das cidades como um todo. É virtualmente impossível checar se o dado informado pela autoridade pública confere com a realidade ou não. Pode-se até desconfiar desses números, mas a equipe de jornalistas responsável pelo levantamento dos dados teve de aceitá-los. Como saber se Curitiba tem mesmo 90% da frota adaptada a pessoas com deficiência? Como saber se apenas 13% dos deslocamentos diários no Rio de Janeiro são feitos por modos individuais motorizados? Os dados foram checados e confirmados com as fontes, antes entrarem para o cálculo. Partimos do pressuposto de que as autoridades detêm e informam os dados corretos. Nosso trabalho não investigou se houve erros de cálculos, equívocos ou manipulações produzidas pelas próprias autoridades. Mas, após a publicação dos resultados, já observamos que surgem questionamentos sobre a qualidade e a veracidade dos dados. E esse debate é muito positivo. Nós, do Mobilize Brasil, queremos mais é que o cidadão desconfie dos resultados do estudo, exija das autoridades mais e melhores informações sobre os sistemas de transporte e contribua para o desenvolvimento da metodologia. Esperamos que o Estudo Mobilize 2012 seja ainda melhor que o de 2011.



Pergunta: Os resultados mostram que a melhor cidade do ranking é cheia de problemas de mobilidade, o que significa que nenhuma cidade brasileira conseguiu equacionar esse problema de forma adequada. De uma maneira geral, vocês avaliam que há algum problema que atinja todas as cidades e que impeça a melhoria desse quadro?



TG: Todas as cidades no ranking têm problemas de mobilidade. Para explicitar esses problemas e os projetos desenvolvidos para enfrentar esses problemas, não publicamos apenas um ranking, mas adicionamos informações qualitativas sobre cada uma das cidades em forma de reportagens. Assim, procuramos de fato fazer um diagnóstico das condições específicas de mobilidade em cada uma das nove cidades. O que é transversal a muitas das cidades pesquisadas: a falta de planejamento continuado, o jogo de esconde-esconde com informações (a dificuldade de obter informações até em cidades como a pretensamente sustentável Curitiba) e, em alguns casos, as promessas irreais - tanto em termos de prazo como de metas.



Pergunta: Algum dos resultados surpreendeu a equipe, positiva ou negativamente?



TG: O resultado que mais me surpreendeu foi ter Rio de Janeiro em uma ponta e São Paulo na rabeira do ranking. Isso desmonta o argumento de que os problemas de mobilidade encontrados em megacidades se devem a sua grandeza ou à complexidade desses espaços. A nota 2 de São Paulo contrasta muito com o 7,9 do Rio de Janeiro e mostra que, na maior cidade do país, realmente houve pouco investimento em soluções inteligentes, que faltou coragem para implantar boas políticas de transporte. E aqui a crítica se dirige sobretudo ao poder público, que tem um enorme poder indutor sobre comportamentos individuais no que se refere à mobilidade. A mensagem é clara: São Paulo poderia ter um transporte economicamente mais acessível, mais democrático (incluindo pessoas com deficiência) e poderia fazer muito mais para priorizar os meios coletivos e não motorizados diante do automóvel, do qual a cidade virou refém.

Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Veículo por habitante vai crescer 62% no Brasil, estima setor

Folha.com

A indústria automotiva brasileira pretende aumentar em 62,3% a taxa de motorização até 2020. A intenção é passar dos atuais 154 para 250 veículos por 1.000 habitantes, de acordo com estimativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).




Para isso, o setor planeja investimentos de US$ 21 bilhões até 2015 em ampliações e em novas fábricas. A produção anual, que neste ano foi projetada em 3,74 milhões de unidades, deve saltar para 6,3 milhões em dez anos.



Considerando o mesmo percentual e a renovação da frota, as montadoras poderão produzir ao menos 37 milhões de novos veículos no período. Ao final do período, o país poderá registrar uma frota de 69 milhões de veículos.



O aumento da produção considera o crescimento da economia previsto para 2011, estimado em 4% pelo setor, e outros fatores como a oferta de crédito e o aumento de renda da população.



Segundo a Anfavea, 60% das vendas de veículos são feitas por meio de operações de crédito.



Além disso, o crescimento está relacionado aos pacotes lançados pelo governo para incentivar a produção e evitar a demissão de trabalhadores. A última medida aumentou o IPI para carros importados a partir da segunda quinzena de dezembro.


De acordo com dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a taxa de motorização no Brasil cresceu 30% entre 1998 e 2008 baseada na popularização e no aumento do crédito.



No México, o crescimento verificado foi de 75% no mesmo período. Já a vizinha Argentina tem taxa de motorização maior que a do Brasil.



Para o presidente mundial da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, não há dúvidas de que o Brasil tem potencial para superar a taxa de motorização de países da Europa, como Portugal, atualmente com 495 veículos por 1.000 habitantes.



"O Brasil tem condições de atingir a relação de 500 veículos por 1.000 habitantes. O brasileiro gosta de carro, e o país ainda tem muito a crescer no setor", disse.



Para especialistas consultados pela Folha, a meta é ambiciosa.



"Parece mais um desejo do que algo que seja possível", diz Arthur Barrionuevo, professor e economista da FGV (Fundação Getulio Vargas).



"Não creio que, nem mesmo num prazo razoável de dois ou três anos, o nível de crédito possa se expandir a ponto de viabilizar um aumento substancial da demanda de veículos no Brasil", diz Júlio Manuel Pires, professor de economia da USP.



Com mais veículos nas ruas, a lógica é que o tráfego se torne cada vez mais complicado, principalmente nas grandes cidades. Porém, para a Anfavea, a culpa não pode ser atribuída somente à indústria automotiva.



Segundo a associação, a questão deve ser analisada e associada a outros fatores, como a qualidade do transporte coletivo, sua eficiência, o adensamento populacional e a condição da infraestrutura viária (ruas e avenidas).



CARGA PESADA



No começo do mês, Ghosn esteve no Brasil para anunciar R$ 3,1 bilhões na construção da primeira fábrica da Nissan no país e a ampliação da unidade da Renault em São José dos Pinhais (PR).



Em entrevista à Folha, o executivo criticou o preço do aço brasileiro, a falta de infraestrutura e a alta carga tributária. "A tributação é muito grande no Brasil. De 40% a 48% do que se paga num carro é tributo", disse.



"A gente compra aço coreano feito com minério brasileiro porque custa bem menos do que o aço brasileiro. Esse é um problema que temos de resolver porque nosso interesse é baixar o preço do carro no Brasil."



Cristina Baddini Lucas - Assessora do MDT