
sábado, 28 de dezembro de 2013
Estudo do Ipea propõe desoneração para transporte público e tarifa zero para 7,5 milhões de pessoas

sábado, 7 de dezembro de 2013
Carta de Chamado à 3ª Reunião do Secretariado do MDT
Como já
apresentamos na convocação de nossa reunião dia 10 do corrente mês, o momento
político da mobilidade no Brasil é promissor, mas ao mesmo tempo desafiante.
A lei de
mobilidade enfrenta seus desafios para que seja de fato incorporada nas
políticas dos Governos de Estado e principalmente nos municípios, onde
continuamos a ver inauguração de vias prioritariamente para uso dos automóveis.
A prioridade
do transporte público no trânsito que em 2011 era de apenas 410 km e agora, com
os recentes corredores de São Paulo e uns poucos pelo Brasil afora, chega a
pouco mais de 700 km representando a ridícula utilização de 1% do sistema
viário para a circulação exclusiva dos ônibus. Antes (2011) era de 0,60 % e
0,12% do conjunto do sistema viário.
Estacionamentos
perto dos pontos de integração com o transporte público praticamente não existe
e automóveis estacionando em paradas de ônibus continuam existindo, como foi
veiculada pela mídia em Brasília. Políticas de estacionamento continuam um tabu
pelas Prefeituras, a exceção recente do Rio de Janeiro, onde retiraram um
grande numero de estacionamentos nas vias públicas.
Os grandes
investimentos em Sistemas Estruturais do Governo Federal (150 bilhões), dos
Governos de São Paulo e Rio (os mais significativos, superiores a 50 bilhões),
se tudo correr muito bem só estarão disponíveis na sua grande maioria para uso
da população em 2018 ou 2020, até lá eles são promessas e obras.
Vários
membros do MDT trabalharam com afinco no Pacto de Mobilidade Urbana (totalmente
elaborado com base na Lei da Mobilidade), levaram propostas para a Conferência
das Cidades e agora estão na expectativa da reação dos Governos, nas três instâncias,
para darem respostas às propostas formuladas.
O desafio na nossa reunião é elaborarmos um plano de ação política do MDT, com
prioridades claras, para colaborarmos para que as propostas do Pacto venham a
se tornar realidade no país ambientado por uma campanha eleitoral para
deputados (federal e estadual), Senadores, e Governadores, pelo rescaldo das
manifestações de junho em 2013 e das propostas da 5ª Conferência das Cidades.
É fundamental, no sentido acima, traçarmos linhas de ação para nossa atuação nos
espaços institucionais do Conselho das Cidades, do Fórum Nacional de
Secretários de Transportes, da Frente Nacional de Prefeitos, da Confederação Nacional dos Municípios como também nas ações do Fórum Nacional da Reforma
Urbana, nas mídias sociais, entre outros.
Para
relembrar:
Tema
da reunião:
Balanço
das ações dos 10 anos do MDT e os Novos Desafios para a Mobilidade Urbana
Data: 10 de
dezembro de 2013
LOCAL: ANTP - Rua Marconi, 34, 2º andar,
conjs 21/22. Nazareno Affonso
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Coordenador do MDT, Nazareno Affonso, participa de Audiência Pública em Salvador
A Audiência Pública “Os projetos de Mobilidade Urbana para Salvador e Região Metropolitana”, tem como objetivo apresentar e discutir, conjuntamente com a sociedade, os recentes contratos de projetos de mobilidade para a cidade de Salvador e Região Metropolitana, que envolvem os sistemas metroviário, VLT e BRT, a serem realizados pelo Governo do Estado da Bahia e Prefeitura Municipal de Salvador, assinados pela presidenta Dilma Houssef em outubro desse ano. A Audiência, que será realizada em parceria com o Sindicato dos Engenheiros da Bahia (SENGE), acontecerá no dia 26 de novembro de 2013, às 9h30, no Plenarinho da Assembleia Legislativa da Bahia (1ª Avenida, 130, CAB, Salvador).
A mobilidade urbana tem se apresentado como um dos principais entraves ao desenvolvimento urbano com equidade das grandes cidades brasileiras. Não foi à toa que foi esse o tema responsável por levar às ruas centenas de milhares de cidadãos em todo o país. O caos da mobilidade urbana em Salvador condena seus moradores a passarem horas dos seus dias em engarrafamentos na cidade nos seus deslocamentos diários. É comum o relato de moradores da periferia da capital que passam horas do seu dia nos transportes coletivos. Diante desse cenário, inúmeros investimentos públicos em mobilidade urbana vêm sendo anunciados, e alguns já executados, pelo Governo do Estado da Bahia e Prefeitura Municipal de Salvador.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Nazareno Stanislau Affonso, coordenador do MDT, foi homenageado na 8a edição do Prêmio Arquiteto e Urbanista do Ano 2013.
A nova diretoria da FNA - Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas, tomou posse em Goiânia-GO. O evento ocorreu, segunda à noite, no salão da Caixa Econômica Federal, em Goiânia, ao final do primeiro dia do 9o Seminário Nacional "Reforma Urbana: o arquiteto e urbanista e a transformação das cidades".
A
solenidade contou com a presença dos delegados do 37o ENSA e dos
presidentes Haroldo Pinheiro (CAU-BR), Sidney Menezes (CAU-RJ), Jonh
Mivaldo (CAU-GO) e do deputado federal Zezéu Ribeiro (PT-BA). O
parlamentar representará a FNA no Conselho Nacional das Cidades
Na ocasião também foram homenageados: Francisco
Whitaker Ferreira, Fernando Carlos Rabelo, Vera Fabrício Carvalho e
Nazareno Stanislau Affonso com a 8a edição do Prêmio Arquiteto e
Urbanista do Ano 2013. A premiação, consolidada desde 2006, é um evento que reconhece quatro arquitetos e urbanistas brasileiros a cada ano, reconhecendo as atividades realizadas e o seu alcance social, técnico ou político.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Reunião do Secretariado do MDT
O MDT completou 10 anos de luta
em 25 de setembro de 2013. Fizemos uma cronologia de nossas ações nesses 10 anos, que foi enviada para vocês e foram
impressos 4 mil exemplares, dos quais já distribuímos mais de 3 mil. O restante
distribuiremos na 5ª Conferencia das Cidades, em novembro, em Brasília.
Esse balanço é um instrumento para
reflexão sobre como atuaremos a partir de agora, quando já começa a se
configurar com forte definição um mapa de navegação para o Governo e para a
sociedade civil na direção de um projeto nacional em prol da Mobilidade
Sustentável. Queremos garantir o Direito ao Transporte Público de Qualidade como
serviço essencial, tal como Saúde e Educação, tornando-o um Direito Social (PEC
090/89).
Esse mapa se configura com os
investimentos e financiamentos federais em: Sistemas
estruturais de Metrô; BRT, VLT, Ferrovias Urbanas e Monotrilho de 95 bilhões
nos PACs da Copa, Mobilidade Grandes e Médias Cidades, Pavimentação e
qualificação das vias; 50 bilhões prometidos quando das manifestações de junho;
e mais de 50 bilhões dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Esse montante
soma um investimento da ordem de 200 bilhões em todo país.
Além disso, o Pacto Nacional da
Mobilidade Urbana elaborado pelo Comitê de Mobilidade teve seus trabalhos
iniciados no dia seguinte à nossa última reunião (23/07) e chegou a um conjunto
de mais de 170 propostas, que foram sintetizadas em uma resolução do Conselho
das Cidades cujo conjunto das propostas estão na
sistematização organizada pelo IEMA e
ainda em fase de redação final pelo Comitê. A proposta do Pacto dá claramente o
norte para a ação do governo e da sociedade civil para promover qualidade a
curto, médio e longo prazo para os transportes públicos.
Vale ressaltar a participação
dos vários membros do secretariado, e devemos render uma homenagem especial ao guerreiro Laerte que foi um dos
líderes dessa iniciativa.
A proposta foi também apresentada ao
CAF - Comitê de Articulação Federativa - e ao mesmo tempo, foi proposto à
Presidenta que na Conferência das Cidades, ela apresente algum posicionamento
do Governo. Lembramos que toda essa proposta do Pacto tem como eixo
estruturador a Lei da Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12), nosso Estatuto da
Mobilidade Sustentável, e que o Comitê elaborou a proposta, alertando para a
crise de gestão em que se encontram os órgãos públicos brasileiros, defendendo que
parte significativa dos novos 50 bilhões de reais sejam canalizados para
capacitação dos órgãos municipais, do Ministério das Cidades, e para qualificação das redes convencionais de ônibus, calçadas acessíveis e malha cicloviária.
O MDT não parou aí. Percebendo que os
investimentos dos PACs e dos novos 50 bilhões terão longo prazo de maturação
para que a população venha a ter esses sistemas operando, defendemos desde
nosso planejamento de 2013 a qualificação das redes
convencionais de ônibus, que mesmo com os investimentos em
sistemas estruturais, continuará responsável por mais de 70% das viagens. Essa ideia prosperou dentro da NTU, influenciada
pelas ações dos Governos Municipais de São Paulo e Rio de Janeiro na
implantação dos BRS, e no dia 6 de novembro lançou
com apoio do MDT a "Campanha de
Qualificação do das Redes Convencionais de Transportes Públicos",
que propõe
a implantação de 4 mil quilômetros de vias exclusivas de ônibus com abrigos,
informação aos usuários, em uma rede racionalizada; e integrada ao sistema
estrutural existente e em implantação. Nessa Campanha, o MDT defende também que
seja desenvolvido um projeto de um ônibus de qualidade e com acessibilidade
universal e recursos para uma rede de calçadas e de uma malha cicloviária.
Até o momento
já foi elaborado, com apoio da NTU, um vídeo e
materiais promocionais, e serão lançados mais 3 vídeos, além de um folder que
será distribuído na 5ª Conferencia das Cidades. Nosso facebook foi
promocionado, passando em uma semana de 280 curtidas para mais de 2000,
aumentando nossa responsabilidade pela comunicação.
Essa iniciativa nos move para
viabilizar iniciativas semelhantes como a apresentada, para terminar com a "guerra
de modais" de transporte público, valorização de ações de
promoção dos modais sobre trilhos (Metrôs, Ferrovias Urbanas, Monotrilhos e
VLTs), sistemas estruturais rodoviários (BRTs), e principalmente, de
constituição de redes de transporte público conectadas a uma malha cicloviária,
calçadas com acessibilidade às pessoas com deficiência e com mobilidade
reduzida e dos processos de participação social nas decisões de transportes
públicos.
A reunião do Secretariado discutirá o quanto valeu a pena nossa luta dos 10 anos
e quais propostas nos guiarão daqui para frente.
Segue o link para o vídeo
produzido em conjunto com a NTU:
https://www.youtube.com/watch?v=Yy2HVd7S0fo
https://www.youtube.com/watch?v=Yy2HVd7S0fo
Tema da reunião: Balanço das ações dos 10 anos do MDT e
os Novos Desafios para a Mobilidade Urbana
Data: 10
de dezembro de 2013
HORÁRIO: 09h às 17h
PARTICIPANTES: Secretariado do MDT
Nazareno Affonso
Coordenador do MDT
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Mudar os conceitos de política urbana
A população do Brasil cresceu 6,5% entre 2003 e 2013. Já a
frota de carros particulares subiu 85% no mesmo período, segundo o Departamento
Nacional de Trânsito (Denatran). Em 2003, eram 23,6 milhões de veículos e, em
abril deste ano, 43,4 milhões. De acordo com a Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram licenciados até abril
deste ano 1.480.445 automóveis, aumento de 8,6% com relação ao mesmo período de
2012. No estado do Ceará, a frota de veículos registrou um crescimento médio de
9,31% ao ano, entre 2008 e 2012. Fortaleza hoje conta com uma frota de 475.466
veículos.
O fato de o governo federal desenvolver há alguns anos
políticas contraditórias não ajuda a melhorar essa situação. Primeiro, o
governo promulga a Lei de Mobilidade Urbana, que estrutura a Política Nacional
de Mobilidade Urbana, de janeiro de 2012 e que contém a exigência de que
municípios com mais de 20 mil habitantes tenham, até 2015, o seu Plano de
Mobilidade Urbana (PlanMob). Mas estimula o uso do veículo privado, através de
subsídios à indústria automobilística, financiamento farto para a aquisição de
automóveis e contenção artificial do preço da gasolina, que penaliza a
Petrobras e prejudica o etanol.
O conceito geral das políticas urbanas - que envolvem
habitação, mobilidade, emprego e infraestrutura pública -, precisa mudar, para
impedir o colapso de nossas metrópoles e a piora do meio ambiente. As cidades
precisam ser mais adensadas, ampliando o gabarito máximo para os edifícios, nas
regiões que dispõem da mais completa infraestrutura, incluindo transportes,
redes de energia, saneamento, lazer, cultura e empregos, entre outros.
É preciso estimular o transporte público de massa, mesmo que
em detrimento do transporte privado individual. Sem a mudança de conceitos por
parte de nossas autoridades, os problemas urbanos tendem a se agravar.
José Roberto
Bernasconi - Engenheiro e presidente da Regional São Paulo do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da
Engenharia)
(Artigo originalmente publicado no
jornal ‘O Povo/Fortaleza’)
domingo, 10 de novembro de 2013
Logo em homenagem aos 10 anos do MDT
Há dez anos,fizemos o lançamento do Movimento Nacional
pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos – conhecido pela
sigla MDT. O nome é longo porque
precisava – e ainda precisa – dar conta de todos os principais aspectos da
democratização da mobilidade urbana no Brasil. Ou seja, a mobilidade deve ser
garantida como um direito. Feita principalmente por transporte público de
qualidade, com o menor impacto ambiental possível, e com tarifa que todos
possam pagar. E também deve favorecer o
desenvolvimento econômico do país e dos seus cidadãos.
O MDT é um movimento
suprapartidário, que reúne organizações não governamentais, trabalhadores,
sindicatos de trabalhadores e empresas operadoras de ônibus e metrô, movimentos
sociais e sindicatos e associações profissionais – como a AEAMESP e ANTP. Em 5
de setembro de 2003, quando o MDT
foi apresentado, trouxe cinco eixos de luta como diretrizes de ação. E o
movimento perseguiu esses eixos.
João Bosco Costa homenageou o MDT com esta logomarca acima.
A luta continua.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Homenageando vidas no Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito
Cerca de 1,2 milhão de pessoas morrem por ano vítimas de acidentes de
trânsito, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Somente no
Brasil, são 43 mil fatalidades no mesmo período, sendo quase 2 mil
crianças, de acordo com dados do Ministério da Saúde – Datasus. 
São muitas vidas perdidas e um luto permanente para amigos e familiares destas pessoas.
Por isso mesmo, a ONG CRIANÇA SEGURA quer homenagear as vítimas destes acidentes e, ao mesmo tempo, fazer um apelo para que todos colaborem para um trânsito mais seguro neste próximo dia 17. Todo ano, no terceiro domingo de novembro, celebra-se o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito.
Que tal imprimir este cartaz com o símbolo desta data e tirar uma foto sua mostrando a imagem em algum lugar bacana da sua cidade?
Poste no Facebook, no Twitter e no Instagram com a hashtag #trânsitoseguro para lembrar a todos que é isso que quer! Tanto pelos que já se foram, quanto para os que ainda estão nas ruas e estradas deste mundo.
Você também pode nos mandar por e-mail e nós postamos no nosso Facebook!
contato@criancasegura.org.br
Agradecemos o esforço para lembrarmos este dia tão importante.
Postado por ONG CRIANÇA SEGURA em 6 novembro 2013 às 7:30
São muitas vidas perdidas e um luto permanente para amigos e familiares destas pessoas.
Por isso mesmo, a ONG CRIANÇA SEGURA quer homenagear as vítimas destes acidentes e, ao mesmo tempo, fazer um apelo para que todos colaborem para um trânsito mais seguro neste próximo dia 17. Todo ano, no terceiro domingo de novembro, celebra-se o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Trânsito.
Que tal imprimir este cartaz com o símbolo desta data e tirar uma foto sua mostrando a imagem em algum lugar bacana da sua cidade?
Poste no Facebook, no Twitter e no Instagram com a hashtag #trânsitoseguro para lembrar a todos que é isso que quer! Tanto pelos que já se foram, quanto para os que ainda estão nas ruas e estradas deste mundo.
Você também pode nos mandar por e-mail e nós postamos no nosso Facebook!
contato@criancasegura.org.br
Agradecemos o esforço para lembrarmos este dia tão importante.
Postado por ONG CRIANÇA SEGURA em 6 novembro 2013 às 7:30
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
“Ruas com menos carros”. É o que defende Nazareno Affonso no I Seminário Sindiônibus de Transporte Coletivo
Nazareno Stanislau Affonso, Coordenador do Escritório da Associação Nacional de Transportes Públicos em Brasília (ANTP), Coordenador do Movimento Nacional pelo Direito do Transporte Público de Qualidade para todos (MDT) e Presidente do Instituto RUAVIVA, Affonso apresentou dois vídeos sobre mobilidade urbana, falou sobre gratuidades e descontos, além de expor propostas para melhorar o setor.
Affonso começou seu discurso com uma interrogação: “De quem é a rua? Das pessoas ou dos veículos? Hoje elas são dos automóveis que ocupam mais de 80% das vias”. Para Affonso, a população tem uma grande dificuldade em deixar de utilizar seus automóveis. Ele citou o manifesto “Na cidade, sem meu carro” no qual vê a população preocupada com a mobilidade no dia do programa. Segundo ele, uma cidade com menos carros, mais calçadas largas e ciclovias é uma cidade com mais empregos, menos poluição e mais tranquila.
Durante a palestra, Affonso mostrou como o MDT luta para alcançar essas melhorias. O objetivo do movimento é inserir na agenda social e econômica da Nação o Transporte Público, um serviço essencial, como um direito para todos, visando a inclusão social, a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável, com geração de emprego e renda.
Seminário Sindiônibus de Transporte Coletivo
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
O futuro dos taxis como transporte público urbano
França e a palavra
taxi apareceu em 1907 derivado da redução do nome dos aparelhostaximetre que
media o trajeto percorrido. Examinando este tipo de serviço em Berlim,
Bruxelas, Lisboa, Londres, Nova Iorque, Paris e Tóquio, Richard Darberá,
autor do livro: "Ou vont les taxis?” conclui que, apesar de
imaginarmos que é uma atividade similar em toda a parte, são serviços com
características e condições muito diferentes.
Um exemplo recente:
Durante muito tempo existiam basicamente duas formas de encontrar o cliente: o
taxista percorrendo as ruas ou o passageiro que se dirige a um ponto definido.
Isto mudou com o aparecimento do telefone e, depois, com a colocação de rádios
de comunicação nos carros. Mais tarde é o telefone celular que muda hábitos e
procedimentos e, bem mais recente, é o GPS que permite identificar qual o carro
mais próximo do cliente.
Há aspectos que são
distintos de uma cidade para outra como, por exemplo, a limitação ou não do
número de licenças. Em Londres não há limitação de número, mas as provas de
seleção são extremamente rigorosas. Outra diferença é a permissão de empresas
que alugam carros com chofer para atender chamadas telefônicas, como em Nova
York, sendo este sistema vetado aos taxis que operam nas ruas. São, então, como
dois "mercados distintos”. Os taxis de atendimento exclusivo a aeroportos
são um terceiro mercado. E, há ainda um mercado especial de prestação de
serviço por cooperativas de taxis para empresas clientes mediante contrato.
Também a forma de
regulamentação é bem variada, conforme são estabelecidos pelo poder público a
tarifa e a frota de taxis. Em outros casos, apenas uma destas características é
regulamentada. E há, até mesmo, casos em que não há nenhuma regulamentação como
em Estocolmo, Amsterdam e Lima no Perú. Alem disso, em diversas cidades há um
serviço autorizado de veículos de aluguel similar ao serviço de taxis
existente.
O autor, a partir das
analises efetuadas e de consulta a outros estudos, afirma que não é só a tarifa
do taxi que define seu uso, também a rapidez do atendimento. Por isso, o
serviço de centrais de atendimento conjugado com GPS estão dominando, cada vez
mais, o acesso às clientelas nas cidades onde existem, a ponto das autoridades
estabelecerem limites de expansão destes serviços. Esta condição será tão mais
presente quanto mais forem comuns os telefones celulares dotados de GPS. E,
quanto maior for a frota de taxis com esta facilidade, tanto mais rápido é o
seu atendimento aos interessados.
Existem outras formas
deste serviço com características inesperadas em cidades de países mais pobres
como, por exemplo, os "rickshaws” motorizados, (apesar do nome significar
"energia muscular”) apelidados de Tuc-tuc por serem tracionados por motos
de baixa-cilindrada cujo ruído é bem peculiar. Há também o transporte informal
tolerado em cidade de países pobres, e até mesmo em países ricos, já usando as
facilidades de comunicação eletrônica por GPS, cujas centrais tendem a crescer,
da mesma forma que as centrais de taxis, substituindo os taxistas autônomos
sejam eles oficiais ou informais.
O serviço moderno de
taxi está na categoria econômica de "monopólio natural” por tender à
concentração da prestação do serviço. Esta condição vai obrigar a mudanças
também nas agências oficiais encarregadas da regulamentação e regulação destes
serviços. Dois exemplos: Na Suécia a legislação antitruste impede que uma
empresa alcance uma posição dominante. Em Genova é feito uma concessão para uma
empresa única mas com prazo de concessão por um tempo definido.
O livro termina
afirmando que taxi é um serviço perfeitamente adaptado a vida urbana como um
sistema intermediário entre o transporte coletivo público e o transporte
individual privado. O autor não acredita que a profissão desaparecerá e
menciona o simpósio a respeito, feito em Lisboa em 2007, sob o patrocínio da
Comunidade Européia sob a orientação do autor do livro e do professor José
Manuel Viegas da Universidade de Lisboa. Os trabalhos apresentados nesta
ocasião estiveram acessíveis em www.ville-en-mouvement.com
ANT|P
Rogério Belda foi o primeiro diretor
executivo da ANTP; ex-Diretor de Planejamento do Metrô de São Paulo; atual
membro do Conselho Diretor da ANTP.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Tarifa Zero, Cepacs e a Outorga Onerosa do Direito de Construir
A Tarifa Zero ou a gratuidade ao usuário no transporte por
ônibus na capital do Estado deve ser condicionada a dois elementos básicos: a) garantia
da sustentabilidade do sistema no longo prazo, e b) o transporte deve ter melhor
qualidade do que a atualmente existente. Se o novo sistema provocar uma queda na
qualidade do serviço (que hoje é ruim) é possível que os próprios usuários aceitem
e/ou demandem a volta da tarifa para que a qualidade do transporte melhore.
Embora a gratuidade exista em mais de 50 cidades no mundo (3 pelo menos no
Brasil) algumas como Austin, Trenton e
Denver nos Estados Unidos depois de terem adotado a Tarifa Zero voltaram ao
sistema anterior, isto é, ao transporte pago. Trata-se de evitar que isso
aconteça se o sistema for adotado em São Paulo.
O que fazer enquanto o projeto não sai?
O que acontece enquanto se discute, planeja, prepara e adota
o novo sistema? É importante lembrar que se um governo resolver adotar a Tarifa
Zero ficará em situação muito delicada se quiser reajustar a tarifa enquanto tais
preparativos são realizados. No caso concreto do Brasil, mesmo que Prefeitos e/ou
Governadores não defendam a adoção da gratuidade, pelo menos até janeiro de
2015 será politicamente desgastante, reajustar as tarifas tendo a Copa do Mundo
e as eleições gerais de 2014 pela proa.
Mas, os custos do sistema aumentarão (salários, combustíveis gratuidades
de idosos, passe de estudantes etc.), e o problema consiste em como cobrir este
aumento sem comprometer verbas destinadas a outros setores importantes, e
especialmente sem comprometer os investimentos?
Sei que é possível espremer aqui e acolá, remanejar verbas,
reduzir desperdícios etc., mas não é com a venda de helicópteros (por mais que
esse meio de transporte para alguns governadores seja – parodiando Millor – uma
vergonhosa desnecessidade que teria se tornado irreversível) que resolveremos o
problema.
Faço agora uma proposta para financiar este aumento de custos durante o período de
transição de um sistema tarifado para a Tarifa Zero.
O Financiamento através de Cepacs
Os Certificados de Potencial Adicional de Construção são
títulos vendidos a empreendedores imobiliários interessados em aumentar seu
potencial construtivo no interior do perímetro das operações urbanas
consorciadas. A compra de Cepacs em leilões realizados em Bolsa de Valores
permite que tais interessados em construir utilizem - a partir de um
coeficiente básico em geral 1 ou 2 – utilizem um adicional até o coeficiente de
aproveitamento máximo de 4 ( area de construção 4 vezes a area do terreno). Com
os recursos arrecadados a Prefeitura realiza obras de infraestrutura – de um
menu pré-estabelecido - e urbaniza favelas desde que estejam dentro do
perímetro da operação urbana que deu origem aos Cepacs. Isto significa que o
dinheiro é carimbado e destinado a custear estas obras e não cai na vala comum
da arrecadação tributária.
Ocorre que no caso da OU Consorciada Faria Lima (uma das 5
operando em São Paulo) a arrecadação superou significativamente o necessário
para custear as obras de infraestrutura e a urbanização de favelas
pré-estabelecidas no menu. Falta, é verdade, urbanizar a favela Coliseu-Funchal
que há mais de 15 anos espera que Prefeitos e/ou Prefeitas se dignem resolver o
problema, pois além do terreno em que se encontra ser uma ZEIS (Zona Especial
de Interesse Social) o dinheiro dos Cepacs para financiar a urbanização já há
muito tempo esta em caixa aguardando. Aguardando não é bem o caso. Está rendendo juros que não são pequenos. Os
recursos gerados pelos Cepacs, enquanto não são utilizados podem ser aplicados
no mercado financeiro e só de juros, segundo relatório de maio 2013 da
Prefeitura, na OU Faria Lima dos quase 560 milhões em caixa à espera de
utilização, cerca de 290 milhões eram receitas financeiras. A pequena favela
Coliseu – Funchal poderia ser urbanizada com 40 milhões de reais. O restante
está à espera de utilização. Em outras três OU Consorciadas (Água Branca,
Centro e Água Espraiada) há uma considerável soma de dinheiro originado nas
contrapartidas pagas pelos empreendedores imobiliários à espera de utilização,
e enquanto isso, rendem juros
substantivos como pode ser avaliado pelo quadro abaixo:
Operação Urbana
|
$ Total Arrec.
|
$ em Caixa
|
Receita Finan.
|
Faria Lima
|
1.947,8
|
550,2
|
289,6
|
Agua Branca
|
370,8
|
341,6
|
56,9
|
Agua Espraiada
|
3.329,9
|
2.299,3
|
383,6
|
Centro
|
42,5
|
34,2
|
13,4
|
Total
|
5.691,0
|
3.225,3
|
743,5
|
Fonte: Portal da Prefeitura do Município de São Paulo
|
Podemos observar que cerca de 743 milhões de reais
correspondem a receitas decorrentes da aplicação destes recursos no mercado
financeiro enquanto não são destinados a obras do menu de cada OU. Os dados
anteriores mostram também que dos quase 5,7 bilhões de reais arrecadados
somente R$ 2,4 bilhões haviam sido aplicados em obras de infraestrutura ( a
ponte estaiada do Pinheiros consumiu cerca de R$180 milhões) e urbanização de
favelas. A diferença de R$ 3,2 bilhões está a espera de utilização e enquanto
isso rende juros.
Um Obstáculo Legal
É certo que pela lei das OUs não é possível utilizar o
dinheiro arrecadado em cada OU fora do seu perímetro. Mas aqui temos duas
situações interessantes: na OU Faria Lima existem R$ 550 milhões em caixa, soma
que supera as necessidades de financiamento de obras ainda remanescentes do menu. O segundo ponto
a ser destacado é que a receita
financeira não se origina diretamente na venda de Cepacs e, portanto,
poderíamos argumentar que estes recursos não estariam vinculados diretamente a obras do referido menu.
Em outras palavras, estes recursos originados na aplicação financeira poderiam
ter uma destinação diferente, especialmente aqueles correspondentes à OU Faria
Lima, pois nesse caso as sobras não poderão ficar ociosas indefinidamente.
Aparentemente durante a gestão anterior, de Gilberto Kassab, houve
um entendimento com o governo do Estado para destinar recursos sobrantes da
venda de Cepacs em obras do Metro que seriam realizadas dentro do perímetro daquela
OU. De fato na OU Faria Lima já foram utilizados, segundo dados da prefeitura
120 milhões de reais. Além disso, na OU Agua Espraiada, lindeira da Faria Lima,
onde foram arrecadados pela venda de Cepacs mais de 3,3 bilhões de reais (dos quais 2,3 permanecem em caixa a espera
de utilização), já foram aplicados cerca de 162 milhões e mais uns 60 milhões estão comprometidos em obras do Metro. As duas
OU já aportaram cerca de 280 milhões de reais para estas obras que estão na alçada de uma empresa do governo
do Estado. Claro que são obras importantes e necessárias, mas o Governo do
Estado não subsidia a operação do sistema do Metro (seus custos operacionais
são cobertos pela tarifa) como faz a Prefeitura com o transporte por ônibus. Seria
importante avaliar quais as contrapartidas oferecidas pelo Estado ao município
por um aporte de recursos tão
significativo.
O Financiamento através da Outorga Onerosa
do Direito de Construir ( OODC)
Outra fonte de financiamento é a outorga onerosa do direito
de construir (OOCD). Ela constitui opagamento de uma contrapartida econômica por aquele que recebe do poder publico
um direito de construir (solo criado) que antes não possuía. A outorga onerosa
prevista pelos artigos 28, 29, 30 e 31 da Lei Federal 10.257 de 2001 (Estatuto
da Cidade) e definida nos artigos de 209 ao 216 do Plano Diretor Estratégico de
2002 do Município de São Paulo, vem produzindo recursos crescentes sendo a média dos últimos 5 anos cerca de R$
230 milhões de reais anuais. Estes recursos são encaminhados
ao Fundo de Desenvolvimento Urbano (FUNDURB) criado com a finalidade de
implementar planos e projetos urbanísticos e ambientais integrantes ou
decorrentes do PDE ( Plano Diretor Estratégico 2002) e direcionadas de acordo com as prioridades
estabelecidas pelo seu Conselho Gestor. Estes
recursos tem sido utilizados na construção de parques lineares, melhorias
de calçadas e ruas , obras de drenagem e saneamento , implantação de equipamentos urbanos comunitários
, regularização de loteamentos recuperação do patrimônio histórico cultural,
habitações de interesse social e outros usos. No entanto, uma das destinações
dos recursos deve ser, pela legislação que o criou, o Transporte Coletivo
Público Urbano o que significa que estes recursos poderiam ser utilizados não
apenas nos investimentos urbanos antes mencionados mas também para financiar o
custo de operação do sistema de transporte por ônibus.
A PEC 90 de iniciativa de Luiza Erundina
A
PEC 90 (Proposta de Emenda Constitucional) tornando o transporte um direito
social, (equiparado à saúde e à educação) foi aprovada recentemente na Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara de Deputados. Com certeza será aprovada
pelo Plenário e viabilizará a constituição no município de São Paulo de um
fundo para onde poderiam ser destinados parte dos recursos originados nas
operações urbanas (receitas financeiras), e nas contrapartidas econômicas da
outorga onerosa entre outras fontes. Somadas estas fontes poderíamos obter os
recursos necessários para financiar o aumento de custos do transporte publico
sobre pneus durante os próximos 18 meses. Creio que R$ 400/450 milhões poderiam
equacionar o problema. É necessário deixar claro que estes aportes seriam
feitos apenas durante este período e para manter a tarifa congelada nos R$ 3,00.
Não se repetiriam necessariamente depois de janeiro de 2015. Mesmo porque não
se trata de um fluxo permanente de recursos que possa garantir a continuidade
do financiamento no longo prazo. A
intenção é permitir um tempo suficiente – sem reajuste tarifário - para
discutir de onde viriam os recursos estruturais, isto é, sustentáveis no longo prazo, para financiar a adoção da Tarifa Zero
no município de São Paulo.
ANTP
Paulo Sandroni - economista graduado pela FEA-USP, mestre
em Economia pela PUC-SP. Atualmente é professor da Escola de Administração de
Empresas , da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e da
Faculdade de Economia e Administração da Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo. É fellow do Lincoln Institute of Land Policy, um think tank de
Cambridge (Massachusetts) que se dedica a questões relacionadas com a
tributação, uso e regulação do solo
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Conquistando o povo para o transporte público
A grande mídia moderna produziu uma competência de Marketing
na qual a Marca ocupa o lugar principal. A popularização das marcas foi nos
últimos 20 anos nitidamente função do meio da sua divulgação, essencialmente a
televisão aberta. A televisão e as marcas cresceram juntas e foram a grande
distinção na comunicação do século XX. Não é por outra razão que Agencias de
Publicidade são hoje um gigantesco business.
A medida que a Televisão Digital prevista para daqui há 2
anos no Brasil permitir não meia dúzia de canais ao público como hoje mas
dezenas, e os sites da Web se multiplicarem e a vida do consumidor evoluir,
torna-se mais difícil encontrar grandes públicos para marcas como acontece
hoje. Haverá uma grande fragmentação da comunicação de divulgação comercial. Os
anunciantes atingirão no futuro mais facilmente grupos de indivíduos e mais
dificilmente vão encontrar as audiências de massa.
As vinhetas de alguns segundos na televisão são muitas delas
obras de arte, merecedoras de premiação internacional. Vários brasileiros foram
ganhadores de láurea máxima nos concursos internacionais de Cannes.
Os russos deram um banho de Marketing no início de sua
Revolução bolchevique de 1917. Conseguiram transformar propaganda em arte de
vanguarda. Não apenas nas artes gráficas que utilizaram amplamente em outdoors
como também no cinema e nas artes plásticas.
O Marketing de serviços é mais sofisticado do que o de
produtos. Não porque não possa utilizar os mesmos instrumentos, mas
essencialmente o cliente é agente muitas vezes ativo na comunicação e a
qualidade do que se oferta não termina na fábrica e não dá para fazer recall.
Mais ainda quando se trata de serviço como o Transporte Público.
A organização da concessão do transporte pelo poder público
confere-lhe uma tipicidade pelo caráter monopolista do serviço onde a
competição intra-setorial é controlada até mesmo quando coexiste com a
clandestinidade. Isto implica em dificuldade de inserção de marca do serviço a
não ser no sub-setor sobre trilhos naturalmente pela sua especificidade. A
baixa qualidade do serviço na maioria dos casos inibe o marketing para promoção
de aumento da demanda. Mas, não obstante há nichos de oportunidades e não são
poucos.
Conquistando o povo
para o Metrô de São Paulo. No caso de projetos de implantação há que
distinguir a fase inicial da obra da fase de operação. Um caso emblemático foi
o da implantação do Metrô de São Paulo.
Tratava-se de implantar uma linha metroviária pioneira onde
praticamente tudo era desconhecido. Entre outros, o sistema da construção e da
futura operação, a tecnologia, o público lindeiro, o usuário, o político e o
corporativo.
Em contraposição sabia-se o que não se sabia mas, tinha-se a
vontade de fazer o que precisava ser feito. O sucesso da implantação da
primeira linha abriria espaço para uma rede metroviária em São Paulo e
exemplarmente sistemas semelhantes em outras cidades enquanto que, por outro
lado seu fracasso representaria um atraso irremediável na melhor qualidade de
vida urbana em nosso país.
A Cia. do Metrô constituiu uma forte, bem selecionada equipe
de técnicos para construção e montagem do sistema e sua futura operação
treinada no Brasil e no exterior. Tudo a partir do zero uma vez que a
experiência disponível era ou nula em certos casos ou indesejável em outros.
Esta equipe aprendeu a assumir riscos no processo gerencial da empresa e a
administração com eles a dividi-los.
Durante a construção a Cia. procurou dialogar com a
população lindeira que foi sempre informada do progresso das obras e de seus
percalços e transformada em seu fiscal. Tapumes foram desenhados de modo que os
pedestres ao passarem pudessem ver os trabalhadores em ação. Os gerentes dos
trechos de obra recebiam os lindeiros para visitas rotineiras de explicações
técnicas e com frequência ouvir sugestões. As obras desenvolviam-se num regime
de 24 horas, 7 dias por semana com serviço pesado mesmo em áreas residenciais.
A presença da administração da Cia. e de autoridades públicas nas obras era
permanente.
A Cia. do Metrô decidiu fazer com que suas obras fossem
acompanhadas permanentemente pela mídia. Para tal não permitiu qualquer censura
em suas comunicações. A publicação diária de notícias do Metrô a favor ou
contra em todos jornais de grande circulação deu origem aos cadernos especiais
de cidades em separado do corpo do jornal. As únicas e principais notícias de
cidades eram até então apenas os destaques policiais. Isto mostra que o
transporte é notícia porque simplesmente é parte essencial, e grande, da vida
urbana.
Atualmente a presença noticiosa do transporte é escassa.
Muito inferior sua importância. E é preciso pelo menos superficialmente
entender o porquê. Em primeiro lugar vale mencionar a falta de aptidão para
Marketing e comunicação dos dirigentes. Vale mencionar que a implantação no
Metrô de São Francisco na Califórnia, provavelmente a cidade mais rica dos
EEUU, foi presidida por um jornalista. Sem a audácia do dirigente tudo fica
mais difícil.
Depois a estrutura mesma dos órgãos técnicos internos
encarregados da comunicação nas empresas principalmente as públicas, pouco
entenderem do sistema e de sua operação e muitas vezes estão muito mais atentos
na promoção da imagem dos chefes do que do serviço ou da empresa.
Conhecedora da falta de preparo especializado, a Cia. do
Metrô proporcionou a todos os jornalistas que cobriam a cidade de são Paulo
curso de treinamento em Metrô, suas tecnologias específicas, seu impacto urbano
e a integração de transportes que iria proporcionar. Toda promoção do Metrô foi
feita então sem nenhuma verba gasta com publicidade ou propaganda.
A população futura usuária foi treinada no uso do sistema,
ainda enquanto na fase de testes, antes mesmo dele entrar em operação. A Cia.
do Metrô estabeleceu em convênio com a secretaria de educação do município de
são Paulo pelo qual "Metrô” seria matéria curricular para o primeiro grau,
objeto de nota mínima para aprovação do aluno ao final do ano. A prova para o
exame era preparada pelos técnicos do Metrô e era bastante difícil. Poderia, no
entanto ser respondida em casa com o auxilio dos pais. Assim o Metrô entrou no
ambiente familiar. Foram atingidas todas as escolas públicas num raio de um a
dois quilômetros em toda extensão de 17 km da primeira linha.
Durante todo fim de semana durante 3 anos, o Metrô se abria
para essas crianças que poderiam andar no trem gratuitamente desde que
acompanhadas de suas professoras. Para as crianças da redondeza, fatalmente
atraídas pelos eventos, o Metrô providenciou monitores que ministravam cursos
nas próprias obras. Para que nenhuma das crianças se perdesse no sistema ainda
pouco dominado, todas eram obrigadas a seguir sua professora segurando as mãos
numa corda grossa.
Essas crianças hoje são adultas e são as principais usuárias
do sistema. São as verdadeiras donas do Metrô.
O Metrô mostrou-se um transporte seguro e por isso tudo foi
e é mantido tão limpo e conservado hoje como quando de sua inauguração. Foi
muito bem aceito pela população superados todos os receios iniciais de riscos
de muita gente deslocando-se nos túneis em trens lotados operados
automaticamente em velocidade até 80 km por hora e a curta distância uns dos
outros.
O marketing para
conquistar o povo. Há dois públicos a considerar. Os usuários e os não
usuários e dentre estes os que já foram usuários e que não são mais e os que
podem ser.
Para os usuários dos sistemas sobre trilhos no que diz
respeito a comunicação com o usuário, a maior carência é a falta de informações
sobre a situação da operação sobretudo nas condições de falha ou deficiência.
No sistema de ônibus a implantação, atualmente em cogitação, em São Paulo de
terminais inteligentes que informam o usuário das condições operacionais do
fluxo de ônibus apresentado em grandes e facilmente visíveis displays
monitorados por um CCO Centro de Controle Operacional muito simples e
sustentado pela propaganda, é uma solução prática que pode ser aplicada
amplamente com baixo custo adaptado às várias circunstâncias. A mesma situação
vale para estações de Metrô e trem.
A dificuldade não está do lado do setor de transportes. A
dificuldade reside na conceituação de uma propaganda adequada, que preserve o
lado promocional público do transporte e que se dirija a um usuário que forma
um mercado seletivo de milhares e não de milhões como é a atual experiência das
agências de publicidade que promovem produtos de massa. Talvez o jeito seja o
próprio setor encontrar meio para desenvolver este know-how.
Para os não usuários há que distinguir os dos serviços ou
linhas existentes e os de novas linhas. a atração de mais usuários de serviços
existentes nem sempre é possível ou conveniente pelo excesso de demanda
existente. Mas melhorar a comunicação com eles é alguma coisa muito necessária.
Os contratos de concessão ou permissão normalmente não abordam esta matéria
quando não a proíbem transferindo esta responsabilidade aos órgãos gestores que
normalmente não o fazem. Para as novas linhas além do caso do Metrô de São
Paulo citado acima, temos algumas experiências atuais muito interessantes como
a T9 da Carris de Porto Alegre.
O caminho do marketing ...”se hace caminando..” como disse Cervantes.
O primeiro passo foi o da criação da comissão de Marketing na ANTP. Mas a
caminhada é longa.
ANTP - Plínio Oswaldo
Assmann –Engenheiro pela escola Politécnica da USP, assumiu em 1971 a
Presidência do Metrô de São Paulo. Apoiou a realização do Encontro
Internacional de Metrôs da UITP (São Paulo, 1976), quando propôs a criação da ANTP, tendo sido o seu 1º
presidente. Ocupou outras funções: Presidente da COSIPA, secretário de estado
dos Transportes de São Paulo e Presidente do IPT- Instituto de Pesquisa
Tecnológica de São Paulo.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Mobilidade ao Avesso
Com 2ª maior frota do mundo, SP tem até 12 helipontos em raio de 500 metros
Pela primeira vez, a Prefeitura de São Paulo realizou uma análise de impacto de vizinhança dos helipontos e constatou que, na Vila Olímpia, há até 12 pontos de pouso e decolagem, um ao lado do outro. Na região da Avenida Paulista, são 9. Com a segunda maior frota do mundo - 452 helicópteros -, a capital, pelas normas de segurança do Comando da Aeronáutica (Comar), deveria ter no máximo um heliponto a cada raio de 500 metros.A pedido do Ministério Público Estadual, o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Cades) formou comissão com técnicos da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e representantes de universidades e de ONG para fazer a avaliação.
Duas exigências foram observadas: nenhum heliponto pode estar a menos de 200 metros de instituição de ensino ou hospital, segundo a lei municipal de abril deste ano, nem desrespeitar o raio estabelecido pelo Comar. Foi verificado também o limite de 65 decibéis em área residencial, o equivalente a um liquidificador - um helicóptero no pouso emite 85 decibéis.
O parecer final da comissão passou pelo crivo do secretário municipal do Verde e presidente do Cades, Ricardo Teixeira. Até agora, ele referendou quatro reprovações feitas pelo colegiado, em setembro, em resposta a pedidos de licença para novos helipontos nas duas áreas com o maior tráfego de helicópteros do País - Vila Olímpia e Avenida Paulista.
Desde abril, quando foi sancionada a lei municipal sobre instalação de pontos de pouso e decolagem, apenas dois novos helipontos foram autorizados.
Rigidez. O cerco da fiscalização teve início há cinco meses, após o prefeito Fernando Haddad (PT) reduzir a distância mínima entre os helipontos e escolas e hospitais - de acordo com a primeira lei que regulou o setor, de setembro de 2009, eram 300 metros. Um deles, o do Edifício Millenium, por exemplo, está a apenas 98 metros das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) no Itaim-Bibi.
Havia dois anos o MPE solicitava a verificação. A fiscalização constatou o que a promotoria alertou em nova ação de agosto: a situação da maior parte dos cerca de 300 pontos de pousos das duas áreas continua em desacordo com as normas. "Isso mostra que vivemos uma situação de insegurança aérea. Nunca houve fiscalização efetiva de helipontos. E eles se propagaram de forma muito irregular", diz o promotor Maurício Ribeiro Lopes, cuja ação resultou na suspensão de novas licenças.
Parte dos helipontos, porém, tem licenças da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), expedidas antes da vigência das leis municipais, cujas validades expiram em dez anos.
O Estado de São Paulo
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Seminário de Sensibilização para a Política e o Plano de Mobilidade
Esta é uma excelente oportunidade para a divulgação da Lei 12.587/2012 e
para a promoção de diálogos com os Municípios, Estados e Distrito
Federal, além da sociedade civil e representantes das demais
instituições envolvidas, para a elaboração dos Planos de Mobilidade.
Data: 22/10/2013Horário: de 08h30 às 17h30
Local: Auditório do Ministério das Cidades – Brasília DF
SAUS - Setor de Autarquias Sul Quadra 1 Lotes 01/06 – Bloco H Ed. Telemundi II, Subsolo
Programação Provisória
8h30 – Credenciamento
9h - Abertura
- Marco Antonio Vivas Motta – Diretor de Cidadania e Inclusão Social da SeMob
- Nazareno Stanislau Affonso - Conselho Nacional das Cidades
- Paulo Victor Rada de Rezende – Secretário Adjunto de Transportes do DF
10h - Política Nacional de Mobilidade Urbana – Principais Tópicos da Lei 12.587/12
- Martha Martorelli – SeMob
11h - Mesa Redonda: Desafios Políticos da Implementação da Lei 12.587/12
- Clarisse Linke - ITDP
- Alexandre Gomide – IPEA
- Nazareno Stanislau Affonso - Conselho das Cidades
- Mediador – a confirmar
12h - Almoço
14h - Mesa Redonda: Debate sobre Planos de Mobilidade e Instrumentos de Gestão
- José Ribamar Rocha de Góes – CODEPLAN
- Daniela Facchini – EMBARQ
- Inês Damaceno - Conselho das Cidades
- Mediador – a confirmar
15h30 - Coffee Break
16h - Mesa Redonda: Debate sobre Controle Social e Política Tarifária
- Renato Boareto - IEMA
- Umberto Rafael de Menezes Filho – Secretaria de Transportes do DF
- Conselho das Cidades
- Mediador - Marco Antonio Vivas Motta - SeMob
17h30 – Encerramento
Data: 22/10/2013Horário: de 08h30 às 17h30
Local: Auditório do Ministério das Cidades – Brasília DF
SAUS - Setor de Autarquias Sul Quadra 1 Lotes 01/06 – Bloco H Ed. Telemundi II, Subsolo
Programação Provisória
8h30 – Credenciamento
9h - Abertura
- Marco Antonio Vivas Motta – Diretor de Cidadania e Inclusão Social da SeMob
- Nazareno Stanislau Affonso - Conselho Nacional das Cidades
- Paulo Victor Rada de Rezende – Secretário Adjunto de Transportes do DF
10h - Política Nacional de Mobilidade Urbana – Principais Tópicos da Lei 12.587/12
- Martha Martorelli – SeMob
11h - Mesa Redonda: Desafios Políticos da Implementação da Lei 12.587/12
- Clarisse Linke - ITDP
- Alexandre Gomide – IPEA
- Nazareno Stanislau Affonso - Conselho das Cidades
- Mediador – a confirmar
12h - Almoço
14h - Mesa Redonda: Debate sobre Planos de Mobilidade e Instrumentos de Gestão
- José Ribamar Rocha de Góes – CODEPLAN
- Daniela Facchini – EMBARQ
- Inês Damaceno - Conselho das Cidades
- Mediador – a confirmar
15h30 - Coffee Break
16h - Mesa Redonda: Debate sobre Controle Social e Política Tarifária
- Renato Boareto - IEMA
- Umberto Rafael de Menezes Filho – Secretaria de Transportes do DF
- Conselho das Cidades
- Mediador - Marco Antonio Vivas Motta - SeMob
17h30 – Encerramento
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Mobilização pela Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito
Pesquise no site
assim como observem o link abaixo para organizar ações
durante este data.
( em espanhol, inglês e russo...português não existe ainda)
Cada cidade que compartilha suas ações também poderá divulgar internacionalmente com os
parceiros globais na China, Rússia,e outros paíse suas atividades. É uma
boa oportunidade para realizar lançamentos de campanhas, ações
educativas, campanhas de fiscalização, passeatas, bicicleatas e atividades lúdicas.
Contribua e dissemine essa importante atividade.
O MDT se solidariza com a atividade, lembrando a recente violenta morte do companheiro Laerte do nosso secretariado.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
MORRE LAERTE : UM GUERREIRO DO DIREITO AO TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE
O MDT dá um adeus ao militante, amigo e querido engenheiro Laerte Conceição Mathias de Oliveira, um guerreiro do Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos,
que faleceu no dia 12 de outubro em acidente automobilístico.
Metroviário a 25 anos no Metrô de São Paulo e Vice-Presidente do
Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, é fundador e membro do
Secretariado do MDT. Foi ex-presidente, fundador e membro do conselho consultivo da AEAMESP.
Como Conselheiro das Cidades, participou da coordenação da 4ª, e agora
da 5ª Conferencia das Cidades, representando a Federação Nacional dos
Engenheiros (FNE) no segmento de entidades dos Trabalhadores, pelo qual
foi membro do Comitê de Mobilidade e Transporte.
Laerte
fez sua militância em prol da mobilidade urbana sustentável
participando ativamente da elaboração da Lei da Mobilidade Urbana (lei
12.587/12), das lutas por mais recursos para os transportes públicos
conquistados nos PACs e nos recursos para sistemas estruturais em São
Paulo. Recentemente estava na linha de frente na elaboração do Pacto
Nacional da Mobilidade, e também da implantação de um Sistema Nacional
de Desenvolvimento Urbano, foco da discussão da 5ª Conferência Nacional
das Cidades.
Sua
perda para a violência no trânsito nos entristece ainda mais, por saber
que também lutou por um país melhor com Paz no Transito.
Fiquemos
com a nossa última lembrança maravilhosa dele, no café da manhã dos 10
anos do MDT, que ele fez questão de prestigiar e enriquecer com a sua
presença.
Nazareno Stanislau Affonso- Coordenador Nacional do MDT
Raphael Dornelles- Secretario Executivo do MDT
Cristina Baddini -Responsável pelo Blog do MDT
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